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  • It's Alive! 2025

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    It's Alive! 2025
    Evento

     

    Juntei-me a este evento completamente diferente para ter a oportunidade de escrever um pouco, de trabalhar na minha história grande, que está mais ou menos em águas de bacalhau há alguns anos. Esta maratona criativa, em que podíamos escrever ou desenhar, foi organizada pela Imaginauta, e foi toda a gente super amiga e simpática.

    Num café-livraria encantador, a sala estava decorada com temas assustadores, pois estávamos próximos da data Halloweenesca. Foi só esperar que viesse toda a gente e ESCREVER.

    E ESCREVI! Enquanto bebia um cappuccino delicioso e, mais tarde, um café americano todo artesanal coiso.

    Foi muito divertido, mas tive pena de não dar para ficar à conversa e conhecer novos escritores. 

  • A Busca Interminável

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    A Busca Interminável
    Tom Sharpe
    1977
    Romance


    Um livro muito engraçado, com um humor sarcástico e ácido, que nos conta as desventuras da publicação de um livro aparentemente indecente.

    Os personagens são muito engraçados, com uma caracterização cáustica e crítica da sociedade da época, assim como a narrativa, que - de forma muito baralhada - nos leva a conhecer os meandros da riqueza editorial e tudo o que é (era?) feito para tornar um livro um sucesso nas bancas.

    Foi uma leitura rápida e divertida.

  • O Sino da Islãndia

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    O Sino da Islândia
    Halldór Laxness
    1943
    Romance


    Livro que me oferecerem no Natal, mas que mais ou menos estive a adiar para ler porque me parecia um pouco aborrecido. E a verdade é que é mesmo um pouco aborrecido.

    Tudo começa quando levam o sino de uma aldeia da Islãndia para que o sino (derretido) participe no esforço de guerra. A partir daí seguem-se várias aventuras de um homem que é condenado à morte por assassinato, e exploramos um pouco a forma de vida nesta Islândia suja, triste e abandonada.

    Este romance não nos mostra as maravilhosas paisagens geladas nem o fulgor da natureza, preferindo em vez disso mostrar-nos uma série de paisagens urbanas que nunca me tinham cabido na imaginbação, pois nunca supus que a Islãndia pudesse ser um lugar aparentemente tão deprimente.

    O problema principal do livro é que se prolonga numa série de detalhes e personagens todas chamadas Jon, o que torna a leitura bastante complexa. Acabei por não o apreciar muito, talvez não tanto como deveria, e acabou por ser um desapontamento.

  • Fórum Fantástico 2024

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    Fórum Fantástico 2024
    Evento


    Não era para ir a este evento literário este ano, mas acabei por lhe fazer uma visita com o simples intuito de entregar uma grande sacada de livros de ficção científica e fantasia como donativo para a Biblioteca de Literatura Especulativa da Imaginauta.

    Não assistimos a qualquer palestra e apenas visitámos o espaço e estivemos à conversa com alguns amigos e conhecidos. A zona de artistas, desta vez, estava muito completa e bem organizada, e fiz algumas compras muito interessantes, nomeadamente uma tote-bag hilariante (diz "They were just roomates" e eu tive um ataque de riso quando a vi, comprei-a logo e agora estou sempre com ela) e um bom livro para o aniversário da minha irmã, que se achava próximo.

    O espaço da biblioteca Orlando Ribeiro sempre foi bastante bom para estas coisas, mas nós estávamos com alguma pressa, pois tinhamos de ir buscar um bolo para a minha própria festa de aniversário. Assim, não pudemos manter-nos mais tempo em convívio, como desejávamos.

    Para o ano, tentarei ir às palestras propriamente ditas.

  • Festival Contacto 2024

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    Festival Contacto
    Evento

    Já tinha estado neste evento como voluntária e AMEI, portanto este ano decidi ir como visitante e decidi levar o meu novo cosplay: primeiro cosplay literário de sempre, o meu personagem preferido da minha série de livros preferida, o Tobias dos Animorphs!

