• A Náusea

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    A Náusea
    Jean-Paul Sartre
    1938
    Romance


    Nunca tinha lido nada de Sartre e sei muito pouco sobre a corrente filosófica por ele fundada, então esperava que este livro fosse estupidamente denso e complicado. Mas não! É uma narrativa bastante leve e com muito sentido de humor, que me agarrou da primeira à última página.

    Seguimos o diário de um homem, aparentemente feio e sem muitas qualidades, que ao longo de mais ou menos uma semana vai contemplando a cidade imaginária em que vive e fazendo pequenos filmes sobre as pessoas que o rodeiam. Frequentemente ele é atormentado pela "Náusea", um sentimento irresistível de depressão, que o aflige bastante e o impede de ter atitudes normais.

    O personagem acaba por concluir que a solução para a Náusea é, simplesmente, deixar de existir. Assim, a existência e actividade das outras pessoas atormenta-o, assim como o facto de a morte não permitir a não-existência. 

    O livro apresenta vagamente esta ideia filosófica de Sartre, mas com recurso a um estilo muito humorístico e algumas descrições fantasiosas fascinantes.

    Gostei imenso!

  • Gattaca

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    Gattaca
    Andrew Niccol
    1997
    Filme
    6 em 10


    Apanhámos este filme na televisão.

    Num futuro não muito distante, as crianças são "feitas por encomenda". Os pais podem escolher como é que elas serão e seleccioná-las geneticamente para o sucesso. Mas Vincent foi concebido antes disso, é um "filho da fé", uma anormalidade. O seu sonho é viajar até ao espaço mas o seu código genético não lhe permite sequer aproximar-se de Gattaca, a empresa que planeia estas viagens. Assim, irá precisar de um plano: irá tomar a identidade de Jerome, um homem perfeito mas caído em desgraça.

    O filme coloca sobre a mesa este debate interessante, sobre se a genética pode definir o nosso destino e sobre se podemos lutar contra ele. Claro que o "futuro" não é assim muito próximo nos termos de hoje, pois os designs são bastante desactualizados e datados, mas a arquitectura dos espaços escolhidos dá toda uma sensação de futurismo.

    Não diria que temos interpretações excelentes, mas existe uma conexão entre os personagens.

    Gostei bastante.

  • Belle

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    Belle
    Hosoda Mamoru - Studio Chizu
    Anime - Filme
    2021
    8 em 10


    Os filmes anteriores de Mamoru Hosoda não me tinham impressionado grandemente, mas com este filme fiz as pazes com ele na totalidade.

    Suzu é uma rapariga com o trauma de ter perdido a sua mãe. Até que um dia se inscreve numa popular rede social, U, em que o seu avatar é feito através de dados biométricos. Assim se torna Belle, uma cantora muito considerada neste universo. Quando conhece um guerreiro perseguido, irá fazer de tudo para descobrir quem é ele e como o poderá ajudar.

    A história deste anime tem várias vertentes e aborda assuntos muito palpáveis da nossa vida real: o luto, a violência doméstica, o trauma, a timidez. Tudo isto está perfeitamente integrado com o universo fantástico de U. Esta integração é ajudada por uma animação state of the art, em que o universo digital tem uma animação 3D e o real designs mais realistas e concretos.

    A banda sonora é também maravilhosa, com imensas músicas memoráveis e comoventes.

    Até me apetece acrescentar a Belle à minha lista de planos de cosplay e acho que é o que farei agora!

  • A minha voz pela liberdade

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    A minha voz pela liberdade
    Ani Chöying Drolma
    2008
    Auto-biografia


    Recebi este livro através do BookCrossing, numa troca inusitada.

    É a biografia de uma monja budista, conhecida pelas suas canções e pela sua voz. Tão conhecida que um amigo a reconheceu logo quando coloquei foto da capa no Instagram!

    Então, este livro não é nenhuma especialidade em termos de escrita, como costuma ser quando outra pessoa ajuda a escrever uma autobiografia. No entanto, mostra-nos bastante de como as pessoas vivem no Nepal, e como as mulheres são altamente injustiçadas em termos sociais, tendo muitas vezes - como esta monja - de se dedicar a uma vida monástica para escapar à pobreza e violência.

    O engraçado é que Ani Chöying não é uma monja como estamos habituados a ver: ela usa calções e t-shirt, ela viaja pelo mundo a dar concertos, ela zanga-se, grita e enfurece-se, tudo isso numa grande aprendizagem sobre o sentido do budismo. Com esta aprendizagem da bondade e da paciência, ela consegue elevar uma capacidade de perdão, o que nos parece muito injusto mas, também, muito curioso.

    Achei muito interessante, e acho que agora o vou passar ao tal amigo que é fã. :)

  • Cândido

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    Cândido
    Voltaire
    1759
    Romance


    Já queria ler este livro há algum tempo, pois tinham falado dele num podcast que estou a ouvir. Pensava que fosse um livro altamente complexo, afinal o século XVIII é estranho, mas é um livrinho que se lê numa tarde e que é super engraçado.

    Cândido é um rapaz "cândido", inocente, perfeito, regularmente educado. Mas que subitamente se vê envolvido numa série de aventuras, em que fica pobre, em que se torna soldado, em que quase morre num auto de fé em Lisboa, visita o El Dorado e fica rico de novo, tenta salvar a sua amada Cunegundes da escravatura e assim por diante.

    No fundo este livro apresenta de forma humorística uma série de problemas que eram prementes na época em que foi escrito, debatendo assuntos como a escravatura, como a piedade e como a guerra.

    Assim, é um livro precioso para caracterizar o seu tempo, e como é muito engraçado, é extremamente acessível a todos.

    Recomendo.


  • Flauta de Bambu

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    Flauta de Bambu
    Haroldo Maranhão
    1982
    Contos


    Livro que o meu pai resgatou da biblioteca da Embaixada do Brasil. Ofereceu-me dizendo que não era nada de especial e, por isso, as minhas expectativas não eram especialmente altas. Mas estes contos surpreenderam-me bastante e, por isso, passei este livro para a minha estante, a dita "colecção permanente". Não será BookCrossiado.

    São contos muito curtos, a maioria com apenas um par de páginas, que contam situações bizarras e inusitadas que aconteceram (ou não) ao autor. Nestes pequeninos contos, Haroldo Maranhão conta-nos coisas de hábitos da Baía, conta-nos coisas das suas viagens pela América Latina e monstra-nos um conjunto de personagens muito vívido e marcante.

    Assim, torna-se um livro muito pequeno mas de todos os modos inesquecível.

  • A Livraria Noite e Dia do Senhor Penumbra

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    A Livraria Noite e Dia do Senhor Penumbra
    Robin Sloan
    2012
    Romance


    Recebi este livro num encontro de escrita. Confesso que desde que o tinha visto numa livraria que o queria ler, portanto calhou bem.

    Um rapaz, subitamente desempregado, encontra um novo emprego no turno da noite de uma misteriosa livraria que funciona 24 horas por dia. Esta livraria tem um conjunto de livros em código muito estranhos, e o nosso protagonista não irá descansar enquanto não decifrar o código.

    O livro é engraçado na medida em que mistura os mitos dos livros codificados com o "descodificar" via digital, com recursos da própria Google e toda uma equipa de pessoas que - movidas pela curiosidade - irão fazer tudo para salvar o Senhor Penumbra, a livraria e o código.

    Assim, temos um conjunto de acção e mistério, pontuados por um certo sentido de humor, que resultam num livro bastante acessível e viciante.

    Não é um livro excelente, mas lê-se num instante.

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