• Rebecca

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    Rebecca
    Daphne du Maurier
    1938
    Romance

    Foi a minha primeira experiência com esta autora, sobre a qual vinha nutrindo alguma curiosidade. Recebi este livro numa troca do BookCrossing e foi, assim, o momento ideal para o ler.

    É um romance misterioso, em que uma personagem (cujo nome não sabemos) vive atormentada pelo fantasma da ex-mulher do seu novo marido. Esta, está morta desde há algum tempo, mas a sua presença na casa senhorial do homem, Max, continua muito vívida e não há maneira de a afastarem para poderem ter uma vida feliz e normal.

    A história evolui pela perspectiva desta personagem, um rapariga tímida e sem grandes qualidades sociais. É a parte mais interessante do livro, de facto, a caracterização desta rapariga. É uma pessoa sem qualquer interesse, totalmente passiva, cuja solução para qualquer problema é roer as unhas. Assim, todas as coisas que lhe acontecem não são infundadas, mas sim fruto da sua incapacidade de lidar com esses momentos.Existe uma evolução patente a partido do momento em que é feita a primeira revelação, sendo muito interessante ver a mudança que se opera na personagem.

    No entanto, as revelações (há duas mais importantes) acabam por ser um pouco previsíveis, cortando com a aura de mistério que rodeia toda a situação. Para além disso, há um ênfase dado às descrições do mundo natural, o que pode tornar a leitura um pouco maçuda, tendo em conta que está escrito num inglês clássico que pode ser difícil de enfrentar (para um ignorante como eu, um nativo terá certamente outra facilidade).

    Descobri mais tarde, informação do Qui, que este livro é também um filme do Hitchcok. Acredito que o seu efeito visual seja ainda mais forte, pelo que fiquei com vontade de ver o filme. :)

    Uma excelente leitura, apesar dessas pequenas coisas, que recomendo a todos. Sobretudo porque não é muito comum ver uma perspectiva clássica do feminino nos anos 30, que é o ambiente retratado. :)

  • Ping Pong

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    Ping Pong
    Yuasa Masaaki - Aniplex
    Anime - 11 Episódios
    2014
    7 em 10

    Trata-se de um curioso anime de desporto, altamente atípico e uma verdadeira viagem na maionese! Ou será numa mesa de ping pong?

    Dois amigos são muito diferentes um do outro. Smile nunca se ri, é tido como um robot. Se calhar, é mesmo um robot. Peco diverte-se, extrovertido e altamente emocional. São o oposto um do outro, mas há algo na infância que os une. E o ping pong também. Smile podia ser melhor jogador se se esforçasse. Peco achamq que é o melhor dos jogadores mas não se esforça. Explorando a relação entre eles, este anime leva a que as personagens avancem nos termos das suas limitações e realmente evoluam de alguma forma. é na exploração do seu passado e nas atitudes presentes que o anime estabelece um futuro risonho para estes personagens, estabelecendo uma maior ligação emocional entre eles, o que funciona extremamente bem.

    No entanto, a narrativa peca por ser demasiado curta e por não dar Ênfase suficiente aos personagens secundários, que aparecem simplesmente como propulsores da evolução de Peco e Smile. Teria sido interessante se houvesse alguma espécie de rival que os remetesse ao passado (apesar de isto poder, também, cair facilmente no cliché). Por este aspecto, coibi-me de dar uma nota mais alta na minha avaliação final.

    A arte é, pura e simplesmente, genial. Há muito tempo que não via tanta experimentação, tanta emoção nas linhas, uma arte tão única e característica como a deste anime. Tornam momentos de jogo altamente intensos, mas não deixa de manter um certo foco melancólico nas cenas do passado. A paleta de cores está usada de forma excelente e todo o conceito por detrás de cada design é puramente original e livre de preconceitos.

    Finalmente, a música. Com OP e EDs muito energéticas, estabelecemos logo um ritmo veloz e sem tempo para respirar para todo o anime. No entanto, isto acaba por funcionar contra o seu objectivo, porque pode tornar a visualização numa experiência um pouco stressante. Ainda assim, existem momentso musicais de génio, como por exemplo a música que fizeram com os sons de bolas de ping-pong a bater nas mesas.

    Um anime que recomendo vivamente, pelo simples facto de ser um raio de luz no meio desta indústria tempestuosa! E por ser completamente diferente de tudo aquilo a que já nos habituámos!

  • Galaxy Express 999

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    Galaxy Express 999
    Nishizawa Nobukata - Toei Animation
    Anime - 113 Episódios
    1978
    6 em 10

    Depois de terminarmos o filme do Galaxy Express 999, o Qui disse que seria realmente uma grande aventura ver a série. Bem... Agora está vista. Foi uma grande aventura, é verdade. É um anime muito longo, com um baixo valor de produção, de finais de anos 70. E eu realmente pensei que este anime fosse muito doloroso de ver, por ser tão longo, mas a verdade é que se revelou precisamente o oposto.

