A Montanha Cobria-se de Negro
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A Montanha Cobria-se de Negro
Dias de Melo
2008
Romance
Quando fui aos Açores comprei este livro como recordação. Infelizmente, foi muito menos bom do que o que eu estava à espera. Para começar, vim a descobrir que se trata de uma edição de autor que está pejada de erros de tipografia. E depois porque a história, que eu esperava bela, cheia de sentimentos bonitos como as ilhas a que pertencem, era bastante fraca.
Trata-se de uma narrativa muito simples de dramas e contra-dramas entre pescadores de baleias, os chamados baleeiros, com uma descrição absoluta e mais ou menos exacta da vida destas pessoas na ilha do Pico durante a Segunda Guerra Mundial e algumas coisas que daí advêm. Infelizmente, os personagens -que parecem ser inspirados em pessoas reais - não possuem caracterização bastante que torne esta história em algo interessante. Para além disso, o fim deixa muito a desejar e o livro parece estar incompleto.
A parte mais curiosa será, sem dúvida, o estilo de escrita. Tem uma linguagem muito própria e única das ilhas (o que me levou a ler o livro todo nesse sotaque), fazendo uso de muitas expressões típicas. Retrata também muito bem a miséria da época e a forma de viver destes baleeiros, muito simples e com boas comidas e bebidas.
Infelizmente, palavra sim palavra não, o autor faz uma nota de rodapé a explicar o que significa. Algumas merecem explicação, mas outras são correntes no Português continental também.
Enfim, acaba por ser uma boa memória da viagem. :)
By : ladyxzeus
Peach Girl
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Peach Girl
Shibuya Kazuhiko - TV Tokyo
Anime - 25 Episódios
2005
6 em 10
Finalmente aparece-me um shoujo para ver! Já tinha saudades! Talvez por isso tenha perdoado tanta coisa neste anime...
Momo Adachi é uma rapariga que sofre muito com mal-entendidos. Ela é muito morena porque estava na equipa de natação e, também por causa disso, tem o cabelo descolorado. Isso leva a que pensem que ela é uma moça da má vida e por aí em diante. Pois bem, ela gosta de um rapaz e pensa que ele só gosta de miúdas pálidas. A partir daí sucedem-se mal entendidos atrás de mal entendidos, até um final feliz e muito adolescente.
Se isto ao início tinha a sua dose de diversão, a partir do meio da série começa a ficar extremamente aborrecido. Isto porque as personagens estão concebidas de forma um pouco errática e acabamos por não perceber o porquê das suas atitudes. Afinal, porque é que Sae (a arqui-inimiga deste anime) gosta tanto de arruinar a vida de Momo? E porque é que Momo é tão passiva que troca de um namorado para outro e ao mesmo tempo salva Sae das forças do mal? Quanto aos rapazes, porque é que não são, pura e simplesmente, honestos perante o que está a acontecer e os seus sentimentos? Todas estas dúvidas levam a que a narrativa seja uma sucessão de problemas que nunca se resolvem plenamente ou, quando se resolvem, passam imediatamente a ser outro problema. Isto acaba por ser cansativo e leva-nos a desejar que, ao menos, acontecesse alguma coisa normal de vez em quando ou que as relações entre os personagens evoluíssem de alguma forma.
Em termos artísticos, a animação é infeliz na maior parte das vezes, sobretudo nas partes que puxam para a comédia em que os personagens são reduzidos a sombras ou versões chibi de si mesmas. No entanto, fique a nota para o excelente trabalho de design dado aos personagens, que têm uma grande variedade de estilos e roupas que torna cada episódio numa grande surpresa. É um pouco estranho, apesar de tudo, que Momo tenha o corpo *todo* bronzeado, quando a causa do seu tom de pele é a natação: não deveria ter marcas do fato de banho?
Musicalmente, temos OP e ED com bastante energia que se adequam ao teor da série. O resto da banda sonora é bastante típica do género.
Foi um bom anime para variar dos estilos que tenho visto, mas não posso dizer que tenha grande qualidade.