    Como já foi há algum tempo não tenho memória exacta da ordem dos acontecimentos, mas foi mais ou menos assim:

    No Sábado assisti ao lançamento da Revista Pacto na qual tinha um conto publicado ("A Última Vaca"). A recepção ao meu conto foi surpreendente, não estava nada à espera e ainda menos estava à espera que fosse escolhido para figurar na capa da revista omg! O desenho ficou tão, tão bonito, fiquei mesmo espantada e emocionada T__T Depois, chamaram-me para ir dar autógrafos, o que foi uma experiência um bocado paranormal, porque nunca o tinha feito. Conheci outros escritores e ilustradores da revista, muito mais experientes do que eu, que estavam bastante à vontade, e comprei várias para revender e dar à minha família no Brasil (só seguiu agora por causa das cheias que afectaram grandemente o Rio Grande do Sul, que é de onde eles são). Fiquei muito falix waaaa. Depois assisti a uma palestra e segui para assistir ao lançamento do livro Da Luz da Qual Nasceste, da minha amiga M. S. Rosa, e aproveitei para fazer um videozinho com ela e o meu cosplay de Tobias midmorph, que é um bocadinho estranho hehe. Eu fui beta-reader do livro, e é MUITO GIRO! Deviam lê-lo, é uma aventura de fantasia cheia de bichinhos tradicionais do folcore português e uma história sáfica discreta divertida, com personagens muito giros também. É o primeiro de uma saga, portanto preparem-se que vem aí muito mais!

    Assisti a três palestras, uma sobre representatividade na literatura, outra sobre publicação de obras no panorama português e, a outra, confesso que já não recordo, mas foram todas interessantíssimas e tirei imensos apontamentos. Gostei sobretudo da intervenção de um professor que também é bookstragrammer, o Filipe Heath, com quem troquei algumas palavras e passei a seguir.

    No Domingo fui acompanhada e decidimos levar blusas a condizer, o que foi um bocado delirante, montes de gente veio falar connosco a dizer "isso é mesmo coisa de casal". Foi muito giro porque aproveitámos para visitar o evento e descobrimos montes de actividades interessantes que estavam a decorrer. A área dos artistas estava muito completa, e aproveitei para comprar algumas coisinhas giras, e havia demonstrações de lutas medievais, jogos de tabuleiro, e o jogo de sempre de encontrar livrinhos escondidos (achamos alguns!). Este ano o espaço exterior estava aberto e era realmente muito agradável. Também experimentei um bule de chá de corrida pela primeira vez e a coisa é mesmo divertida! Comprei também um livrinho que queria há algum tempo.

    Este evento é mesmo uma referência para quem gosta de literatura especulativa, e cada ano que passa tem mais e mais para oferecer. Para o ano lá estarei de novo, seja como voluntária ou como visitante!

  • Fórum Fantástico 2023

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    Fórum Fantástico 2023
    Evento


    Este evento calhou no dia da minha festa de anos, mas como havia a Tertúlia de Cosplay decidi lá ir, de cosplay e tudo. Estreei o meu cosplay de Bianca (do Bernardo e Bianca, da Disney) e senti-me muito elegante.

    Reparei que voltaram os voluntários, o que me deixou triste porque não me convidaram após eu (acho) ter feito um trabalho tão bom há dois anos. De resto, não assisti a nenhuma palestra e dei de fuga bem cedo porque tinha de ir buscar o bolo de anos, e só vi as bancas que lá estavam. A maior parte eram de temas literários, não havia artistas per se, e por alguma razão incompreensível estava lá uma banca a vender pops, que é a coisa menos livresca de sempre.

    Quanto à Tertúlia, foi muito engraçado como sempre, deu para partilhar uma série de histórias e opiniões, e ver alguns detalhes dos fatos da Asheria, que para mim são brilhantes.

