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A Noite Americana
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A Noite Americana
François Truffaut
Filme
1973
6 em 10
Fim de semana significa, muitas vezes, Sessão Dupla de cinema em casa. No caso de ontem, estando o frio que estava, significa Sessão Dupla com meinhas quentes e mantinha fofinha. :)
Apesar de termos apanhado uma estranha versão dobrada em Inglês, este é um filme Francês dos anos 70. De teor autobiográfico, relata a concepção de um filme, com muita confusão entre produtores, actores e toda essa gente à mistura.
O filme parece relatar a confusão medonha que é rodar uma filmagem em pouco tempo, com todos os problemas associados. No entanto, também aparece de forma caricatural, pois os actores (como personagens) estão todos envolvidos uns com os outros das maneiras mais estranhas, sobretudo amorosas. No fundo, é um ambiente de caos e rebaldaria em que, no final, tudo corre da melhor forma possível.
Em termos de história e personagens não se distingue especialmente de outras produções. O que é realmente interessante é a imagética do filme, existindo cenas - sobretudo as do filme dentro do filme - que têm um grafismo muito belo e interessante, apesar de os diálogos serem bastante falhos.
em termos de trabalho de actor, achei que poderia haver uma distinção muito maior entre a personagem "verdadeira" e a "falsa" (a do filme), para além de mudarem de penteado.
Tive pena de não ter visto o filme em francês francês, pois acho que teria sido uma experiência muito mais genuína.
By : ladyxzeus
Lupin III
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Lupin III
Takahata Isao - Tokyo Movie Shinsha
Anime - 23 Episódios
1971
7 em 10
Depois da minha experiência com Lupin, encontrava-me bastante dividida, sem saber se gostava ou não do franchise e do personagem ou o quê. Afinal, é um personagem tão marcante que me parece importante saber pelo menos o essencial sobre ele. Para isso, porque não pegar na série original? É isso mesmo! Vamos viajar um pouco até ao início dos anos 70 e ver realmente o que se passa aqui. :)
A minha conclusão é que afinal até gosto bastante do Lupin! =D
São vinte e três episódios, cada um com a sua história. O maior ladrão de todos os tempos tem sempre uma coisa nova para roubar, ou alguma alhada da qual se safar e, por isso, nunca nos cansamos. Em cada episódio, Lupin mostra os seus truques fantásticos e dá sempre a volta por cima do malfadado Zenigata, o polícia que nunca o consegue apanhar (definitivamente). O que é muito interessante nestas histórias pequeninas, são os truques todos e toda a vivacidade impressa na resolução de cada caso, para bem ou para o mal. Também é um anime com muitos momentos de acção, desde loucas perseguições de carros (da época!), a perigosos tiroteios e até uma grande quota de explosões!
Isto é conseguido por um conjunto de personagens deliciosas, que nunca deixam de nos surpreender com a sua esperteza e o seu bom humor. Lupin e os seus amigos, todos eles são mestres da vigarice. E para se ser vigarista tem de se ser bastante inteligente! Portanto, é um anime que nunca cansa e que nunca deixa de surpreender. São também personagens muito engraçados, numa certa candura que torna infantil mesmo as situações mais violentas. Isto dá azo a muitos momentos de comédia bem real, se não pelas falas, pelas situações ilógicas, caricatas e desiquilibradas em que os personagens se enfiam.
Considerando que este anime é de 71, uma fase bastante iniciática da animação japonesa, convenhamos que a arte não está nada má. Por um lado, há recurso de métodos que sim, poupam recursos: frames repetidas nos momentos mais inesperados e de maior acção. No entanto, há uma atenção ao detalhe preciosa, sobretudo nos movimentos dos personagens, que se mexem com uma miríade de movimentos articulados que dão um efeito tanto fluído como muito cómico, dependendo do contexto.
Na música, temos algo muito engraçado: há um tema principal, o tema do Lupin (Lupin Lupin), um jazz-rock muito simpático e com muito estilo. Todas as outras músicas são variações sobre este tema, o que por si só ´é muito engraçado, mas também demonstra uma certa capacidade imaginativa.
Portanto, esqueçam os filmes, esqueçam a série da Fujiko. Estes 23 episódios foram mais que saborosos! Para além disso, é representativo da sua época e é vintage, portanto vejam-no imediatamente! :)
By : ladyxzeus
Space Battleship Yamato
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Space Battleship Yamato
Leiji Matsumoto - Academy Productions
Anime - 26 Episódios
1974
7 em 10
Estávamos nós a revolucionar-nos e estava o Leiji a revolucionar todo um género de anime e uma indústria inteira. Não tem comparação, nós tínhamos cravos e ele tinha aventuras no espaço. Yamato é uma delas.
Num futuro que não é assim tão distante (mais cem anos e estamos lá), o Planeta Terra foi atacado pelo Planeta Gamilon e pelos seus habitantes (Gamilianos). Tal foi o poder do ataque que a radioactividade destruiu a superfície do planeta e a humanidade está condenada a viver debaixo do chão. O problema grave é que a radioactividade é de tal forma potente que está a penetrar a terra e vai chegar às pessoas dentro de, exactamente, trezentos e sessenta e cinco dias. Então aparece a salvação! Uma mulher chega morta de Iscandar com o recado de que se eles lá forem os Iscandarianos têm a solução! Infelizmente, Iscandar fica a 148.000 anos luz de distância. Mas eis que aparece... YAMATO! Inspirada no navio Yamato da segunda guerra mundial, é uma nave super-potente que os vai levar a Iscandar em tempo record! Ou será que não?
Pessoalmente, eu não sou uma profunda apreciadora de ficção científica, mas esta série fascinou-me. Vi só a primeira season, ainda há mais duas, e vou ficar por aqui mas só por agora. É para continuar e depois ver o remake. Ou se calhar nem ver o remake: isto já é assim de bom!
Normalmente séries dos anos setenta têm um defeito enorme: a arte envelhecida. Para minha grande surpresa, não é o caso de Yamato. Existem elementos característicos da era: os designs e a paleta de cores. Os designs são Leijianos até à medula, coisa com a qual não me importo nada. Marcou verdadeiramente uma geração e acho que são excelentes e muito expressivos. Gosto sobretudo das mulheres, que têm todas um ar diáfano e uma aura feminina muito delicada, mesmo quando são mulheres de força. O contraste é charmoso. As cores são limitadas e as sombras são sólidas e evidentes, de uma maneira que já não se usa. Isto costuma ser pouco atractivo, mas a qualidade imposta na arte deste anime transforma tudo isto em algo muito interessante, quer em termos visuais quer em termos históricos.
A história tem algumas falhas, tal como inconsistências hilariantes na concepção da tecnologia. Está certo que todas as coisas têm de estar adaptadas à sua época. Mas não deixa de ser engraçado que as fardas tenham boca de sino, que tirem fotografias com uma polaroid ou que falem ao telefone entre naves espaciais. Em termos da narrativa em si só houve uma coisa que não compreendi e que creio que deveria ter sido explicada: porque é que os Gamilianos querem destruir a terra? Talvez venha a ser explicado numa outra season. Eles afirmam que é para que o planeta deles fique a salvo, mas o planeta deles é tão longe, qual é a relação de uma coisa com a outra? E uma outra coisa que me transcende, mas esta é uma dúvida que não tem nada a ver com Yamato. Coloco-a à mesma: os Gamilianos são azuis; as pessoas de Interstella são azuis; logo as pessoas de Interstella são Gamilianos; logo Gamilon encontrou a paz em 30 anos? Esta questão está-me a matar a cabeça!
