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A Ilha de Sam Nunca
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Natália Correia | António de Sousa
2019
Poesia
A Ilha de Sam Nunca
Natália Correia | António de Sousa
2019
Poesia
Trouxeram-me este livro dos Açores, a julgar que era da Natália Correia, mas não é. Ela apenas organizou o volume e fez uma série de notas e prefácios, de interesse duvidoso.
De resto, é uma antologia poética do também açoreano António de Sousa. Infelizmente a sua poesia tem uma base religiosa quase ridícula, em que as comparações de beleza da amada são frequentemente equiparadas a santas. A conversa sobre o mar também tem muito de cristão, o que me irrita profundamente.
Em todo o volume houve apenas um poema de que gostei.
By : ladyxzeus
O Meu Mundo Não É Deste Reino
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O Meu Mundo Não É Deste Reino
João de Melo
1983
Romance
Oh céus, há quanto tempo! Será que me devia apresentar, após essencialmente duas semanas de ausência, como uma qualquer blogger toda gira? Talvez.
AIO
É assim que elas dizem, né?
Bem, adiante. Desculpem a ausência prolongada, mas tenho andado numa roda viva, entre trabalhos diversos e o meu cosplay... Não deu tempo de vir escrever nada. Mas agora já cá estou e vou começar por falar de um dos livros que mais gostei nos últimos tempos.
Quando falamos de literatura açoreana, normalmente recordamos discursos de pobreza e fatalismo, sempre em envolvência com o terror do mar. Desta vez temos uma perspectiva que, embora não se afaste da rudeza do povo, distingue-se pela forma mágica e etérea como a vida nas ilhas é retratada.
Acompanhamos as aventuras de um grupo de aldeões que, longe do mar, desconhece tudo acerca da vida moderna e continua a viver segundo hábitos e dizeres antigos que, na maior parte das vezes, são apenas motivo para novas tragédias e para novas manifestações de uma fé dura e dolorosa.
Estas pessoas têm vidas estranhas e, por vezes, difíceis de juntar à realidade que conhecemos. Os acontecimentos tornam-se mitos ainda antes de terem terminado e a progressão do tempo é tão rápida como fantasiosa. Existem alguns elementos que não poderiam existir mas que, dentro deste contexto, fazem todo o sentido.
Para além disso, o livro retrata de forma tanto fiel como sarcástica a vida do povo menor das ilhas, do povo ignorante que se fia no padre e na autoridade, do povo que nada consegue fazer.
Escrito de forma rápida e bem humorada, é uma leitura absolutamente fascinante.
By : ladyxzeus
As Ilhas Desconhecidas
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As Ilhas Desconhecidas - Notas e Paisagens
Raul Brandão
1924
Livro de Viagem
Comecei uma nova TBR, que consiste em ler todos os livros do escritório da minha mãe. O primeiro que arrebanhei foi este. Confesso que não esperava muito dele. Foi, no entanto, uma leitura maravilhosa e surpreendente!
Nos idos anos 20, um homem visita as ilhas pela primeira vez. Este é o relato das suas experiências. Raul Brandão mostra-nos, através de um olhas suavemente impressionista, as paisagens a azul e verde das ilhas, a força da natureza e da floresta, o medo do mar, o poder das ilhas enquanto matéria viva e orgânica, que o homem tenta conquistar mas sai sempre defraudado. Porque existe neste relato um poder de imagem, um remeter para um universo fantástico povoado de estranhos monstros e criaturas, que quase não corresponde a uma realidade. Mas, tendo ido aos Açores, a verdade é que o relato está tão bem feito, tão verdadeiro e sincero que apenas nos dá vontade de voltar.
O autor também fala muito dos hábitos das pessoas que vivem nestas terras inóspitas. A maneira de vestir, falar, comer, trabalhar. Mostra-nos como é trabalhada a terra na agricultura, mostra-nos a criação de gado. Mostra-nos a pesca e a caça da baleia. Sem temores, sem pruridos. As coisas tal e qual como são. O que, nos anos 20, nas ilhas, eram bastante terríveis.
Este livro transportou-me a um mundo mágico. E, sabendo que esse mundo existe realmente, traz uma saudade, uma vontade de voltar. Como se nunca tivéssemos de lá saído e estivéssemos no continente a fazer férias.
By : ladyxzeus
Ora Ponha Aqui o Seu Pézinho!
