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  • Novas Cartas Portuguesas

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    Novas Cartas Portuguesas
    Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta & Maria Velho da Costa
    1972
    Crónicas


    Tudo o que eu sabia sobre este livro era que se trata de um grande manifesto feminista, pré-democracia, e que as suas autoras sofreram bastante na pele pela sua indecência e escritos revolucionários.

    Efectivamente, em 1972 este livro deve ter chocado imensamente a sociedade, devido ao seu eroticismo e relatos de momentos femininos absolutamente duros e violentos. Inspiradas nas cartas de uma Soror Mariana ao seu amante francês, as autoras transformam todo o feminino nessa Mariana perdida, descrevendo implacavelmente uma série de situações pelas quais as mulheres passavam, e continuam a passar, e que são consequência apenas do patriarcado e machismo infiltrados na sociedade.

    Com poemas, textos curtos e textos mais longos mas que nunca aborrecem, as 3 Marias compõem aqui uma obra fundamental para compreender o feminismo, mas que está montada de uma forma muito complexa e altamente sofisticada.

    Essencial e imperdível.

  • K4 O Quadrado Azul

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    K4 O Quadrado Azul
    José de Almada Negreiros
    1917
    Folhetim


    Publicado no início do século XX sob a forma de folhetim, "O Quadrado Azul" é um estranho manifesto social e político, escrito da forma mais aleatória possível, e que demonstra as ideias do autor de forma revolucionária mas, confesse-se, altamente hilariante.

    O autor discorre sobre vários assuntos da sociedade da sua época num discurso meio desconexo, meio doido, e essa doideira permite-nos compreender - no meio de risos - que o autor não quer viver aqui, não quer estar aqui, que nós somos uma merda e que devíamos todos matar-nos.

    Achei excelente a ideia!

  • Clepsydra

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    Clepsydra
    Camilo Pessanha
    1920
    Poesia


    Um livrinho de poesia que comprei em super promoção na Feira do Livro.

    Para ser completamente sincera, este livro foi tão pouco memorável que não sei bem o que dizer sobre ele. São poemas, a maior parte sonetos, inspirados no movimento literário da época. Esta autor terá conhecido Venceslau de Moraes e viveu na Ásia por algum tempo, e a sua poesia tem portanto alguma influência dessas imagens orientais.

    São poemas de amor não requisitado, de grande tristeza e desespero, mas que não me levaram a lado nenhum. Poesia não será o meu género preferido, no entanto este livro clássico foi mesmo um desapontamento.

  • O Livro dos Camaleões

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    O Livro dos Camaleões
    José Eduardo Agualusa
    2015
    Contos


    Recebi este livro pelo meu aniversário através do BookCrossing.

    Trata-se de um livro de contos um pouco estranhos, alguns bastante surreais, outros um pouco mais ligados à realidade, mas todos eles tendo em comum um certo tema de transformação, de ligação ao eu e de descoberta de identidade.

    É uma leitura bastante simples, com uma linguagem muito acessível, mas que - para um autor publicitado como uma voz moderna do continente africano - não nos remete para nenhuma questão "africanizada", seja racial, social ou económica.

    É uma fantasia, um sonho ou algo do género, mas é algo de tipicamente português e - acredito - a publicidade que dão a este autor é totalmente injusta e errada. Nada contra ele, apenas não o deviam publicitar assim.

  • Sangue Violeta e Outros Contos

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    Sangue Violeta e Outros Contos
    Fernando Relvas
    2012
    Banda Desenhada


    O Punk não está morto! Está só a descansar! E este album é a prova disso. 

    Cru, violento, porco, feio e mau, conta as vivências e aventuras de Violeta, uma punkita desregrada, no meio das suas bebedeiras, das suas festas, dos seus concertos. Coloca-nos perante questões importantes sobre quem é realmente Violeta, se ela existe, se ela alguma vez existiu, ou se ela está dentro de todos nós. E tudo isto desenhado num estilo duro e directo, que salta aos olhos, que nos faz vibrar como se nós próprios estivessemos a ouvir os primeiros acordes do grind da guitarra.