Mas enfim, futuro à parte, falemos dos personagens: são eles que trazem mais intensidade à história e as grandes questões filosóficas e emocionais deste mundo (gostei especialmente de quando capturaram o Gamiliano e se questionaram "mas ele é um ser humano!") O trio de personagens principais é o arquétipo shounen antes de o arquétipo shounen existir. Eles definem o arquétipo: pessoas corajosas, amigas do seu amigo, passado trágico, dedicação, bondade, dúvidas em relação aos seus objectivos e às suas capacidades. São eles que colocam as dúvidas ao público e é com eles que nos questionamos sobre o que realmente se passa nesta guerra, sobre o certo e sobre o errado. Outro personagem com uma presença muito forte é o capitão do navio, que por vezes tem atitudes incompreensíveis para o resto da equipa mas que demonstra notável coragem. E finalmente, não podíamos deixar de ter algum alívio cómico, um par de um veterinário bêbado (que também é médico de pessoas) e de um robot. Na maioria das vezes irritavam-me, mas eles próprios também eram capazes de perguntar sobre emoções e de as fazer aparecer em quem vê.
Finalmente, a música. Não podia se melhor. É a parte que gosto mais nos anos setenta: estas músicas épicas, heróicas, preparadas para serem verdadeiros hinos de guerra. Aparentemente, a OP deste anime tornou-se no hino não oficial da Yamato original (o tal navio da segunda guerra). Em termos parenquimatosos, temos uma banda sonora variada e característica, com uma música para cada tipo de momento e vários efeitos sonoros que adicionam à expressão das situações.
Foi um anime que gostei muito e que recomendo. Não lhe dou uma nota mais alta porque apesar de tudo a progressão é um pouco lenta e por vezes errónea (como demorarem um episódio a mostrar as salas da nave em vez de as mostrarem ao longo da série. O que também é típico da época, mas que mudou por alguma razão). Mas recomendo bastante, vão ver. Vale a pena e é muito divertido!
By : ladyxzeus
A Drunken Dream and Other Stories
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A Drunken Dream and Other Stories
Moto Hagio
Manga - 10 Capítulos/1 Volume
1970-2007
7 em 10
Estávamos portanto a passear e pensámos "vamos à Fnac". Claro que fomos logo para a secção da Banda Desenhada, onde ele se embrenhou nos comics e eu fiz a mesma coisa com o manga. E vi este volume enorme, capa dura, lindíssimo. "Tem defeito, custa 10€" Claro que o vou levar! E, diga-se de passagem, não cheguei a encontrar o defeito.
Isto é uma colecção de histórias curtas, como eu gosto, encabeçadas (ou será que é no fim?) por uma entrevista intimista à autora e um pequeno artigo sobre a origem do género shoujo no manga, lá nos anos 70. Moto Hagio foi da geração fundadora deste género e na entrevista compreendemos as dificuldades e os entraves da indústria, liderada por homens de meia idade, durante a concepção e nascimento do género.
As histórias são muito variadas, sendo as minhas preferidas Hanshin e Iguana Girl. A primeira trata de duas gémeas siamesas, uma feia e inteligente e a outra muito bonita mas atrasada mental. Fala na perspectiva da irmã feia e sobre a sua dor por não ser aceite e por ter outra pessoa à qual é sempre comparada, apesar de ela acabar por se tornar nessa pessoa no final (mais não digo, porque o final é mesmo extraordinário). A segunda é sobre uma rapariga que é vista como uma iguana pela mãe e a sua luta diária contra o sentimento de inferioridade que tem em relação à irmã. Como podem ver, há nestas histórias um tema recorrente, que é o dos irmãos e das famílias que não aceitam os filhos tal como eles são. Isto parece ser algo pessoal da autora, confirmado por alguns trechos da entrevista em que ela fala sobre as dificuldades e incompatibilidades que tem com a mãe.
As outras histórias são muito variadas, sendo as primeiras muito avant-garde para a época, no que respeita aos sentimentos das personagens. Existe uma história a cores que é ficção científica com um toque de espiritualidade. Aparentemente a autora foi uma das revolucionárias da ficção científica em modelo manga, pois a maior parte das suas histórias mais longas são passadas em universos futuristas e fantásticos.
No entanto apenas aquelas duas histórias me moveram verdadeiramente. Além disso, não notei nenhuma evolução estilística ao longo de quase 40 anos, apesar de se ver evolução no uso das técnicas. E hoje em dia o estilo dos 70s acaba por não funcionar bem em comparação com os designs dos artistas mais jovens que vieram substituir esta geração.
De uma forma ou de outra, é um estudo muito interessante que nos revela bastantes coisas sobre a história do manga e como se fazia manga há tanto tempo atrás. Se encontrarem este volume, recomendo. Mesmo que não tenham o meu golpe de sorte de o encontrar "com defeito".
By : ladyxzeus
Taxi Driver
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Taxi Driver
Martin Scorcese
Filme
1976
8 em 10
Por indicação, participei num passatempo da Cinema2000 e revista Metropolis e ganhei um convite duplo para a ante-estreia do Taxi Driver no Corte Inglés. São sessões clássicas que esta equipa está a recuperar, com versões remasterizadas digitalmente dos filmes antigos. O primeiro foi este e o próximo será o Lawrence da Arábia, que também gostaria de ver. Como esta era a ante-estreia, tínhamos três senhores, críticos e entendidos do cinema (situação que eu ambicionaria ter para os meus animus, mas isso é sonho distante e longínquo) que nos falaram um pouco sobre o filme e sobre o projecto de trazer clássicos ao grande ecrã. Aprendi algumas coisas, como o facto de os 70s terem sido uma década áurea do cinema Americano, dominada pelos realizadores, e a situação de o compositor da banda-sonora do filme ter morrido um par de meses antes da estreia, logo depois de ter acabado o seu trabalho. Fiquei com muita pena do senhor que se esqueceu do que ia dizer e não se conseguia lembrar, espero que ele o venha a dizer num blog ou no jornal ou algo. Agora eu sigo mais blogues de cinema, a ver se me cultivo. Mas não está a funcionar muito bem. Enfim, outros assuntos. Fiquem com o poster que nos ofereceram à entrada, que está muito giro e que irei colar algures onde couber nas minhas paredes já forradas de coisas sem fim:
Este filme, tinha visto apenas um bocadinho com o meu pai. E quando digo um bocadinho foi mesmo só um bocadinho, porque estava a dar na televisão e eu estava a lutar para conseguir ver o Dirty Dancing, que estava a dar noutro canal. Assim, foi novidade completa para mim.
Robert de Niro é Travis, um traumatizado de guerra que conduz um táxi. Tudo na cidade de Nova York o deixa cada vez mais deprimido, até que começa a desenvolver um fascínio pela destruição e pela lavagem do "lixo" que infecta a metrópole. O personagem está perfeitamente caracterizado, na exploração da solidão e na entrada do beco sem saída que o leva ao culminar do filme. A solidão, ao início estabelecida como longas noites sem dormir, passadas a guiar o táxi e a ver filmes pornográficos no cinema, desenvolve-se até ao ponto de psicose obsessiva, motivada por Iris, a prostituta de 12 anos interpretada por Jodie Foster (não restam dúvidas depois de uma breve pesquisa, a actriz tinha mesmo 12 anos quando fez o filme).
Este desenvolvimento não existiria se não fosse a cidade, invadida de "lixo" e parasitas, que - segundo Travis - a chuva deveria lavar. Nova York dos anos 70 está caracterizada como um mundo de lascívia e nojo, coisas que vão contra aquilo em que Travis acredita (ou passou a acreditar depois de ter estado no Vietname a matar pessoas). A maior parte da narrativa passa-se de noite ou com chuva, o que trás um ambiente ainda mais negro e desesperante. A música ajuda a estabelecer a melancolia e a solidão infinita e insolucionável.
