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Travelling the Fairy Path
Travelling the Fairy Path
Morgan Daimler
2018
Paganismo
Há algum tempo que nutria uma certa curiosidade sobre a magia com a Boa Gente, por isso decidi comprar este livro, que não sendo propriamente introdutório tem uma série de histórias, mais anedóticas ou mais sérias, sobre encontros com Fadas e os outros habitantes do mundo feérico.
A autora relata uma série de experiências pessoais, o que foi a parte que mais me aborreceu porque são muito americo-cêntricas, mas também muitos mitos e lendas que demonstram a existência das Outras Pessoas, que são Bonitas. Dá também um pequeno lamiré sobre como nos comportarmos perante esta Gente Bonita, que é com todo o respeito, com cuidado com a semântica e muita educação, mas não demasiada.
Foi uma leitura muito interessante, tanto que passei o Avante com o livro na mão.
Pagan Portals - Freya: Meeting the Norse Goddess of Magic
Pagan Portals - Freya: Meeting the Norse Goddess of Magic
Morgan Daimler
2023
Paganismo
Recomendaram-me os livros do Pagan Portals para conhecer melhor as minhas Senhoras, e comecei pelo da Senhora Freya.
Escrito de uma forma muito acessível, fiquei a conhecer alguns mitos da Deusa, coisas que Ela gosta e como a podemos cultuar de forma adequada. A importância dos mitos não é de desprezar, pois através deles é que ficamos a conhecer a personalidade dos Deuses e a sua relação com o mundo divino e terreno, o que influencia a nossa vida.
Gostei muito deste livro e é uma boa referência.
Homo Deus
Homo Deus
Yuval Noah Harari
2015
Não-Ficção
O que senti com este livro é que, infelizmente, eu sou um bocado culta demais para este autor. Numa profusão de histórias e anedotas científicas, o autor descreve o que já tinha falado nos seus outros livros, algo como a humanidade ter de se tornar divina para poder ultrapassar os seus problemas sociais.
Infelizmente, nenhuma das histórias apresentadas era desconhecida para mim, e o livro tornou-se algo difícil de mastigar porque era simplesmente tão aborrecido e tão cheio de si mesmo.
O que parece é que o autor não tem nenhuma filosofia própria, atacando-nos com factos a seguir a factos que para ele são muito engraçados mas para mim eram só repetidos.
Um desapontamento.
Pipocas com Telemóvel
Pipocas com Telemóvel
David Marçal & Carlos Fiolhais
2012
Não-Ficção
Novo livro para o clube de leiturar "Meia Volta Pelos Livros", e este devo dizer que não gostei nada.
Este livro relata vários relatos anedóticos de falsa ciência, o que está tudo bem. Mas enquanto cientista da área médica (serei cientista?) e - ao mesmo tempo - bruxa e pagã (esta é a parte em que todos se riem), achei um pouco despropositado e até ofensivo que os autores neguem completamente uma não-ciência que desconhecem. Posso ser eu que sou especialmente talentosa (acho que não), mas os meus feitiços funcionam, ora bolas, e não têm qualquer base científica.
De resto, também detestei o humor ao longo de todo o livro, que não jogou nada bem comigo, além da insistência de que os produtos naturais não funcionam, quando tenho exemplos na minha prática clínica de que funcionam sim.
Portanto, boca para vocês.
Novos Mistérios do Triângulo das Bermudas
Novos Mistérios do Triângulo das Bermudas
Richard Winer
1972
Não-Ficção
Livro encontrado no lixo que nos mostra alguns mistérios curiosos sobre o estranho "triângulo das bermudas".
Este livro, aparentemente, é uma continuação de um anterior que mostrava outros mistérios. Neste, o autor fala de alguns desaparecimentos estranhos na zona, mas a parte que mais gostei foi quando ele levou uma série de videntes a sobrevoar o triângulo para saber se tirava alguma conclusão válida.
A verdade é que não tirou e que os mistérios lá continuam até hoje.
