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  • Pumpkin Scissors

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    Pumpkin Scissors
    Akiyama Katsuhito - Gonzo
    Anime - 24 Episódios
    2006
    5 em 10


    Depois de 86 não me apetecia nada ver outro anime de guerra, mas quis o destino que Pumpkin Scissors, que tem nome de uma banda punk queer, fosse... Um anime de guerra.

    De todos os modos, a premissa é original: esta guerra chegou ao fim e, no armistício, ninguém sabe muito bem o que fazer. Os soldados estão perdidos, nem sequer têm nome para chamar de seu, e andam por aí a fazer asneiradas com a populaça. É aí que aparece o tal Pumpkin Scissors, um batalhão liderado por uma rapariga que pertence a uma espécie de nobreza e que defende os pobres e oprimidos.

    Depois há uma trama política extremamente intricada e complicada que já não interessa a ninguém, assim como as relações entre as personagens, que rapidamente abandonam o cenário de guerra para passar a um luxuoso cenário citadino para debater essas tais politiquices. O anime que se tinha como algo de acção, passa a ser uma sucessão de diálogos bastante aborrecidos, com alguns gags à mistura que não têm muita graça, e perde-se completamente o ritmo e o rumo.

    Por isso, este anime simplesmente... Não vale a pena.

  • The Deer Hunter

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    The Deer Hunter
    Michael Cimino
    1978
    Filme
    6 em 10

     

    Três bons amigos decidem que seria interessante ir para a guerra do Vietname. Tudo corre mal quando são capturados e colocados perante um jogo de roleta russa. Quando regressam, terão de enfrentar os seus traumas e readaptar-se a uma sociedade que não se sabe se está pronta para eles

     O filme é bastante perturbador e causa muita ansiedade, e fala de um tema, o stress pós-traumático, que na época era praticamente desconhecido. O mecanismo de acção utilizado, o jogo da roleta russa, acaba por ser uma alavanca bastante potente para o desenlace, no entanto achei que foi utilizado em demasia e que o filme deveria ter explorado mais a vida "normal" no ambiente da civilização propriamente dita, isto é, o confronto do trauma perante a normalidade.

    Tendo isso em conta, foi um filme que não decorreu da forma como eu esperava, mas que ainda assim teve um efeito muito forte.

  • First Squad: The Moment of Truth

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    First Squad: The Moment of Truth
    Ashino Yoshiharu - Studio 4ºC
    Anime - Filme
    2009
    6 em 10


    Vi este filme curto enquanto esperava que aparecesse o homem para ler o contador da água. Nunca apareceu.

    Estamos na segunda guerra mundial e os Alemães, como sempre, têm um plano maléfico: vão ressuscitar um cavaleiro negro para vencer a guerra. Para o evitar temos uma equipa de russos que vai lutar contra isso.

    Com uma animação sublime e cenas de acção espectaculares, este filme é um gozo para os olhos. Mas fora isso, não temos muito mais. A história é muito improvável, os personagens não tèm tempo para se desenvolver, e as suas relações não estão bem estabelecidas.

    Mas lá que é um regalo visual, lá isso é.

  • The Covenant

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    The Covenant
    Guy Ritchie
    2023
    Filme
    6 em 10


    Estamos em plena guerra do Iraque e os soldados americanos contam com um tradutor para os ajudar. Um dia, caem numa emboscada e só um deles sobrevive. O tradutor irá fazer todos os possíveis para o transportar até um lugar seguro. E depois disso, o soldado irá retribuir o favor.

    Este filme é quase uma roadtrip pelas estepes iraquianas, com um homem a arrastar outro homem pelos campos e colinas. A maior parte do filme é, então, o soldado a alucinar sem saber bem onde está, e o tradutor a dizer-lhe que está tudo bem. Sabendo que isto é baseado numa história real, ficamos felizes por saber que tudo está bem quando acaba bem, no entanto ficamos na dúvida se contar esta história era realmente necessário: não tem muito conteúdo, na verdade.