    Outras histórias acompanham este album, menos doidas que as de Violeta, mas ainda assim bastante psicadélicas, talvez com um toque poético, que me deixaram de barriga cheia depois de ler este livro.

    Este era o último volume disponível de TODOS quando o comprei, por isso agora vai ser difícil de o encontrar. Mas fiquei muito feliz com ele, e acho que agora nas minhas veias também corre uma espécie de espesso sangue que é... Violeta.

  • Noite de Cães

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    Noite de Cães
    Álvaro Guerra
    1971
    Contos


    Livro com três contos com tema de "cães", embora o do meio não refira esta espécie em parte alguma.

    São histórias dolorosas, que nos falam da vida diária das pessoas dos campos portucalenses, da pobreza extrema em oposição à opulência dos mestres, dos ricos, dos donos dos cães. Dois dos contos também insistem bastante nas questões da guerra colonial, da fuga em massa de jovens para França, um assunto que na época em que foi escrito não haveria de ter sido muito fácil de abordar.

    Felizmente os contos estão muito bem escritos, o que permite uma leitura cativante, apesar de bastante densa. Ainda assim, nenhum deles me impressionou grandemente, sendo que o do meio (o que não tinha cães) já esqueci completamente.

  • Alcança quem não cansa

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    Alcança quem não cansa
    Henrique Nicolau
    1987
    Policial


    Um policial que veio não sei como parar-me às mãos, e que não é mesmo nada de especial.

    Aqui o mistério foi quem matou uma prostituta, e o investigador é um jornalista que não tem carro e anda de transportes públicos. O autor esforça-se por caracterizar uma espécie de submundo de Lisboa, que envolve prostitutas e tráfico de objectos via alfândega, mas não o faz muito bem, porque a situação toda é inverosímil.

    A linguagem utilizada também aborrece bastante, porque o autor se esforça por transmitir uma "língua de rua" que talvez existisse nos anos 80, mas que 30 anos passados é apenas bacoca e meio ridícula.

    Acabou por não me interessar nada quem era o assassino, e este personagem jornalista irritante irá perder-se no esquecimento como merece.

  • Tanta Gente, Mariana

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    Tanta Gente, Mariana
    Maria Judite de Carvalho
    1959
    Contos


    Um conjunto de contos que aborda a condição feminina da época. Contos que relatam vidas destas mulheres, destas famílias, destas pessoas, vidas dolorosas e magoadas.

    Vidas simples.

    Porque em 1959 tudo era mais simples, tudo era escuro, cinzento, triste. A dor destas personagens por terem incapacidades fisicas ou sociais, a dor destas mulheres é a dor de toda a sociedade da época, pobre e limitada, sem grandes novidades, tudo funcionando regularmente.

    Por isso, ler este livro é um exercício de estranheza.

    Para mais, dentro do livro, estava uma madeixa de cabelos. Coisas que acontecem com livros velhos em segunda mão.

  • Bairro Sem Saída

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    Bairro Sem Saída
    Fernando Ribeiro
    2021
    Romance


    Recebi este livro através da Troca de Natal do BookCrossing. Apesar de não ser grande fã de Moonspell, foi um livro que deu bastante gosto ler.

    Numa narrativa semi-autobiográfica, este livro segue a infância de Rogério Paulo, nascido no bairro da Brandoa durante um terramoto. Uma infância que seria vulgar, uma adolescência obcecada por sexo, não fosse as condições miseráveis de vida neste bairro. Assim, o livro conta-nos muito sobre como viviam estas pessoas nos anos 70/80, sem electricidade ou água canalizada, passeando-se entre copos de vinho, lixo e ratos.

    No entanto, este livro sofre daquilo que eu chamo "síndrome da adolescência masculina", que é... Bem, parece que os rapazes destas idades pensam única e exclusivamente em sexo. Assim, a descrição de todas estas aventuras sexuais não me faz grande sentido, com excepção da situação ritualizada na casa das pessoas ricas.