    Gostei sobretudo de usar o meu cosplay. :)




  • 93ª Feira do Livro de Lisboa 2023

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    93ª Feira do Livro de Lisboa 2023
    Feira


    Este ano a Feira do Livro foi mais cedo e passámos lá uma bela tarde, no meio de livros e editores.

    Houve uma certa reorganização do espaço da Feira, com alguns editores remetidos para partilhar as bancas com outros. Penso também que a nível de promoções não estava tão bem como noutros anos, porque os livros em Portugal são caros e um artigo de luxo. Não sei como se poderia mudar isso, mas não parece ser a vontade daqueles presentes na Feira.

    Desta vez conseguimos um lugarzinho à sombra para beber a nossa cerveja a meio da Feira, já que subir o Parque Eduardo VII é um pouco cansativo. Em anos anteriores algumas das editoras maiores tinham nuvens de água para nos refrescar, mas este ano não.

    Comprei apenas cinco livros, num fantástico exercício de auto controlo. E já os estou a ler agora, depois deste tempo todo. Aqui estão eles!



    Agora.... Até para o ano!

  • Pão Seco

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    Pão Seco
    Muhammad Chukri
    1973
    Autobiografia


    Este é um romance autobiográfico muito importante no seu contexto histórico e cultural, já que apenas recentemente foi publicado na sua língua original, o árabe.

    O autor leva-nos pela história da sua infância e adolescência, atormentado pela fome e por uma comunidade miserável onde impera o consumo de droga e a prostituição. Penso que se trata de um livro de grande coragem, pela forma desprendida, sincera e por vezes quase irónica com que o autor relata os detalhes da sua vida passada, a dor de ter uma família desinteressada e a exploração de uma sexualidade livre, nem sempre aceite pelos seus pares.

    Na verdade, os momentos em que o autor reflecte sobre o seu desejo sexual são, por vezes, extremamente perturbadores, e não aprecio muito isso. De resto, é um pouco difícil de avaliar a qualidade da escrita pois, conforme o posfácio, existem muitos tiques de linguagem que são exclusivamente próprios da comunidade deste autor.

    No entanto, para um relato altamente realista da vida no Norte de África, recomendo.

  • Sede de Amar

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    Sede de Amar
    Yukio Mishima
    1950
    Romance

    Este também veio da casa do meu pai, e veio porque é de um dos meus autores preferidos.

    Neste romance, ele fala da paixão inusitada de uma viúva rica pelo criado da quinta onde vive, enquanto que - ao mesmo tempo - mantém uma relação com o seu sogro. Rodeada de inveja, também ela é vítima de um ciúme inconcebível, que menos tem razão de ser por ninguém conhecer o verdadeiro objecto do seu amor.

    As imagens mostradas ao longo do livro têm uma certa duplicidade: os cuidados que a natureza luxuriante do ambiente nos inspira, contra o horror da humanidade, doente, empobrecida e carregada de uma malícia muito própria, que se disfarça de amor e ciúme mas que, no fundo, revela a mais pura natureza humana.

    A escrita, como sempre, é muito directa e simplificada, o que torna o livro ainda mais desconcertante. E, como sempre, volto a recomendar o autor.
  • Seven Japanese Tales

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    Seven Japanese Tales
    Junichiro Tanizaki
    1963
    Contos
    Um achado maravilhoso apenas permitido por essa grande biblioteca mundial que é o BookCrossing!

    São sete contos do autor clássico Japonês, Junichiro Tanizaki. Alguns são histórias antigas, de um mundo que ficou para trás e que ainda assim se recorda, como um reflexo. Outros são acontecimentos tanto mais comuns como as pessoas a quem afectam, num misto de humor com incredulidade.

    A escrita é muito rica, fornecendo cada personagem e cada situação com a plenitude de detalhes que é necessária para uma pintura. É nestes traços, detalhados e demorados, que o autor nos pinta um retrato do Japão, não tanto da sua sociedade mas da sua forma de viver, da sua personalidade íntima.

