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Em Casa de Bruxa
Em Casa de Bruxa
Arin Murphy-Hiscock
2018
Paganismo
Um livro interessante que coloca a perspectiva da bruxaria e do paganismo concentrados no nosso lar, com a lareira como foco central da prática da bruxaria. É um livro que tem muito de bruxaria de cozinha, que não me interessa por aí além, mas que tem sugestões muito práticas de como trabalhar a magia DENTRO de casa.
No entanto, o livro tem alguns problemas que não sei como resolver. Nomeadamente, casas sem lareira. E também apartamentos. Não faz muito sentido estar a deitar sal à volta do prédio, sobretudo nos prédios portugueses que estão todos colados uns aos outros. Teria de fazer o feitiço à volta do quarteirão inteiro, o que estraga um pouco o objectivo.
Além disso, os feitiços mencionados são muito simples, e qualquer pessoa com uma boa base de bruxaria certamente já os tentou, ou pelo menos conhece.
Ainda assim, foi uma leitura agradável.
Psychic Witch
Psychic Witch
Mat Auryn
2020
Paganismo
Um livro de magia que me foi recomendado por Migx, e que achei muitíssimo bem escrito e interessante.
Este livro propõe que todos nós temos capacidades psíquicas, e ensina vários métodos para as desenvolver. Também tem uma série de rituais e feitiços muito práticos e úteis, no entanto muitos deles eu já sabia (ou tinha noção), porque são muito parecidos com os do primeríssimo livro que tive, da Silver Ravelwolf, a quem este livro está dedicado.
De resto, a edição é lindíssima, ricamente ilustrada, e com exercícios muito claros e simples para desenvolver então esta capacidade. Já comecei a praticar o primeiro exercício, mas o pior é que adormeço sempre. D:
The Witches of Eastwick
The Witches of Eastwick
George Miller
1987
Filme
5 em 10
Um filme de bruxaria do melhor ano de sempre.
Três amigas têm vidas moderadamente infelizes, cada uma pela sua razão. Até que um dia um misterioso homem se muda para uma casa mal-assombrada da região, e procede a seduzi-las uma a uma. Este homem tem poderes: este homem é o demo. E elas percebem, mais tarde do que cedo, que é necessário enviá-lo de volta para a que o pariu asap.
O filme é divertido, mas coloca um pouco em xeque as crenças sobre bruxaria e paganismo que conhecemos na actualidade. Apesar de alguns elementos estarem bem feitos, os efeitos especiais do final são absolutamente grotescos.
Também a selecção de actores, que em princípio seria muito maravilhosa, acaba por falhar um pouco. Uma morena, uma loira e uma ruiva, ok, temos uma de cada sabor. Mas Jack Nicholson enquanto demónio parece fazer o mesmo papel que já tinha feito milhares de vezes antes.
Foi só ok.
Deuses E Rituais Iniciáticos Da Antiga Lusitânia
Livro que comprei na Feira do Livro e ao qual me fizeram uma promoção muito simpática apesar de já não ser o dia deste livro. Obrigada senhor da Zéfiro que foste muito simpático. :)
Então, já há algum tempo que queria ler este livro, por sugestão do Círculo dos Cogumelos. Tenho cada vez mais interesse em conhecer o panteão lusitano, e pensei que este livro seria bom para começar.
Não é: o autor tem uma escrita complexa, hermética, com associações de sincretismo entre vários elementos que não estão muito bem explicados. Além disso, o autor muitas vezes perde-se em divagações de como ele é melhor que os outros e de como lhe roubaram artigos e ideias. Isto pode ser muito, diga-se vulgarmente, SECANTE para qualquer leitor, mas eu resisti e continuei.
Mas o autor não explica grande coisa sobre a prática de cultuar os deuses lusitanos, excepto de que temos de nos enterrar na terra para os compreender. Também não explica muito sobre a sua eventual origem. Apenas nos fala de sincretismos com a religião cristã e isso é horrivelmente chato.
Portanto, por um lado gostei, por outro fiquei muito desapontada.
An ABC of Witchcraft
An ABC of Witchcraft
Doreen Valiente
1973
Paganismo
Livro que li para o BookClub de Bruxaria do Círculo dos Cogumelos.