    De resto, é um livro bem escrito e com bom ritmo, que se lê muito bem.

  • Bastardos do Sol

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    Bastardos do Sol
    Urbano Tavares Rodrigues
    1959
    Romance


    Nunca tinha lido nada deste autor e fiquei muito bem impressionada. Este volume contém o romance "Bastardos do Sol" e a novela "Os Pregos".

    Em "Bastardos do Sol" temos um retrato do Portugal rural profundo, tendo por foco dois irmãos. A irmã está apaixonada, o irmão é violento e irascível. A partir daqui desenvolve-se uma trama que, sendo simples, está plena de significado. O significado do que é a figura feminina na época, o significado do que é a figura do homem rico na época. E a procura por uma vida diferente, nem sequer melhor, mas diferente, a fuga, o enfrentar das consequências. A narrativa é absolutamente viciante e muito vívida, conseguimos realmente situar-nos nas paisagens abrasadoras do Alentejo, e sentir tal como estes personagens sentem.

    Em "Os Pregos", temos um relato da prisão, um manifesto do aborrecimento, do desespero, da tortura e do horror, pontuado pela dúvida da saudade, e pela dúvida da traição amorosa. Não gostei tanto desta novela como do texto anterior, mas ainda assim é um precioso relato.

    Recomendo vivamente este livro!

  • Comandante Serralves: Expansão

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    Comandante Serralves - Expansão
    Vários
    2018
    Contos


    Apesar de conhecer pouco sobre o universo do Comandante Serralves, fiquei feliz quando ganhei este livro na rifa do Festival Contacto, no qual fui voluntária. Esta história, um projecto da Editora Imaginauta, está em constante desenvolvimento, e este conjunto de contos explora um pouco mais esse universo.

    Assim, fiquei a aprender mais sobre como funciona alguma desta tecnologia futura e a razão pela qual existe um grupo de guerrilha armado nesta luta interplanetária. No entanto, apenas pela explicação do conto, não me parece uma ditadura assim tão grave para causar a infelicidade geral. Terei de explorar mais.

    Em termos editoriais, é um livro pequenino, jeitoso e cheiroso. Deixei-o na Biblioteca Livre da Quinta das Conchas para novos leitores.

  • A Gorda

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    A Gorda
    Isabela Figueiredo
    2016
    Romance


    Queria ler este livro há tanto tempo que até já o tinha oferecido à minha irmã por forma a mais tarde lho roubar. Acabou por surgir no BookCrossing.

    Maria Luísa é a personagem central deste romance, e ela é gorda. Tem uma vida mais ou menos infeliz, sem grandes sucessos, sem grandes amores, mas aparentemente não é por ser gorda. É mesmo um problema dela, propriamente dita. Então, porque é que temos um livro sobre uma gorda se não interessa quase nada que ela seja gorda para que a história siga o seu caminho?

    Temos então uma narrativa neurótica, quase desesperada, com a descrição das infelicidades e injustiças vividas por esta pessoa (nem todas por ela ser gorda). Isto torna-a uma humana verdadeira, é certo, mas sem nada para apreciar nela. Portanto, quase que dá gosto ver quando coisas más lhe acontecem.

    Achei apenas curioso que vivam na Cova da Piedade, que é mesmo aqui ao pé.

  • Cantileno

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    Cantileno
    Maria Gabriela Llansol
    2000
    Contos


    Este é um livro estranho e complexo, que me veio parar às mãos num encontro de escrita. O livro é composto de três partes: dois contos mais longos e uma terceira parte que tem vários contos pequeninos.

    Os temas, esses, são a parte complexa. E a execução, essa sim, é a parte estranha. Por exemplo, peguemos no exemplo do segundo conto, em que a autora relembra o seu cão e passeia com o cão Jade por elementos que misturam sonhos, memórias e realidades fantásticas. É uma leitura densa, por vezes difícil, mas que nos remete para conceitos muito curiosos.

