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Pôr do Sol
Pôr do Sol
Rui Melo, Manuel Pureza e Henrique Cardoso Dias
2021
Novela
A novela que chegou para acabar com todas as outras novelas.
Pôr do Sol é uma novela absurda, que coloca todos os cânones do género de pernas para o ar, com piadas divertidas, momentos completamente malucos e, na generalidade, a loucura total. Tudo acontece a estas personagens, desde as gémeas separadas que afinal são três, até acidentes de avião, passando por corridas de cavalos para trás e crises de cereja que sabem a marisco.
No entanto, o formato é muito repetitivo porque, apesar de ser uma novela a gozar, continua a ser uma novela e isso é uma seca brutal. Podiam ter cortado metade das reviravoltas sem tirar qualquer tipo de conteúdo, que já por si não é muito. Também não percebo a existência do conjunto de personagens lisboeta, que não faz nada e só diz graças que pouca graça têm.
Apesar de alguns momentos cómicos geniais, o Pordosolpordosolpordosol não tem muito sumo de cereja que se possa tirar, e acho que já toda a gente se esqueceu dele (apesar de o filme estar aí agora).
De resto "Beavers in Love" é um clássico inesquecível.
Uma Paixão Simples
Uma Paixão Simples
Annie Ernaux
1991
Novela
Livro minúsculo da mais recente Nobel, recebido através do BookCrossing.
O relato de uma paixão simples mas muito intensa, entre a narradora e um homem - estrangeiro, casado - com quem mantém uma relação secreta. Um livro pequenino mas muito compacto, em que passamos do amor à amargura, do erotismo ao ciúme, da alegria ao desespero, tudo num instante, tudo num pequeno suspiro de quem já perdeu esse amor.
Apesar de estar muito bem escrito, acho que este livro não transmitirá a verdadeira genialidade da Nobel, portanto fico à espera de ler mais.
Benito Cereno
Benito Cereno
Herman Melville
1855
Novela
Este livro foi-me trazido pelo meu pai porque pertencia a uma colecção de clássicos que eu adorei na infãncia. No entanto, há vários elementos para mim que tornaram esta leitura detestável.
Para começar, odeio barcos. Detesto histórias com barcos, eu não sei de que lado é a popa e de que lado é a proa, e também não me interessa e não quero saber. Ora, este livro é todo passado num barco, o que me levou a uma exaustão mental completa.
Depois, odeio racistas, e o Herman Melville não o podia ser mais com este livro. Não interessa que o homem vivia no século XIX e ainda havia escravatura, interessa é que colocar os revolucionários negros do lado do mal e o parvalhão que os escravizava do lado do bem é fundamentalmente errado, e não gosto disso.
Por isso não gostei deste livro e só o vou guardar pelo significado pessoal da colecção em si, da qual já não restam muitos livros.
Um Copo de Cólera
Um Copo de Cólera
Raduan Nassar
1978
Novela
Recebi este livro pelo Natal e como foi uma pessoa importante que mo deu li logo.
Nesta curta novela, com um total de 4 pontos finais ao longo de todas as páginas, Raduan Nassar conta uma história divertida, de oposição entre a riqueza ostensiva e o povo descalço. É uma história de amor, erótica, sensual, mas também a história do ódio, uma discussão violenta e um chorrilho de todos os tipos de ofensas (algumas eu nem tinha ouvido falar)
É um pequenino livro que serve como uma explosão, explosão de sentidos e de palavras, com um ritmo alucinante que torna impossível interromper a leitura.
Gostei muito e recomendo.
A Clockwork Orange
A Clockwork Orange
Anthony Burgess
1962
Novela
Como gosto muito do filme homónimo, agarrei logo a oportunidade que o BookCrossing me deu para ler este livro. É surpreendentemente minúsculo, mas nem por isso é uma leitura fácil ou rápida.
Não me fez confusão a linguagem, passado o primeiro terço do livro já estamos habituados. Mas a verdade é que esta leitura não me despertou interesse nenhum. As descrições caóticas de ultraviolência fizeram-me muito mais impressão no livro do que no filme, e as consequências dessa ultraviolência parecem minimizadas porque Alex não passa de uma criancinha com apenas 17 anos.
As descrições são pouco ricas e os personagens caricaturais. No fundo, foi um livro extremamente aborrecido que me levou a adormecer várias vezes durante a sua leitura, e não recomendo.
Daisy Miller
Daisy Miller
Henry James
1879
Novela
Uma novela curta mas que custou a ler.