A narrativa é linear e simples, mas há quem afirme que o filme é ambíguo no seu final. Eu não senti isso e, segundo o que diz nos comentários do realizador no DVD (que eu não vi, mas procurei), pelos vistos Martin Scorcese também não. Ainda assim, não precisamos de finais ambíguos para ter um grande filme.
Vale a pena ir vê-lo ao grande ecrã. Aproveitem!
(You talkin' to me?)
By : ladyxzeus
Ie Naki Ko
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Ie Naki Ko (Nobody's Boy Remi)
Dezaki Osamu - TMS Entertainment
Anime - 51 Episódios
1977
7 em 10
World Master Series são animes inspirados em histórias de fundo Europeu. Nele se incluem as famosas Heidi e Ana dos Cabelos Ruivos. E a maioria delas foi criada nos 70s. Remi é um desses animes.
Remi é um rapazinho a quem só acontecem desgraças e o anime é, essencialmente, a sua busca pela felicidade. É uma busca muito bonita. A arte é lindíssima. Fundos que são quase pinturas e uma delicadeza do traço que já não se encontra no anime dos dias de hoje. Existem algumas cenas de animação repetidas e recicladas, mas provavelmente só as notei porque vi a série toda de seguida. A música também é maravilhosa, muito diversa, original, bem interpretada e muito apropriada a todos os momentos. Ver este anime é como ler um livro, tal a macieza do traço e dos sons.
O anime tem cães e creio que foi por isso que o tinha na lista de coisas para ver. Infelizmente a história tem um enorme defeito, que são as desgraças todas que acontecem ao infeliz do Remi. Vejamos se me lembro de todas: vendem-lhe a vaca, é vendido a um homem que toca corneta, os sapatos magoam-lhe, a roupa que usa é ridícula, tem de estudar música, é muito pobre, não tem dinheiro, está frio e é Inverno, não tem dinheiro, perde-se na cidade, morrem dois cães comidos por lobos, morre-lhe o macaco com pneumonia, é deixado à guarda de um mauzão Olivertwistiano, morre o homem da corneta, cai geada que arruina a plantação de flores, fica preso numa mina, morre o pai adoptivo, raptam-no, prendem-no, mandam-no para a prisão, o macaco novo é um incompentente, não consegue comprar uma vaca de jeito. E assim por diante, devem-me faltar algumas. Depois acaba tudo em bem, mas isto é demasiada infelicidade para a minha vida. Em termos de personagem, Remi cresce psicologicamente, ainda que o seu crescimento físico não seja evidente, mais que não seja porque ganha coragem e rectidão para trabalhar nas coisas de forma a atingir objectivos. Achei que a sua aprendizagem foi demasiado rápida (aprendeu a ler e a tocar harpa num instante) e que os animais eram demasiado inteligentes, apesar de muito engraçados (quero o chapéu do Capi para o meu Infeliz).
Recomendo bastante este anime, pois é muito belo. Talvez para uma pessoa pouco habituada ao "old-school" seja um pouco difícil, pois tem um narrador, tem muitas imagens paradas. Mas envelheceu muito bem e aconselho-o.
By : ladyxzeus
Rosa de Versailles
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Bem vindos a um post um pouco diferente. Isto porque estamos a fazer uma CELEBRAÇÃO. O blog faz um ano de idade e, por isso, decidi fazer uma pequena festa.
2. Personagens: Aconselho a leitura da próxima secção deste post para uma análise mais detalhada sobre Oscar. Sobre outros personagens, Antoinette está - pela primeira vez para o leitor médio - descrita como uma pessoa séria, mas inocente no que respeita à realidade. O que, de acordo com a história, era o que ela era na realidade. O seu marido Louis também é um personagem muito sólido, especialmente em comparação ao que o media nos mostra sobre ele. Em vez de um perdedor, ele é apenas um homem de mãos atadas. Fersen, o outro elemento importante do trio principal (Oscar, Antoinette e ele) aparece como um estranho a toda a história e penso que a sua personalidade complementa muito bem os eventos que acontecem depois da sua presença na corte. Finalmente, o meu outro personagem preferido, André. Um comentário foi feito na edição Tonkam que reparou como ele gradualmente evolui emocionalmente, enquanto a sua condição física se degrada. Pessoalmente, acho isto brilhante. Todos os personagens mostram um crescimento físico e psicológico que é raramente visto num manga shoujo, tal como no manga em geral.
3. A arte: apesar de estar povoada de flores e estrelinhas, como qualquer coisa para miúdas de 14 anos devia ser, é extremamente detalhada. Considerando a sua idade, é também engraçado ver como a autora usa medias diferentes, provavelmente apenas disponíveis para o público em geral a meio da série, e os usa para adicionar mais ricos padrões e fundos detalhados.
4. O facto de usar montes de elementos da tragédia Grega para ilustrar eventos emocionais.
5. O facto de a autora ser uma amadora. Ela de facto era uma estudante de história que olhou para o cenário do manga e pensou que as mulheres não estavam a ser bem representadas. Então criou um travesti, a única maneira encontrada na época para criar uma líder feminina forte. De alguma maneira ela é a percursora do manga shoujo de hoje em dia. Além disso, a criadora involuntária do prototipo que ira dar à luz o género que veio a ser conhecido como YAOI, ou BoysLove.
6. A carta de agradecimento da autora no final da minha edição diz "Fico muito feliz e orgulhosa haja mulheres, que eram meninas quando comecei Rosa de Versailles, a escreverem-me dizendo que elas agora são mães de meninas com idade suficiente para ler este tipo de manga e que elas recomendaram o meu trabalho" Sobreviveu ao tempo e isso é sempre algo a ter em conta.
Note-se que eu escrevi a seguinte review num vôo transatlântico de regresso a Portugal, do Brasil. E agora vou ao Brasil outra vez. Como a vida é engraçada, não é? :)
Como calha a qualquer manga shoujo e anime, Rosa de Versailles está cheia de brilho, flores aleatórias e uma quantidade sem precedentes de ornamentos inúteis. Considerando o quão antigo o manga é e o media disponível na altura isto é fantástico, mas isso é um debate a ter numa discussão posterior. O que interessa aqui é que Oscar é uma flor contra o seu fundo. Como o nome diz: Rosa de Versailles. O seu próprio design é a personificação de uma flor em todos os seus significados. A beleza associada ao sofrimento e sacrifício, uma criatura delicada rodeada de espinhos. O design gráfico é mais que apropriado dentro do ambiente. O manga tem muitas referências mitológicas e clássicas, o que denota uma cultura elevada da autora e expõe a sua associação ao universo académico da história. Enfim, a personagem principal aparece como uma semi-deusa da guerra e do amor. Isto também aparece no anime, no retrato que ela tem pintado para si. A figura de um oficial de alta patente rodeada da beleza da natureza, entregando-a nos seus braços e sempre acompanhada pelo seu cavalo branco. Figura Diânica, a virgem que manda sobre a luta e beleza mas tem de se manter afastada do amor e dos seus desígnios mais profundos.
