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  • Bloom

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    Bloom
    Kevin Panetta & Savanna Ganucheau
    2019
    Banda Desenhada


    Outro livro que comprei no AmadoraBD, achando que boyslove americano teria bastante potencial. 

    Afinal... Não tem assim tanto.

    Esta é uma história de amor entre um rapaz grego cujos pais têm uma padaria e um estudante de padeiro que vai trabalhar para a padaria. O greguito quer mudar-se para a grande cidade com a sua banda mas os pais querem que ele tome conta do negócio. E patati patata, andam por lá com os amigos e fazem isto e aquilo e mais o outro e NADA ACONTECE por páginas e páginas de tons de azul, que podem ser muito fofinhos mas que me aborrecem tremendamente.

    E quando finalmente acontece alguma coisa, dá em tragédia, e em vez de o autor avançar com o romance e lhe dar uma conclusão... Não, apenas o deixa assim em contraponto, enquanto nós ficamos ansiosamente à espera de que eles se rebolem no meio da farinha e do pão e da massa mãe e façam o amor pelo meio das chamas dos fornos.

    Penso que o meu texto foi mais picante e romântico que o livro inteiro. Voltemos ao BL japonês, por favor, que é a preto e branco e não azul, mas muito mais satisfatório em termos de romance.

  • Pele de Homem

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    Pele de Homem
    Hubert & Zanzim
    2020
    Banda Desenhada


    Comprei este livro no qual estava muito interessada no AmadoraBD deste ano.

    Bianca, uma rapariga renascentista de boas famílias, vai casar-se com um homem bonito e rico, mas que não conhece. Mas a sua madrinha conta-lhe um segredo: na sua família, as mulheres têm uma "pele de homem" que podem usar para ser um homem durante o tempo que desejarem e explorarem o mundo masculino à sua vontade. Este homem, Lorenzo, é extremamente atraente e - usando a sua pele - Bianca irá conhecer os segredos do seu futuro marido Giovanni e apaixonar-se por ele de uma maneira totalmente surpreendente.

    Este é um livro extraordinário que explora conceitos de queerness, feminismo, liberdade sexual e social e - também - as várias formas como podemos amar. Além disso, é possuidor de uma arte belíssima, sensual e sincera, que não esconde mas também não exagera no erotismo. Bianca é uma personagem poderosíssima, corajosa, honesta com os seus sentimentos e totalmente liberta de correntes quando usa a pele de Lorenzo.

    Esta foi a minha banda desenhada preferida do ano, e recomendo vivamente.

  • Turma da Mônica: Laços

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    Turma da Mônica: Laços
    Vitor Caffagi & Lu Caffagi
    2013
    Banda Desenhada


    Comprei a edição portuguesa deste volume da nova colecção de novelas gráficas da Maurício de Sousa Produções na AmadoraBD do ano passado. Estava muito ansiosa por a ler, porque amo a Turma da Mônica de paixão.

    Esta edição deixa algo a desejar, começando pela estranha localização que fizeram ao texto, para português de Portugal, o que no caso desta colecção não me parece fazer sentido algum. 

    De resto, isto é uma história simples e amorosa, em que a nossa turminha tem uma aventura em que procura o desaparecido Floquinho num parque escuro e perigoso. A arte é suave, mas com um estilo que traz modernidade às nossas personagens clássicas, com fundos muito bem detalhados que nos remetem para um Bairro do Limoeiro caracterizado de forma profunda.

    Gostei muito desta obra, e fico à espera de novas edições em Portugal, deixando a nota para as deixarem com o texto original, porfavore.

  • I Am Nora

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    I Am Nora
    Megan Fitts
    2016
    Banda Desenhada


    Este curtíssimo volume de banda desenhada foi criado num Kickstarter, e eu recebi através do BookCrossing uma cópia autograda.

    Num hospital em que todas as enfermeiras são clones umas das outras, Noras, uma Nora começa a ganhar individualidade. Nessa individualidade ela encontra injustiças hospitalares, e esforça-se por fugir por forma a encontrar uma vida para si própria.

    Esta BD quase não tem diálogo, e a paleta de cores pode tornar a leitura confusa. É um pouco difícil descobrir qual das Noras é a Nora principal, e a narrativa é tão curta que ficamos à espera de mais sumo, de mais desenvolvimento, de saber o que é que esta Nora vai fazer agora que fugiu do hospital.