    Continuamos sem saber onde é que os soldados fazem xixi.

  • Vidas Seguintes

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    Vidas Seguintes
    Abdulrazak Gurnah
    2020
    Romance


    Livro que recebi através do BookCrossing, recebido num agradável café de inverno.

    Tratando-se de um prémio Nobel, estava à espera de gostar mais. Mas não gostei assim tanto. O livro começa por explicar a vida de todos os antepassados de Ilyas, um homem que acaba por ir combater para uma guerra africana da qual eu nunca tinha ouvido falar. Depois explica a vida de todos os antepassados do amigo dele. E depois explica como Ilyas encontrou a irmã.

    De repente dá um salto muito confuso e passamos a falar de Hamza, um outro soldado dessa guerra misteriosa. Isto para mim foi tão confuso que pensei que Ilyas e Hamza eram a mesma pessoa (o segundo nome, talvez?) durante imenso tempo, e eu não estava de todo a perceber porque é a que a personagem tinha mudado completamente de origem, educação e atitude. Todas as partes referentes à guerra, não gostei nada delas. A caracterização do horror pareceu-me insuficiente, e não há qualquer base para quem não saiba do que se trata. Gostei apenas das secções com a rapariga, passadas dentro de casa, na cidade, que mostram um pouco como se vive nessa zona de África.

    Fiquei bastante desapontada com este livro.

  • Daqui a Nada

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    Daqui a Nada
    Rodrigo Guedes de Carvalho
    1992
    Romance


    Quem diria que o nosso pivot de televisão teria escrito um romance nos anos 90? Aqui está ele.

    Rodrigo Guedes de Carvalho conta-nos com mestria um drama familiar, tendo por base um casal e a sua filha, cada um narrando a sua versão dos acontecimentos que, devido ao trauma da guerra, devido ao trauma da ausência, se tornam trágicos e contundentes.

    Numa realidade da cidade do Porto, vista pelos olhos tanto do jovem como do maduro, este casal irá contemplar as suas opções passadas e tentar tomar decisões para que a sua vida futura seja o mais feliz possível. Mas talvez não o seja.

    O livro está bem escrito e as visões da guerra são perturbadoras. No entanto, o drama familiar propriamente dito é tão vulgar que talvez o interesse por esta história não seja aquele que se pretendia.

    De todos os modos foi uma leitura rápida e fluída.

  • Pesadelo

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    Pesadelo
    Pedro Tierra
    2020
    Crónicas


    Outro livro que obtive gratuitamente num blog do Wordpress.

    Trata-se de um livro chocante e impressionante, um conjunto de crónicas sobre a prisão durante a ditadura militar brasileira. O autor fala-nos em detalhe dos momentos que passou nesta situação, e o resultado não podia ser mais atemorizador.

    Cada pequena história tem como protagonista um prisioneiro diferente, e assim nos fala das várias pessoas que - mal ou bem - foram presas, torturadas e maltratadas pelo regime militar autoritário. Por isso, este livro acaba por ser um pedido de paz, um voto para que nada disto se repita, e um manifesto anti-fascista com qualidades preciosas.

    Apesar da violência, penso que este livro é uma referência importante sobre o tema.

  • Flee

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    Flee
    Jonas Poher Rasmussen
    2021
    Filme
    7 em 10


    É para mim incompreensível este filme não ter ganho o Oscar para melhor longa de animação, sobretudo em comparação com o vencedor "Encanto". Trata-se de um filme muito agressivo, que toma em mãos um tema real e muito importante para a actualidade, relatando de forma quase documental o que é realmente ser um refugiado.

    Amin vivia uma vida normal no Afeganistão até ao momento da guerra, altura em que ele e a família fogem para a Rússia. A partir daí, as suas tentativas de fugir para um país mais adequado, onde os aceitem e onde lhes permitam trabalhar e - no fundo - viver, tomam conta de todo o filme. E a realidade é absolutamente terrível, com traficantes de seres humanos do qual a vida destes refugiados dependem, com forças policiais aversivas e violentas e com uma falta de inclusão social que impede uma vida normal.