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Depois, fomos para o nosso alojamento. Era um alojamento local (uma casa reconvertida para isso), numa terra chamada Nossa Senhora do Campo. Não posso contar muito sobre ele, por ordens superiores, mas devo dizer que foi dos sítios mais relaxantes que visitei nos últimos tempos. Se ficasse lá uma semana teria vindo recuperada de todas as minhas maleitas! Deixo-vos só a vista da janela do nosso quarto:
Depois descemos tudo outra vez.
E chegámos às Sete Cidades. Existe um miradouro onde dá para ver as duas lagoas, a verde e a azul, as duas juntas. Mesmo ao lado está um proto-hotel gigantesco, abandonado, que deve ser fascinante. Claro que ninguém me deixou lá ir...
Depois fomos almoçar a um restaurante junto das lagoas, chamado S. Nicolau. Pedi hambúrgueres de novilho. Repare-se: de novilho. Ora, estando nos Açores e dizendo "de novilho" na ementa, seria de esperar que fosse um novilho nascido, criado, brutalmente picado e transformado em habúrguer, tudo nos Açores. Mas não. Era um hambúrguer congelado da Iglo. Além disso, a minha mãe comeu umas lapas que pareciam estar mais que passadas, com um cheiro horroroso.
Mas vimos as lagoas de perto. :)
Posteriormente, voltámos a subir a montanha. Fomos parar lá não sei onde, mas subitamente vimos uma placa que indicava outra lagoa: a Lagoa do Canário. Estava bem escondida, mas encontrámo-la!|
Regressámos a base. Adormeci uns minutos. Mas logo depois tínhamos de acordar, pois havíamos combinado com o Senhor Filipe jantar na Ribeira Nova, num restaurante que ele conhecia. O restaurante chamava-se Alabote e comi maravilhosamente bem. Partilhei com o Senhor Filipe uns filetes com molho de manga e um folhado de cherne. Tudo óptimo, óptimo, óptimo!
Almoçámos no restaurante Miroma. Finalmente, FINALMENTE, comi o bife que merecia. Finalmente! Estava tão tenro e tão bom e tão bom!
Para finalizar a viagem, fomos ao Jardim Botânico Terra Nostra. Foi das coisas mais maravilhosas que vi. A qualquer momento poderia aparecer uma fada ou outro mito qualquer. Tirei mil milhões de fotos e ficava lá a viver para sempre!
Ora Ponha Aqui o Seu Pézinho!
Relato da fantástica viagem desta parola e sua entidade maternal à ilha do Senhor São Miguel, com todas as atribulações inerentes a estar no meio da floresta rodeadas de água por todos os lados.
Pois bem... A minha mãe tinha de ir aos Açores a uma reunião e achou por bem que eu fosse com ela. Afinal, já tinha feito uma Viagem à Macaronésia, mas nunca tinha estado na ilha principal. Assim, aviámos malas, deixei o Qui com comida e água e tomámos um avião da Ryanair. Esta companhia fez com que viajar para as ilhas fosse muito mais acessível, embora as condições de conforto do bólide voador não sejam as mais perfeitas. Assim, eu e a minha entidade maternal, doravante conhecida como Minha Mãe, fomos separadas na viagem. Mas graças a um truque de uma entidade qualquer juntámo-nos mais tarde.
Chegámos e, desta forma, se inicia nesta saga o seu
Primeiro Capítulo
De como obtive revelações espirituais diversas
Ao chegar fomos buscar o carro que a minha mãe havia alugado com toda a antecedência. No entanto, o senhor que estava no atendimento do aluguer dos carros provavelmente sofria de algum distúrbio mental, pois na plenitude da sua má-vontade não nos queria dar o carro (previamente alugado!) sem que comprássemos um seguro cinco vezes mais caro. Após uma lavagem cerebral emitida pela minha mãe, lá conseguimos um Renault todo branquinho. Ficámos também a saber que eu não o poderia conduzir sem pagar um extra de 25€ ao dia, embora tal estivesse estabelecido quando se fez o negócio no continente. Vá-se lá saber.
Pois portanto, a primeira parte foi dirigirmo-nos a Ponta Delgada, onde a minha mãe iria ter a tal reunião. Trata-se de uma vila toda branca com as bordinhas pretas, com casinhas baixinhas. Estava tudo decorado para a festa do Senhor Santo Cristo, coisa em que as pessoas acreditam e que poderia ter tudo consequências fatais, como veremos de seguida. Em frente o mar, muito semelhante a um rio só que infinito. Por todo lado, flores e velas gigantes (penso que se chamem círios). Almoçámos num lugar chamado "A Favorita", onde comi o tradicional "bife à regional". Achei muito horrível, porque o molho é todo baseado em vinho e o bife propriamente dito não era nada interessante...
