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Estórias Abensonhadas
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Estórias Abensonhadas
Mia Couto
1994
Contos
Este é o último livro de Mia Couto que tinha na minha primeira lista de leitura da minha nova e gigantesca TBR. Acabei de o ler no café, enquanto estava à espera que o pessoal chegasse para irmos fazer coisas (e fiquei sem livro para ler, o que foi terrível D: )
Supostamente, este livro é uma versão renovada das histórias habituais de Mia Couto: uma versão dos acontecimentos que ocorrem depois da guerra. Agora, em tempo de paz, é tempo para as pessoas sonharem e terem esperança. Pelo menos, é isso o que diz no prefácio. Ora, achei então muito estranho que estas histórias se distingam muito pouco daquelas que li e que eram passadas *antes* da guerra.
Continuam a acontecer fenómenos bizarros, é certo. Mas eu esperava que este conjunto de fenómenos viesse a ter conclusões positivas na vida das pessoas, já que não existe mais o tormento da guerra. Não é isso o que acontece. Estas histórias são tão fantasiosas e com consequências tão absurdas como as anteriores. Não existe uma perspectiva de positivismo nem uma alegria emocional por finalmente ter terminado o terror.
Parece, então, que a guerra foi absolutamente inconsequente. É muito injusto.
By : ladyxzeus
Contos do Nascer da Terra
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Contos do Nascer da Terra
Mia Couto
1997
Contos
Mais um livro de Mia Couto, no processo de me convencer que afinal este autor não é merecedor do meu desprezo.
Em "Contos do Nascer da Terra", o autor explora de forma inocentada mitos e lendas africanas da zona, para além de nos remeter para um mundo passado, quase infantil, de brincadeiras e ansiedades juvenis. São contos muito curtos, que sempre causam uma certa estranheza. Mas eu gosto de coisas um bocadinho estranhas.
São contos em que as pessoas sofrem consequências por actos que não obedecem às crenças da região, sendo que os castigos infligidos são tanto bizarros como divertidos, para além de haver sempre uma carga simbólica na relação pessoa-objecto.
Já não me estranha as palavras inventadas. Lendo o livro com o sotaque Moçambicano, tudo faz mais sentido.
By : ladyxzeus
A Varanda do Frangipani
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A Varanda do Frangipani
Mia Couto
1996
Romance
O frangipani é uma árvore africana que perde todas as folhas no momento da floração. Esta é uma árvore simbólica e mágica no contexto deste livro, mais uma das minhas tentativas de reconciliação com Mia Couto.
Tudo começa com um espírito de uma pessoa morta. Está descansado, debaixo da terra, até que um pangolim mágico lhe dá a oportunidade de passar por uns momentos ao mundo dos vivos, observando tudo através do corpo de um polícia encarregado de investigar o assassinato de um director de lar de idosos. O espírito assiste às entrevistas com os habitantes deste lar, que não são muitos, sendo que cada um tem uma versão diferente da história.
O romance navega por histórias de magia e mistério tribal, esclarecendo-nos e também ao personagem sobre estes hábitos rituais ainda presentes na cultura do povo moçambicano. Assim, o livro acaba por ser uma sucessão de descrições de artes mágicas muito específicas e características, sempre em relação à guerra passada, o que não deixa de ser bastante interessante.
O que mais me cativou neste livro foi, sem dúvida, o final carregado de simbolismo e mística.
Talvez este autor não seja assim tão horrível. Ainda tenho mais para ler. ;)
By : ladyxzeus
Vinte e Zinco
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Vinte e Zinco
Mia Couto
1999
Novela
Este livro aparece na sequência de uma colecção temática da Editorial Caminho, com o mote do "25 de Abril", em 1999. Esta é a perspectiva de Mia Couto sobre a data em causa. Ora, eu por norma não gosto do Mia Couto. Sempre o achei um pedante que se acha muito especial por inventar palavras novas. Mas este livro foi, de certa forma, uma experiência diferente, porque tudo o que eu tinha por defeito do autor se dilui nesta narrativa.
Nos dias imediatamente antes e após o 25 de Abril em Lisboa, um grupo de habitantes de uma pequena aldeia africana não sabe o que fazer. Ora, um deles é agente da PIDE e tem muitos traumas sobre os quais se podem falar. É na relação destes personagens, as revelações sobre a realidade em oposição às sequências mágicas e feiticeiras dos hábitos locais, que o autor se baseia para nos mostrar a consequência imediata da revolução.
A caracterização dos personagens é curta mas essencial, sendo que poderiam todos ter sido um pouco mais explorados se houvesse mais "tempo". A forma como tudo está descrito é muito simples, quase infantil, apesar da brutalidade de algumas das situações. E quanto às palavras inventadas, elas fluem com toda a naturalidade, assemelhando-se em tudo às suas partes que figuram realmente no dicionário.
Será este o primeiro passo para fazer as pazes com o autor? Quem sabe... ;)
By : ladyxzeus
Cronicando
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Cronicando
Mia Couto
2003
Crónicas
Li alguns comentários que dizem que toda a gente gosta de Mia Couto. Honro-me de ser a excepção. Depois de ler este livro maligno, que me durou MESES dentro da mala, honro-me de poder dizer: EU ODEIO O MIA COUTO. Com todas as minhas forças. Caramba!
Porquê, digam-me, porquê? Porque é que os autores dos países africanos de língua portuguesa se RECUSAM a escrever as coisas em Português? Eu quero ler um livro em PT-PT não ém AF-PT, ie. Africanês. Sim, há umas brincadeiras de palavras que são giras. Mas brincar com TODAS as palavras? Olá? Caro Mia Couto, será o senhor um pouco demente? Tanto esforço a fazer alterações nas palavras para depois não sair nada de jeito, acho bem...
As histórias até são engraçadas. Algumas. Mas estão escritas de uma maneira tão insuportável que agora que acabei o livro só tenho vontade de o queimar e de lhe fazer uma macumba (o que é uma boa maneira de acabar com um livro africano, pensando bem :3) Sorte do livro que não é meu, é da minha irmã.
Mia Couto, NUNCA MAIS NA VIDA!
By : ladyxzeus