Um livro que adorei, uma enciclopédia sobre bruxaria, ricamente ilustrada, em que vamos do A ao Z com termos e conceitos que nos contam a história antiga e recente (até aos anos 70) do paganismo conforme o conhecemos.
A autora fala-nos de conceitos muito diversos, desde as religiões mais antigas, muito bem fundamentadas com bibliografia, até elementos mais recentes, como o massacre da família Manson e outros elementos curiosos que podem ser importantes para compreender a bruxaria nos nossos tempos.
Aprendi imenso, mas penso apenas que este livro está muito dirigido ao leitor anglófono, e por isso faltam definições que poderiam ser importantes (por exemplo, a palavra "bruxa" em oposição a "witch", que têm origens diferentes), para além de conceitos que são muitas vezes repetidos, nomeadamente a caça às bruxas que foi realmente muito patente nos países de língua inglesa mas menos frequentes noutros lugares.
Ainda assim, adorei esta leitura, e gostaria imenso de ter a versão física deste livro. Faço anos em Setembro! *wink wink*
Druid Mysteries
Druid Mysteries
Philip Carr- Gomm
2002
Paganismo
Livro que li para o BookClub de Paganismo do Círculo dos Cogumelos.
Apesar de não ser esse o meu caminho espiritual, sempre nutri alguma curiosidade sobre o druidismo. Este livro veio esclarecer as minhas dúvidas e estabelecer em absoluto que não, esse não é mesmo o meu caminho.
Através de uma escrita bastante clara, o autor explica a estrutura religiosa e histórica do druidismo, com as várias categorias de druida e a forma como se passa de categoria em categoria (com muito estudo e memorização, pelos vistos). Apesar de a base histórica ser bastante abrangente, a um ponto que é quase fantasioso (Atlântida? A sério?), a parte que gostei mais foi mesmo a explicação sobre a estrutura dos ritos e da organização.
Achei também que os exercícios eram bastante inúteis, porque meditar sobre "estou a imaginar que estou no século II ao lado de uma pedra" não me parece muito claro para os objectivos em mente.
Foi um bom livro para perceber que nunca vou ser um druida.
The Green Witch
The Green Witch
Arin Murphy-Hiscock
2017
Livro Prático
Livro que li para um BookClub de Bruxaria.
Este é um livro curtinho que fala sobre o caminho da bruxaria verde e explica um pouco como aplicar esses conceitos à prática mágica e espiritual. Fez-me confusão a autora constantemente dizer "isto não é wicca!" e depois estar sempre a usar conceitos wiccanos nas suas sugestões de feitiços e magias, assim como na roda do ano e tudo o mais.
Existe um glossário de ervas, plantas e pedras que pode ser útil, mas que me pareceu bastante incompleto. De resto, o livro compõe-se quase todo de sugestões de receitas e, como detesto cozinhar, isso não me interessa.
Fiquei bastante desapontada.
The Witch at the Forest's Edge
The Witch at the Forest's Edge
Christine Grade
2021
Paganismo
Livro que li para o Book Club do Refúgio da Bruxaria, e que foi uma das minhas leituras de férias.
Fiquei um pouco desapontada porque a escolha desta vez caiu - de novo - no tema da bruxaria tradicional, nomeadamente o hedge crossing que já havíamos abordado antes. Assim, como foram dois livros seguidos de práticas muito semelhantes, não foi um livro especialmente esclarecedor.
Mais uma vez não está apontado o perigo prático de passar para outras realidades sem supervisão, sobretudo para pessoas muito jovens e inexperientes, e isso deixa-me sempre de pé atrás. A visão do mundo como uma árvore de raízes, tronco e ramos mantem-se, mas desta vez deu-me um pouco de abertura para a pensar como um fuso horizontal, que para mim faz mais sentido.
Temos alguns bons exercícios, gostei sobretudo daqueles ligados à intuição (que foi os que realmente fiz)
De resto, não diria que este livro apareça como uma grande novidade no mundo brúxico actual, no entanto foi uma boa revisão de métodos - embora, pessoalmente e na minha prática, não penso que os vá utilizar.
Spells for Change
Spells for Change
Frankie Castanea
2022
Guia de Magia
Comprei este livro a propósito do Clube de Leitura do Refúgio da Bruxaria e fiquei altamente desapontada. Vou deixar aqui o comentário que escrevi no clube propriamente dito.