Um bacharel está instalado na Suiça, onde conhece uma Americana giríssima de férias. Ela além de giríssima é também atrevida, pateta e irresponsável. Depois volta a encontrá-la em Roma, onde não corrigiu os seus vergonhosos hábitos.
Este livro é um pouco aborrecido, porque está tão datado, mas acaba por ser um bom retrato do que é expectável das mulheres daquela época. Infelizmente, o que é expectável não corresponde à realidade que conhecemos hoje em dia, e por isso é muito difícil de nos colocarmos no lugar do protagonista, que observa a tal Daisy Miller como se fosse um bicho muito raro.
O desfecho é trágico, mas a desgraçada da rapariga foi caracterizada de forma tão aversiva que nem sequer temos muita pena.
Não recomendo.
A História de um Sonho
A História de um Sonho
Arthur Schnitzler
1926
Novela
Estava eu a ler este livro e a pensar "eu conheço esta história de algum lado". E conhecia mesmo! Foi o livro que deu origem ao filme "Eyes Wide Shut", o que significa que tenho estado numa onda muito Kubrickiana.
Após um baile de máscaras, um médico é confrontado com o sonho da sua mulher, em que ela o trai com um marinheiro. Por isso, quando se vê novamente na rua, pensa que talvez tenha de se vingar desse sonho e, com isso, trair a sua mulher. Rapidamente se vê numa festa privada misteriosa, de mascarados, um universo ao qual não pertence.
Como vi o filme, devo dizer que este livro é tal e qual. Ipsis verbis, tudo o que se passa no livro é igual ao filme e vice versa. Portanto não fiquei muito surpreendida com as reviravoltas, nem fiquei a pensar muito nas consequências das aventuras deste médico.
Sem dúvida um livro cheio de simbolismos, passa-se como um sonho, em que os significados ocultos apenas farão sentido para quem os sonha, para quem os vê.
Como a água que corre
Como a água que corre
Marguerite Yourcenar
1982
Novela
Também recebi este livro num encontro de Escrita Narrativa. É um conjunto de duas novelas e um pequeno conto, todos a nível histórico.
O primeiro conto fala de uma história de incesto, amor impossível entre dois irmãos numa época renascentista. Achei a escrita pouco clara e difícil de entender, sobretudo no respeito à consumação do facto, que me passou totalmente ao lado.
O segundo conto mostra-nos a história de um homem jovem, das suas diversas aventuras após fugir da sua cidade por ter cometido um crime inocente. A viagem pelo mundo do protagonista e os vários acontecimentos não só caracterizam muito bem a época como são bastante divertidas. O final é muito belo também.
Finalmente, temos um pequeníssimo acrescento que para mim foi a parte mais interessante do volume. Neste conto Yourcenar fala do filho do protagonista do conto anterior, que se junta a uma trupe de actores. Gostei muito de ler sobre o teatro de antigamente.
Penso que este livro está mais dirigido àqueles que já são fãs da autora. Como eu não a lia há muitos anos fiquei um pouco sem saber o que pensar.
Davy Crockett
Davy Crockett
Enid Lamonte Meadowcroft
1952
Novela
Aparentemente Davy Crockett foi uma figura histórica dos EUA, um herói da guerra da independência e um espertalhaço sem limites. Este volume, pelo que percebi, trata-se de um resumo desta história real numa narrativa para a infância e juventude.
E nota-se.
A narrativa é altamente simplificada, sem nenhum elemento descritivo que nos permita imaginar onde estamos, sem nenhum elemento característico da personagem (que aqui se apresenta apenas como esperto, corajoso e trabalhador) que nos permita perceber de onde vêm as suas decisões e para onde elas vão.
A história é certamente divertida, mas altamente americanizada - como faz todo o sentido - o que fez com que talvez não a possa apreciar devidamente.
A Criada Zerlina
A Criada Zerlina
Hermann Broch
1949
Novela
Recebi este livro (e o próximo) na Chuva de Livros de Aniversário do BookCrossing.
Estava curiosa com ele, desde que no Festival de Teatro de Almada surgiu um monólogo baseado neste longo conto. Então, temos primeiro um homem (o autor fala da vida e obra desse homem ninguém sabe porquê) que está hospedado na casa de uma senhora rica. Essa senhora rica tem uma criada, Zerlina, que lhe fez umas trapaçarias há muitos anos: roubou-lhe o amante, por momentos.