Em Casa de Bruxa
Em Casa de Bruxa
Arin Murphy-Hiscock
2018
Paganismo
Um livro interessante que coloca a perspectiva da bruxaria e do paganismo concentrados no nosso lar, com a lareira como foco central da prática da bruxaria. É um livro que tem muito de bruxaria de cozinha, que não me interessa por aí além, mas que tem sugestões muito práticas de como trabalhar a magia DENTRO de casa.
No entanto, o livro tem alguns problemas que não sei como resolver. Nomeadamente, casas sem lareira. E também apartamentos. Não faz muito sentido estar a deitar sal à volta do prédio, sobretudo nos prédios portugueses que estão todos colados uns aos outros. Teria de fazer o feitiço à volta do quarteirão inteiro, o que estraga um pouco o objectivo.
Além disso, os feitiços mencionados são muito simples, e qualquer pessoa com uma boa base de bruxaria certamente já os tentou, ou pelo menos conhece.
Ainda assim, foi uma leitura agradável.
Hélade
Hélade
Maria Helena da Rocha Pereira
1990
Antologia
Livro encontrado no lixo, e que maravilha de livro! Trata-se apenas da antologia mais importante de Portugal sobre literatura helénica, omg!
Este livro tem uma colecção de textos clássicos, poesia e prosa, odes, preces e secções filosóficas, que mais ou menos resumem o pensamento da Grécia Antiga e servem como material de estudo.
E o que mais me fascinou foi precisamente como os gregos há 2500 anos pensavam exactamente nas mesmas coisas que nós pensamos agora: educação, guerra, amor, o caminho da sociedade.
Por isso, este livro é essencial e simplesmente maravilhoso. Ofereci a um amigo que se está a iniciar no politeísmo helénico yay.
A Short History of Nearly Everything
A Short History of Nearly Everything
Bill Bryson
2003
Não-Ficção
Um livro científico que tenta resumir em cerca de 600 páginas a história do mundo, da ciência e da humanidade.
É uma boa tentativa, pois o autor tem um excelente sentido de humor, e passa o tempo a contar-nos trivia e curiosidades de ciência. No entanto, o livro já é de 2003, e em 20 anos já se descobriu muita coisa, pelo que este livro é tudo menos definitivo.
Penso que se alonga demasiado em curiosidades e pouco nos factos propriamente ditos, que estão plenamente desactualizados, quer nos conceitos quer nas soluções.
Foi uma leitura morosa, mas ainda assim mais ou menos divertida.
Psychic Witch
Psychic Witch
Mat Auryn
2020
Paganismo
Um livro de magia que me foi recomendado por Migx, e que achei muitíssimo bem escrito e interessante.
Este livro propõe que todos nós temos capacidades psíquicas, e ensina vários métodos para as desenvolver. Também tem uma série de rituais e feitiços muito práticos e úteis, no entanto muitos deles eu já sabia (ou tinha noção), porque são muito parecidos com os do primeríssimo livro que tive, da Silver Ravelwolf, a quem este livro está dedicado.
De resto, a edição é lindíssima, ricamente ilustrada, e com exercícios muito claros e simples para desenvolver então esta capacidade. Já comecei a praticar o primeiro exercício, mas o pior é que adormeço sempre. D:
Deuses E Rituais Iniciáticos Da Antiga Lusitânia
Livro que comprei na Feira do Livro e ao qual me fizeram uma promoção muito simpática apesar de já não ser o dia deste livro. Obrigada senhor da Zéfiro que foste muito simpático. :)
Então, já há algum tempo que queria ler este livro, por sugestão do Círculo dos Cogumelos. Tenho cada vez mais interesse em conhecer o panteão lusitano, e pensei que este livro seria bom para começar.
Não é: o autor tem uma escrita complexa, hermética, com associações de sincretismo entre vários elementos que não estão muito bem explicados. Além disso, o autor muitas vezes perde-se em divagações de como ele é melhor que os outros e de como lhe roubaram artigos e ideias. Isto pode ser muito, diga-se vulgarmente, SECANTE para qualquer leitor, mas eu resisti e continuei.
