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  • Tirania Celestial

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    Tirania Celestial
    Xiran Jay Zhao
    2024
    Livro

     

    Pegando exactamente onde tinha ficado o livro anterior, voltamos a acompanhar as aventuras neste universo cheio, um misto de mecha com cultura chinesa.

    A nossa personagem torna-se mais forte, mas também mais solitária, agora que é a Imperatriz. O livro descreve em profusão todos os detalhes da vida de Imperatriz, neste planeta tecnologicamente avançado, o que acaba por ser muito cansativo, porque nunca mais acabava.

    Algumas partes foram engraçadas, como ela fazer a revolução no meio da rua a caminho da prisão, e a conclusão bastante curiosa. Ainda assim não me encheu as medidas, porque é simplesmente longo demais. 

  • As Três Filhas da Senhora Liang

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    As Três Filhas da Senhora Liang
    Pearl S. Buck
    1969
    Romance


    Só gostaria de comentar que me chateia um pouco que estes "chinólogos" ocidentais escrevam detalhadas histórias sobre a China do regime comunista, sempre com a crítica escondida por trás. Neste caso, explora-se a história da dona de um restaurante chique em Pequim que mandou as suas três filhas para a América, onde se educaram. No entanto as filhas, apesar da sua educação, regressam à China para viver vidas infelizes.

    A minha crítica principal é que, sendo a autora ocidental, que conhecimento remoto poderá ter sobre os sentimentos de uma cultura ancestral na qual só viveu por poucos anos comparando com o grande esquema do mundo. Assim, esta visão puramente primeiro mundista do que se passou na China parece-me muito injusta.

    Não é que o livro esteja mal escrito, apenas me chateou.

  • The Apothecary Diaries

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    The Apothecary Diaries
    Morishita Katsuji - OLM
    Anime - 24 Episódios
    2023
    7 em 10

     

    Anda toda a gente delirante com este anime, e eu sou o tipo de visionante que não gosta muito de ver as coisas populares quando elas estão populares. Mas este shoujo de mistério histórico é bastante mais do que aquilo que aparenta!

    Na cidade proibida do Imperador da China, vários mistérios acontecem. Uma criada, que é filha de um farmacêutico, começa a resolver estes mistérios em segredo, até que é descoberta pelo (não) eunuco mais sexy de que há memória.

    Que o homem é mesmo lindo, que raio. E, o pior, é que ele sabe que é lindo, e vai usar isso em seu favor sempre que necessário. Já a nossa protagonista, é muito original para um shoujo. Para começar, não está apaixonada pelo elemento masculino principal, não está apaixonada por ninguém. É estranha, é esperta, é meio esquisita mas mesmo assim vai fazendo amizades aqui e ali. E por isso esta história de amor torna-se extremamente cativante, porque precisamos de saber se eles ficam realmente juntos ou não e que mais coisas há sobre este senhor tão bonitinho.

    Devo apenas dizer que achei as OPs e EDs muito anticlimáticas, e que de resto o anime é *muito* parecido com uma novela chinesa que eu estava a ver. Mas este Jinshi... Ai, o meu kokoro T__T 

  • M. Butterfly

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    M. Butterfly
    David Cronenberg
    1993
    Filme
    8 em 10


    Um filme comovente e maravilhoso, que relata a história real de dois amantes que - apenas no fim - descobriram a sua verdadeira identidade.

    O cônsul de França na China pensa que sabe tudo sobre os asiáticos. É um racista e colonialista, óbvio, até ao momento em que conhece uma famosa artista de teatro chinês, que lhe pede que a veja no teatro tradicional. A paixão é imediata. Mal sabe ele que as mulheres no teatro chinês são todas interpretadas por... Homens.

    Assim, este cônsul vive na ilusão de ter uma amante chinesa, quando na verdade mantém relações homossexuais com um espião do regime comunista. E isto, por mais bizarro que seja, aconteceu mesmo. No entanto, Cronenberg torna esta história tão bela e tão pungente, tão comovente e tão apaixonante, que acreditamos que o amor, a aceitação e depois a rejeição e - por fim - o arrependimento são efectivamente a realidade daquilo que aconteceu.

    Para mim esta foi a mais bela história de amor de todo o ano, tenha acontecido desta forma ou não. Quero acreditar que aconteceu assim, embora a wikipedia diga que não. Obrigada Cronenberg por teres feito este filme sem meter medo. Porque é mesmo muito lindo.