O outro facto importante sobre o seu design é o mais óbvio: o - provavelmente o primeiro - uso de um travesti para criar um dilema e gerar sofrimento para o personagem e, consequentemente, histórias shumarenta. Se conhecermos a história, conhecemos os porquês e os comos de Oscar e da sua opção de vestuário. Tudo começa na figura de seu pai que, frustrado por não ter ninguém para receber a sua herança, força a sua filha mais nova a seguir o caminho de um homem. Enquanto isto é sobretudo para caractgerizar o ambiente da era, podemos atirar no escuro e dizer que este pai também funciona como um complexo para Oscar que, incapaz, o vai redirigir a outras figuras masculinas, nomeadamente Fersen. Se pegarmos no seu ambiente familiar, mais problemas se adicionam. Ela é a mais nova de um rebanho de filhas e, assim, está rodeada de figuras femininas. No entanto, educada como homem, ela muito provavelmente usa este ambiente familiar apenas como modelo para as suas "aventuras femininas", como usar um vestido e... Bem, é basicamente isso. Tanto no anime como no manga a sua mãe joga um importante papel e através dela vemos que Oscar trata as mulheres com o respeito de um homem. Ela não é capaz de entender o seu próprio género e não tem outra opção senão seguir os seus sentimentos. O que é exactamento o que qualquer líder de shoujo devia fazer, mas neste caso não é por causa de uma causa maior ou dúvida amorosa, mas porque é a sua única opção. Gosto de imaginar o quão confuso terá sido para Oscar sofrer todas as maravilhas fmininas pela primeira vez, mesmo quando no fim do manga (quando ela tem cerca de 40 anos, segundo a minha matemática macarrónica) ela ainda tem traços masculinos na sua personalidade. O seu primeiro período, a sua primeira paixão, ou mesmo seios. Se para uma rapariga que é uma rapariga isto é estranho, para um rapaz que é na realidade uma rapariga deve ser um pesadelo. xD
Num todo, o seu design é perfeito não só por ser original: porque é apropriado. Mais que apropriado: encaixa. Encaixa em toda a história e faz com que esta se mova, mesmo quando a história não se centra nela. É dito por alguns críticos que a verdadeira Rosa de Versailles é Maria Antonieta. Certamente, a Delfina é a personagem central da história e Oscar é muito secundária. Mas a sua presença é tão verdadeira que a sua influência na história (e a outra história) é simplesmente necessária.
A exposição da personagem: como a evolução dos eventos muda Oscar (e a faz mais awesome)
Oscar não é o tipo de personagem que tem apenas um design excelente e um propósito original. Ela é muito moldada pela história. Se considerarmos a tragédia da monarquia Francesa como o ponto central, Oscar é aquela que a faz andar para a frente. No entanto, se considerarmos as acções de Oscar em relação a este momento histórico como o ponto central, ela é aquela que é movida por ele.
Comecemos pela sua infância. Como referido anteriormente, educada como um homem mas rodeada por mulheres, ela só tem um ponto de saída. Que é Andre, o seu companheiro de brincadeiras e servo. À medida que o tempo passa, ela cresce um bocadinho e outra pessoa aparece no jogo: Maria Antonieta. Ela aparece como o exemplo de tudo o que é frágil e belo, a coisa que Oscar tem de proteger a todo o custo e que protege até ao fim da sua própria meira. No manga eles são quase mostrados como amantes na juventude de Oscar (mas depois ela cresce, graçasadeus) mas penso que esta relação é mais como uma borboleta e a pessoa que a caça para a manter segura. No final do anime há uma libertação oficial da borboleta, uma despedida brilhantemente chamada "Adeus é Até Já" (em Francês é mais bonito) que apenas aprofunda a importância deste laço. O tempo passa um pouco mais e Fersen entra no jogo. Oscar descobre que pode ter sentimentos femininos. Estes são um pouco ignorados no anime comparando com o manga (a sério, o seu desespero é mais... Desesperado) mas em ambos Fersen é aquele amigo que todas as gajas têm: aquele que não nos importávamos de ter como amante mas que, devido a uma série de circunstâncias - incluindo o facto de algumas de nós sermos líderes do exército travestidas - é apenas amigo próximo. Então Madame de Polignac ensina Oscar como funciona a sociedade. Finalmente, as duas irmãs, Rosalie e Jeanne. Rosalie mostra a Oscar uma nova forma de amor e, de novo, leva a mais lágrimas. Oscar apaixona-se um pouco por ela, como citado do manga:
"Prometo que se fosse um homem te faria a minha esposa"
Mas, ainda assim, aceita a sua posição como protector e "onii-chan" (desculpem, tenho de usar o termo xp)
Finalmente, no leque de personagens que moldam a personalidade de Oscar, Jeanne (a irmã má). Jeanne não faz grande coisa além de espalhar veneno. De algum modo isto é muito importante porque Oscar tem de lidar com isso. A exposição da sua identidade, posição e género torna tudo mais complicado.
Depois há alguns momentos específicos da história que produzem novas facetas para o seu carácter. Desde a festa a que vai como mulher, onde ela admite firmemente o seu papel e o seu verdadeiro desejo, para a guerrilha na Bastilha onde ela finalmente aceita com um coração cheio a sua condição e nos deixa como mártir pelo amor (e liberdade também, ok). Outros momentos importantes que ajudam a expor a sua personagem são o sacrifício por Andre quando a Princessa é levada pelo cavalo (e o salvamento da Princesa também) e o primeiro encontro com Robespierre. Aqui ela evolui de simples rapariga com confusão de géneros para uma figura politicamente activa, que duvida, se questiona e participa em toda a revolução. De alguma forma a sua participação é motivada pelos seus sentimentos de amor, mas se ela nunca tivesse sabido da situação das pessoas em Paris ela nunca se teria envolvido (aposto que teria fugido para um sítio fixe, tipo Portugal, onde temos praias bacanas e vivemos felizes para sempre. Vejam, a sua natureza corajosa de proteger e amar erra na sua própria natureza. Se fugir fosse a primeira opção plausível para proteger os seus entes queridos, teria acontecido. Mas aí a história teria acabado demasiado cedo!) É também extremamente relevante que ela tenha juntado o "exército do povo" para se afastar da Rainha e de Fersen e de toda a nobreza e aliviar a sua própria dor. Durante a vivência com homens que não a respeitam por nada excepto as suas verdadeiras qualidades ela finalmente aprende a aceitar-se como é e viver com isso. Citando o anime:
"Desculpem nunca vos ter dito, mas eu sou uma mulher. Podem continuar a respeitar a minha autoridade, mas também vos é permitido partir"
Ao que o soldado mais irritante responde
"Não interessa se és homem ou mulher desde que continues a ser o nosso General"
No entanto, o que interessa mais na maneira que o personagem é coberto, é a sua relação com Andre. Ignorando o facto de que esta é uma das mais belas tragédias de amor que eu alguma vez li ou vi, Andre é o tipo que de uma forma ou de outra move Oscar. Ela não sabe disto até ao fim (no anime, mais cedo no manga). Ela originalmente move-se para proteger a Princesa, o Rei, a sua mãe, Rosalie, até Fersen. Mas no fim é Andre que a faz mover, devido à sua lealdade como servo e confiança como amigo. Como amante platónico, ele segura-a na escuridão. Assim que ele admite o seu amor, no manga, a atitude de Oscar muda: ela fica perdida por um tempo e depois aceita-o como protector. É ele que a ajuda a crescer da pessoa-que-pode-ser-um-rapaz que proteje uma princesa para a meia-adolescente que se envolve num amor impossível até à mulher madura que se oferece como sacrifífio pelo sentimento. É com ele que a maioria destes momentos acontece.
Primeiro, quando se disfarça de Masque Noir e perde a vista pela primeira vez. Oscar valoriza a sua presença e a sua vida, já que ela nunca esperava que ele se pudesse magoar, ou morrer, ou deixá-la de alguma forma. Neste momento ela até lhe ordena que nunca a deixe, admitindo que precisa do seu "servo" como muleta para sobreviver como uma mentira num ambiente social tão complexo.
