• Shaun of the Dead

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    Shaun of the Dead
    Edgar Wright
    2004
    Filme
    6 em 10

    Apanhámos este filme na televisão e ficámos a vê-lo. :)

    Shaun é um homem que costuma beber todas as noites mas que, apesar da ressaca, está à procura de um foco para a sua vida. Tem de lidar com a namorada, com a mãe, com o melhor amigo... E agora também tem de lidar com uma epidemia zombie. Temos assim um clássico filme de zombies e da luta pela sobrevivência, mas carregada de uma ironia e, atrevo-me a dizer, de um realismo tão grande que tudo o que faz é... Rir!

    As personagens deste filme são pessoas como nós. Isto é, se houvesse um apocalipse zombie, também nós seríamos zombies. Apesar de tudo, farão tudo para salvarem as pessoas que amam, o que também é bastante natural. Os embates contra os zombies são realistas, poruq equase nunca funcionam. E a interacção entre todos também é perfeitamente natural: também não funciona.

    Não é um filme especialmente bom, mas toda esta componente humana é imensamente divertida e a improbabilidade das situações é ultrapassada pelo sentimento de... O que faríamos nós?

  • Like Father Like Son

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    Like Father Like Son
    Hirokazu Koreeda
    2013
    Filme
    6 em 10

    Queríamos ver um filme Japonês recente, mas havia muito pouco por onde escolher. A nossa escolha recaiu sobre premiados de prémios europeus, de onde costumam vir coisas interessantes. Calhou-nos este, mas foi um pouco desapontante.

    Uma família descobre que o seu filho de 6 anos foi trocado à nascença no hospital. Como é que irão lidar com a situação? É um tema delicado e forte, abordado de uma maneira muito neutra, sem mostrar muito de ambos os lados. O filme parece focar-se sobretudo na relação de um dos pais com o seu filho, que não corresponde ao seu ideal (quer o de antes quer o de depois da troca). 

    Portanto, nesse campo, o filme acaba por falhar o pé, pois a carga emocional de todos os personagens não é devidamente transmitida e todos parecem estar ligeiramente indiferentes aos acontecimentos, excepto- talvez - as crianças. Para além do mais, os actores fazem um trabalho demasiado naturalista, o que acaba por cair em exagero na parte final, retirando muito do realismo.

    Gostei muito, no entanto, da forma como algumas sequências estão filmadas. São perespectivas discretas e intimistas, como um olho vigilante que estivesse escondido por trás de um pano.

    Ainda assim, parece-me uma boa abordagem de um tema difícil.

  • Flip Flappers

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    Flip Flappers
    Oshiyama Kiyotaka - Studio 3Hz
    Anime - 13 Episódios
    2016
    7 em 10

    Tudo o que havia ouvido dizer sobre este anime era terrível. Até que, por obra do senhor, acabou sugerido no meu clube e, assim, acabei por o ver. Mas que agradável surpresa!

    Uma rapariga com uma vida normal é desafiada por uma energética moça que a leva para um mundo mágico onde deverão coleccionar pedacinhos de cristais. Para lutar contra organizações rivais e monstros horrendos, terão de se transformar em meninas mágicas. Assim, sucedem-se episódios com aventuras variadas, cada uma tocando em temas recorrentes da indústria do anime, dando-lhes uma nova interpretação dentro do contexto do flip-flapping.

    Cada episódio mostra um momento de tensão diferente e é através destes que as duas personagens aprendem a formular uma amizade e desenvolvem os seus poderes em conjunto, por forma a combater inimigos cada vez mais fortes. No fundo, este anime é uma revelação da identidade adulta, um "coming of age" muito simples que utiliza o mundo do flip e do flap e dos cristais como mote para a perda da fantasia infantil para encaminhar a personagem para a sua vida real. Assim, o final acabou por ser um pouco insatisfatório, na medida em que tudo ficou bem porque acabou bem,. quando talvez devesse ter havido um contraponto ligeiramente mais realista à situação.

    Muitas das críticas a este anime referem-se ao "estilo por cima da substância". E isto não é mentira. O estilo de animação e as técnicas utilizadas tornam este anime num festim para os olhos (seus cones e bastonetes), com uma variedade de movimentos muito fluídos, uma explosão de cores e formas e cenários muito originais.

    Musicalmente, temos algumas peças um pouco estranhas que se coadunam bem com o tema geral do anime. Gostei especialmente da ED.

    Assim, é com todo o gosto que recomendo este anime. Talvez também eu seja uma plebeia. ;)

  • A Grande Muralha da China

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    A Grande Muralha da China
     Franz Kafka
    1917
    Contos

    Este é um livrinho que se lê muito rápido, compreendendo três contos de Franz Kafka. São contos que causam uma certa estranheza, mas a verdade é que penso que dentro da obra do autor este foi o volume mais fraco que li.

    O primeiro conto, "A Grande Muralha da China", fala de como o autor interpreta a construção desta obra arquitectónica, tentando localizar-se na China antiga. Infelizmente, o autor parece ter feito tudo isto por contas de cabeça, porque existem muitos elementos que não só tiram a realidade quotidiana da história como demonstram uma ignorância profunda. Assim, a estranha historieta acaba por soar falsa e improvável. Afinal, o que fazem igrejas na China antiga?