By : ladyxzeus
O Japão é um Lugar Estranho
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O Japão é um Lugar Estranho
Peter Carey
2005
Literatura de Viagens
Recebi este livro numa troca do BookCrossing e, confesso, fiquei um pouco desapontada. Desde que vi este pequeno volume à venda que sempre procurei evitá-lo. Disse a toda a gente que me costuma dar livros Japoneses e sobre o Japão que não mo dessem. Porque, na verdade, não queria nada ler uma visão ocidental de uma cultura pop e urbana que conheço tão bem, sobretudo porque estes autores tendem a ofender os conceitos que tanto gosto e aos quais dedico grande parte do meu tempo e da minha vida. E ninguém gosta que falem mal das coisas que ama, não é verdade? Mas, ainda assim, recebi-o. Portanto, entrou na lista de leitura.
Confesso, agora, que foi uma agradável surpresa.
Peter Carey é autor famoso, vencedor de dois Booker Prizes, o que é um grande feito. O seu filho, aparentemente, gosta bastante de bonecada nipónica. Assim, viajaram os dois até ao Japão. Não para ver o "Verdaeiro Japão", mas aquele da cultura popular. Ora, o livro torna-se interessante e original porque Carey conhece muitas pessoas importantes e influentes que lhe permitem fazer entrevistas a algumas pessoas bastante interessantes. Desta forma, aprendemos um pouco sobre alguns animes e os seus significados, através da própria opinião daqueles que estiveram envolvidos na sua produção.
Assim, apesar da perspectiva altamente redutora das perguntas do autor (que, por alguma razão, tentavam relacionar tudo com samurais), ficamos com uma ideia dos objectivos por trás de cada processo criativo, acompanhando histórias de vida que falam, sobretudo, da influência da guerra na cultura urbana actual. Também há uma explicação bastante coerente do muito debatido termo "otaku" (que eu, pessoalmente, me recuso a usar, sendo que esta narrativa apoia o meu conceito). O que não há, no entanto, são exemplos mais específicos da dificuldade de comunicação e da verdadeira natureza do povo Japonês, o que deixou o livro aparentemente incompleto.
Achei também curioso que fossem conhecer o Tomino, criador original de Mobile Suit Gundam, quando nos anos 00 já não era ele o realizador e argumentista das novas séries de Gundam (o que se vem a revelar na sua falta de qualidade, como alguns leitores deste espaço já saberão).
Assim, foi uma experiência que acabou por ser interessante e, agora sim, posso agradecer plenamente o envio deste livro. :)
By : ladyxzeus
Aoi Bungaku
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In the Forest, Under Cherries in Full Bloom (Sakura no Mori no Mankai no Shita) - Apesar das nuances assustadoras da narrativa, esta parte corta completamente com a inicial, estando recheada de música e comédia. Foi a que gostei menos, pois achei-a altamente anticlimática, apesar de dentro do tema.
Kokoro - Uma história sobre relações humanas, amizade e solidão. Pareceu-me que soube a pouco e que a narrativa não estava desenvolvida de forma adequada.
Run, Melos! (Hashire, Melos!) - Com um toque teatral, também gostei muito desta. É uma nova forma de contar esta peça do teatro clássico, mas de uma forma tão subtil, com a mistura entre o criador e a peça de teatro em si, que se torna altamente emocional e intensa.
The Spider's Thread (Kumo no Ito) - Sem dúvida a secção com a arte mais original, utiliza-a de forma essencial para contar uma história que, sendo simples, tem um elevado grau de moralismo social. Gostei imenso desta também, sobretudo porque o personagem parece que se está a desenvolver de forma positiva e acaba por deitar tudo a perder, pois a sua caracterização inicial prevalece.
Hell Screen (Jigoku Hen) - De forma a contar uma história aterrorizante, utilizam um expressionismo fantástico que me pareceu totalmente desnecessário e muito pouco adequado ao tema da história.