  • Link Click

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    Link Click
    Anime - 11 Episódios
    Lin Haoling - Studio LAN
    2021
    7 em 10

    Eu não era suposto ver anime chinês. Foi tudo um acidente! Mas a verdade é que acabei por ficar agradavelmente surpreendida!

    Estes rapazes têm um poder especial: podem entrar dentro de uma fotografia e ver o que se passou "em volta". Com isso tentarão resolver alguns mistérios, de assassinatos a crianças desaparecidas, e assim ajudar as pessoas. Mas há outras forças que se levantam.... Para isso teremos de ver a segunda season!

    O design é muito bonito e a animação fluída, bem feita. Mas sobretudo o que marca são as histórias emocionais, em que muito da natureza humana é revelado, assim como alguns detalhes sobre a sociedade chinesa da actualidade. 

    Gostei muito deste anime estou ansiosa para saber o que vem a seguir!

  • Ash is Purest White

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    Ash is Purest White
     Jia Zhangke
    2018
     Filme
    6 em 10

    Penso que esta foi a primeira vez em que vi um filme chinês na sua maior pureza, sem nenhuma lavagem ocidental que o torne mais acessível ao nosso pequenino universo.

    Este filme é valioso pelo olhar que deita à China moderna. Uma China industrial e velha, uma China onde as garrafas de água não têm marca. Desde as roupas às paisagens naturais, tudo parece diferente do que aquilo que poderíamos imaginar sobre esse conceito, desse país.

    É a história do amor frustrado entre um líder de um gangue e a sua namorada. É um amor afastado e ao mesmo tempo desesperado, o que torna tudo um pouco confuso. Por alguma razão, foi-me impossível perceber a motivação das personagens, o que as fazia ser elas mesmas. Esta falta de definição, juntamente com alguns momentos um pouco oníricos, tornam o filme uma experiência algo estranha.

    Não é de todo um filme acessível. Fiquei sempre a pensar que faltava algo. Mas o quê?
  • Big Fish and Begonia

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    Big Fish and Begonia
    B&T
    Filme
    2016
    7 em 10

    Este é um filme de animação chinesa e a minha primeira experiência com animação deste país. Tem também produção coreana e japonesa e quase se pode caracterizar como anime.

    No início, todas as pessoas eram peixes. Agora, são peixes que nadam por todo o mundo em busca de alguma coisa mais. No entanto, existe um outro mundo: o mundo dos seres que controlam a natureza. E as pessoas desse outro lugar têm de passar, aquando o seu décimo sexto aniversário, por um ritual em que visitam, sob a forma de golfinhos vermelhos, o mundo dos humanos e aprendem sobre ele. Uma rapariga, no entanto, sofre um acidente, sendo que é salva por um rapaz humano que morre no processo. Arrependida, ela fará tudo o que estiver ao seu alcance para lhe devolver a vida, mesmo que isso possa causar uma situação caótica no mundo da magia.

    Este é um filme que nos mostra muito da cultura chinesa e do imaginário bestial deste país. Os designs são maravilhosos, curiosos e surpreendentes, sendo que existe um cuidado e atenção ao detalhe que em cada cena recebemos uma nova surpresa. Fique a nota que quero um daqueles rabos voadores! Também a aniamção está muito bem conseguida, com cenas de acção muito dinâmicas e com recurso a técnicas muito modernas, com uma mistura entre os elementos e os cenários que tem um resultado muito agradável à vista. Fique apenas a nota para o abuso de elementos digitais que estão muito desadequados, na medida em que nã se conseguem integrar com o resto dos cenários.

    Se a história é muito simples, com personagens eficientes mas sem uma caracterização muito profunda, as acções dos personagens dentro deste universo levam-nos para sentimentos de pura magia e fascínio.

    Já a música, perfeitamente adequada, adiciona muita emoção a cada uma das cenas. No entanto, enquanto peças singulares, não há nenhuma das músicas que me chame a atenção.

    Gostei muito deste filme! Muitas boas coisas virão aí da China, certamente!

  • Romance of the Three Kingdoms

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    Romance of the Three Kingdoms
    Yano Hiroyuki - TV Tokyo
    Anime - 47 Episódios
    1991
    6 em 10

    O "Romance dos Três Reinos" é uma obra literária épica da China que tem vindo, desde sempre, a ser adaptada para o formato de anime, sendo que esta já é a terceira adaptação que vejo. Esta, no entanto, baseia-se num manga de mesmo nome ("Yokohama Mitsuteru Sangokushi"), que na época (finas de 80s-início de 90s) foi muito popular. Talvez tenha sido a melhor adaptação da história que tenha visto, se bem que a minha opinião está mal direccionada porque já conhecia a história muito bem.