    A mistura de imagens reais com uma animação simples, mas eficiente, torna todo o filme muito impressionante.

    Assim, recomendo vivamente, pela experiência de conhecer a vida de um refugiado pelos seus próprios olhos.

  • As Vozes do Rio Pamano

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    As Vozes do Rio Pamano
    Jaume Cabré
    2004
    Romance


    Livro que me foi ofertado pela minha colega, a propósito do Natale. 

    Trata-se de um épico sobre a guerra franquista, com uma perspectiva literalmente refrescante, pois o seu ambiente se situa numa pequena aldeia dos Pirinéus. Conta-nos a história de uma família poderosa, enquanto que por outro lado uma professora primária da actualidade descobre a pouco e pouco os segredos desta aldeia, depois de encontrar um conjunto de documentos misteriosos.

    Este livro é bastante interessante, não só pela perspectiva romantizada da guerra, como também pela qualidade da escrita. Os momentos visuais estão muito bem caracterizados e o autor transporta-nos para este passado recente pleno de bandidos e heróis. Também faz uma crítica bastante ácida ao papel do catolicismo na sociedade espanhola, tanto actual como da época.

    Apesar de ser um livro grande e pesado, e ao início a leitura ser bastante complexa, assim que entramos no ritmo torna-se num prazer de leitura.

  • A Dança das Andorinhas

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    A Dança das Andorinhas
    Zeina Abirached
    2007
    Graphic Novel

    Mais uma prenda da Chuva de Livros, que se leu numa tarde no café.

    Este livro é um album autobiográfico da guerra do Líbano. A autora conta como a sua casa estava separada do "resto do mundo" pela guerra e de como a noite se passava quando havia bombardeamentos. É um livro curioso porque nos mostra precisamente a união entre os diferentes tipos de pessoas, de vários estratos sociais e religiões, e como estas se esforçam por se proteger umas às outras num cenário trágico.

    Infelizmente não gostei muito da arte. Apesar dos padrões curiosos, estes acabam por se tornar aborrecidos, quando a maior parte do album é passado na completa escuridão. Muitas vezes as personagens confudem-se pelo excesso de padrões, e por vezes parece haver um "desperdício" de vinhetas, em cenas que podiam ter sido reduzidas.

    Não recomendaria, mas vou guardar para referência.

  • Noite Sem Lua

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    Noite Sem Lua
    John Steinbeck
    1942
    Romance

    Pequeno livro numa edição luxuosa e ilustrada, que me foi oferecido no aniversário por uma amiga. Yay, obrigada!

    O livro é curioso porque começa de uma forma leve e aparentemente cómica. De forma muito progressiva, cheia de pequenos detalhes engraçados, vamos percebendo que afinal esta história não tem graça nenhuma: é uma história da invasão nazi a um país escandinavo, numa aldeia que não aceita a invasão e fará tudo para se revoltar.

    O autor tem um tal génio que consegue relatar as tentativas de revolta, a oposição aos soldados nazis, a actividade clandestina, sem nunca a dizer realmente. Também nunca menciona que tipo de soldados são estes, nem que tipo de guerra é esta. Podia ser uma guerra qualquer, mas nós - de alguma forma - sabemos qual é.

    É um romance aparentemente simples, mas que revela muito mais densidade do que poderíamos pensar à primeira vista.

  • Quo Vadis, Aida?

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     Quo Vadis, Aida?
    Jasmila Žbanić
    2020
    Filme
    7 em 10

    A guerra na Bósnia é uma memória bastante recente para muitos de nós, que a assistíamos na televisão sem saber o que se passava. Este filme conta a história de um dos piores massacres dessa guerra, sob a perspectiva de uma tradutora da base das Nações Unidas que vê todos os seus esforços para salvar a família a desmoronarem-se perante a inactividade daqueles que os poderiam salvar.