    Foi uma leitura rápida, que acabei por oferecer numa prenda num jantar de Natal.

  • Joker

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    Joker
    Alan Moore & Brian Bolland | Brian Azzarello & Lee Bermejo
    2019
    Banda Desenhada


    Um volume luxuoso com duas histórias de Joker, essenciais para a compreensão profunda desta personagem.

    A primeira história "A Piada Mortal" é um clássico curto e impressionante. Nesta história Joker maltrata e violenta a filha do Inspector Gordan, com o objectivo de o enlouquecer. O principal objectivo do vilão é provar que, se ele é louco, todos o podem ser também. Até o próprio Batman pode ser louco, se não conseguir vencer. Apesar de Batman tentar terminar com tudo através da via da compreensão, percebemos no final que até isso é engraçado, porque é impossível.

    A segunda história, "Joker", tem uma abordagem mais moderna, com uma cor digital muito bonita. Esta história é narrada por um dos gorilas de Joker, que tenta compreender o que se passa com o seu patrão sem o irritar. Joker acabou de sair do asilo e deseja voltar a ter todos os territórios de Gotham que perdeu durante a sua ausência. O resultado é de uma violência extrema, sempre pontuada pela dúvida quase gótica: porque ele faz isto?

    Um livro essencial para os apreciadores da personagem.

  • Escuta, Formosa Márcia

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    Escuta, Formosa Márcia
    Marcello Quintanilha
    2021
    Banda Desenhada

    Há algum tempo que tinha curiosidade neste autor, então aproveitei que estava uma exposição dele e de outro parceiro na AmadoraBD para comprar o último lançamento.

    Esta é uma novela gráfica aparentemente suave, mas na realidade violenta, desesperada e triste, com um pequeno toque de esperança. Márcia é enfermeira e vive num bairro triste. A sua filha está envolvida com esquemas criminosos e traficantes. E as duas não se dão bem, de maneira nenhuma. Até ao momento em que Márcia decide tomar uma acção.

    Com cores pastel, imagens difusas e todo um ambiente de alegria e paz, esta novela conta-nos uma história quase real, de uma violência intangível, caracterizando o que é a vida das pessoas simples num meio dominado pelo crime e milícia. As personagens estão altamente caracterizadas, embora esta caracterização seja feita de uma forma muito discreta, através das acções e não através das palavras.

    Este volume é um grande exemplo do talento brasileiro para olhar clinicamente para a sua própria sociedade.

  • Nem todos os cactos têm picos

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    Nem todos os cactos têm picos
    Mosi
    2017
    Banda Desenhada

    Queria comprar este livro desde o AmadoraBD de 2017 e por isso, desta vez em 2021, aproveitei a tal promoção para o trazer.

    Confesso que fiquei um pouco desapontada. Este é um álbum curtíssimo que nos conta a história de duas amigas de infância, dos seus pequeninos conflitos e das suas pequeninas consolações, em que a amizade é sempre o maior valor. Fiquei com a sensação de que a história poderia ser autobiográfica, por causa das referências de roupas e estilos, que estão bem colocadas dentro do contexto.

    Ainda assim, penso que esperava um pouco mais de uma história sobre este tema. Apesar de os desenhos serem bastante bonitos, isso não me chegou para compensar uma premente falta de conteúdo. Talvez fizesse mais sentido numa zine.

  • Matei o meu pai e foi estranho

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    Matei o meu pai e foi estranho
    André Diniz
    2021
    Graphic Novel

    Um dos novos sucessos da banda desenhada brasileira, com uma história pungente e um drama familiar.

    Zaqueu é diferente de toda a gente. É pobre, é albino, é artista. Ninguém se identifica com ele e ele não se identifica com ninguém. Quando descobre um segredo do seu pai, que sempre o maltrata com opiniões machistas e malévolas, decide matá-lo. E isso é muito estranho.

    A história é perturbadora e plenamente realista, num povoado de desenhos que nos mostram o bulício da cidade de São Paulo com grande exactidão. As personagens são fortes porque podemos encontrá-las em qualquer sítio. Por isso, a história bate fortemente dentro do leitor.