Mas o autor não explica grande coisa sobre a prática de cultuar os deuses lusitanos, excepto de que temos de nos enterrar na terra para os compreender. Também não explica muito sobre a sua eventual origem. Apenas nos fala de sincretismos com a religião cristã e isso é horrivelmente chato.
Portanto, por um lado gostei, por outro fiquei muito desapontada.
An ABC of Witchcraft
An ABC of Witchcraft
Doreen Valiente
1973
Paganismo
Livro que li para o BookClub de Bruxaria do Círculo dos Cogumelos.
Um livro que adorei, uma enciclopédia sobre bruxaria, ricamente ilustrada, em que vamos do A ao Z com termos e conceitos que nos contam a história antiga e recente (até aos anos 70) do paganismo conforme o conhecemos.
A autora fala-nos de conceitos muito diversos, desde as religiões mais antigas, muito bem fundamentadas com bibliografia, até elementos mais recentes, como o massacre da família Manson e outros elementos curiosos que podem ser importantes para compreender a bruxaria nos nossos tempos.
Aprendi imenso, mas penso apenas que este livro está muito dirigido ao leitor anglófono, e por isso faltam definições que poderiam ser importantes (por exemplo, a palavra "bruxa" em oposição a "witch", que têm origens diferentes), para além de conceitos que são muitas vezes repetidos, nomeadamente a caça às bruxas que foi realmente muito patente nos países de língua inglesa mas menos frequentes noutros lugares.
Ainda assim, adorei esta leitura, e gostaria imenso de ter a versão física deste livro. Faço anos em Setembro! *wink wink*
A Civilização do Espetáculo
A Civilização do Espetáculo
Mario Vargas Llosa
2012
Ensaio
Último livro da Feira do Livro. Quando o comprei pensei que fosse sobre algo completamente diferente, mas trata-se de um ensaio sobre como a cultura "elevada" se está a perder para o espectáculo rápido e imediato das redes sociais e televisão.
Se ao início o discurso parecia ter alguma lógica, nos capítulos finais o autor começa a revelar que talvez tivesse demência por esta altura da sua vida, porque diz que "devia deixar de existir ficção, para isso existem os filmes" e que a literatura que se faz hoje em dia não é boa, nem culta, nem alta, nem nada, só a dele é que deve ser válida. Isto irritou-me tanto que tive vontade de mandar o livro pela janela do autocarro, e acabei por ler o capítulo final de rajada, sem grande atenção.
Nunca mais pego num livro do Vargalhosa, e eu até gostava bastante dele.
21 Lições para o Século XXI
21 Lições para o Século XXI
Yuval Noah Harari
2018
Não-Ficção
O meu pai ofereceu-me o "Sapiens" pelo Natal e, como já o tinha lido, decidi trocar por outro do mesmo autor. Como já tinha o segundo volume dele no Kobo, decidi-me pelo terceiro.
Nestas "21 Lições", o autor pensa mais à frente e tenta teorizar como será a vida num futuro longínquo. Numa primeira parte ele esforça-se por nos aterrorizar, dizendo que a inteligência artificial nos vai substituir mais tarde ou mais cedo, numa espécie de Skynet pacífica, propondo o rendimento social único como solução. Depois, parece esquecer-se que está a pensar no futuro longínquo e analisa os erros políticos do passado, os erros religiosos do passado. Acaba por não propor nada para substituir isso no futuro, embora a sua análise seja bastante interessante historicamente.
No entanto, este livro acabou por me irritar bastante porque nos capítulos finais Harari dá uma de auto-ajuda e começa, ninguém sabe porquê, a falar de meditação.
Deixem-me em paz mais a meditação, raios.
A Memória de Shakespeare
A Memória de Shakespeare e Nove Ensaios Dantescos
Jorge Luis Borges
1983
Contos
Pequenino livro, mas que apesar de tudo é muito denso.
Começa com alguns contos, com a escrita sofisticada e mística de Borges, em que ele analisa o seu final de vida e o seu sentido. Depois, passamos para "Nove Ensaios Dantescos", e é sobre isto que tenho mais a dizer.