Segundo, um evento apenas do manga. Num momento desesperado e meio bêbado, Andre declara-se e atira-se à febra. Basicamente, tenta violar Oscar. =D Aqui, ela aprende sobre o medo a a conclusão invitável. Não interessa o quão boa tu és com a espada ou quantas vezes lhe pontapeteaste a cabeça durante o treino. Ele vai sempre ser mais forte, porque ele é um homem. Graças a este conhecimento a sua adaptação ao novo exército é ainda mais difícil no manga.
Terceiro, quando Andre é tomado por um nobre e levado pelo povo de Paris. Ela subitamente descobre que o ama e ela própria se surpreende com isso.. Este momento significa exactamente o que parece. Quando Fersen a encontra desesperada, implorando que ele "Salve o meu Andre!", toda a gente finalmente suspira de alívio que ela tenha atingido o óbvio. Excepto Oscar, porque ela parece aterrorizada e não sabe o que fazer com o seu novo protector. Deverá tê-lo como amante como uma mulher ou deverá mantê-lo como amigo como um homem deve fazer?
Quarto, a consumação do amor. Acontece de maneira muito diferente no manga e no anime mas basicamente representa a maturidade dos sentimentos e a naturalidade do acto. Oscar demora 40 episódios e 10 volumes para descobrir que está apaixonada por Andre o suficiente para deitar fora a sua máscara de homem e continuar. No anime é uma cena maravilhosa que me moveu até às lágrimas de todas as 6 vezes que a vi, rodeada por uns pirilampos numa floresta, uma entrega à natureza apropriada à sua figura Helénica. No manga, é mais planeado, o que funciona muito bem como destruição da fachada.
O evento final é a morte de Andre. Acontece em várias cenas. A sua morte, logo depois de terem decidido "vamos só tomar a Bastilha e depois casar e ter uma ninhada de crianças". As tentativas de o ressuscitar e o desespero. O seu funeral e a decisão de Oscar: sem o seu amor não há nada mais na Terra pelo qual viver. O momento mais maravilhoso do anime é, para mim, aqui. Num flashback narrado por um soldado inimigo, ela luta com os Guardas e eles matam o seu cavalo. O narrador diz:
"Acabámos de lutar contra um bravo General inimigo na ponte. Quando seu cavalo caiu e ele perdeu a sua pistola, puxou da sua espada e lutou corajosamente matando muitos. E enquanto o fazia, os seus olhos estavam brilhantes de desespero e solidão, e parecia que choravam."
E acho que é tudo: Oscar existe não só por si mas através de outros. Isto é outra coisa que torna a sua personagem maravilhosamente criada.
A significância do personagem no mundo exterior
Citando o prefácio do meu manga:
"Agora os guias turísticos do Palácio de Versailles saberão porque é que tantas raparigas perguntam "e Oscar de Jarjayes?" nos tours.
Se isto não diz tudo não sei o que faça. Oscar está tão bem feita que parece real. Tanto que eu pesquisei metade da internet para me convencer que ela era fictícia (e mesmo agora não estou bem convencida).
É um modelo maravilhoso para tudo o que uma líder de shoujo devia ser e é lembrada mesmo pelas pessoas mais improváveis: no Museu dos Coches um dos guardas é um fã tão grande de Oscar que faz cosplay de Guarda Real Francesa dentro do museu. Noutra ocasião estávamos na aula de Japonês a debater sobre os nossos animes preferidos e quando referi "Versailles no Bara" a nossa professora gritou de alegria e partilhou que leu o manga durante a sua adolescência e que Oscar ainda é a sua personagem de manga preferida. Socialmente, esta personagem foi uma revolução, uma mulher feita de coragem que viveu pelos valores mais altos.
E o meu impacto social favorito... O protóptipo de shounen-ai. Finalmente, não mais a líder feminina chata. Agora temos uma mulher que se parece horrivelmente com um homem. Ela tem todas as características tanto de um um personagem masculino ou da nossa meina do anime, a personalidade do primeiro associado às dúvidas e emoções da segunda. Muitas críticas debatem que Oscar foi aquela que abriu o caminho para o género BL. E isso é fantástico.
Em conclusão, Oscar é uma personagem fabulosa tnato nas suas características inerentes como na sua influência social.
Fica também a tradução da tradução das notas editoriais do meu manga. Não adiciona muito mas adoro a maneira como o escreveram.
Apresentação dos personagens
Oscar
Oscar François de Jarjayes, sexta filha do General de Jarjayes. Para continuar a tradição da família, Oscar é criada como um rapaz. Ela cresce com Andre num ambiente familiar e a sua amizada cresce até ao dia em que se transforma em amor. Tornada Capitão da Guarda Real, ela continuará o seu dever com coragem, resignação e fervor. Promovida a Coronel, ela vai fazer uma escolha clara pelo seu destino e assumir o que o seu pai decidiu para ela: ser um soldado. Se o corpo trai a personagem, as duas almas são ambíguas: uma é constantemente atenta, uma de dever, e tenta fugir da outra de forma a cumprir o seu dever; a outra alma é a da mulher que vive em Oscar e que apenas se vai revelar no final.
Oscar é a dualidade: duas almas num único corpo.
Descobrindo o amor, o seu coração entrega-se a Fersen, mas como ele não devolve nada sem ser amizade ela acaba por dizer adeus. É aquilo que ela acredita ser amizade por Andre que se transforma em amor - destino cruel para esta mulher que, se não olharmos mais longe, está errada na sua vida! As suas escolhas de trabalho, amizade, amor, tudo está errado. Ela perde para a Revolução, ela muda de lado e enfrenta a realeza, ela ama Andre. Mas a mudança não pode durar moite, pois a morte chega.
(...)
Reflecções
Vício e Versailles, um certo olhar sobre uma era
O que vem de Lady Oscar é o estudo da vida na Corte, a aristocracia que planeia maquinações diabólicas e vinganças maquiavélicas.
Pelo final dos 90s, o filme de Patric Leconte "Ridicule" trouxe uma quadra adicional à valsa de Chateleaine, em que Lady Oscar poderia ter sido uma nota musical magnífica. O conhecimento médico muito pobre da era adicionou anos de vida felizes à vida de homens e mulheres da época. Por isso viveram rapidamente os seus tempos, como se nunca os pudessem concluir. Os seus espíritos preversos tornaram-se em maquinações absurdas e crueis e, nessa era negra, a sombra da Revolução aparecia muito melhor que hoje. Para isso, nada melhor que dinheiro e poder. E para obter o poder só tendo nascido com riqueza e sem qualquer traço de humanidade, não pensar em mais ninguém e nunca hesitar. Oscar, ela vai tentar to lutar contra estas terríveis vinganças, os traidores mais baixos, consolar as vítimas do drama, castigar os culpados, etc. Assim é o seu partido, com os oponentes inevitáveis - A sua vontade de mudar a forma das coisas, de as tornar melhor, leva-a a acções igualmente perigosas, mesmo homicidas, guiadas pelos seus sentimentos pessoais e emocionais na direcção das causas justas e mais nobres que nobres. Oscar é uma heroína que pode ilustrar os dias de hoje: escolher entre o destino e o dever, entre a condição e poder, entre as suas próprias escolhas e o seu trabalho, ou mesmo, adaptando aos nossos dias, entre o trabalho e família.