    Apenas achei que a diferença entre "negros" e "brancos" era pouco óbvia, o que tornava o facto de Zaqueu ser albino um pouco difícil de entender.

    De resto, um álbum quase perfeito.

  • A Dança das Andorinhas

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    A Dança das Andorinhas
    Zeina Abirached
    2007
    Graphic Novel

    Mais uma prenda da Chuva de Livros, que se leu numa tarde no café.

    Este livro é um album autobiográfico da guerra do Líbano. A autora conta como a sua casa estava separada do "resto do mundo" pela guerra e de como a noite se passava quando havia bombardeamentos. É um livro curioso porque nos mostra precisamente a união entre os diferentes tipos de pessoas, de vários estratos sociais e religiões, e como estas se esforçam por se proteger umas às outras num cenário trágico.

    Infelizmente não gostei muito da arte. Apesar dos padrões curiosos, estes acabam por se tornar aborrecidos, quando a maior parte do album é passado na completa escuridão. Muitas vezes as personagens confudem-se pelo excesso de padrões, e por vezes parece haver um "desperdício" de vinhetas, em cenas que podiam ter sido reduzidas.

    Não recomendaria, mas vou guardar para referência.

  • Lost at Sea

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    Lost at Sea
    Brian Lee O'Malley
    2003
    Banda Desenhada

    Esta pequena novela gráfica foi-me recomendada (e enviada) por um amigo. Agradeço-lhe desde já, porque foi uma leitura muito interessante.

    De uma forma muito contida, sem desperdício, e com grande limpeza, o autor apresenta-nos a história de uma rapariga inadaptada que se vê com um grupo de desconhecidos numa roadtrip pela América. Ficamos a conhecer o porquê da sua solidão: terá esta rapariga perdido a sua alma, algures durante os processos de mudança da sua vida?

    É uma BD que fala sobre a dor da adolescência, sobre a solidão de quem se encontra rodeado de coisas que não compreende e que não o compreendem. Apenas não gostei da analogia dos gatos, que me pareceu um pouco desnecessária.

    De resto, gostei bastante!

  • O Cavaleiro das Trevas volta a Atacar

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    O Cavaleiro das Trevas volta a Atacar
    Frank Miller
    2001
    Banda Desenhada 

    A sequela do Regresso chega em grande, com Batman a liderar um grupo de jovens delinquentes e preparado para libertar os verdadeiros heróis do jugo de um presidente fantoche e dos vilões que estão por trás deste.

    Infelizmente, este álbum pareceu mais uma colecção de "tudo o que pode acontecer de mal a um herói", com uma sucessão dos famosos da DC em situações desagradáveis e o Batman a livrá-los do mal-amén.

    Os desenhos estão mais rabiscados, com uma anatomia imperfeita que perturba a leitura. As cores, que poderiam ser vibrantes para ajudar a caracterizar o ambiente frenético desta história, são pálidas e opacas, trazendo muito pouca textura à narrativa.

    As novas personagens, isto é, a nova geração de heróis, tem motivações pouco claras e parece estar um pouco mal definida.

    Por isso, se o Regresso era uma obra prima, o novo Ataque fica muito aquém das expectativas.
  • Batman: Uma História Verdadeira

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    Batman: Uma História Verdadeira
    Paul Dini & Eduardo Risso
    2016
    Banda Desenhada
    Temos uma grande colecção Batmaníaca e agora começo a lê-los a pouco e pouco. Comecei por esta biografia desenhada (BD! Apanharam?) por Paul Dini, mais conhecido por ser o argumentista das Batman Animated Series. O álbum parte da sua infância e foca-se num momento da vida do autor, em que ele foi assaltado e brutalmente espancado no meio da rua por desconhecidos. A partir daí, terá de enfrentar os seus demónios, ie. as suas personagens, de forma a ultrapassar o medo e voltar a criar.

    Em termos autobiográficos, é uma história sincera, que fala da superação através do amor pela BD e por este conjunto de personagens icónicos. A narrativa é bastante simples e directa e, por isso, muito fácil de ler.

    Não gostei especialmente dos desenhos que, devido à falta de realismo das sombras e cores, tiravam muita da emoção das situações complicadas da vida do autor, fazendo com que tudo soasse um pouco a falso e a "inventado".