Este livro, efectivamente, funciona bem como um monólogo, porque no fundo trata-se apenas de Zerlina a contar a sua história, sem tomar qualquer atenção a se tem uma resposta ou não. A história por si só é plena de sensualidade, que se torna difícil de imaginar pela descrição da criada no momento actual (velha e horrenda). Penso que este aspecto seja o mais revolucionário, tendo em conta a época.
Ainda assim, questionamo-nos sobre porque é que Zerlina partilha a história e será que a partilha com toda a gente. A conclusão não nos diz nada sobre isso e tira completamente a importância do que foi contado.
Ainda assim, uma leitura rápida e divertida.
A Morte de Ivan Ilicht
A Morte de Ivan Ilicht
Lev Tolstoi
1886
Novela
Mais um livro russo pequenino, desta vez de Tolstoi, que foi um belíssimo pingo da Chuva de Livros de Aniversário do BookCrossing.
Ivan Ilicht é um homem aparentemente normal, mas que vai morrer. Tolstoi conta-nos de uma forma desprendida todo o processo de morte e desespero deste homem e da sua família. O autor explica-nos quem é Ivan Ilicht: se ao príncípio o achamos um homem bom e simples, rapidamente percebemos que a sua amizade pelo jogo e bebida o torna quase insuportável para os que o rodeiam. O livro serve como crítica para os pequenos burgueses da época, metidos a pessoas ricas mas ainda assim plenos de uma foleirice vitoriana.
O processo de morte é relatado de forma quase cómica, mas ainda assim com um toque de tragédia.
Gostei muito deste pequeno livro e recomendo.
O Pequeno Herói
O Pequeno Herói
Fiodor Dostoiévski
1849
Novela
Micro micro livro de Dostoievski (por sinal um dos meus autores favoritos) que conta a pequena aventura de um rapazinho que se apaixona por uma linda senhora.
O curioso deste livro é como através da história do rapazinho passamos a conhecer a história da tal senhora, da amiga, do marido, do amante, enfim, de todos os outros intervenientes. Escrito de uma forma muito simples e directa, causa um misto de emoções de medo e distress durante a leitura, porque realmente acreditamos que os acontecimentos em causa são efectivamente reais.
É uma história bonita, com uma conclusão um pouco triste, e que se lê em meia hora.
Crazy Equóides
Crazy Equóides
João Barreiros
2018
Novela
Este livro estava tão publicitado, e tanto o foi ao longo do tempo, que quando me surgiu a promoção do Festival Contacto fui lá e comprei-o.
Só muito tempo depois de ter chegado e de ter olhado para ele é que reparei que a capa.... Que a capa está cheia de pilas. E só depois de o ler percebi que... O livro. O livro está cheio delas também. E eu não estava à espera disso.
A história é sem dúvida original, com conceitos que parecem ter surgido muito anteriormente e uma caracterização do universo muito boa. As relações entre as personagens, humanas e menos humanas (mas ainda assim um pouco? Como explicar?) são muito curiosas e parece haver muito mais neste universo do que o autor nos deu a conhecer neste volume. O próprio planeta equóide em que se passa esta história está descrito de uma maneira quase bela, não fosse o horror sexual que ali se terá passado.
No entanto, a escrita tem elementos que me confundem um pouco, nomeadamente a utilização excessiva de palavras que ninguém utiliza hoje, quanto mais no futuro. Nomeadamente "cavalicoques". Ou "um fiozitio de baba". Estas repetições cortaram-me o ritmo e tornavam a leitura mais complexa do que devia ser.
Agora não desejo ter este livro, porque não quero ter um livro com pilas. Quem quer?
Paisagem com Mulher e Mar ao Fundo
Paisagem com Mulher e Mar ao Fundo
Teolinda Gersão
1982
Novela
Roubei este livro da casa da minha avó e ele era da minha mãe. Agora vai viajar pelo BookCrossing!
Nunca tinha lido um livro desta autora e fiquei muito bem agradada. A escrita é muito complexa, com elipses e referências plenas de textura. Existem elementos referentes à ditadura (a misteriosa figura de OS), com uma crítica contundente, apesar de discreta.
No fundo, este livro é um retrato da vida empobrecida durante o estado novo, mais que uma análise da personagem que é essa mulher com mar ao fundo. Por vezes pode ser muito denso, mas a escrita é de tal qualidade que uma pessoa não consegue deixar de o ler.
Recomendo!