A Rosa
Como Andre irá dizer a Oscar: "Branca ou vermelha, uma rosa é sempre uma rosa!" Quer leve um vestido ou um uniforme, ela ainda é a mesma. A rosa representa a essência do efémero: ela nasce, cresce, floresce, mas rapidamente desaparece e é condenada a ver as suas pétalas levadas pelo vento. Esse é o destino de Oscar. Ela cresce e torna-se no homem pelos bons homens e mesmo mulheres... Ela vai desaparecer, levada pela mão do destino, e as suas memórias serão levadas pelo vento até sobrar apenas um sussurro.
Antes de mais apresento-vos a nova banner do Não Me Apetece Estudar. Foi feita por uma bacana da Aarinfantasy, num pequeno concurso que fiz. Apresento-vos também a minha nova assinatura de fórum, que há-de linkar para aqui:
Aproveito também a oportunidade para agradecer à minha legião de fãs, em que se contam pelo menos 10 amorosas criaturas, mais uns peixes-lua adoráveis e uns gatos-pingados de raça Ragdoll. A vós agradeço-vos deixando-vos aqui um humilde par de ornintorrincos. Obrigada.
E agora, ao essencial! Como celebração decidi traduzir (de forma adaptada) a review que fiz para o meu anime preferido:
A Rosa de Versailles
Aviso que vai ser extenso, é uma review extremamente detalhada e completa. No entanto, espero que gostem. E, se ainda não tiverem visto o anime ou lido o Manga, que o venham a ver ou ler, pois são obras-primas da cultura pop Japonesa. Fica também a nota de que é o manga preferido da minha 先生!
Iniciarei os trabalhos falando um pouco da minha experiência com esta série. Comecei por ver o anime, em Francês, na televisão. Amei e nunca perdi um episódio, chegando por vezes a ver dois por dia. Entretanto vi o anime mais cinco vezes, três delas em Francês, uma em Catalão e outra no original Japonês. Devo dizer que a minha versão favorita será sempre a Francesa, pois dá uma certa autenticidade ao anime (e a voz da Oscar é de chorar por mais). Entretanto, comprei o manga, os dois volumes editados pela Tonkam (também em Francês) mais um terceiro volume de histórias curtas. O manga é certamente diferente e nesta review falarei mais directamente dele e das personagens, mas isso de certa forma também explicará os meus detalhes preferidos do anime.
Como estava com pressa na altura em que escrevi esta review, para o manga apenas, decidi colocar os pontos essenciais numa lista, que segue aqui em baixo:
1. História: Conseguiu romantizar um evento histórico de tal forma que chegamos a acreditar que aconteceu assim e não como as aulas de história nos disseram.
2. Personagens: Aconselho a leitura da próxima secção deste post para uma análise mais detalhada sobre Oscar. Sobre outros personagens, Antoinette está - pela primeira vez para o leitor médio - descrita como uma pessoa séria, mas inocente no que respeita à realidade. O que, de acordo com a história, era o que ela era na realidade. O seu marido Louis também é um personagem muito sólido, especialmente em comparação ao que o media nos mostra sobre ele. Em vez de um perdedor, ele é apenas um homem de mãos atadas. Fersen, o outro elemento importante do trio principal (Oscar, Antoinette e ele) aparece como um estranho a toda a história e penso que a sua personalidade complementa muito bem os eventos que acontecem depois da sua presença na corte. Finalmente, o meu outro personagem preferido, André. Um comentário foi feito na edição Tonkam que reparou como ele gradualmente evolui emocionalmente, enquanto a sua condição física se degrada. Pessoalmente, acho isto brilhante. Todos os personagens mostram um crescimento físico e psicológico que é raramente visto num manga shoujo, tal como no manga em geral.
3. A arte: apesar de estar povoada de flores e estrelinhas, como qualquer coisa para miúdas de 14 anos devia ser, é extremamente detalhada. Considerando a sua idade, é também engraçado ver como a autora usa medias diferentes, provavelmente apenas disponíveis para o público em geral a meio da série, e os usa para adicionar mais ricos padrões e fundos detalhados.
4. O facto de usar montes de elementos da tragédia Grega para ilustrar eventos emocionais.
5. O facto de a autora ser uma amadora. Ela de facto era uma estudante de história que olhou para o cenário do manga e pensou que as mulheres não estavam a ser bem representadas. Então criou um travesti, a única maneira encontrada na época para criar uma líder feminina forte. De alguma maneira ela é a percursora do manga shoujo de hoje em dia. Além disso, a criadora involuntária do prototipo que ira dar à luz o género que veio a ser conhecido como YAOI, ou BoysLove.
6. A carta de agradecimento da autora no final da minha edição diz "Fico muito feliz e orgulhosa haja mulheres, que eram meninas quando comecei Rosa de Versailles, a escreverem-me dizendo que elas agora são mães de meninas com idade suficiente para ler este tipo de manga e que elas recomendaram o meu trabalho" Sobreviveu ao tempo e isso é sempre algo a ter em conta.
Para começar, esta avaliação de Oscar de Jarjayes foi baseada tanto no anime como o manga. Acredito que, no que respeita à personagem Oscar, mais que copiar o manga o anime completa a sua exposição. Há três pontos essenciais em que gostaria de me focar:
- O design
- A exposição
- O significado e significância histórica e cultural
Como calha a qualquer manga shoujo e anime, Rosa de Versailles está cheia de brilho, flores aleatórias e uma quantidade sem precedentes de ornamentos inúteis. Considerando o quão antigo o manga é e o media disponível na altura isto é fantástico, mas isso é um debate a ter numa discussão posterior. O que interessa aqui é que Oscar é uma flor contra o seu fundo. Como o nome diz: Rosa de Versailles. O seu próprio design é a personificação de uma flor em todos os seus significados. A beleza associada ao sofrimento e sacrifício, uma criatura delicada rodeada de espinhos. O design gráfico é mais que apropriado dentro do ambiente. O manga tem muitas referências mitológicas e clássicas, o que denota uma cultura elevada da autora e expõe a sua associação ao universo académico da história. Enfim, a personagem principal aparece como uma semi-deusa da guerra e do amor. Isto também aparece no anime, no retrato que ela tem pintado para si. A figura de um oficial de alta patente rodeada da beleza da natureza, entregando-a nos seus braços e sempre acompanhada pelo seu cavalo branco. Figura Diânica, a virgem que manda sobre a luta e beleza mas tem de se manter afastada do amor e dos seus desígnios mais profundos.
O outro facto importante sobre o seu design é o mais óbvio: o - provavelmente o primeiro - uso de um travesti para criar um dilema e gerar sofrimento para o personagem e, consequentemente, histórias shumarenta. Se conhecermos a história, conhecemos os porquês e os comos de Oscar e da sua opção de vestuário. Tudo começa na figura de seu pai que, frustrado por não ter ninguém para receber a sua herança, força a sua filha mais nova a seguir o caminho de um homem. Enquanto isto é sobretudo para caractgerizar o ambiente da era, podemos atirar no escuro e dizer que este pai também funciona como um complexo para Oscar que, incapaz, o vai redirigir a outras figuras masculinas, nomeadamente Fersen. Se pegarmos no seu ambiente familiar, mais problemas se adicionam. Ela é a mais nova de um rebanho de filhas e, assim, está rodeada de figuras femininas. No entanto, educada como homem, ela muito provavelmente usa este ambiente familiar apenas como modelo para as suas "aventuras femininas", como usar um vestido e... Bem, é basicamente isso. Tanto no anime como no manga a sua mãe joga um importante papel e através dela vemos que Oscar trata as mulheres com o respeito de um homem. Ela não é capaz de entender o seu próprio género e não tem outra opção senão seguir os seus sentimentos. O que é exactamento o que qualquer líder de shoujo devia fazer, mas neste caso não é por causa de uma causa maior ou dúvida amorosa, mas porque é a sua única opção. Gosto de imaginar o quão confuso terá sido para Oscar sofrer todas as maravilhas fmininas pela primeira vez, mesmo quando no fim do manga (quando ela tem cerca de 40 anos, segundo a minha matemática macarrónica) ela ainda tem traços masculinos na sua personalidade. O seu primeiro período, a sua primeira paixão, ou mesmo seios. Se para uma rapariga que é uma rapariga isto é estranho, para um rapaz que é na realidade uma rapariga deve ser um pesadelo. xD
Num todo, o seu design é perfeito não só por ser original: porque é apropriado. Mais que apropriado: encaixa. Encaixa em toda a história e faz com que esta se mova, mesmo quando a história não se centra nela. É dito por alguns críticos que a verdadeira Rosa de Versailles é Maria Antonieta. Certamente, a Delfina é a personagem central da história e Oscar é muito secundária. Mas a sua presença é tão verdadeira que a sua influência na história (e a outra história) é simplesmente necessária.