    Uma curiosidade para os maiores fãs de Batman.
  • Ronin

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    Ronin
    Frank Miller
    1983
    Graphic Novel

    Comprámos esta Graphic Novel no AmadoraBD do ano passado. Uma leitura tão difícil como extraordinária.

    Um samurai sem mestre, Ronin, é amaldiçoado por um demónio. Renasce no corpo de Billy, um homem do futuro com poderes telecinéticos associado a um super computador. Aquarios, esta nova tecnologia, tem uma inteligência artificial suprema e uma capacidade de aprendizagem invejável. Mas a acção do demónio, que também renasceu, irá complicar as coisas.

    Se há coisa que impressiona desde logo neste livro é a arte. É uma arte complexa, cheia de traços e sombras que, pintado a aguarela numa paleta de cores vibrante e incompleta, transmite um conjunto de sensações visuais impressionantes. No entanto, tornam a leitura também muito confusa enquanto se tenta descortinar o sentido de cada acção que, de forma muito dinâmica, nos conta uma história plena de violência.

    A ideia por trás de Aquarius também revela uma grande originalidade no conceito, talvez com uma certa inspiração em Hal de Kubrick. O demónio sobrenatural, algo nada lógico nem científico, consegue enganar a máquina mais inteligente de que há memória, usando para isso o seu próprio mecanismo. Assim, o demónio e a máquina tornam-se quase como uma unidade.

    Vale a pena ler este volume pela sua importância histórica e pelo desafio de enfrentar o seu grafismo.
  • Batman: O Príncipe Encantado das Trevas

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    Batman: O Príncipe Encantado das Trevas
    Enrico Marini
    2017
    Banda Desenhada

    Comprámos esta obra em dois volumes na CCPT 2018. A arte da capa fascinou-nos e, assim, não resistimos em adicionar esta graphic novel à biblioteca.
     
    Nesta balada de Gotham City, o autor toma uma série de liberdades com o nosso herói morcego, misturando muitos elementos bastante amados do universo numa só história. Tudo começa quando uma mulher acusa Bruce Wayne de ser o pai da sua filha de 9 anos. Ao saber disso, Joker decide raptar a criança, de forma a obter um avultado resgate.
     
    Apesar das liberdades narrativas e de design, que por ora até são bastante interessantes (uma mota-gato para a Catwoman!), esta é uma aventura viciante que nos permite encontrar novas análises neste conjunto de personagens. A caracterização é especialmente boa no caso de Jokjer e Harley Quinn, que aparecem com um discurso cheio de humor negro e com personalidades malévolas e, ao mesmo tempo, muito divertidas.
     
    Os diálogos casuais entre todas as personagens fazem com que a leitura seja rápida, o que é ajudado pela sequência cheia de acção entre os painéis. O autor faz uso de grandes e largos cenários ao longo das páginas, com uma coloração muito suave que oferece uma boa sensação de movimento. Quase podemos ver cada um dos músculos dos desenhos a vibrar.
     
    Uma excelente aventura com uma conclusão improvável!



  • Miracleman - A Idade de Ouro

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    Miracleman - A Idade de Ouro
    Neil Gaiman e Mark Buckingham
    1993
    Banda Desenhada

    Depois da paixão por Miracleman, não resisti em comprar na CCPT18 o volume da "Idade do Ouro", colecção de histórias curtas com argumento de Neil Gaiman.

    Estas histórias exploram os acontecimentos depois da tragédia de Londres e do novo mundo de Miracleman. No entanto, falam das pessoas "normais". Isto é, das pessoas que não arranjaram novos corpos e que, neste mundo encantado de maravilhas muitas, tentam encontrar um objectivo para a vida que não seja orar ao seu novo "deus", Miracleman.

    Ficamos a conhecer algumas mudanças no mundo, como novos feriados, novos deuses, novas peregrinações. E ficamos a ver que nem tudo é maravilhoso para as pessoas vulgares, que não compreendem exactamente o que se passou, que não conseguem enfrentar muito bem todas as mudanças que ocorreram precisamente para que sejam plenas de felicidade.

    Assim, temos um conjunto de histórias um pouco triste, realista e plena de humanidade. A atrte, numa variedade de estilos, ajuda a que encontremos um pouco de melancolia dentro de cada história. O artista, aliás, faz uso de várias técnicas para criar um ambiente diferente para cada uma das histórias, o que funciona muito bem a nível estético e narrativo.