    O filme é impressionante, na caracterização do ambiente de um campo de refugiados e também na ilustração que é feita às autoridades, que - incompetentes - permitem que os " maus da fita" (mais reais do que gostaríamos) façam o que bem entendem.

    A actriz que toma nas mãos o papel de Aida faz um papel impressionante, demonstrando no seu corpo e expressão todo o cansaço e todo o desespero que se vão apoderando da personagem.

    Recomendo este filme vivamente, sobretudo a quem quiser ter outra perspectiva desta brutal guerra que arrasou a Europa.

  • Da 5 Bloods

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    Da 5 Bloods
    Spike Lee
    2020
    Filme
    8 em 10
    Um filme impressionante que nos dá mais uma lição sobre a cultura negra e sobre o racismo, desta vez no contexto da guerra do Vietname.

    Quatro veteranos de guerra voltam ao Nam para resgatar as ossadas do seu colega de equipa, morto na guerra. Também estão à procura de um tesouro que encontraram nessa altura e que por lá o esconderam. São quatro cotas em busca de aventura, mas estas vêm a revelar-se as piores férias de sempre.

    Se ao início o filme é quase uma tour turística, embora sempre pontuado com algum debate político e impressionantes imagens de arquivo, à medida que se vai desenvolvendo vamos descobrindo diálogos e monólogos riquíssimos, interpretados por actores extraordinários, que dão às palavras todo um sentido e uma força que não seriam possíveis sem eles.

    A beleza das paisagens é interrompida pela violência dos elementos bélicos ainda nelas presentes. A todo o momento somos bombardeados por uma realidade feia, em que o realizador - enquanto negro - não consegue colocar-se no lugar de vítima. Porque estes personagens estão, cada um à sua maneira, a fazer a revolução negra.

    Um filme de extrema importância para os tempos que vivemos.
  • Starship Troopers

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    Starship Troopers
    Paul Verhoeven
    1997
    Filme
    5 em 10
    Falámos neste mesmo espaço, anteriormente, do livro que serviu de inspiração para este filme. Senti que foi uma adaptação muito fraca, na medida em que o livro retrata precisamente o que é estar em guerra e qual o horror de ser um soldado, coisa que não acontece com a película. Assim, o sentido primordial da narrativa perdeu-se.

    A humanidade está em guerra com insectos gigantes destruidores. Com uma motivação pouco clara, um rapaz sem grande talento para nada junta-se às tropas terrestres. O filme faz com que esta guerra perca o sentido para um grande plano global para a dominação da sociedade, através da televisão e de anúncios estranhos. A extrema motivação dos soldados parece não fazer sentido, pois os actores não demonstram mais que isso, isto é, não têm um matiz de sentimentos variados.

    Custou-me também muito ver as maldades que fizeram à carraça gigante, com os seus muitos olhinhos plenos de medo e ansiedade. O filme faz da humanidade o "mau da fita", pelo que a ironia da motivação dos soldados perante isto se torna muito estranha.

    No entanto, os efeitos práticos e especiais são fabulosos. Assim, acho que vale a pena ver de todos os modos.
  • Tropic Thunder

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    Tropic Thunder
    Ben Stiller
    2008
    Filme
    6 em 10
    Um filme de comédia que apanhámos na televisão. É divertido, embora não tenha muito conteúdo.

    Uma equipa de filmagem e os seus actores, cada um com as suas idiossincrasias especiais, está a fazer um filme de guerra, baseado num livro sobre o Vietname, que tem tudo para correr mal. Precisamente nessa altura, em que estão quase a desistir do filme, o realizador decide colocar os actores perdidos no meio da floresta e pô-los à prova. Eis que então são apanhados por um gangue de traficantes, sem saberem que estão em perigo real.
     