    A história é a mesma do filme, mas com muito mais detalhes. Desta vez o Galaxy Express para numa série de planetas, todos diferentes, cada um com as suas características e com os seus personagens. Em cada um deles, os nossos viajantes vivem uma aventura. E todas as aventuras revelam uma profunda humanidade e uma capacidade de autocrítica do ser humano. Porque muitas vezes as pessoas destes locais não vivem como seres humanos deveriam viver, seja pelas características da sociedade em que estão inseridos ou pelas próprias características físicas do planeta. Tendo isso em conta, há sempre uma pequena história muito lógica e bem estruturada, em que há diversos intervenientes humanos ou mecanizados (normalmente um casal), que explicam um pouco as diferentes maneiras de viver e que acabam por admitir que podem ser felizes dentro do seu contexto.

    Assim, é um anime que está sempre a inovar-se e que permite aos personagens o sonho e a esperança. Nesse aspecto, tem uma moral muito bonita, para além do facto de sermos todos viajantes que um dia se irão separar. A vida, em si, é uma viagem.

    Infelizmente, a arte revela a idade deste anime. Existem muitos e constantes erros de animação, assim como em termos de detalhe e profundidade. Apesar de os universos serem bastante complexos, por vezes pecam por falta de detalhe gráfico e podem acabar por ser um pouco monótonos. Curiosamente, este é o tipo de anime cujo valor de produção não vai sendo reduzido ao longo do tempo: à medida que os anos passam (a série terminou apenas em 1981) a paleta de cores vai ficando progressivamente mais abrangente, havendo também uma maior variedade de texturas e uma redução dos erros simples.

    Musicalmente, temos uma banda sonora excelente e muito original, mas curta para tantos episódios. Apesar de os momentos serem sempre emocionantes, podem parecer um pouco repetitivos pelo facto de as músicas serem sempre as mesmas e serem utilizadas sempre no mesmo tipo de ocasião.

    No entanto, devo admitir que foi um verdadeiro prazer assistir a esta série. Ainda por cima, estou neste exacto momento a preparar um cosplay desta fonte... E, por isso, sinto-me muito motivada! Até tenho mesmo vontade de ver a segunda season! Mas acho que vou deixar para outra ocasião... :p

  • A Ilha de Sukkwan

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    A Ilha de Sukkwan
    David Vann
    2008
    Romance

    Livro que recebi num BookRing do BookCrossing.

    É um livro incomodativo e muito desagradável, logo desde o início. Um pai vai com o seu filho de treze anos viver para uma ilha isolada do Alaska. Vivem o dia a dia construindo coisas e caçando, até ao momento em que acontece uma desgraça e a vida do pai se desorienta, entrando numa espiral depressiva sem limites.

    As descrições são sinistras e todo o ambiente natural da ilha está retratado de forma a que o leitor possa compreender que estes personagens não estão, nem podem nunca vir a estar, felizes ali. A caracterização é feita com muito recurso a imagens da vida passada, a momentos felizes que se passaram, em oposição aos momentos horríveis que ali se estão a viver. No entanto, houve dois elementos que me deixaram de pé atrás. O primeiro é a questão: como é que um rapazito de treze anos tem a capacidade mental e a força física de estar a serrar troncos, a cortar lenha e a caçar veados com uma carabina? Isto não me parece muito lógico e acaba por quebrar um pouco a realidade da história, porque, simplesmente, não é verosímil. O segundo elemento duvidoso é o porquê da desgraça que se abate sobre eles. Porque é que o rapaz tem aquela atitude? Nada na sua caracterização, nem depois na avaliação do pai, indica que tal possa acontecer. Funciona como surpresa para os personagens tanto como para o leitor, mas nada nos leva a acreditar nessa realidade. Assim, o realismo do livro perde-se e as atitudes futuras, as que vêm depois do acontecimento, parecem um pouco irreais.

    No entanto, o livro funciona perfeitamente como forma de caracterizar uma depressão, retratando perfeitamente o desespero de um pai perante tal situação. A forma como a segunda forma está narrada é palpitante e perturbadora, levando-nos a unir-nos em cada momento e a questionar como vamos sobreviver nesta ilha estranha até ao dia seguinte.

    Assim, não se pode dizer que tenha gostado muito do livro ou mesmo que seja um dos "livros mais interessantes da temporada", como diz na contracapa. É interessante em certa medida (tanto que o li num único dia), mas aparenta ser um choque pelo simples facto de desejar chocar, sem ter realmente um conteúdo lógico e unido.

  • Manazuru

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    Manazuru
    Hiromi Kawakami
    2006
    Romance

    Este livro foi comprado na Feira do Livro. Na realidade, nada sabia sobre a autora ou a sua obra. Apenas o comprei porque a a autora é Japonesa e sentia falta de ler alguma literatura desse país. Nessa altura, senti-o.