    Um excelente complemento ao original, embora lhe falte um pouco do brilho e originalidade queque o caracterizavam.
  • Pétalas

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    Pétalas
    Gustavo Borges & Cris Peter
    2017
    Banda Desenhada

    Uma das mais recentes edições da Kingpin Books, editora que venho acompanhando, comprado no AmadoraBD do presente ano. :)

    Uma raposinha pequenina procura lenha no meio da neve. Encontra um pássaro que tem poderes mágicos, de ilusionista, que traz grande alegria aos habitantes da aldeia da raposa, curando pessoas doentes e fazendo boas acções.

    Esta é uma história que, sendo extremamente simples, usa da sua simplicidade para transmitir uma série de sentimentos felizes e trazer-nos uma mensagem muito bela. Sem diálogo, a acção decorre com calma, com uma sucessão de vinhetas que nos permite perceber exactamente o que se passa, quem é quem e qual as consequências dos actos.

    Os desenhos são amorosos e as cores muito suaves, remetendo-nos para um mundo de neve em que nem tudo é gelado e onde as pétalas da Primavera poderão sempre reaparecer-.. Temos um conjunto de paisagens belíssimas, com céus brilhantes e uma floresta nua mas acolhedora.

    Foi um livro que me deu um arrepio no coração, um sorriso e um calor. Emoção. E talvez seja isso o maior talento de um autor.

  • Como Falar com Raparigas em Festas

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    Como Falar com Raparigas em Festas
    Neil Gaiman, Fábio Moon & Gabriel Bá
    Banda Desenhada
    2016

    Adquirido no AmadoraBD, é a mais recente edição portuguesa da dupla brasileira que nos ofereceu Daytripper. Inspirado num conto homónimo de Neil Gaiman, é um livro misterioso que se vem a revelar muito diferente do que o título poderia fazer esperar.

    Dois amigos vão a uma festa. Um deles consegue sempre uma conquista feminina, enquanto que o outro (o narrador) tem dificuldade em iniciar uma conversa. Nesta festa, este conhece uma série de raparigas e esforça-se por falar com elas. Mas o seu discurso é bastante estranho... Quem será esta gente?

    A verdade é que nunca chegamos propriamente a discernir o mistério, o que acaba por ser um pouco frustrante. O discurso das raparigas traz um certo fascínio, mas depois não chegamos a saber qual o seu verdadeiro significado. Isto, para mim, tirou muito do potencial do livro. No entanto, entendo que - sendo baseado num conto - estes detalhes tenham sido deixados de fora propositadamente.

    A arte é delicada, com cores suaves e aquareladas, mas não apreciei especialmente o conjunto de expressões faciais disponíveis, que me pareceram exageradas e pouco dadas a uma correcta anatomia.

    De certo modo, foi uma experiência um pouco desapontante.

  • Watchmen

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    Watchmen
    Alan Moore & Dave Gibbons
    Graphic Novel

    Comprei este livro no passado Anicomics. O Qui sempre mo havia recomendado e achei que seria um óptimo volume para acrescentar à nossa crescente colecção. No entanto, talvez este livro tenha chegado às minhas mãos de leitora na altura errada, porque senti que não o apreciei devidamente.

    Este é um livro que fala dos super-heróis depois de deixarem de ser super-heróis. Num universo semi-distópico em que Nixon continua a ser presidente e a perseguição aos comunistas é cada vez mais acérrima, os super-heróis foram dispensados das suas funções de protectores da justiça, porque no fundo faziam mais mal que bem. Afinal, não passavam de seres humanos. Quase todos eles, pelo menos. Agora, desde o brutal assassinato de um veterano da equipa, Roscharsch - um dos heróis do passado que nunca revelou a sua identidade - procura descobrir o assassino e envolver os outors antigos amigos na sua busca.