    Como digo, o filme é divertido e tem momentos muito engraçados. Muitas partes são memoráveis, mais pelo ridículo das situações do que pela piada em si. Ainda assim, é um filme que me parece desperdiçar orçamento desnecessariamente, quando se esforça por ser um filme de acção a sério e se foca menos em ser uma comédia situacional.
     
    Os actores fazem papéis muito cómicos, mas objectivamente não dão nenhuma característica especial aos personagens.
     
    Um filme para ser visto uma vez.

  • Kingdom 2nd Season

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    Kingdom 2nd Season
    Iwanaga Akira - Studio Pierrot
    Anime - 39 Episódios
    2013
    5 em 10
    A segunda season de Kingdom pega exactamente onde a primeira nos deixou. Assistimos à guerra entre clãs chineses, observando as suas estratégias.

    Este é um anime de guerra que se foca bastante no tema da "arte", isto é, como concretizar batalhas de forma a ter uma elevada taxa de sucesso. Não gostei que disfarçassem grande parte delas sob uma máscara de justiça e moral: como sabemos, as guerras da época eram sangrentas e muitas vezes egoístas. As estratégias propostas são também um pouco difíceis de entender, assim como a motivação dos personagens, porque há muita gente envolvida e torna-se tudo um pouco confuso, na medida do seguimento da história.

    A animação é bastante fraca, sendo que os designs com traços fortes nem sempre funcionam, sobretudo nas poucas cenas mais delicadas. As cenas de batalha são confusas e nada claras, sendo que é difícil perceber quem está de que lado do muro.

    Musicalmente, a OP não corresponde em nada ao tema e o resto da banda sonora não se dá por ela.

    Uma boa ideia, mas mal concretizada.
  • Darkest Hour

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    Darkest Hour
    Joe Wright
    2017
    Filme
    7 em 10
    Este filme estava à espera de ser visto desde os óscares do ano passado. Estava esquecido, mas foi boa a hora em que assistimos a este Darkest Hour.

    O filme fala dos primeiros dias de Churchill enquanto primeiro ministro do Reino Unido, na deflagração da geurra mundial que viria nos anos seguintes. Acompanhamos o seu processo de tomada de decisão nestes momentos difíceis, em que a sua teimosia e coragem promoveram o envolvimento do seu país nesta guerra, pensada perdida desde logo, impedindo assim o nazismo de se levantar em toda a Europa e mundo.

    Acredito que a história tenha tomado algumas liberdades de estilo, mas ainda assim é muito emocionante. E tudo isso se deve quase em exclusivo ao actor. A sua interpretação é de um realismo contagiante, apresentando-nos um Churchill divertido e igualmente assustador, ligado a valores de extrema ética e bondade. Isto talvez possa ser um certo exagero estilístico, mas funciona muito bem no contexto.

    De resto, não existe nada de especialmente atractivo neste filme. Até houve uma inclusão de material digital perfeitamente desnecessária, como quem diz "para ter um filme de prémios tehop de ter uma perseguição de barcos espectacular".

    Vale a pena pela performance.
  • A Travessia

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    A Travessia
    Samar Yazbek
    2016
    Não-ficção

    Apesar do seu exílio em França, esta é uma autora Síria. E, enquanto mulher Síria, ela vê a Síria de uma forma muito diferente de nós, os leitores. Através deste livro, a autora gostaria de nos fazer viajar tal como ela: através da fronteira e até aos cenários da guerra.

    Desta forma, ela deseja mostrar ao mundo que está muito enganado em relação ao que se passa naquela guerra. Que está a apoiar o lado errado e que existem muitas formas de resolver o problema, se a comunidade internacional assim o quiser.

    Os horrores contados no livro não me impressionam. Está escrito da forma jornalística habitual, odo jornalista enquanto herói, que torna esta história em algo longínquo, improvável e fantástico. é como se estivéssemos a ler um romance (e o ritmo rápido bem lembra o de um romance) "baseado em factos verídicos". Portanto,  para mim o valor deste livro não se encontra nem nas descrições, nem na qualidade da escrita, que não é especialmente forte, nem no tom geral de desespero.