A exposição da personagem: como a evolução dos eventos muda Oscar (e a faz mais awesome)
Oscar não é o tipo de personagem que tem apenas um design excelente e um propósito original. Ela é muito moldada pela história. Se considerarmos a tragédia da monarquia Francesa como o ponto central, Oscar é aquela que a faz andar para a frente. No entanto, se considerarmos as acções de Oscar em relação a este momento histórico como o ponto central, ela é aquela que é movida por ele.
Comecemos pela sua infância. Como referido anteriormente, educada como um homem mas rodeada por mulheres, ela só tem um ponto de saída. Que é Andre, o seu companheiro de brincadeiras e servo. À medida que o tempo passa, ela cresce um bocadinho e outra pessoa aparece no jogo: Maria Antonieta. Ela aparece como o exemplo de tudo o que é frágil e belo, a coisa que Oscar tem de proteger a todo o custo e que protege até ao fim da sua própria meira. No manga eles são quase mostrados como amantes na juventude de Oscar (mas depois ela cresce, graçasadeus) mas penso que esta relação é mais como uma borboleta e a pessoa que a caça para a manter segura. No final do anime há uma libertação oficial da borboleta, uma despedida brilhantemente chamada "Adeus é Até Já" (em Francês é mais bonito) que apenas aprofunda a importância deste laço. O tempo passa um pouco mais e Fersen entra no jogo. Oscar descobre que pode ter sentimentos femininos. Estes são um pouco ignorados no anime comparando com o manga (a sério, o seu desespero é mais... Desesperado) mas em ambos Fersen é aquele amigo que todas as gajas têm: aquele que não nos importávamos de ter como amante mas que, devido a uma série de circunstâncias - incluindo o facto de algumas de nós sermos líderes do exército travestidas - é apenas amigo próximo. Então Madame de Polignac ensina Oscar como funciona a sociedade. Finalmente, as duas irmãs, Rosalie e Jeanne. Rosalie mostra a Oscar uma nova forma de amor e, de novo, leva a mais lágrimas. Oscar apaixona-se um pouco por ela, como citado do manga:
"Prometo que se fosse um homem te faria a minha esposa"
Mas, ainda assim, aceita a sua posição como protector e "onii-chan" (desculpem, tenho de usar o termo xp)
Finalmente, no leque de personagens que moldam a personalidade de Oscar, Jeanne (a irmã má). Jeanne não faz grande coisa além de espalhar veneno. De algum modo isto é muito importante porque Oscar tem de lidar com isso. A exposição da sua identidade, posição e género torna tudo mais complicado.
Depois há alguns momentos específicos da história que produzem novas facetas para o seu carácter. Desde a festa a que vai como mulher, onde ela admite firmemente o seu papel e o seu verdadeiro desejo, para a guerrilha na Bastilha onde ela finalmente aceita com um coração cheio a sua condição e nos deixa como mártir pelo amor (e liberdade também, ok). Outros momentos importantes que ajudam a expor a sua personagem são o sacrifício por Andre quando a Princessa é levada pelo cavalo (e o salvamento da Princesa também) e o primeiro encontro com Robespierre. Aqui ela evolui de simples rapariga com confusão de géneros para uma figura politicamente activa, que duvida, se questiona e participa em toda a revolução. De alguma forma a sua participação é motivada pelos seus sentimentos de amor, mas se ela nunca tivesse sabido da situação das pessoas em Paris ela nunca se teria envolvido (aposto que teria fugido para um sítio fixe, tipo Portugal, onde temos praias bacanas e vivemos felizes para sempre. Vejam, a sua natureza corajosa de proteger e amar erra na sua própria natureza. Se fugir fosse a primeira opção plausível para proteger os seus entes queridos, teria acontecido. Mas aí a história teria acabado demasiado cedo!) É também extremamente relevante que ela tenha juntado o "exército do povo" para se afastar da Rainha e de Fersen e de toda a nobreza e aliviar a sua própria dor. Durante a vivência com homens que não a respeitam por nada excepto as suas verdadeiras qualidades ela finalmente aprende a aceitar-se como é e viver com isso. Citando o anime:
"Desculpem nunca vos ter dito, mas eu sou uma mulher. Podem continuar a respeitar a minha autoridade, mas também vos é permitido partir"
Ao que o soldado mais irritante responde
"Não interessa se és homem ou mulher desde que continues a ser o nosso General"
No entanto, o que interessa mais na maneira que o personagem é coberto, é a sua relação com Andre. Ignorando o facto de que esta é uma das mais belas tragédias de amor que eu alguma vez li ou vi, Andre é o tipo que de uma forma ou de outra move Oscar. Ela não sabe disto até ao fim (no anime, mais cedo no manga). Ela originalmente move-se para proteger a Princesa, o Rei, a sua mãe, Rosalie, até Fersen. Mas no fim é Andre que a faz mover, devido à sua lealdade como servo e confiança como amigo. Como amante platónico, ele segura-a na escuridão. Assim que ele admite o seu amor, no manga, a atitude de Oscar muda: ela fica perdida por um tempo e depois aceita-o como protector. É ele que a ajuda a crescer da pessoa-que-pode-ser-um-rapaz que proteje uma princesa para a meia-adolescente que se envolve num amor impossível até à mulher madura que se oferece como sacrifífio pelo sentimento. É com ele que a maioria destes momentos acontece.
Primeiro, quando se disfarça de Masque Noir e perde a vista pela primeira vez. Oscar valoriza a sua presença e a sua vida, já que ela nunca esperava que ele se pudesse magoar, ou morrer, ou deixá-la de alguma forma. Neste momento ela até lhe ordena que nunca a deixe, admitindo que precisa do seu "servo" como muleta para sobreviver como uma mentira num ambiente social tão complexo.
Segundo, um evento apenas do manga. Num momento desesperado e meio bêbado, Andre declara-se e atira-se à febra. Basicamente, tenta violar Oscar. =D Aqui, ela aprende sobre o medo a a conclusão invitável. Não interessa o quão boa tu és com a espada ou quantas vezes lhe pontapeteaste a cabeça durante o treino. Ele vai sempre ser mais forte, porque ele é um homem. Graças a este conhecimento a sua adaptação ao novo exército é ainda mais difícil no manga.
Terceiro, quando Andre é tomado por um nobre e levado pelo povo de Paris. Ela subitamente descobre que o ama e ela própria se surpreende com isso.. Este momento significa exactamente o que parece. Quando Fersen a encontra desesperada, implorando que ele "Salve o meu Andre!", toda a gente finalmente suspira de alívio que ela tenha atingido o óbvio. Excepto Oscar, porque ela parece aterrorizada e não sabe o que fazer com o seu novo protector. Deverá tê-lo como amante como uma mulher ou deverá mantê-lo como amigo como um homem deve fazer?
