Iniciamos o nosso novo modelo de revies com O VELHO E A ESPADA, filme de Fábio Powers, que fomos assistir numa sessão especial de exibição na sala de espectáculos da Universidade Lusófona.
Conheci o Fábio Powers há muitos anos num evento que este organizou em Castelo Branco. Já nessa altura, o realizador alimentava a ideia de fazer um filme que fosse algo tipicamente português mas também muito ligado ao universo de fantasia de jogos (narrativos e digitais) e animes. Após anos de trabalho e dedicação, espremendo as pedras do amor e paixão pelo cinema, o resultado final está à vista como um filme de puro entretenimento.
"O Velho e a Espada" conta a história de um homem, idoso e alcoólico, que não tem qualquer objectivo de vida, e subitamente se vê envolvido na luta contra os demónios que habitam o Alentejo mais profundo, tendo na sua posse uma espada mágica e demoníaca (criada da visão do realizador e construída por Paula Nunes, @asheriabot no Instagram, amiga que muito prezo e admiro pelo seu talento multifacetado).
Este velho que agora possui a espada, interpretado pelo saudoso António da Luz, irá viver uma aventura inesquecível - para ele e para nós. A espada, com voz de João Loy, é sarcástica e cheia de personalidade, e os diálogos entre estes dois personagens inusitados são das partes mais engraçadas do filme.
Mas o que torna esta história quase mágica é o choque com a realidade em que nos encontramos porque, em falta de conclusão o realizador optou por fazer algo tão absurdo como corajoso: quebrar a quarta parede. Com isso, o filme dá uma volta inesperada, e conseguimos avaliar que - sim - este conto não é real, é apenas um filme, mas na ideia do nosso MC é tudo realidade. Então ficamos na dúvida se a magia se encontra no alcoolismo e na força da bebida, ou se por outro lado foi tudo uma espécie de elaborada piada para com o pobre personagem, para lhe animar a vida ou algo mais.
"O Velho e a Espada" foi seleccionado para vários festivais de cinema, tendo até sido premiado no Brasil. Afinal, trata-se de uma história cómica e improvável, mas que também muito caracteriza o interior do nosso país: triste, abandonado, alcoolizado e um misto de religioso e supersticioso.
Tenho muito orgulho em poder dizer que conheço este realizador, e ainda mais orgulho em saber que do seu esforço e da sua paixão nasceu um filme tão engraçado e que vem preencher a grande lacuna de cinema fantástico em Portugal.


