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  • Orange is the New Black

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    Orange is the New Black
    Piper Kerman
    2010
    Biografia

    Tinha curiosidade neste livro desde que um dia mo enviaram em audiobook, que eu nunca ouvi. Mais tarde, recebi-o através do BookCrossing.

    Sempre que penso na prisão, penso o que me aconteceria se eventualmente fosse lá parar. Com este livro, um relato em primeira mão de uma rapariga que - 10 anos depois de ter cometido um crime - é introduzida no mundo penal, faz parecer que não seja assim tão mau.

    Aprendemos o funcionamento desta prisão em particular, em que se partilham cozinhados de microondas e se fazem festas do dia da mãe. E aprendemos que todos os tipos de pessoas, das mais simples às do piorio, têm dentro de si a capacidade de improvisação e de sobrevivência necessária neste universo fechado, com as suas próprias regras e leis.

    O livro é leve e viciante, mas a partir da metade começa a ficar um pouco repetitivo. A vida na prisão parece ser de aborrecimento constante, pelo que rapidamente se torna desinteressante e sem grandes novidades. Também gostaria que na conclusão houvesse mais alguma referência às amigas feitas na prisão.

    Mas foi uma leitura divertida e interessante, que recomendo.

  • Barry Lyndon

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    Barry Lyndon
    W. M. Thackeray
    1844
    Romance

    Comprei este livro (com uma edição diferente da desta imagem) na Feira do Livro, por influência do Qui. Bem, mais ou menos. Algum tempo depois de ver o filme fiquei sabendo que é um dos preferidos da personagem em questão. Assim, quando vi o livro à venda, pensei em cultivar-me e ver esta outra perspectiva.

    Em comparação com este livro, o citado filme toma muito poucas liberdades, embora tenha identificado três momentos chave em que Kubrick interpretou os eventos de maneira muito diferente. De resto, é um retrato muito fiel desta narrativa.

    De resto, trata-se de um conjunto de memórias de vida de um fidalgo imaginário. Este homem é, supostamente, um nobre arruinado e sem nome, mas que tudo faz para recuperar os seus domínios e enriquecer. Infelizmente, tem uma tendência enorme para esbanjar o dinheiro (somas avultadas) que vai adquirindo em coisas perfeitamente inúteis, como a renovação megalómana de um castelo, roupas da moda ou, simplesmente, em apostas que vai perdendo ou ganhando conforme a sua sorte.

    O livro é narrado pelo próprio personagem, que se refere a si próprio sempre com grandes atributos. Mas à medida que a história vai acontecendo, vamos percebendo que este homem não é propriamente uma boa pessoa. Com isto, temos momentos de muito humor e que me levaram mesmo a algumas gargalhadas públicas enquanto lia o livro no autocarro.

    Trata-se também de uma sátira disfarçada à nobreza deste século, em que se coloca em oposição esta nobreza "falsa" contra a verdadeira, a dos príncipes e princesas que, essencialmente, ignoram o personagem apesar de este não o admitir.

    Um livro muito divertido, cujo filme complementa. E, depois de o ler, percebi como a banda sonora deste era perfeita!
  • A Fuga

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    A Fuga
    Carolyn Jessop com Laura Palmer
    2007
    Auto-biografia
    Escrevo isto do meu local de trabalho, onde desfruto de uma hora e meia de almoço (que tenho passado a ler). Tem sido muito giro, mas cansativo, e ultimamente tenho chegado a casa e vou logo dormir. Mas como estou com uma conjuntivite e não posso conduzir (porque não tenho óculos de sol graduados) tenho lido muito. É muito tempo de transportes, mas vale a pena.

    Este livro apareceu no BookCrossing e ao início estava com dúvidas sobre se me haveria de inscrever para o ler ou não. Depois pensei que conhecer estas situações nunca é demais. O que são estas situações? Este livro é a auto-biografia de uma mulher que fugiu de uma seita religiosa radical (Santos dos Últimos Dias ou algo do género, para ser sincera não consegui apanhar muito bem o nome: aparecia sempre em sigla) que praticava a poligamia. Esta mulher casou aos dezoito anos com um homem de cinquenta e dois e teve oito filhos. Este homem tinha outras duas mulheres e foi arranjando mais e mais.

    Este relato quase não parece real. É estranho e assustador que possam existir pessoas a viver assim nos dias de hoje. Ninguém tem direitos, o profeta pode tirar as famílias às pessoas conforme lhe apetece, as mulheres são maltratadas, as crianças são maltratadas, é uma loucura. São pessoas que vivem no passado, não têm informação, não têm acesso à realidade do mundo exterior, que acreditam ser composto de pessoas más que os querem impedir de ascender ao céu. Os profetas foram passando e o último era o mais louco de todos. Por exemplo, um dia apeteceu-lhe que não gostava mais de vermelho. Então toda a gente da comunidade teve de deitar as coisas vermelhas fora. Impressionou-me muito também terem abatido todos os cães e terem assassinado uma vaca com uma serra eléctrica para "ensinar a sobreviver no meio selvagem". 