    Trata-se de um épico da luta pelos reinos da China, nos séculos III e IV. Um homem, Cao Cao (que se diz "Sou Sou") decide que vai ter a China toda para ele. E assim se processa uma guerra imensa, cheia de momentos de pura estratégia de combate e cheia de batalhas que nos levam à ponta do assento, por serem tão emocionantes.

    No entanto, estas cenas de batalha são imensamente prejudicadas por uma arte medíocre, cheia de repetição de frames ao longo de todos os episódios, com cores pouco precisas e sombras mal detalhadas, que retiram muito da complexidade das batalhas. Também os cenários não têm qualquer tipo de detalhe e, a não ser pelo design dos personagens, seria difícil de adivinhar que esta história se passa na China antiga.

    Também a banda sonora está bastante fraca, sendo algo repetitiva nos momentos de acção e apresentando uma OP muito épica que calha um pouco fora do contexto.

    Um anime que vale muito pela excelente adaptação da narrativa, mas que em termos técnicos deixa muito a desejar.
  • Reflexões Sobre a China

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    Reflexões Sobre a China ou As Atribulações de um Ocidental no Ocidente
    Álvaro Guerra
    1976
    Ensaio

    O último dos livros que apanhei no jardim. Agora, já enviei um e-mail para a biblioteca que organizou a iniciativa a saber o que devo fazer com estes livros (devolvê-los? Libertá-los?). Espero que sejam simpáticos... ;___;

    Este micro-livro é um pequeno ensaio sobre a experiência do autor na China, no ano da morte de Mao Tse-Tung. O livro fala brevemente de alguns aspectos de todos conhecidos nos dias de hoje, como as manifestações culturais, a política de natalidade, a política marxista-leninista, etc. Também inclui uma cronologia bastante detalhada da história da China do século XX, o que é de interesse para quem goste do tema.

    No meu caso, esperava um certo manifesto de apoio ao país de então, o que não acontece de todo. Ao iniciar a leitura, após o prefácio, esperava também alguns detalhes sobre a vida das pessoas na China, de uma forma um pouco mais pessoal e menos ligada à política, o que acabou por não acontecer.

    De todos os modos, é um livro minúsculo que se lê num par de horas e nos dá uma ideia bastante concreta dos ideais políticos deste país, nesta época.

    Notei agora que o título é um pouco estranho. Não deveria ser "atribulações de um ocidental no oriente"? :p

  • Peito Grande, Ancas Largas

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    Peito Grande, Ancas Largas
    Mo Yan
    1995
    Romance

    Desde que tinha sido anunciado o Prémio Nobel de 2012, queria ler este livro, que é considerado a sua obra maior. Encontrei-o na Feira do Livro do ano passado e, agora, finalmente li-o. É uma obra prima e há algum tempo que não lia nada assim.

    Percorrendo a China desde o início da segunda guerra mundial, este livro relata a vida de uma grande família localizada numa província campesina, que vive, luta e sofre ao longo dos tempos. A narrativa relata muitos eventos que aconteceram ao longo destes anos todos, sendo que esta família sofre às mãos de todo o tipo de regime, dos imperialistas aos comunistas, em acções que dizem muito sobre a realidade escondida do que se passou nestas épocas perdidas e esquecidas.

    O personagem principal, Jintong, nosso narrador ao início e protagonista no final, tem características psicológicas muito especiais: ele é um inveterado apreciador de seios e do leite que deles jorra, a ponto de não se conseguir alimentar de mais nada durante muito tempo. Isso torna-o numa pessoa débil, fraca, cobarde, o que traz consequências negras para a sua vida e para o que o rodeia. É o último filho de uma mãe, figura poderosa e inquebrável, com oito irmãs que - movidas por uma incessante paixão - se unem a homens especiais, por vezes perigosos, o que também tem consequências graves para a vida de Jintong. O destino de cada uma das irmãs é traçado de forma imprevisível, sempre mutável pelas mudanças na vida política da China. Assim, o livro conta através delas todas estas alterações, sendo que a vida da família - entretanto reduzida a Jintong e à sua mãe - é profundamente afectada por elas. São pessoas que assistem à guerra, à fome, à solidão, ao horror. Mas também existem momentos felizes.

