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  • Burning

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    Burning
    Lee Chang-dong
    2018
    Filme
    6 em 10


    Uma adaptação coreana de um conto de Haruki Murakami. Temos de dar a mão à palmatória: o filme lembra muito um livro de Murakami. Nesse aspecto, podemos dizer que é uma excelente adaptação (não li o original). Por outro lado, tem todos os defeitos a que o autor já nos habituou.

    Um rapaz encontra uma rapariga que era colega da escola e envolve-se com ela. Entratanto, esta dá-lhe a conhecer um tipo muito estranho. Depois acontecem coisas que não direi para não estragar quem tiver vontade de ver o filme. Mas posso dizer que, tal e qual como Murakami faz, esta narrativa perde-se no tempo, perde-se no espaço, tem falhas graves na estrutura e na lógica. Para além disso, o filme deixa uma série de pontas soltas e de questões não respondidas que, dando o desconto de não termos de saber tudo, soam mais a "não sei o que acontece às personagens e confesso que nem me tinha lembrado disso".

    De resto, temos um ambiente de thriller que funciona bastante bem, excepto o facto de que o mistério nunca vem a ser revelado. Os actores são medianos dentro dos papéis estranhos que lhes deram. Existe um foco exageradíssimo nos actos de masturbação, que não contribuem em nada quer para a história quer para o desenvolvimento da personagem.

    Tem um gato fofinho.


  • Thirst

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    Thirst
    Park Chan-wook
    Filme
    2009
    6 em 10

    Estava com o Qui cá em casa quando ele pega num livro da Anne Rice que tinha acabado de receber pelo correio. Depois de o folhear, enquanto eu punha a minha mais recente photoshoot de cosplay na net, teve a ideia de vermos este filme sobre vampiros. Mas um filme coreano. O que é sempre uma perspectiva diferente da nossa história clássica.

    Um padre católico oferece-se para uma experiência científica em que, certamente, encontrará a sua morte. Acidentalmente, após uma transfusão de sangue, torna-se num... Vampiro! E assim começa a ganhar traços animalescos que lhe permitem estabelecer uma relação com a mulher do melhor amigo.

    A história demora a arrancar, podendo mesmo ser um pouco confusa ao início. Só a partir do meio é que temos realmente a história de vampiros. Até lá, é uma narrativa de amores cruzados. Felizmente temos um conjunto de personagens fortes, com uma caracterização do "vampiro" enquanto criatura bastante original: estas pessoas perdem os seus traços iniciais, de pureza e de bondade, acabando por se transformar em verdadeiros animais selvagens, apenas importados com a caça, com o sangue e com a consumação dos prazeres mais directos.

    As atitudes dos personagens vão sempre deixando algum tipo de dúvida sobre o que vai acontecer. No entanto, o melhor trabalho de actor vai para uma não-vampira: a mãe. Esta personagem emana um poder sobre as outras e está excelentemente interpretada.

    De resto, há um certo exagero no sangue, um certo exagero no sexo, um certo exagero nos diálogos e, sobretudo, alguns efeitos especiais (sobretudo de perspectiva) com muito maus acabamentos. Felizmente o filme tem bastantes momentos de humor, algumas cenas à la "Destino Final" e uma secção que me pareceu hilariante, que foi a do morto com a pedra em cima.

    Foi um filme diferente do que estava à espera, mas sempre é uma ideia interessante.

  • Snowpiercer

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    Snowpiercer
    Joon-ho Bong
    2013
    Filme
    6 em 10

    Visualizado depois de levar os turistas a passear a Almada. Gostaram pois não tinha turistas e porque os levámos ao tasco mais tascoso de Portugal.

    Baseado numa graphic novel francesa, este é um filme passado numa realidade distópica. A humanidade terminou e o mundo enfrenta uma era do gelo. Os únicos sobreviventes são aqueles que conseguiram apanhar o Snowpiercer, um comboio de altíssima tecnologia que dá a volta ao mundo constantemente e que tem um ecossistema próprio. Infelizmente, como em tudo, existe uma grande divisão de classes dentro deste comboio, protagonizada pelas pessoas que vivem nas carruagens traseiras. Estas, lideradas por um jovem cheio de revolta dentro dele, decidem conquistar o comboio e fazer as suas próprias regras. Para isso, são ajudadas por dois coreanos - pai e filha - viciados numa estranha droga chamada Kronol.