Aoi Bungaku
Araki Tetsurou - Madhouse Studios
Anime - 12 Episódios
2009
7 em 10
Este é um anime muito interessante: trata-se da adaptação para animação de vários livros e contos do Japão moderno. "Aoi Bungaku", a "Literatura Verde", é verde porque é sempre actual e porque, por isso, fica para a história. Para uma juventude que cada vez gosta menos de ler e para os mais antigos que acham que estas histórias ficaram no passado, é uma forma muito boa de motivar as pessoas a procurar estes clássicos e regressar a eles.
No início, um senhor fala um pouco dos autores e da sua influência no mundo literário Japonês, assim como toca levemente nos significados ocultos destes livros.
Existem várias histórias, das quais falarei individualmente:
No Longer Human (Ningen Shikkaku) - Para mim esta foi a melhor, apesar de ter sido logo a primeira. Um homem tem dificuldade em compreender o mundo feminino e, por isso, entra numa espiral de depressão e acaba por matar acidentalmente (ou não) uma mulher. Quando volta a equilibrar a sua vida, voltam esses fantasmas e ele pensa-se também um fantasma. Conforme disseram no início de cada episódio, esta história tem todo o ar de ser auto-biográfica. Acaba por ser uma análise emocional muito forte do personagem, funcionando também um pouco como crítica social da época.
In the Forest, Under Cherries in Full Bloom (Sakura no Mori no Mankai no Shita) - Apesar das nuances assustadoras da narrativa, esta parte corta completamente com a inicial, estando recheada de música e comédia. Foi a que gostei menos, pois achei-a altamente anticlimática, apesar de dentro do tema.
Kokoro - Uma história sobre relações humanas, amizade e solidão. Pareceu-me que soube a pouco e que a narrativa não estava desenvolvida de forma adequada.
Run, Melos! (Hashire, Melos!) - Com um toque teatral, também gostei muito desta. É uma nova forma de contar esta peça do teatro clássico, mas de uma forma tão subtil, com a mistura entre o criador e a peça de teatro em si, que se torna altamente emocional e intensa.
The Spider's Thread (Kumo no Ito) - Sem dúvida a secção com a arte mais original, utiliza-a de forma essencial para contar uma história que, sendo simples, tem um elevado grau de moralismo social. Gostei imenso desta também, sobretudo porque o personagem parece que se está a desenvolver de forma positiva e acaba por deitar tudo a perder, pois a sua caracterização inicial prevalece.
Hell Screen (Jigoku Hen) - De forma a contar uma história aterrorizante, utilizam um expressionismo fantástico que me pareceu totalmente desnecessário e muito pouco adequado ao tema da história.
Para além destes aspectos, contamos com uma arte firme e animação brutalizante, como o estúdio nos tem habituado. Os designs são fortes, as cores claras e os ambientes são retratados de forma idealizada para cada tema.
Musicalmente também temos uma grande força, com temas originais e muito bem conseguidos, embora por vezes pareçam um pouco escusados dentro do contexto.
Se o objectivo deste anime era deixar-me com vontade de ler estes livros... Conseguiu-o em toda a sua totalidade! De qualquer forma, é um anime muito interessante que, sem dúvida, vale a pena ver.
By : ladyxzeus
Drácula
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Drácula
Bram Stoker
1897
Romance
Tinha este livro no Kobo, mas a versão que arranjei não era legível (só números e símbolos). Assim, pedi-o emprestado no BookCrossing e fui logo atendida por querida pessoa. :)
Trata-se de um romance gótico bastante típico da sua época, o século XIX, relatando a história daqueles que destruíram o vampiro original, Conde Drácula. A história é contada sob a forma de diários de vários personagens, que se seguem uns aos outros de forma cronológica constituindo uma espécie de "ficheiro" informativo do que terá acontecido, realidade ou ficção.
O estilo é clássico e refinado, sendo que cada personagem tem a sua própria voz e a sua forma de escrever, de forma a que conseguimos distinguir cada parte facilmente. A narrativa em si é bastante linear, por vezes altamente descritiva, podendo cair no exagero sentimental.