    O que mais me surpreendeu, mais do que a história, é a técnica de escrita. O livro é altamente descritivo, mas nunca aborrece, pois todas as imagens relatadas são belas. Mas de uma forma crua, quase insensível. A forma de Jintong ver a vida está cheia de analogias à vida diária na aldeia em que vivem, com muitos elementos da natureza espalhados por todo o lado, com matizes de cor e textura que me fascinaram e apaixonaram. Por vezes as descrições são grotescas, a visão é nua, a visão é o espelho de uma realidade que muitos autores preferem omitir por ser tão horrível ou nojenta. Mas estão escritas de tal forma que conseguimos formar imagens perfeitamente exactas do que realmente se passa, por vezes de um estonteante belo.

    Apesar da quantidade de personagens que existem, o livro é bastante simples de seguir e muito acessível. É uma escrita simples, sem complexos, muito clara. Isto parece-me simplesmente extraordinário. Passarei a recomendar este livro como uma obra fundamental, sobretudo se tivermos em consideração os factores políticos de que o autor foi vítima por o ter publicado.

    Um livro essencial e muito recomendado.
  • Uma cana de pesca para o meu avô

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    Uma cana de pesca para o meu avô
    Gao Xingjian
    1986 - 1990
    Contos

    Livro apanhado na Convenção do BookCrossing e a ser enviado ao amigo vegetal do BookCrossing a propósito da troca de Natal (enviei uma trilogia. Acertei tão bem nos gostos do jovem que ele já tinha a trilogia ;___; )

    Esta é uma colectânea de contos de um prémio Nobel Chinês que eu não conhecia. Fiquei com muita vontade de ler outras obras dele, porque estes contos são encantadores e souberam a pouco.

    É uma prosa leve mas profunda, ornamentada mas sem cair no exagero e no ridículo. São contos que falam de pequenas imagens do dia a dia, um acidente, uma cãibra, um parque, uma praia, mas de forma tão vívida que nos encontramos nos personagens criados pelo autor e nos sentimos realmente nesse parque, nessa praia. São textos difíceis, complexos dentro da sua simplicidade, mas que transmitem com precisão cirúrgica um conjunto de sentimentos que só podem ser experimentados perante as situações de cada conto. Situações essas que não precisamos de ter vivido para as compreendermos: estão de tal forma escritas que é fácil para nós imaginarmo-nos como a pessoa daquele momento.

    O meu conto preferido foi aquele que deu o título à colectânea, "Uma cana de pesca para o meu avô". Fala de um homem que, em sonhos ou na realidade (fica ao nosso critério) revisita a terra da sua infância para a encontrar tão diferente. Assim, acaba por comparar as suas experiências da infância e as palavras do seu avô, à sua própria aprendizagem enquanto adulto. É um conto muito profundo e esclarecedor da natureza humana, apesar de ser extremamente simples.

    Também gostei muito de "Num parque", porque me identifiquei com a figura da rapariga que espera (apesar de as minhas esperas valerem sempre a pena). Também porque o parque estava de tal forma descrito, que pude ver na minha mente até as variações de luz.

    Espero ter a oportunidade de voltar a ler algo deste autor, porque este livro foi muito apreciado. Esperemos que o senhor do reino vegetal a quem está destinado também o aprecie!

    Edit: Estive a investigar a estante BookCrossing do destinatário e ele já teve este livro, já o libertou, já foi apanhado, etc. Bolas, terá de ser outro. ._.
  • Disponível para Amar

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    Disponível para Amar
    Kar Wai Wong
    Filme
    2000
    7 em 10

    Jantar romântico, vinho romântico, indisposição romântica, filme romântico?

    Inferno-sim!

    É um filme Chinês, o que já de si é uma novidade para mim, que fala sobre a solidão e sobre o amor que nasce no meio dela. Numa casa muito estranha, com muitas zonas partilhadas por vizinhos barulhentos, uma mulher espera pelo marido que está sempre em viagem e um homem adormece antes da mulher chegar a casa. Estão tristes e acabam por se juntar na composição de uma história de artes marciais, mas sem nunca se tocarem. No entanto, têm de estar escondidos, por causa das aparências. Acabam por se apaixonar? Talvez...

    Este filme tem alguns pontos de interesse e talvez eu não o tenha apreciado como deveria por estar tão mal-disposta... Começo pela curiosidade de que o realizador e argumentista não escreve argumentos. Assim, o filme saiu praticamente todo de improviso, num jogo entre actores e director. O resultado é de uma subtileza e delicadeza fascinantes, com diálogos muito naturais - apesar da dificuldade para o visionante ocidental, à conta da língua que tem as suas inflexões próprias, bem diferentes da nossa romanização.