Quarto, a consumação do amor. Acontece de maneira muito diferente no manga e no anime mas basicamente representa a maturidade dos sentimentos e a naturalidade do acto. Oscar demora 40 episódios e 10 volumes para descobrir que está apaixonada por Andre o suficiente para deitar fora a sua máscara de homem e continuar. No anime é uma cena maravilhosa que me moveu até às lágrimas de todas as 6 vezes que a vi, rodeada por uns pirilampos numa floresta, uma entrega à natureza apropriada à sua figura Helénica. No manga, é mais planeado, o que funciona muito bem como destruição da fachada.
O evento final é a morte de Andre. Acontece em várias cenas. A sua morte, logo depois de terem decidido "vamos só tomar a Bastilha e depois casar e ter uma ninhada de crianças". As tentativas de o ressuscitar e o desespero. O seu funeral e a decisão de Oscar: sem o seu amor não há nada mais na Terra pelo qual viver. O momento mais maravilhoso do anime é, para mim, aqui. Num flashback narrado por um soldado inimigo, ela luta com os Guardas e eles matam o seu cavalo. O narrador diz:
"Acabámos de lutar contra um bravo General inimigo na ponte. Quando seu cavalo caiu e ele perdeu a sua pistola, puxou da sua espada e lutou corajosamente matando muitos. E enquanto o fazia, os seus olhos estavam brilhantes de desespero e solidão, e parecia que choravam."
E acho que é tudo: Oscar existe não só por si mas através de outros. Isto é outra coisa que torna a sua personagem maravilhosamente criada.
A significância do personagem no mundo exterior
Citando o prefácio do meu manga:
"Agora os guias turísticos do Palácio de Versailles saberão porque é que tantas raparigas perguntam "e Oscar de Jarjayes?" nos tours.
Se isto não diz tudo não sei o que faça. Oscar está tão bem feita que parece real. Tanto que eu pesquisei metade da internet para me convencer que ela era fictícia (e mesmo agora não estou bem convencida).
É um modelo maravilhoso para tudo o que uma líder de shoujo devia ser e é lembrada mesmo pelas pessoas mais improváveis: no Museu dos Coches um dos guardas é um fã tão grande de Oscar que faz cosplay de Guarda Real Francesa dentro do museu. Noutra ocasião estávamos na aula de Japonês a debater sobre os nossos animes preferidos e quando referi "Versailles no Bara" a nossa professora gritou de alegria e partilhou que leu o manga durante a sua adolescência e que Oscar ainda é a sua personagem de manga preferida. Socialmente, esta personagem foi uma revolução, uma mulher feita de coragem que viveu pelos valores mais altos.
E o meu impacto social favorito... O protóptipo de shounen-ai. Finalmente, não mais a líder feminina chata. Agora temos uma mulher que se parece horrivelmente com um homem. Ela tem todas as características tanto de um um personagem masculino ou da nossa meina do anime, a personalidade do primeiro associado às dúvidas e emoções da segunda. Muitas críticas debatem que Oscar foi aquela que abriu o caminho para o género BL. E isso é fantástico.
Em conclusão, Oscar é uma personagem fabulosa tnato nas suas características inerentes como na sua influência social.
Vou agora adicionar alguns dos meus screenshots preferidos da série de anime. Reparem que são screenshots do Panda! Eu tinha televisão no pc. :3
Fica também a tradução da tradução das notas editoriais do meu manga. Não adiciona muito mas adoro a maneira como o escreveram.
Apresentação dos personagens
Oscar
Oscar François de Jarjayes, sexta filha do General de Jarjayes. Para continuar a tradição da família, Oscar é criada como um rapaz. Ela cresce com Andre num ambiente familiar e a sua amizada cresce até ao dia em que se transforma em amor. Tornada Capitão da Guarda Real, ela continuará o seu dever com coragem, resignação e fervor. Promovida a Coronel, ela vai fazer uma escolha clara pelo seu destino e assumir o que o seu pai decidiu para ela: ser um soldado. Se o corpo trai a personagem, as duas almas são ambíguas: uma é constantemente atenta, uma de dever, e tenta fugir da outra de forma a cumprir o seu dever; a outra alma é a da mulher que vive em Oscar e que apenas se vai revelar no final.
Oscar é a dualidade: duas almas num único corpo.
Descobrindo o amor, o seu coração entrega-se a Fersen, mas como ele não devolve nada sem ser amizade ela acaba por dizer adeus. É aquilo que ela acredita ser amizade por Andre que se transforma em amor - destino cruel para esta mulher que, se não olharmos mais longe, está errada na sua vida! As suas escolhas de trabalho, amizade, amor, tudo está errado. Ela perde para a Revolução, ela muda de lado e enfrenta a realeza, ela ama Andre. Mas a mudança não pode durar moite, pois a morte chega.
(...)
Reflecções
Vício e Versailles, um certo olhar sobre uma era
O que vem de Lady Oscar é o estudo da vida na Corte, a aristocracia que planeia maquinações diabólicas e vinganças maquiavélicas.
Pelo final dos 90s, o filme de Patric Leconte "Ridicule" trouxe uma quadra adicional à valsa de Chateleaine, em que Lady Oscar poderia ter sido uma nota musical magnífica. O conhecimento médico muito pobre da era adicionou anos de vida felizes à vida de homens e mulheres da época. Por isso viveram rapidamente os seus tempos, como se nunca os pudessem concluir. Os seus espíritos preversos tornaram-se em maquinações absurdas e crueis e, nessa era negra, a sombra da Revolução aparecia muito melhor que hoje. Para isso, nada melhor que dinheiro e poder. E para obter o poder só tendo nascido com riqueza e sem qualquer traço de humanidade, não pensar em mais ninguém e nunca hesitar. Oscar, ela vai tentar to lutar contra estas terríveis vinganças, os traidores mais baixos, consolar as vítimas do drama, castigar os culpados, etc. Assim é o seu partido, com os oponentes inevitáveis - A sua vontade de mudar a forma das coisas, de as tornar melhor, leva-a a acções igualmente perigosas, mesmo homicidas, guiadas pelos seus sentimentos pessoais e emocionais na direcção das causas justas e mais nobres que nobres. Oscar é uma heroína que pode ilustrar os dias de hoje: escolher entre o destino e o dever, entre a condição e poder, entre as suas próprias escolhas e o seu trabalho, ou mesmo, adaptando aos nossos dias, entre o trabalho e família.
A Rosa
Como Andre irá dizer a Oscar: "Branca ou vermelha, uma rosa é sempre uma rosa!" Quer leve um vestido ou um uniforme, ela ainda é a mesma. A rosa representa a essência do efémero: ela nasce, cresce, floresce, mas rapidamente desaparece e é condenada a ver as suas pétalas levadas pelo vento. Esse é o destino de Oscar. Ela cresce e torna-se no homem pelos bons homens e mesmo mulheres... Ela vai desaparecer, levada pela mão do destino, e as suas memórias serão levadas pelo vento até sobrar apenas um sussurro.
Uma foto muito labrega da Oscar e do Andre, juntos para sempre na minha prateleira. Não parece na foto, mas são figuras muito bonitas (o Artbook de Sailor Moon também é bonito)
Gostaria de finalizar as festividades com uma grande surpresa, mas não tive ainda tempo de a concluir. Preparem-se, pois será de arrasar! Para terminar, deixo-vos uma bela canção.
By : ladyxzeus

