    Depois temos "A Toca". Este foi o conto que gostei mais. Acompanhamos os pensamentos de um bicho que não sabemos qual é (apenas que tem garras, dentes e uma testa para bater na terra) enquanto admira a sua toca. Mais uma vez temos aqui um tema arquitectónico. O que torna o conto interessante é o dilema do bicho quando vê que a sua toca poderá (ou não) ter sido invadida por outra criatura, o que lhe causa grande incómodo.

    Finalmente, "Investigações de um Cão". Apesar de adorar cães este foi o conto que gostei menos. Isto porque o autor parece desconhecer na totalidade o que é um cão e, assim, o facto de se colocar nas suas patas é muito pouco convincente. A visão do cão das coisas caninas é absurda, de uma maneira pouco propositada. O dilema da fome tem o seu interesse, mas tudo o resto é demasiado estranho.

    No entanto, a quem desejar conhecer no íntimo a obra do autor, penso que não deve perder a oportunidade de ler estes contos. :)

  • América

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    América
    Franz Kafka
    1927
    Romance

    Este é um livro de Franz Kafka um pouco peculiar: parece que Kafka se esqueceu de ser Kafka, sem nunca - no entanto - conseguir deixar de o ser.

    Karl Rossmann (um novo K., parece-me) é enviado pelos pais para a América por ter tido alguns problemas com uma criada. Lá começam as suas inusitadas aventuras, em que tudo corre sempre pior do que possa parecer. Apesar de ser um livro um pouco mais ligado à terra do que é habitual neste autor ainda assim a visão kafkiana da América é muito estranha e, sem dúvida, com um forte toque surrealista.

    Este encontra-se no desespero patente do personagem, que parece apenas vogar a favor da corrente, quando este se encontra em situações ilógicas, com mutias portas, muitos corredores, muitos objectos inúteis, muitos guichês de informações, muitas pessoas em oposição.

    Penso também que os outros personagens representados, que são mais ou menos recorrentes durante todo o livro, podem representar algo não só na vida do personagem como também do próprio autor.

    Infelizmente, como quase toda a obra deste senhor, o livro encontra-se incompleto. Quem sabe o que mais viria daqui?

  • Jewelpet Twinkle☆

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     Jewelpet Twinkle☆
    Yamamoto Takashi - Studio Comet
    Anime - 52 Episódios
    2010
    4 em 10

    Para variar um pouco, que tal um anime para meninas de quatro anos? :) Tenho muita pena de ser obrigada a dar uma nota tão negativa, porque o anime é realmente encantador. Apenas tem demasiados erros técnicos para que se possa dar uma nota aceitável.

    Akari é levada por um coelhinho mágico, Garnet, para a Jewelland, onde irá pertencer a uma escola de magia e aprender a fazer essas coisitas. Sucedem-se episódios em que4 vão aprendendo novas técnicas, usando novas roupas, conhecendo novos bicharocos amorosos e fazendo novos amigos. Penso que o melhor que este anime teria a fazer seria manter-se com uma natureza puramente episódica. A partir do momento em que os personagens se envolvem num combate fatal contra um mago poderoso e muito incompreendido, a narrativa fica bastante quebrada e perde o interesse. Para além disso, existem algumas incoerências: afinal, de que serve ir para o reino da magia se quando nos tornamos adultos ficamos sem ela?

    A arte e animação são muito infelizes, plenas de erros anatómicos e com uma péssima utilização de cores e sombras. Os designs são muito variados mas imensamente confusos, sendo difícil de perceber a estrutura de todas as roupinhas utilizadas. Para além disso, os bichinhos em si são ligeiramente estranhos, pois muitas vezes estão tortos e o seu design é absurdo.

    A música é uma histeria de açúcar e muito pouco variada. Fica a nota para as vozes, que sendo possivelmente das mais irritantes que ouvi na minha vida acabam por dar uma certa presonalidade a esta bicharada.

    Apesar de tudo, gostei de ver este anime e o final fez-me sorrir. :>
  • Nitaboh

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    Nitaboh
    Nishizawa Akio
    Anime - Filme
    2004
    5 em 10

    Baseado numa história real, este filme mostra-nos como Nitaro, um jovem que ficou cego na infância, vence todas as circunstâncias na sua ânsia de se dedicar ao shimasen e à sua música. Temos uma premissa interessante, mas infelizmente este filme falha em diversos aspectos técnicos.

    Para começar, a narrativa está estruturada de uma maneira muito amadora, sendo que o filme é quase episódico, passando numa sucessão de pequenas sequências com uma edição deficiente na sua transição. Para além do mais, os personagens são pouco identificáveis e têm uma caracterização mínima, pelo que se perde em absoluto a dimensão do conflito entre uns e outros e mesmo dentro dos próprios. Existem algumas confusões na sucessão do tempo (por exemplo, de onde veio aquele bebé?)

    A animação é muito simples, com designs um pouco repetitivos, sendo que o filme se dedica sobretudo a mostrar cenários e paisagens. Infelizmente, estas não possuem grande detalhe ou profundidade, para além de que muitas vezes é utilizado um CG muito evidente (sobretudo em cenas aquáticas).

    O único ponto realmente positivo deste filme será, sem dúvida, a música. Os dois solos de shimasen no final valem pelo filme inteiro, sendo que a forma como a música se envolve nos personagens é verdadeiramente emocionante. Apesar disto, temos muitos temas que não se coadunam bem com a época e com o ambiente em que estamos.

    Não recomendaria.

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