    A terceira parte, escrita nos anos 60, leva-nos para um Portugal despedaçado da violência do interior, da violência da ignorância e da violência da pobreza. Tem personagens muito vívidas e humanas nas suas características e é, sem dúvida, a parte mais integral de todo o volume.

    Agora disponível para novas viagens.

  • Um dia chegarei a Sagres

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    Um dia chegarei a Sagres
    Nélida Piñon
    2020
    Romance


    O meu pai emprestou-me este romance a propósito de o ter ganho da própria autora. Até tem uma dedicatória só para ele! Pensei que seria uma leitura bem rápida, mas afinal não.

    É um livro de escrita lenta e muito complexa, que aborda o sentido da portugalidade, mas por uma perspectiva inteiramente fresca - já que Nélida Piñon é brasileira. O persoangem principal, Mateus, é um andarilho cujo sonho era chegar a Sagres. Mas quando lá chegou, partiu-se o sonho.

    A grande questão deste livro está na edição fraquíssima, com imensos erros estruturais e de lógica, e também com inexactidões temporais entre cada acção das personagens. A autora parece ter pesquisado muito sobre a vida dos portugueses em Portugal e ainda assim engana-se no nome do D. Afonso Henriques, em todas as vezes.

    No fundo a história é bem simples, um triângulo amoroso diferente do habitual, mas que com esta escrita densa se torna um pouco fastidiosa.

    Assim, acabei por ficar bastante desapontada.

  • Fins-de-Semana

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    Fins-de-Semana
    João Miguel Fernandes Jorge
    1993
    Contos

    Mais um pingo da Chuva de Livros do BookCrossing, desta vez um livro de contos.

    Se o primeiro conto, que dá o nome à colectânea, me surgiu como bastante interessante e refrescante, os outros ficaram aquém da expectativa criada. A maior parte são sobre os Açores e, como convém a literatura sobre estas ilhas, falam quase exclusivamente da pobreza imensa, do sofrimento e da desgraça das pessoas, sem nunca mencionar a parte da beleza natural e a presença do mar.

    Apesar de muito bem escritos, com um estilo clássico e solto, os contos acabam por aborrecer um pouco, dada a negatividade associada às personagens, que são todas incapazes de ser felizes.

  • Paisagem com Mulher e Mar ao Fundo

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    Paisagem com Mulher e Mar ao Fundo
    Teolinda Gersão
    1982
    Novela

    Roubei este livro da casa da minha avó e ele era da minha mãe. Agora vai viajar pelo BookCrossing!

    Nunca tinha lido um livro desta autora e fiquei muito bem agradada. A escrita é muito complexa, com elipses e referências plenas de textura. Existem elementos referentes à ditadura (a misteriosa figura de OS), com uma crítica contundente, apesar de discreta.

    No fundo, este livro é um retrato da vida empobrecida durante o estado novo, mais que uma análise da personagem que é essa mulher com mar ao fundo. Por vezes pode ser muito denso, mas a escrita é de tal qualidade que uma pessoa não consegue deixar de o ler.

    Recomendo!

  • A Promessa

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    A Promessa
    Bernardo Santareno
    1959
    Teatro
    Para variar um pouco, uma peça de teatro. Escrita em pleníssimo Estado Novo, tratava-se uma peça arriscada e que poderia violentar os púdicos da época. É uma história de vinho, castidade e cantigas de varinas, épica, trágica e muito violenta.

    Infelizmente o efeito do texto não é mais conseguido nos dias de hoje, sem ser por uma pura apreciação histórica do contexto. O contexto socio-cultural da época colocava esta peça num nível próximo do limite do aceitável, o que é extraordinário. No entanto, o sentimento que transmite não sobrevive até aos dias de hoje, acabando a narrativa da peça por ser um melodrama exagerado, cuja malvadez não nos afecta mais do que uma simples piada.