    Todo o livro é caso para dizer "mas que raio". Ou melhor "watafak".

    É um livro valioso porque conta como as pessoas vivem neste universo paralelo, completamente fechado. E é um relato importante pois prova que pessoas com coragem e determinação podem fugir à tortura física e psicológica e que conseguem fazer valer os seus direitos.

    Fiquei muito impressionada. Já me disseram que nem todos os Santos dos Últimos Dias são esta seita e que nem todos os Mórmones são esta seita. Acredito que isto só exista na América, que é o campo de cultivo de pessoas malucas que temos no mundo. Acredito também que este livro tenha ajudado a acabar com esta loucura. Vale a pena ler, por uma questão meramente informativa. Fascina-me e horroriza-me como as pessoas são capazes de fazer coisas tão más umas às outras...
  • Auto-retrato do Escritor enquanto Corredor de Fundo

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    Auto-retrato do Escritor enquanto Corredor de Fundo
    Haruki Murakami
    2007
    Autobiografia

    Ofereceram-me este livro no Natal, certos de que eu - sendo fã das coisas Japonesas - gostaria de uma coisa Japonesa. Pensei "olha que livro tão inútil, para que é que eu quero saber da vida do escritor?" Mas surpreendeu-me. É muito interessante.

    Porque este livro não fala sobre a vida do escritor enquanto escritor. Fala da vida dele enquanto maratonista.

    Assim temos reflexões sobre a vida e a auto-descrição da personalidade do autor a passo de corrida, ilustrados pelas competições em que Murakami participou, aquelas que o marcaram mais. Fala da maneira como elas influenciaram a sua vida e fala apenas um bocadinho do porquê de escrever romances. O escrever romances não é a parte essencial deste livro, mas de certa forma senti-me mais perto do autor e motivada para trabalhar nos meus próprios projectos.

    Achei um livro excelente, escrito com claridade, muito envolvente. Recomendo, até para quem não conheça o autor.
  • Anjos nos meus Cabelos

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    Anjos nos meus Cabelos
    Lorna Byrne
    Auto-Biografia
    2010

    Quando vi este livro para BookRing nos fóruns do BookCrossing pensei "que nome tão bonito, vou pedir para o ler também!" E veio uma coisa completamente inesperada. Nota para a própria: quando pedir para participar em BookRings ver sobre o que é o livro primeiro.

    Lorna Byrne diz que vê anjos. Neste livro ela descreve a sua vida rodeada de anjos e de almas dependuradas e um eventual encontro com deus. Ela parece ser sincera, por isso uma de três conclusões:

    1. Ela vê mesmo anjos
    2. Ela é esquizofrénica
    3. Ela tem uma imaginação prodigiosa e é muito convincente
    É possível que seja as três coisas juntas? Não sei.

    Este livro deixa-me muito céptica. Em termos de literatura propriamente dita, não é especialmente bom. Está mal estruturado em termos narrativos e cronológicos, o que torna a "história" difícil de seguir. Mas apesar de tudo é uma leitura envolvente, porque queremos sempre saber o que mais os anjos lhe vão dizer. Mas isto requer alguma conexão com o divino. E isso para mim é uma coisa complicada. Eu tenho um caminho espiritual muito complexo e neste momento eu e "deus" (quem quer que seja) não estamos na mesma sintonia. Pessoalmente eu admiro as pessoas que têm uma fé. É preciso muita coragem para nos por nas mãos de algo que a gente nem sequer tem a certeza que existe. Eu, no meio da amálgama de explorações e de experiências, sei que existe alguma coisa. Não sei o que é e neste momento estou em busca de um nome para lhe dar. Por isso há coisas que esta senhora viu e que os anjos lhe mostraram que não estão de acordo com aquilo que eu sei e que eu vi e que eu senti.

    Porque tem que existir um diabo? Porque é que o diabo tem de corromper as pessoas e afastá-las de deus?

    Porque é que os animais e as plantas não têm anjos para tomar conta deles? Porque é que ela nunca viu o espírito de um cão ao lado do seu dono? Isto faz-me mesmo muita espécie. Tanta que acabei de lhe enviar um mail a perguntar. Espero que ela veja e que instrua um dos seus auxiliares a me responder.

    Ela diz que só precisamos de pedir coisas aos anjos que eles ficam contentes por as fazer, mas como é que se pede? Como é que se ouvem?

    E, de um ponto de vista mais técnico, a doença do Joe, o falecido marido, não faz sentido nenhum do ponto de vista patológico. Mas eu vou investigar a ver se o diabetes faz úlceras gástricas, AVCs e enfartes do miocárdio. Porque eu não aprendi isso e preciso de saber para poder fazer futuros prognósticos.

    Enfim, uma leitura rápida que recomendo a pessoas religiosas. Para mim no-no.
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