    O ambiente do filme, o comboio, é muito interessante. Está extremamente detalhado e realmente funciona como realidade alternativa. O que não funciona neste filme é o facto de os personagens interessantes serem todos eliminados da corrida à medida que as cenas de acção decorrem. Estas, apesar de animação compoturizada ser bastante falha, são muito engraçadas em certa medida, mas aterrorizantes se vistas pela perspectiva dos personagens.

    Existem personagens muito interessantes, e a história pregressa de todos eles é quase comovente. Nota para  Tilda Swinton que interpreta, possivelmente, a personagem mais fascinante do filme: Mason, o pau mandado das carruagens da frente que decide e faz as vidas das carruagens de trás. Também fiquei surpreendida pela intensidade dos actores coreanos, dado que apenas os tinha visto naquelas novelas horrorsas que todos adoram.

    Para apreciar este filme, temos desde logo que admitir que esta realidade existe, apesar de alguns detalhes que poderiam ter sido explicados (por exemplo, porque razão se venderam os bilhetes, como apareceu a era do gelo, por aí em diante). De resto, é um bom filme de acção num ambiente bastante original, pelo que poderá ser um filme interessante para uma noite de mosquitos.
  • Primavera, Verão, Outono, Inverno... E Primavera

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    Primavera, Verão, Outono, Inverno... E Primavera
    Ki-Duk Kim
    Filme
    2003
    7 em 10

    Depois de um dia a manifestar-nos pela paz, e de (re)ver o Quinto Filme de Kara no Kyoukai porque não um momento um pouco mais espiritual?

    Este filme coreano trata de um templo budista no meio de um lago. O mestre tem um pupilo e as estações do ano vão passando, mostrando a vida do pupilo. Primavera, é educado a proteger e a amar. Verão, descobre a luxúria e o amor. Outono, cede à pressão. Inverno, regressa para se descobrir. Primavera, o ciclo recomeça.

    É um filme muito bonito, com paisagens de um lugar idílico que, existindo, nem cabe nos nossos sonhos. Não me importava nada de ter uma casinha daquelas, a flutuar na água. É um filme cheio de simbolismos que nos remetem para a busca da perfeição pessoal, para o encontro do caminho da luz do budismo. No fundo, é uma história sobre a vida e sobre como a espiritualidade nos pode salvar.

    Toda a narrativa é de paz constante, mesmo nos momentos de tensão. É impossível parar de ver, como custou interromper para as necessidades mais básicas!, é impossível não sermos arrastados para este lugar e não nos sentirmos inspirados a procurá-lo dentro de nós.

    Recomendo-o muito, sobretudo depois de manifestação pela paz.
  • 3 Iron

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    3 Iron
    Ki-duk Kim
    Filme
    2004
    8 em 10

    Como não gosto muito de ouvir coreano nunca tinha visto um filme coreano. Sugeriram-me este e, como até estava no mood de ver um filme com pessoas, decidi arriscar. E ainda bem.

    É um filme lindíssimo.

    Certo jovem com uma moto BMW entra na casa das pessoas quando elas estão de férias. Faz a sua vida, lava-lhes a roupa, arranja-lhes balanças estragadas e fica tudo em paz, nem se dá por ele. Até ao dia em que ele encontra uma mulher que é claramente vítima de uma série de abusos. E aí acontece amor.

    Não sendo um filme mudo, este é um filme silencioso. é o verdadeiro "vamos ouvir o silêncio". Os actores fazem um excelente trabalho em transmitir palavras sem as dizer, palavras e sentimentos. São momentos de uma beleza indescritível.

    É muito engraçado ver as casas das pessoas e conhecê-las sem elas lá estarem. É muito engraçado vê-los a viver a vida das pessoas, que não conhecem, nem nunca viram, nem nunca vão ver. São imagens muito simples mas muito interessantes.

    A banda sonora, com várias peças muito bonitas, encaixa perfeitamente nos sentimentos que o realizador e os actores tentam transmitir, ajudando na compreensão do universo que estamos a ver.

    E o final absolutamente inesperado quase me fez chorar. Seja realidade, seja fantasia, é felicidade.

    Bastante recomendado e obrigada a quem mo recomendou.
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