    Penso que o meu conto preferido foi "Terror" (Kyofu), em que um homem enfrenta o seu pânico em andar de transportes públicos. Cada conto tem uma originalidade muito própria e são absolutamente memoráveis!

    Recomendo vivamente!
  • A Estrutura da Bola de Sabão

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    A Estrutura da Bola de Sabão
    Lygia Fagundes Telles
    1978
    Contos
    Comprei este livro no alfarrabista que está na estação dos comboios do Pragal. Passei por lá e vi-o bem escondido. Escondi-o melhor para depois o poder trazer comigo quando voltasse. Já tinha ouvido falar do nome da autora e, com este título, fiquei bastante curiosa.

    Trata-se de uma colectânea de contos, que falam sobre as mulheres e os homens na vida das mulheres. É um retrato irónico da cultura brasileira da época, através de histórias que, aparentemente simples, tocam profundamente as nossas ideias. A autora transmite com mestria e simplicidade as dúvidas e as ansiedades da sua geração, sobretudo através de um conjunto de personagens femininas muito fortes, embora aparentemente delicadas ou fadadas ao insucesso.

    Também existe acção, crime, drama. Mas isso é paralelo à análise dos elementos da vida real, dos sentimentos que percorrem as veias destas pessoas que, não existindo, não deixam de ser puramente reais. “A Estrutura da Bola de Sabão” é como um espelho um pouco sujo, em que podemos ver o reflexo da realidade sob uma capa de desfoque que nos remete ao sonho.

    Foi uma fantástica descoberta!
  • O Meu Nome é Lucy Barton

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    O Meu Nome é Lucy Barton
    Elizabeth Strout
    2016
    Romance
    Recebi este livro numa actividade do BookCrossing e li-o num piscar de olhos. 

    Uma leitura viciante, fala-nos da relação entre mães e filhas. A nossa narradora encontra-se internada no hospital e é visitada pela sua mãe, que não via há alguns anos. Recorda a convivência com ela, num ambiente de pobreza extrema, e as lições educativas que promete não repetir na sua própria família.

    É um livro aparentemente autobiográfico, mas com um toque de ficção entrelaçado na narrativa. É uma boa forma de caracterizar a forma como alguns americanos vivem, num estado de semi-inconsciência relativamente à frustração da sua pobreza.

    Mas é sobretudo um livro que fala do amor e do ódio filial e de como a linha que separa estes dois conceitos é sempre tão ténue.
  • Petersburg

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    Petersburg
    Andrei Bely
    1913
    Romance

    Este livro foi-me sugerido pelo clube de leitura Eden. Mas infelizmente foi a leitura mais tortuosa que fiz nos últimos tempos. Um livro detestável.

    Este livro segue as aventuras e desventuras de um funcionário público que se vê envolvido numa confusão com um mascarado de domino. Também fala sobre a mulher dele, sobre o filho, sobre várias pessoas, mas de uma forma absolutamente confusa, desorganizada e sem grande nexo.

    Existe um abuso constante, que pode ser da tradução, das palavras "little" e "tiny". Por exemplo, o autor refere constantemente que uma personagem tem um "little tiny nose" e "little tiny hands", o que se torna cansativo e muito irritante.

    O livro tem uma tradução execrável, quase com mais notas que páginas de conteúdo.

    Foi uma leitura desagradável, morosa e que me irritou profundamente.
  • A Selva

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    A Selva
    Ferreira de Castro
    1930
    Romance

    Recebi este livro numa actividade do BookCrossing e, até agora, foi um dos meus preferidos nesse jogo.

    Ferreira de Castro conta neste livro uma história semi-autobiográfica que retrata na perfeição o ambiente dos borracheiros na selva amazónica no início do século. Apesar de a narrativa ser bastante simples, apenas o suficiente para termos uma linha temporal, este livro foi um achado maravilhoso.

