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  • Má Educação

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    Má Educação
    Pedro Almodóvar
    2004
    Filme
    7 em 10

    Éramos para ir ver este filme ao cinema, mas não cheguei a casa a horas convenientes e decidimos que o iríamos ver em casa. Bem... Eu decidi! =D

    Neste filme Almodóvar fala de uma vingança, faz uma crítica à igreja e conta uma história de amor e paixão, mas de uma forma terrivelmente negra em que descobrimos que nunca se pode confiar em ninguém. É um filme com diversas camadas mas, essencialmente e tentando não estragar muito a visão do leitor, conta-nos como um realizador de cinema é convencido a fazer um filme sobre a vida da sua paixão da escola, um rapaz travestido chamado Ignacio, escrito pelo próprio.

    Existem muitas reviravoltas neste filme, cada uma mais surpreendente que a outra, mas o que realmente faz o filme ultrapassar-se é a atitude dos personagens e a transição do mundo fantástico, heróico, sensual, emocionante, para o mundo real, decadente, deprimente e sujo. Esta dicotomia ´+e perfeitamente caracterizada pelos personagens que, também eles, têm uma dualidade dentro de si: a pessoa que ama e é real contra a pessoa que odeia e quer utilizar o outro para o seu próprio proveito.

    Temos muitas cenas homoeróticas, que podem ser consideradas de choque para algumas pessoas mas que, na minha visão, não foram colocadas no filme para tentar impressionar e falhar nisso. Na verdade, Almodóvar é espantosamente prático e muito natural na filmagem destas cenas, que nos transmitem uma sensação de perfeita normalidade.

    Gostei muito do filme e só me sinto mal por não o ter visto antes.

  • Carne Trémula

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    Carne Trémula
    Pedro Almodovar
    Filme
    1997
    7 em 10

    Agora já estamos na fase do digestivo e eu grito "um filme do Almodovar!" Vamos ver este, diz que é trágico e tem rabos na capa.

    Não é trágico. Ou melhor, é trágico mas à Almodovar. Tudo começa com um filho da puta (literalmente) que nasce dentro de um autocarro. A vida dá muitas voltas e vinte anos depois (em francês, para o estilo) ele está em casa de Elena, uma carocha, a tentar convencê-la a ir para a cama com ele. Dois polícias, um dos quais com duas garrafas de whisky em cima, invadem-lhes a privacidade, acontece um tiro. Seis anos depois (em francês) Victor - o nosso filho da puta - está fora da prisão, o polícia que apanhou o tiro está agora na equipa de basket dos paralímpicos (como este actor aprendeu a andar tão bem de cadeira de rodas é um mistério fascinante. A menos que ele tenha mesmo ficado paraplégico entre a primeira parte do filme e esta) e está casado com Elena. E a partir daqui desenvolvem-se uma série de casos amorosos com muitos rabos, numa composição estranhamente humorística como só o Almodovar sabe fazer.

    É um filme que trata de relações. Relações de índole sexual, sobretudo. Que é um tema que sinceramente não me agrada por aí além. Mas está feito com tanta graciosidade que não me importei. O comportamento dos personagens pode parecer errático por vezes, mas é justificado pelos seus íntimos desejos, que nunca são revelados directamente.

    Um filme sensual, para acompanhar licor de maracúja.
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