Então, como mini guia de feitiços para iniciantes parece-me bem. Para mim é muuuuito básico e não me traz grandes ideias novas a aplicar, mas para quem nada sabe, parece-me bom.
Agora! Existem algumas coisas no debate activista que me devassam completamente algumas ideias, que gostava de partilhar com vocês. Para começar, acho o discurso (mais uma vez) extremamente americanizado. Na ideia de "tu vives na terra que era de outra pessoa" exclui-se de imediato... Nós aqui, por exemplo. Depois, a discussão da prática aberta vs fechada e porque não podemos fazer coisas da prática fechada... Tudo muito bem. Mas há 20 anos ninguém falava disto e todas as práticas eram encaradas como um grande guarda-chuva de intercâmbio. Mas pronto, para mim que sou uma kota (posso usar esta palavra?) é mesmo dificuldade de entender. Tenho pena que e autore não tenha mencionado esta parte da nossa história enquanto comunidade, tho
Mas, voltando à ideia da prática fechada: e autore tem conceitos que não se coadunam com o que diz. E aqui vem o exemplo do athame. E autore diz que a "wicca é uma prática fechada" (afirmação um pouco discutível) mas usa uma tesoura para substituir o athame porque "é mais prático". Ora, o athame é um objecto altamente ritualístico e ritualizado, que tem uma função própria diferente de cortar papéis para feitiços de binding. Então, substituir o athame por uma tesoura não é uma apropriação? Ou só é apropriação quando é feito a POCs?
Isto coloca-me num conflito, que é a ideia muito firme de que "o colonizador não pode ter cultura", coisa que eu acho absolutamente delirante nas comunidades mais jovens. E penso que esta ideia vem de toda uma cultura da libertação do oprimido, que tem toda a razão, mas desvirtuada pelo próprio colonizador para que possa ter aprovação e se considerar "bom" e "não racista".
Enfim, acho que este debate é extremamente doloroso, mas que é necessário. Um livro de feitiços não me parece o local apropriado, sendo que o activismo na bruxaria tem raízes profundíssimas tanto em movimentos civis como feministas. Parece que e autore não tem uma compreensão profunda sobre o assunto e atira as cartas para cima da mesa dizendo "é assim que eu sei, é assim que é". O discurso racista não tem discussão, é simplesmente merda, mas penso que é importante discutir o que se pode fazer, o que se deve fazer, o que queremos fazer sem entrar em conflito com conceitos sociopolíticos muito mais complexos do que isto.
Assim, penso que e autore não tem capacidade suficiente para discutir este assunto e irritou-me bastante que fosse mencionado num capítulo inteiro. A bibliografia oferecida poderá ajudar, mas parece-me também altamente limitada.
Enfim, deu-me ideia de uma pessoa que está numa posição de privilégio tentando ensinar outro privilégio sem manter a sua própria consistência.
Também não achei o livro especialmente bem escrito, tendo uma linguagem juvenil que não me é propriamente querida.
O Significado da Bruxaria
O Significado da Bruxaria
Gerald B. Gardner
1959
Não-Ficção
Comprei este livro na Feira do Livro de Lisboa, em 2020 (não assim há tanto tempo ;) ). Trata-se de um dos livros de referência mais importantes no universo do neopaganismo e Wicca, cuja edição se encontrava esgotada há muitos anos. Assim, tive de o trazer assim que o vi!
Infelizmente desapontou-me um pouco. O livro é extremamente denso, com uma escrita por vezes confusa e não-cronológica que infere que o leitor tenha de imediato um conhecimento mais profundo sobre arqueologia. Isto torna a leitura difícil e demorada, não sendo de todo um livro acessível para aqueles que queiram conhecer mais sobre a história do paganismo e a sua prática actual.
Para além disso, é uma escrita extremamente defensiva, existindo diversos capítulos em que o autor pega em notícias da época e as escrutina como falsidades. Isto pareceu-me desnecessário e rude, não abonando em nada para aqueles que ainda praticam a bruxaria. Tendo isto em conta, as notícias estão extremamente desactualizadas (50 anos?) e em nada ajudam a clarificar o "significado da bruxaria".
Assim, apesar de ser uma fonte de material de referência sobre a história da bruxaria e do paganismo, um assunto que me interessa, é um livro difícil e um pouco preconceituoso. Não recomendaria.