Estes ensaios dantescos são apenas compreensíveis para quem tenha uma mínima noção da "Divina Comédia", de Dante. Por acaso (só por acaso), eu já li esse calhamaço de aborrecimento que é a Divina Comédia, e - graças a isso - consegui perceber mais ou menos sobre o que Borges queria falar. Mas, tal como a Comédia é uma chatice daquelas grandes, falar sobre ela acaba por ser também muito, muito chato.
Portanto, temos metade de um livro muito interessante, e outra metade aborrecida até à morte. O que fazer?
O Infinito num Junco
O Infinito num Junco
Irene Vallejo
2019
Não-Ficção
Ofereceram-me este livro no Natal e como já tinha ouvido falar TANTO dele (via BookCrossing) passei-o logo para a frente da minha pilha TBR.
Por um lado gostei, por outro fiquei desapontada. A autora tenta, neste livro, explorar a história do livro enquanto objecto, começando no mundo do papiro e terminando no universo do papel. No entanto, ela não o faz de forma cronológica, o que acaba por ser bastante confuso.
Para além disso está constantemente a misturar histórias da sua própria vida, que não me interessam nada, para tentar ilustrar o quanto ama e gosta de livros, o que para todos os casos também não interessa.
Devido à estrutura confusa do livro, que mistura a Babilónia com o Holocausto, a leitura é difícil e por vezes aborrecida. Felizmente temos muitas curiosidades interessantes e estranhas sobre o mundo da antiguidade para nos entreter.
Do I Have to Wear Black?
Do I Have to Wear Black?
Mortellus
2021
Paganismo
Li este livro a propósito do Book Club do Refúgio da Bruxaria, e trabalhei durante vários meses a convencer toda a gente para que fosse nomeado.
Algo que me tem perturbado ultimamente é o que fazer, enquanto pessoa pagã, num funeral normativo. Este livro, infelizmente, não responde a essa questão, mas tem uma análise importante sobre o que é a morte no contexto pagão e alguns dados sobre o funcionamento de funerárias (nos EUA).
O seu foco principal é a descrição de ritos e sugestões de textos e músicas para utilizar em cada tipo de funeral pagão. No entanto pareceu-me mais um conjunto de instruções sobre "como nos comportar num enterro diferente do habitual" do que um poço de ideias para planearmos o nosso próprio fim.
Temos ritos para todos os contextos, desde a morte de um animal até à de crianças pequenas.
É um livro cheio de compaixão, mas que me desapontou um pouco. Talvez estivesse com uma expectativa demasiado alta.
Os Engenheiros do Caos
Os Engenheiros do Caos
Giuliano Da Empoli
2019
Não-Ficção
Obtive este livro gratuitamente num blog do Wordpress e confesso que não esperava muito. A verdade é que é uma leitura esclarecedora e, talvez, até violenta sobre como a política internacional é influenciada pelo mundo digital.
Tomando por exemplo a política italiana, este volume mostra-nos como partidos e personalidades aparentemente "malévolas" conseguem o sucesso através da manipulação digital de dados e opiniões. Num mundo onde a internet está cada vez mais presente, este livro torna-se especialmente relevante para compreender de que forma a maneira do público ver as coisas pode ser finamente adaptada à necessidade imediata daqueles que querem estabelecer essa espécie de "nova ordem mundial".
Assim, é um livro recomendado a todos aqueles que se interessem por política.
O Discurso da Cumplicidade
O Discurso da Cumplicidade
Ana Pais
2004
Dramaturgia
Uma tese de mestrado (ou doutoramento) sobre o que é a dramaturgia e como ela tem sido utilizada ao longo dos tempos, com especial foco no teatro contemporâneo.
Não tenho muito a dizer sobre este livro, confesso que não me marcou especialmente. A exposição da história da dramaturgia é interessante, mas a verdade é que não traz nenhuma indicação nova, nenhum conselho, nenhum conceito. Assim, para quem lê para fomentar a aprendizagem, este livro acaba por não trazer nada de especial.