    Ainda assim, penso que gostaria de ver esta peça em cena.
  • O Elo Invisível

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    O Elo Invisível
    Patrícia Maia Noronha
    2019
    Contos

    Conheci a Patrícia num pequeno curso de Escrita Narrativa, ministrada por Rafael Dionísio, em que criámos um conto baseados numa série de exercícios. Mais tarde publicados sob forma de uma zine (“Não Metas um Poeta Dentro de Água”), eram contos sobre a vida normal das pessoas e sobre o que as pessoas têm a dizer sobre as suas próprias vidas. Patrícia escreveu um conto sobre um pintor e a sua idosa estudante, que agora se encontra neste volume de contos fantástico: “O Elo Invisível”.

    Movidos por uma força interna e visceral, estes contos mostram de tudo o pior que cada pessoa tem dentro de si, como espirais desconcentradas que caminham para o âmago das personagens. Patrícia Maia Noronha conta-nos uma série de episódios de pessoas normais, pessoas que estão ligadas por um fino fio de lã, esse elo vermelho que nos liga a todos uns aos outros.

    Mas essas pessoas, as personagens destes contos, dentro de toda a sua normalidade, dentro do seu dia a dia que se move regularmente, têm dentro de si um pequeno monstro que vai crescendo com o desenvolvimento dos contos, revelando-nos situações tragicamente dolorosas. Ainda assim com uma pitada de humor que quase nos aterroriza, perante a estranheza.

    Este é um volume de uma nova autora ao qual devemos dar alguma atenção. Recomendo que se o encontrarem, em feira ou em loja, o levem para casa. Para ficarem a conhecer todas estas pessoas que podiam ser como nós.
  • A Nossa Alegria Chegou

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    A Nossa Alegria Chegou
    Alexandra Lucas Coelho
    2018
    Romance 

    Um romance algo estranho que me chegou através do Bookcrossing.

    Num país inventado, de águas claras e belas praias, todos trabalham para os matadouros de um certo autoproclamado Rei. Três jovens amigos, com uma relação de sexualidade um pouco estranha, decidem mudar um pouco o rumo das coisas. A isto assistem dois turistas, que vieram fazer os últimos rituais funerários do seu pai e marido.

    Se a ideia é bastante boa, e a autora se esforça por inventar frutas, plantas e animais, até uma língua exclusiva deste país bizarro, existem alguns elementos que são me causaram uma certa estranheza. A relação entre os três amigos, muito ligada a uma sexualidade evidente e que me deixa um pouco desconfortável, é estranha e improvável, assim como o desenlace da história. A mistura da tecnologia com a tradição não corresponde muito bem ao que esperávamos, sendo que parece estranho como um país tão pouco evoluído tem tantas coisas especialmente modernas.

    Também é incompreensível o envolvimento do empresário asiático, que recebe um fundo para a sua personagem mas que no fundo só está ali para que o desenlace possa acontecer.

    Todo este livro é muito esquisito e, por isso, não tenho a certeza se gostei ou não.

  • A Febre das Almas Sensíveis

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    A Febre das Almas Sensíveis
    Isabel Rio Novo
    2018
    Romance
    Recebi este livro através de uma actividade do BookCrossing.

    Numa era em que os cuidados de saúde eram especialmente precários, uma doença assombrava toda a população, nomeadamente as franjas mais pobres da comunidade. Essa doença, a "Febre das almas sensíveis" é a tuberculose. Neste livro a autora romanceia a doença, colocando-a no corpo de um homem que depois se dirige a um sanatório para se curar. Entretanto, há um triângulo amoroso e coisas que tais, mas nada digno de nota.

    O que mais me chateou neste livro é que a autora, em vez de se focar no desenvolvimento das suas personagens e de lhes dar riqueza e uma personalidade forte, utiliza o espaço literário como uma enumeração de todas as figuras histórias que padeceram desta doença.

    É incompreensível para mim qual será o interesse de saber, de forma romanceada, pouco realista e por vezes pouco respeitosa, quem morreu de tuberculose no passado, por mais famoso que tenha sido.

    Assim, este livro torna-se aborrecido e um pouco irrelevante.
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