    No entanto, há algo mais forte que eles que está sempre um passo à frente. E assim começa uma riquíssima análise pessoal de cada um dos intervenientes desta história, que sofrem uma caracterização e desenvolvimento raramente vistos neste formato de banda desenhada. Cada um deles tem os seus momentos de felicidade, os seus pequenos momentos de vida diária. Mas por trás de cada uma destas figuras, podemos analisar os problemas que vieram do facto de terem todos sido super-heróis, da incapacidade que têm de se afastar das suas personagens passadas e, sobretudo, dos problemas que têm na interacção com o mundo que os rodeia. Afinal, este mundo deseja que eles por um lado sejam pessoas normais e inseridas na sociedade, mas por outro lado ainda precisa de vigilantes que os protejam e ajudem.

    As revelações são surpreendentes e a cada volta que a história dá mais percebemos a ironia da construção de certas personagens, da loucura em oposição à moralidade e da perfeição física em oposição a uma crueldade crescente.

    As cenas estão desenhadas num estilo que não me agrada muito, num ponto de vista puramente pessoal, mas possuem uma dinâmica incrível, na medida em que não existem cenas de acção profundamente elásticas mas existem momentos de profundidade emocional que não poderiam ter o efeito desejado se não fosse a qualidade da arte.

    Existem cenas, também, que transmitem uma extrema beleza, nomeadamente as contemplações e divagações filosóficas em Marte e até mesmo a cena fatídica do final que, não sendo gráficamente brutalizante, é muito forte em termos de desenvolvimento e desfecho.

    Um livro que gostaria de ler numa outra ocasião, mais calma. Recomendo.
  • Miracleman

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    Miracleman
    O Escritor Original
    1986
    Banda Desenhada

    Ofereci este livro, uma edição integral em Português, ao Qui pelo seu aniversário. Entretanto, li-o antes dele. :p

    Miracleman é o que veio depois de Marvelman. Um herói feito para combater a popularidade da DC, que acabou por se perder no tempo e no espaço. Em 1986, o "escritor original" pega no personagem e dá-lhe uma nova interpretação. O que acontece quando o herói, quando o homem que está por trás do herói, esqueceu tudo e não passa de um homem de meia idade a tentar fazer a sua vida normal? E como é que a presença dos seus poderes irá influenciar a sua vida?

    Esta é uma banda desenhada de extrema violência, nunca injustificada, que faz uma análise aguda e contundente dos seus personagens, permitindo uma variedade de interpretações para estabelecer a verdadeira profundidade das suas acções. O vilão está concebido de uma forma simplesmente brilhante, sendo que os super-poderes de Miracleman acabam por dominar a própria personalidade do homem por trás da máscara.

    A arte é de uma brutalidade surpreendente, com imensos detalhes que só poderiam ser detectados numa segunda ou terceira leitura, com um uso de estilos mistos que envolvem todos os tipos de arte. Este não é um comic de todo normal. é surpreendente, fascinante e comovente.

    O final é positivo, mas apesar de tudo fica uma nota interrogativa. Afinal, é preferível entregarmo-nos à perfeição rejeitando a nossa própria humanidade?

    Um livro genial, que me orgulho de ter na minha colecção.

  • Aliens: Inhuman Condition

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    Aliens: Inhuman Condition
    John Layman, Sam Kieth & John Kalisz
    2012
    Graphic Novel

    Ofereci este livro ao Qui a propósito de um aniversário (ou seria de um Natal)? Comprei-o na altura, na Kinpin Books, porque estávamos sempre a gozar com os aliens e gostei da arte.

    Como não conheço nada sobre o universo do Alien, este livro caiu-me de forma um pouco estranha. Passa-se num planeta gelado, onde uma mulher ensina sociologia e empatia a cyborgs que serão utilizados para diversas funções. Uma delas é a de destruir as terríveis criaturas que têm vindo a ensombrar o destino da humanidade. No entanto, quando ela vê que os cyborgs são brutalmente utilizados para benefício dos humanos, ela esforça-se por provar que eles também possuem sentimentos humanos.

    Esta história é uma mistura entre a relação máquina-pessoa e o desenvolvimento de uma personagem que vive afligida por um trauma do passado, que depois se vem a revelar menos verdadeiro do que se pensava. Trata-se de um bom estudo, embora não passe muito mais informação sobre o universo em que se passa a narrativa.

    A arte é estranha, pois em termos anatómicos está bastante descuidada. No entanto, devido à pintura difusa isto acaba por funcionar bem de alguma forma.

    Continuo sem vontade de ver o filme original, pois sei que morreria de medo.

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