Claro que o estudo apresentado é especialmente válido como revisão bibliográfica, mas no entanto talvez eu esperasse demasiado.
Mais um livro de teatro para quem se interessa pelo assunto.
História da Feiúra
História da Feiúra
Umberto Eco
2007
História
Tal como existe o belo, também tem de existir o feio. Este livro, organizado por Umberto Eco, debruça-se precisamente sobre esse fenómeno.
A livro estabelece uma definição do que é o feio e explora as várias versões do que o é considerado ao longo dos tempos. No entanto, penso que a organização do volume peca por ser um pouco confusa, misturando várias épocas dentro de cada tema.
Ricamente ilustrado, o livro dá exemplos bastante concretos do que é considerado lindo e feio ao longo das eras. No entanto, algumas informações relativas a assuntos que conheço bem (como a bruxaria) estão incompletas ou simplesmente incorrectas.
Assim, fiquei um pouco desapontada com o Eco.
Mitologia Popular Portuguesa
Mitologia Popular Portuguesa
Alexandre Parafita
2021
Recolha
Comprei este livro a propósito do Clube de Leitura do Refúgio da Bruxaria, no qual tenho participado activamente e o melhor possível. Não foi o livro que tinha escolhido para estes dois meses, mas acabei por ficar agradavelmente surpreendida. Trata-se de uma recolha de histórias da cultura oral portuguesa, obtidas junto de professores, padres e pessoas que as conheciam, que - com muita pena minha - na sua maioria estavam remetidas a lares de idosos e centros de dia. Imagino que muitas delas já tenham falecido, o que me causou um certo desconforto. Com uma linguagem puramente académica, não diria que este é um livro especialmente acessível. No entanto, as histórias são extremamente interessantes e curiosas. E o mais curioso é que, nelas, encontro paralelos para uma certa bruxaria tradicional e folclórica do resto do mundo. Por exemplo, na secção das bruxas, achei altamente curioso que na tradição portuguesa elas se transformem sobretudo em patos. Noutras culturas transformar-se-iam em coelhos ou outros mamíferos. Qual será a simbologia do pato neste contexto? Uma simbologia de fertilidade e relação com os três elementos? Também nesta parte achei curioso que histórias referissem o "beijo no cu da rainha das bruxas", que também aparecia em relatos de vítimas da inquisição em séculos muito passados. O mesmo acontece na secção dos diabos, em que as suas descrições (roupas esquisitas, etc.) também correspondem a esses relatos. Também achei curioso que o diabo não apareça como um ser místico de pura maldade, mas sim como uma oposição ao bem, como o outro prato da balança. Sendo balança, tem um sentido de justiça e, nestas histórias, muitas vezes corrige os erros dos homens através dos seus poderes. Já a secção dos trasgos envia-me para um ser do folclore brasileiro, saci-pererê. Com as suas diferenças, é também um espírito traquina que faz malandrices na casa das pessoas, e também se veste com um gorro vermelho. O mesmo país tem também um lobisomem, que se cura com um "espinho de laranjeira no lombo", o que é muito semelhante à cura portuguesa (picar uma parte do corpo). No entanto, achei muito interessante que os lobisomens portugueses se transformem sobretudo em cavalos e outros animais que correm, para correr o fado o mais rápido possível. Qual será este símbolo? Finalmente, as mouras encantadas foram o objecto mais curioso da leitura, porque conhecia muito pouco das suas lendas. A sua imagem, da cobra com cabeça de mulher, lembra-me a nure-onna japonesa, embora as suas actividades sejam diferentes.
Enfim, este livro levantou-me uma questão que penso pertinente: será que as criaturas do folclore mundial representam um conjunto de medos e ansiedades comuns a toda a humanidade? Ou, existindo realmente, serão como espécies diferentes do mesmo genus, adaptadas ao ambiente em que estão? Uma leitura fascinante, e que recomendo.



