Fomos atrás de uma multidão e descobrimos uma fila para uma "roda". Ora, esta "roda" era onde punham as crianças indesejadas para serem alimentadas pelo clero, nos tempos do antigamente. Hoje em dia, coloca-se um objecto - viemos a descobrir que tem de ser dinheiro - que será trocado por um objecto sagrado de igual valor. Pensei em colocar um lenço de papel sujo, porque era o que tinha.
Vimos o lugar onde o Antero de Quental decidiu por termo à vida da sua barba e vimos também o busto dele, onde se constata que realmente tinha uma grande barba. O lugar da fatalidade é um banquinho. Queria ter tirado uma foto lá sentada, mas estava uma pessoa a olhar para o telemóvel no mesmo lugar. Lá se manteve durante toda a nossa visita ao centro.
De resto, fui reparando que a principal vida vegetal de Ponta Delgada se trata de uma espécie de árvore deficiente fística e mental, que só tem troncos enormes com folhitas na ponta.
Árvore def
Onde o Antero de Quental decidiu ir para outra dimensão
Entretanto, chegou a hora da reunião. A minha mãe havia conversado com um amigo dela dos Açores, o Senhor Filipe, que faz parte da Associação Espírita da ilha. Ora, como eu havia lido recentemente O Livro dos Espíritos, que até me tinha sido oferecido por tal pessoa, achámos por bem que eu tivesse uma "conversa" fraternal com ele para que pudesse esclarecer as minhas dúvidas.
Estivemos a falar mais de duas horas! Devo dizer que não esclareci muito as dúvidas (afinal, que seria de nós sem elas?) mas foi uma conversa interessantíssima. Não revelarei muito sobre o que falámos, mas foi mesmo muito curioso ver como as nossas crenças se entrecruzavam, apesar das diferentes interpretações. Fiquei mesmo com vontade de aprender mais! O Senhor Filipe foi muito simpático e ofereceu-me um livro sobre o sentido da vida. Espero ter dúvidas neste também! ;) A parte boa desta associação é que eles também têm um cariz social muito forte: alimentam os sem-abrigo da ilha, que estão todos identificados por eles, sendo que tentam prevenir situações de risco, entre outras coisas. Afinal, podemos ter uma religião qualquer: se a usarmos para coisas boas, é sempre uma coisa fixe. :)
Depois, fomos para o nosso alojamento. Era um alojamento local (uma casa reconvertida para isso), numa terra chamada Nossa Senhora do Campo. Não posso contar muito sobre ele, por ordens superiores, mas devo dizer que foi dos sítios mais relaxantes que visitei nos últimos tempos. Se ficasse lá uma semana teria vindo recuperada de todas as minhas maleitas! Deixo-vos só a vista da janela do nosso quarto:
Claro, fui tirando muitas fotografias dentro do carro. Esta terra é pequenina e não tinha absolutamente ninguém. Tinha uma estátua dedicada à raça de cães típica da ilha, o Fila de S. Miguel. Como tenho um paciente dessa raça, achei muito engraçado! Além disso, vi um destes em bebé a passear com uma mitra e disse olá. Curiosamente, fui reparando, ninguém nesta ilha se vestia bem. Era tudo chunga.
Fomos jantar ao restaurante O Jaime, que tem várias sucursais todas chamadas Jaime por toda a cidade. Infelizmente, o Jaime propriamente dito teve alguns problemas pessoais e entretanto dedica-se à bebida. Portanto, o restaurante estava completamente vazio. O que era um pouco triste, porque o senhor era muito simpático e a comida estava boa. Embora...! Bem, eu comi uma coisa muito, muito estranha. Era uma fritada de peixe e eu pedi aquilo convencida que seria algo semelhante a douradinhos Pescanova. Mas eram pedaços aleatórios de quatro peixes diferentes, incluindo uma cabeça. Estava muito bom, apesar de tudo, eram peixes muito saborosos e dava para distinguir perfeitamente o sabor de cada um. Só não comi a cabeça, porque nem sequer sei como é que aquilo se arranja.
Depois fomos dormir, em preparação para um fantástico....