    O autor mostra-nos todos os detalhes da floresta luxuriante, tão bela quanto perigosa e terrível. Conta-nos os segredos obscuros que estas maravilhas escondem, desde as pragas e insectos às grandes feras que atormentam os viventes. Já para não falar dos índios que, presença sempre constante, atormentam os sonhos dos habitantes destas comunidades que não chegam sequer a ser uma cidade.

    O tratamento dado aos empregados deste ofício é também explicado com grande esmero e detalhe, sendo que quase mais perigosos que a natureza ou os índios, são os patrões, que praticamente escravizavam estes homens, colocando-os em dívidas cada vez maiores, dívidas essas que apenas significam os gastos com a própria subsistência.

    Um livro maravilhoso e que me encantou do início ao fim.
  • Masks

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    Masks
    Fumiko Enchi
    1958
    Romance

    Este romance foi-me recomendado pelo clube de leitura Eden. Infelizmente, não gostei mesmo nada dele e foi uma leitura penosa, apesar de rápida.

    Tendo como base as representações simbólicas e filosóficas das máscaras No, que as personagens tentam relacionar com a possessão espiritual, desenvolve-se um triângulo amoroso muito estranho, em que os protagonistas estão sempre em dúvida sobre como proceder. É uma escrita simples e elegante, mas a autora perde-se profundamente em detalhes que não estão directamente relacionados com a história.

    Este livro parece, então, mais um tratado sobre o clássico "O Romance de Genji" do que outra coisa. A autora está sempre a criar paralelos entre as situações que criou e as situações do romance, tentando encontrar significados entre a simbologia do clássico e as atitudes das suas personagens. Assim, o livro aparece desinspirado e muito aborrecido, sobretudo para quem já leu o referido clássico e, por isso, sabe precisamente que histórias a autora está a descrever pelas suas próprias palavras.

    Para além disso, a tradução torna-se bastante confusa devido à grafia romaji utilizada.

    Não apreciei muito.


  • Segu

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    Segu
     Maryse Condé
    1996
    Romance

    Ûm romance histórico sobre a África negra, coisa que eu nunca tinha visto. Foi uma leitura bastante complexa, porque existem muitas personagens que estão todas ligadas umas às outras de certa forma. É uma saga de família, muito longa e intensa.

    é um romance excelente para nos dar uma ideia de como era a vida nos antigos reinos africanos, antes da terrífica influência colonizadora que veio a destruí-los com o passar do tempo. Através dos gestos das suas personagens, que são muitas e muito complexas, Maryse Condé tem o dom de nos mostrar a forma de viver destas pessoa,s nesta época, os seus hábitos e as suas religiões.

    A luta entre religiões e as influências que todas elas têm umas nas outras também é um assunto muito contemplado por este livro e que levanta muitas questões de interesse. é de notar que a autora parece ter feito uma pesquisa profunda sobre o seu tema, referindo elementos históricos imporrtantes e localizando temporal e geograficamente a sua história num mundo perfeitamente verosímil.

    Apesar de ser uma leitura longa e bastante exigente, recomendo.
  • Os Cus de Judas

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    Os Cus de Judas
    António Lobo Antunes
    1979
    Romance

    Mais um livro de António Lobo Antunes, desta feita um dos mais antigos. Talvez o início da linha para sempre recorrente no autor, a reminiscência da guerra.

    Apesar de o tema ser um que me desagrada um pouco, por já o ter lido tantas vezes em outros livros, em "Os Cus de Judas" ele é abordado de uma forma ainda um pouco imatura e sem uma análise da mágoa profunda, como nos outros exemplos. Isto é, de certa forma, bastante refrescante, pois é ver o tema abordado "em fresco", digamos assim, quando ainda não houve a maturação da ideia a ponto de esta ser apenas uma memória semi-digerida do horror.

    A forma de usar as palavras, neste livro, mostra porque é que ALA viu o sucesso e mostra realmente o seu talento primário. Porque ele não conta uma história de um romance, ele conta a sua vivência, a sua imersão na pestilência, e o desejo que sente, o desejo que o apavora.