    Trata-se de um romance misterioso e místico, que segue a vida de uma mulher - Kei - cujo o marido a abandonou sem dizer uma palavra. Já se passaram dez anos desde essa altura e a filha que tinham já é adolescente, assim como é quase adulta a relação que mantém com um homem casado. No entanto, a memória de Rei, o homem que desapareceu, continua muito vívida, sob a forma de sombras misteriosas que perseguem Kei e a obrigam a ir até Manazuru, uma aldeia piscatória em que algo poderá, ou não, ter acontecido.

    Assim, o livro é uma espécie de libertação da personagem do fantasma do homem desaparecido e a evolução enquanto mulher para se entregar a outro tipo de actividades e finalmente poder viver uma vida normal. No entanto, as sombras que aparecem, os fantasmas, as pessoas misteriosas, todos esses elementos acabam por parecer um pouco confusos e mesmo desnecessários. Apesar de as viagens a Manazuru serem essenciais, poderíamos não ter os elementos místicos e creio que o romance teria sido muito mais denso e verdadeiro em termos emocionais.

    As descrições acabam por ser a melhor parte. Apesar de não serem muito longas, são estranhamente coloridas e muito visuais, o que acaba por dar ao livro uma outra consistência e traz curiosidade acerca da tal cidade de Manazuru.

    É um livro muito típico do seu país e dentro da sua época (a do agora), mas que não me sinto tentada em reler.
  • Tonari no Yamada-kun

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    Tonari no Yamada-kun
    Takahata Isao - Studio Ghibli
    Anime - Filme
    1999
    6 em 10

    Um filme curioso sob a chancela do Studio Ghibli, mas sem a mão do seu dirigente.

    Trata-se de uma sequência de momentos familiares da família Yamada, um conjunto de pessoas que - aparentemente normais - fazem coisas que podem ser consideradas um pouco estranhas, porque são todos ligeiramente destrambelhados. É um verdadeiro filme fatia-de-vida, sem um fio narrativo condutor, que tenciona apenas retratar a vida da família típica Japonesa. Fá-lo com leveza e algum humor, mas sem grandes pretensões, o que acaba por tornar o filme ligeiramente aborrecido e, sobretudo, totalmente inconsequente.

    O filme depende totalmente das suas personagens, que podem parecer interessantes ao início mas que acabam por cair dentro de um conjunto de estereótipos que, embora não sendo negativos, não lhes dão qualquer tipo de densidade. Assim, os momentos de comédia acabam por se tornar altamente previsíveis.

    No entanto, o filme é de mestria técnica. A montagem é perfeita em termos de sequências de animação conjugados com a banda sonora. Existem momentos de animação brilhantes, com técnicas vanguardistas para a época, mas não são constantes e a estética simplista do filme é excessiva.

    Fique a nota para a tal banda sonora, composta de sonoridades e canções sempre apropriadas aos momentos e muito completa no geral.

    Um filme que certamente vale a pena ver pela sua originalidade e pelos momentos agradáveis que proporciona, mas que me deixa bastante dividida.

  • Barry Lyndon

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    Barry Lyndon
    W. M. Thackeray
    1844
    Romance

    Comprei este livro (com uma edição diferente da desta imagem) na Feira do Livro, por influência do Qui. Bem, mais ou menos. Algum tempo depois de ver o filme fiquei sabendo que é um dos preferidos da personagem em questão. Assim, quando vi o livro à venda, pensei em cultivar-me e ver esta outra perspectiva.

    Em comparação com este livro, o citado filme toma muito poucas liberdades, embora tenha identificado três momentos chave em que Kubrick interpretou os eventos de maneira muito diferente. De resto, é um retrato muito fiel desta narrativa.

    De resto, trata-se de um conjunto de memórias de vida de um fidalgo imaginário. Este homem é, supostamente, um nobre arruinado e sem nome, mas que tudo faz para recuperar os seus domínios e enriquecer. Infelizmente, tem uma tendência enorme para esbanjar o dinheiro (somas avultadas) que vai adquirindo em coisas perfeitamente inúteis, como a renovação megalómana de um castelo, roupas da moda ou, simplesmente, em apostas que vai perdendo ou ganhando conforme a sua sorte.

    O livro é narrado pelo próprio personagem, que se refere a si próprio sempre com grandes atributos. Mas à medida que a história vai acontecendo, vamos percebendo que este homem não é propriamente uma boa pessoa. Com isto, temos momentos de muito humor e que me levaram mesmo a algumas gargalhadas públicas enquanto lia o livro no autocarro.

    Trata-se também de uma sátira disfarçada à nobreza deste século, em que se coloca em oposição esta nobreza "falsa" contra a verdadeira, a dos príncipes e princesas que, essencialmente, ignoram o personagem apesar de este não o admitir.

    Um livro muito divertido, cujo filme complementa. E, depois de o ler, percebi como a banda sonora deste era perfeita!
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