    Para mim encontra-se num detalhe que pode ter falhado à primeira vista: no discurso político. A autora, ao entrevistar os rebeldes e todos os outros, mostra-nos que há uma política muito difgerente do que aquilo que poderíamos pensar: os rebeldes não são os terroristas. Os terroristas vêm de ouros países para se juntar aos rebeldes. Mas o que os rebeldes querem é libertar-se de Assad e nada mais. A obsessão religiosa vem, digamos, como complemento.

    A forma clara, embora discreta, como a autora afirma esta posição política é o que torna este livro numa leitura essencial.
  • Incendies

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    Incendies
    Dennis Villeneuve
    2010
    Filme
    6 em 10

    Co-produção Francesa e Canadiana, é um filme que fala sobre uma família que tenta descobrir a sua origem e sobre a guerra, a guerra do Líbano.

    Um casal de gémeos procura, no Líbano, o seu irmão perdido e o seu pai. Fazem isto pois a sua falecida mãe lhes deixou umas cartas para serem entregues a um e a outro. No seu percurso, os irmãos descobrem coisas terríveis e acontecimentos horrendos que aconteceram a todos, por causa da guerra, ficando também a conhece um pouco mais sobre essa figura estranha que era  a sua própria mãe.

    Impregnado com uma violência seca, o filme destaca-se pela qualidade cinematográfica, da composição e da imagem. Relativamente à história, achei-a bastante previsível, pouco verosímil e de algum modo excessiva.

    Também a caracterização das personagens foi um pouco contida, sendo que não permitiu uma evidência sobre as causas e razões por trás de cada uma das atitudes que são tomadas ao longo da narrativa. Também vi um conjunto de actores pouco inspirado e mal convencido do que eram realmente as suas personagens.

    Tem uma banda sonora de uma pessoa que não aprecio, por isso vou tentar abster-me de comentar ;)

    Um filme de interesse para fãs do autor.

  • The Man in the High Castle

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    The Man in the High Castle
    Frank Spotniz
    Série - 10 + 10 + 10 Episódios
    2015

    Começámos a ver esta série inspirada no livro de ficção científica homónimo, de Philip K. Dick. Apesar de ao longo da série nos afastarmos cada vez mais do livro, não deixa de ser um exercício distópico interessante. A proposta é que em vez de os Aliados ganharem a segunda guerra mundial, o mundo esteja agora dividido entre os elementos do eixo Alemanha e Japão. Assim, o continente norte-americano está divido em dois, sendo o lado Este japonês e o Oeste alemão.

    Nesta América dividida, vivem várias pessoas e famílias que se irão ligar de formas inesperadas e partilhar um destino em comum, enquanto buscam a paz permanente ou mesmo a libertação completa. A juntar tudo isto estão os estranhos filmes do Man in the High Castle: a Resistência anda a juntá-los para os levar a esta misteriosa figura, enquanto que os nazis os procuram para que sejam guardados por Hitler, que ainda está vivo e de saúde.

    Padece esta série de muitos problemas que são comuns também em anime. Por alguma razão (o prolongamento da série), os personagens sobrevivem a todas as aventuras e estão sempre prontos para mais uma oportunidade de brilhar. Isso acaba por fazer com que não nos liguemos especialmente a nenhuma delas, excepto aquelas que têm actores mais certos do seu esforço e trabalho.

    Temos uma boa recriação deste universo fantástico, mas fiquei com pena que não tivessem aproveitado toda a tecnologia futurista que estava no livro. Mais para a frente na série começamos a compreender que se passa aqui algo de mais eclético do que se poderia esperar, mas quem sabe o que irá acontecer?

    A quarta season já está planeada, será que vai concluir esta saga?
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