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  • SHITZ

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    SHITZ
    Hanoch Levin/Companhia de Teatro de Almada
    1974/2021
    Teatro

    Após forte recomendação de membros do meu grupo de teatro, e a visão de uns bilhetes gratuitos (que não aproveitei, por forma a dar o meu apoio à estrutura da CTA), fui ver esta peça com uma amiga.

    É um drama familiar, preso a um exagero cénico e de figurino, que explora de forma crítica os valores da família tradicional. Apesar de ter momentos engraçados, não foi uma peça que me fizesse rir, nem que me deixasse especialmente desconfortável.

    Acredito que o efeito teria sido mais preponderante se tivessem usado actores realmente gordos, ao invés de fatos de gordo, e se a interpretação dos que lá estavam fosse menos gritada. Existem muitos momentos musicais, com letras muito esquisitas e engraçadas, mas em termos de crítica social esses momentos acabam por trazer algum nojo, sem funcionar no seu geral.

    Há muito tempo que não ia ao teatro, portanto foi divertido, mas não foi uma peça memorável.

  • Viagem de Inverno

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    Viagem de Inverno
    Elfriede Jelinek / Companhia de Teatro de Almada
    2011 / 2020
    Teatro 

    Esta peça foi-me muito recomendada, portanto juntei-me à malta para irmos ver. A única conclusão que tiro é que ainda tenho de ver muito teatro. Porque, para ser completamente sincera, penso que não tenho capacidade intelectual para compreender esta peça.

    Trata-se de um texto longo, que eu pensava literário mas que afinal foi feito especialmente para o teatro, que é interpretado por três actrizes nesta encenação. Embora cada uma delas procure uma voz única dentro das palavras que estão a dizer, o texto é tão complexo que - sendo distintas - é impossível saber quem é quem. Talvez seja esse o objectivo final, apesar de tudo.

    Alguns momentos da peça foram muito interessantes, com ritmo, esforço físico e uma quase canção, mas entretanto algo me passou porque... Bem, adormeci. Muita gente adormeceu, portanto não me odeiem D: Muita gente se foi embora antes do fim, alguns tentavam participar na peça.

     No final eu só queria que a senhora do realejo se calasse e que ela mais o seu realejo se afundassem nas profundezas da neve.

    O teatro causa emoções, mas estas foram maioritariamente negativas. Também está certo!
  • O Feio

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    O Feio
    Companhia de Teatro de Almada / Marius Von Mayenburg
    2017 (2019) /2007
    Teatro
    Fomos também ver esta peça da Companhia de Teatro de Almada. 
     
    Lette é um homem normal que descobre um dia que é feio. Muito feio. Então submete-se a uma cirurgia plástica para se desfazer dessa fealdade. O resultado é tão excelente que não pode correr tudo bem...
     
    Este é o tipo de peça que está encenada com uma mecânica de modernidade absurdista, em que não há regras, não há sentido e não há um comum trabalho de personagem: porque nada é o que parece e nada obedece às regras que comummente atribuímos ao teatro. O resultado é tanto ilógico como engraçado, mantendo sempre a peça um grande ritmo.
     
    Embora não tenha percebido os objectivos e símbolos por trás de alguns momentos menos vulgares, achei este Feio hilariante e nada feio. Também uma grande lição sobre (uma grande lição, parece que há uma moralidade aqui) o desejo intenso de beleza que atormenta a geração telefone-esperto.
     
    A repetir!

  • Nathan, o Sábio

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    Nathan, o Sábio
    Companhia de Teatro de Almada - Gotthold Ephraim Lessing
    Texto - 1779/2017
    Teatro

    Conseguimos bilhetes para o último dia da reposição desta peça, encenada pela Companhia de Teatro de Almada e contando com diversos nomes de grande exposição e talento do nosso panorama nacional.

    Esta é uma peça com grande relevância histórica na sua época e que continua a mostrar um grande significado até aos dias de hoje. Nathan é um judeu muito rico e tido como um homem bom e sábio. Ao chegar de uma viagem, descobre - através da sua criada cristã - que a sua filha adoptiva foi salva de um incêndio por um templário. A partir daqui desenvolvem-se diversas narrativas que culminam numa evidente união de todas as religiões, tratando os dilemas com sabedoria e muita justiça, de forma exemplar.

    Apesar das reviravoltas serem um pouco previsíveis, esta peça chega-nos ao coração pelo retrato de um universo de respeito e amor ao próximo que nunca se viu em ocasião alguma. A peça não tenciona ter realismo neste aspecto, mas é como se fosse uma fantasia, uma transposição da experiência do autor perante a injustiça do mundo a uma idealização de como tudo poderia correr bem.

    A encenação, muito calma e minimalista, dá-nos a oportunidade de apreciar o texto sem distracções ou interrupções. Achei, por isso, que o intervalo foi desnecessário e um pouco incómod Essencialmente, não havia cenário nem nenhum objecto especial em palco: a mudança de espaços era indicada por variações num ecrã que nos mostrou uma variedade de pinturas.

    Também os actores, sem nunca se conterem, fazem um trabalho excelente na interpretação do texto, trazendo as emoções mais íntimas dos personagens ao de cima. Apesar de em várias ocasiões podermos colocar algum tique em certas personagens, fazem um bom trabalho em evitar isso ao máximo.

    Foi uma peça excelente, que espero que seja encenada em mais lugares. Nem que seja para que mais pessoas tenham oportunidade para a ver!
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