Segundo Capítulo
De como nos perdemos na montanha arriscando as nossas próprias vidas
Neste segundo dia da nossa estadia, experimentámos um excelente pequeno almoço composto de queijos variados, pães açoreanos, ovos cozidos e outras coisas diversas que eu não sei o que eram. Depois, seguimos viagem.
Primeiro fomos tomar café à Caloura. Tem o mar e o mar faz uma piscina. E tem pedras.
Ora, uma das características essenciais desta ilha é que todos os lugares que não são perto do mar são montanhas. Montanhas com 200% de inclinação, ao que parece, porque íamos morrendo e não haveria ninguém para contar a história. A minha mãe lá foi conduzindo, curva a curva, subindo longamente as imensas florestas, encontrando gado vacum vadio, tractores vacuns vadios e autocarros completamente descontrolados. Curiosamente, a técnica de condução da minha mãe inclui apitar em todas as curvas e entrar nelas em contra-mão, o que torna tudo ainda mais excitante do que seria se não corrêssemos um perigo mortal.
Assim, chegámos à nossa primeira lagoa: a Lagoa do Fogo.
Fomos a Ponta Delgada outra vez, para comprar umas coisas e souvenires, coisas que só há lá (apesar de não serem muitas, são giras).
Depois subimos tudo outra vez.
Mas vimos as lagoas de perto. :)
Posteriormente, voltámos a subir a montanha. Fomos parar lá não sei onde, mas subitamente vimos uma placa que indicava outra lagoa: a Lagoa do Canário. Estava bem escondida, mas encontrámo-la!|
Depois... Já sabem? Pois é. Descemos tudo outra vez! =D
Fomos parar a um Farol, que estava fechado e não tinha grande graça. Começámos a reparar em outros carros alugados: todos com matrículas novas e de cores claras. Quando estávamos a sair do Farol, chegaram dois desses.
Regressámos a base. Adormeci uns minutos. Mas logo depois tínhamos de acordar, pois havíamos combinado com o Senhor Filipe jantar na Ribeira Nova, num restaurante que ele conhecia. O restaurante chamava-se Alabote e comi maravilhosamente bem. Partilhei com o Senhor Filipe uns filetes com molho de manga e um folhado de cherne. Tudo óptimo, óptimo, óptimo!
Após tão cansativo dia, caímos na cama e roncámos. Para seguirmos para o
Terceiro e Último Capítulo
De como visitámos o habitat natural do pum e apanhámos uma carga de nervos.
No terceiro dia, só tínhamos até meio da tarde para podermos ver mais coisas. Então, decidimos ir às Furnas. A principal característica das Furnas é que se trata de um local onde o planeta está a dar puns. Cheira tudo a pum e saem puns da terra. As pessoas utilizam os puns da terra para cozinhar cozido. Tem de se ter muito cuidado para não cair lá dentro, ou ficamos cozinhados também. Em frente deste rabo do mundo, está uma lagoa, a Lagoa das Furnas.
A minha mãe quis mostrar-me as Termas Dona Beija. Um sítio muito bonito, fez-me muita pena não ter nem fato de banho nem a depilação feita... Águas termais, quentes (piscinas a 39ºC) e um ambiente lindíssimo!
Almoçámos no restaurante Miroma. Finalmente, FINALMENTE, comi o bife que merecia. Finalmente! Estava tão tenro e tão bom e tão bom!
Para finalizar a viagem, fomos ao Jardim Botânico Terra Nostra. Foi das coisas mais maravilhosas que vi. A qualquer momento poderia aparecer uma fada ou outro mito qualquer. Tirei mil milhões de fotos e ficava lá a viver para sempre!
E chegou a hora de voltar para casa! E aqui foi a parte mais enervante: as senhoras da Ryanair, em vez de fazerem o check-in como pessoas normais, começaram a fazê-lo um a um a todas as pessoas da sala de espera, até as que estavam sentadas! O voo atrasou-se, foi o caos! Depois, dentro do avião, uma senhora insistia que queria ficar junta com a sua mãe, mas ninguém dava o lugar ao lado, pelo que se empatou ainda mais o descolar: as pessoas não se podiam sentar! Também foi o caos! E, chegadas a Lisboa, uns idiotas de uns turistas queriam-nos roubar o táxi! Baaaaaah
Mas foi uma viagem muito boa e, sobretudo, muito relaxante. Quero voltar lá com vocês todos! =D
By : ladyxzeus