    Apesar de se notarem algumas situações erráticas na escrita (nomeadamente, a repetição quase incessante da palavra "côncavo"), penso que este é um dos melhores livros de Lobo Antunes

  • Margarita e o Mestre

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    Margarita e o Mestre
    Mikhaíl Bulgákov
    1966
    Romance

    Um dos meus livros preferidos da adolescência regressou às minhas mãos! Fiquei muito feliz por o ler de novo!

    Para mim, este é um exemplo do quão brilhante pode ser um livro. A história que conta é, sem qualquer dúvida, estranhíssima. Mas a forma como está contada, ainda mais estranha, torna esta aventura de demónios, de Margarita e do Mestre numa viagem demasiado intensa para os corações mais fracos.

    Agora que o leio com mais idade e, talvez, mais conhecimento, vejo que existem muitos detalhes que se ligam à situação política da Rússia da época. De forma discreta, colocando os seus personagens nas situações mais inusitadas, Bulgákov faz um paralelismo com o terror que se vivia na altura que, não sendo induzido por forças demoníacos, não deixa de ser igualmente maléfico.

    Com muito humor, assistimos impassíveis mas emocionados às falcatruas dos demos, sem poder ajudar as vítimas mas com a capacidade de nos rirmos da sua infelicidade. Já Margarita e o MEstre, o seu final é triste, belo e comovente. Emocionou-me muito.

    Mantém-se na lista de favoritos e vai ser difícil tirá-lo de lá!
  • Quem Disser o Contrário é Porque Tem Razão

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    Quem Disser o Contrário é Porque Tem Razão
    Mário de Carvalho
    2014
    Ensaio 

    Comprei este livor na Feira do Livro 2018, tendo tido a sorte de o ter autografado pelo autor. Trata-se de um ensaio que reúne algumas ideias sobre o que o novel escritor deve fazer para melhorar a sua arte e, assim, escrever com tanto prazer como qualidade.

    Atenção: este não é um livro que fala de escrever em quantidades astronómicas em muito pouco tempo (estou a falar da anormalidade que é o Nanowrimo). Também não é um livro que fala sobre publicar livros e ter sucesso pessoal e financeiro enquanto escritor.

    O que o autor faz é partir da sua própria experiência para dar alguns exemplos do que pode e deve ser feito enquanto se escreve e do que se deve evitar. Repare-se que a experiência principal a que se remete é a da própria leitura. Logo no primeiro capítulo, Mário de Carvalho insiste na importância da leitura enquanto objecto educativo e de pesquisa.

    Fascina-me que haja pessoas que queiram escrever e não gostem de ler.

    Durante o resto do livro, são-nos dados várias dicas de coisas giras que podemos utilizar e como o fazer sem cair na tentação do ridículo. No entanto, a prosa é muito dura, intrincada e um pouco difícil para um leitor menos avisado.

    Um livro muito útil e divertido!
  • Cidade Solitária

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    Cidade Solitária
    Fernando Namora 
    1959
    Contos

    Este livro foi-me oferecido pelo meu aniversário, que já lá vai. Em tempos conheci uma familiar deste autor, pelo que sempre tive alguma curiosidade em lê-lo.

    Cidade Solitária é um conjunto de contos que retratam de forma belíssima o dia a dia do início dos anos 60 em Portugal. O autor, em pinceladas escuras e melancólicas, apresenta-nos um conjunto de personagens que tanto têm de palpável como de irreal. Parece que esta Lisboa onde as aventuras se instalam, algumas mais estranhas, outras mais terra a terra, é uma Gotham, uma cidade chuvosa com um saxofone jazzístico tocando ao fundo.

    Os contos em si têm o seu quê de emocionante, mas a escrita faz com que o observador - nós - se sinta ligado de outra forma à narrativa. Se por um lado queremos saber mais sobre os factos inusitados deste conjunto de pessoas, por outro não podemos deixar de nos afastar deles, olhando-os de um plano diferente, como a famosa mosquinha que eu queria ter sido.

    Um livro interessante e viciante!
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