    Esta aura elegante é apoiada e intensificada pelo trabalho de filmagem e fotografia, sempre com perspectivas estranhas, perspectivas das personagens que por vezes podem confundir um público menos atento (eu). O que mais gostei, mais do que as cores, foram os padrões, por vezes bizarros e perturbadores, mas com um efeito de belo. Então os vestidos dela, eram fantásticos, quero-os todos para mim. Em cada cena usa um diferente!

    Mas bem, um belíssimo filme para ver no sofá, bem enroscadinha em modo-pequeno-mamífero :)
  • O Chá

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    O Chá: De Oriente para Ocidente
    Exposição (Museu do Oriente)
    Não me apetecendo estudar nem trabalhar na tese, achei por bem ir com a minha mãe ver esta exposição. Assim, apesar de não ter grande competência para comentar exposições, vou falar um bocadinho dela.
     
    Instalada no Museu do Oriente até dia 13 de Janeiro (2013), esta é uma exposição que nos dá a conhecer a origem do chá e como é que ele cá chegou. A cultura em volta do chá que existe nos países orientais, nomeadamente China e Japão, versus a adaptação ao ocidente. É uma exposição muito informativa. Assistimos a parte de uma visita guiada e essa ainda é mais informativa. Tanto que nos cansou logo passados cinco minutos e fomos ver a exposição por nós mesmas.

    Aqui podemos ver uma extensa colecção de bules (se bem que não vimos o que está na imagem) e chávenas. Os bules são muito giros, têm grandes, pequenos, micro-bules e macro-bules, de todas as formas e feitios, especificando as suas categorias artísticas e em que época e cultura se inserem.

    Recomendo, até porque com cartão de estudante o bilhete só custa dois euros. E fica-se com vontade de beber chá, que é tão saudável!

    Fica aqui o folheto informativo:



  • A Rapariga de Pequim

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    A Rapariga de Pequim
    Chun Shu
    Biografia/Romance
    Livro
    2003

     Este foi o segundo livro que ganhei no passatempo da Editorial Presença e Facebook. Decidi-me por ele porque a capa parecia interessante, com uma miúda toda alternativa. Pensei que fosse falar sobre esse assunto que me interessa profundamente, que é a moda alternativa e o mundo da música underground. E fala mais ou menos disso, mas não de uma forma que me agradasse.

     A Rapariga de Pequim é uma biografia romanceada de uma certa jovem de 16 anos que se sente incompreendida no mundo da China actual. É uma rapariga que acha que se distingue de todas as outreas, que acha que tem um grande talento para a escrita... Coisas que todos os adolescentes acham em alguma parte do seu caminho.

     Infelizmente, o livro não está especialmente bem escrito. É vernáculo e simples, mas há tantos nomes e acontecimentos que uma pessoa se perde facilmente. É difícil de acompanhar e de visualizart as situações. De vez em quando há grandes momentos de pseudo-literatura e poesia, mas estão mal escritos, infantis, pouco polidos. Não admira que tantas editoras tenham recusado este romance à primeira vista e é uma surpresa para mim como foi traduzido em tantas línguas. Aproveito a deixa para dar os parabéns à tradutora, que fez um excelente trabalho ao passar isto do Chinês para o Português.

     Outra coisa que me confunde intensamente neste relato é a "infelicidade" da criatura em causa. Ela não gosta da escola, mas também não se esforça por se adaptar, tal como todos nós fizemos. Ela não se sente amada, mas não aproveita o facto das pessoas gostarem dela. Sente-se incompreendida pelos pais, mas não há uma única tentativa de diálogo. Assim sendo, a imagem que passa é a da uma adolescente mimada e estúpida, favorável a uma prostituição materialista. Seria ela mais feliz se em vez de ter encontrado o guitarrista de uma banda "fixe" tivesse encontrado um sugar-daddy bem parecido.

     Senti-me quase tentada a escrever-lhe, agora que ela já está na casa dos 20, e explicar-lhe isto, mas não vale a pena. Ela já conseguiu o que queria, que era editar o seu romance e ter dinheiro para comprar muitas roupinhas da moda. É triste a forma como este livro apenas caracteriza a decadência da adolescência na China. Se todos os adolescentes Chineses forem assim, não há grande esperança para esta emergente potência mundial, pois irá colapsar pelo materialismo tal qual os Estados Unidos.

     Um bom aspecto é que o livro me deixou curiosa sobre a música alternativa, rock e punk da China. Ainda não encontrei nada, mas se alguém souber de bandas interessantes por favor que me diga, porque quero mesmo ouvi-las.

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