Notemos que o autor terá feito uma prolongada pesquisa sobre o folclore de zonas circundantes da Transilvânia, onde estaria situado o castelo do monstro. Assim, apesar de se tratar de um mito, a personagem de Drácula aparece perfeitamente caracterizada, com contornos muito específicos e extremamente realistas, que trazem comoção em alguns momentos da leitura em que nos arriscamos a perder personagens queridos. Gostei muito de Drácula em si, pelas suas capacidades sobrenaturais e pelo seu fluente diálogo, que pode por vezes ser até mesmo assustador.
Apesar de a narrativa dar muitas voltas e haver muitos percalços para resolver a todo o momento, o que pode tornar o livro um pouco fastidioso, gostei imenso desta história! Agradeço imenso à emprestadora, porque valeu muito a pena lê-lo. :)
By : ladyxzeus
Anime Sanjuushi
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Anime Sanjuushi
Yuyama Kunihiko - Gakken
Anime - 52 Episódios
1987
6 em 10
Já queria ver este anime há algum tempo. Aparentemente passou na televisão portuguesa, mas eu devia estar a ver outro programa qualquer e não o apanhei. Portanto, tinha bastante curiosidade. Mas fui adiando, porque não encontrava legendas em lado nenhum. Finalmente, fiz uma pesquisa um pouco mais profunda e acabei por encontrar toda a série no Youtube, com moderada qualidade e com legendas em Francês. Isto é, sem dúvida, melhor que nada!
Esta é uma versão animada dos Três Mosqueteiros de Alexandre Dumas, com algumas variações. Entre estas encontram-se factos como grande parte dos eventos narrativos serem efectuados por animais ou Aramis ser uma mulher. No entanto, nada disto joga contra a história e tudo acaba por se reunir numa narrativa sólida e bem pensada, que dá toda uma nova interpretação do original e boas sensações.
Os personagens têm quase todos um importante papel no desenvolvimento e progressão da história. Gostaria, talvez, que os mosqueteiros Porthos e Athos tivessem tido mais influência nos eventos, sendo que ficaram um pouco para trás. D'Artagnan pode ser um pouco irritante e acaba por se tornar um lugar comum, pelo que nos resta Aramis, sem dúvida o mais interessante do lado dos "bons". Mas estes empalidecem perante os "maus": temos uma personagem, a Milady, que tem tudo para ser maravilhosa. Manipuladora, maldosa, uma espécie de bruxa intriguista que controla animais. Não fosse a última parte do anime e tê-la-ia acrescentado à minha lista de futuros cosplays, porque estava mesmo a gostar imenso dela! Não gostei muito que dessem um papel maléfico ao Máscara de Ferro, que nem sequer era má pessoa no original.
Para a época a animação está bastante boa, com uma paleta de cores muito variada e sequências de acção bem coreografadas e suficientemente fluídas. Alguns momentos poderão revelar o passar dos anos, como a repetição de flashbacks e algum slow-motion em momentos mais tristes. De resto, é um excelente exemplo para a época, apesar de ser uma série um pouco longa.
Quanto à música, como não podia passar à frente (streaming no meu computador não funciona especialmente bem, por isso é que faço download de tudo), fiquei bastante habituada à OP e EDs. São animadas e com alguma energia, o que é bastante típico desta década, embora pudessem ser um pouco mais apropriadas ao tema. As músicas do parênquima acabam por se tornar um pouco repetitivas e não são especialmente originais.
Um anime interessante e muito característico da sua era, que certamente vale a pena ver.
By : ladyxzeus
O Quinto Elemento
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O Quinto Elemento
Luc Besson
Filme
1997
6 em 10
Vimos este filme na televisão inglesa. O que foi muito chato, porque eles fazem intervalos que nunca mais acabam (apesar de alguns anúncios serem divertidos).
Num detalhado futurismo um condutor de táxi encontra uma rapariga misteriosa e vê-se envolvido na missão de salvar o mundo. Pois esta rapariga é o Quinto Elemento e apenas com ela as antigas sabedorias poderão encontrar o caminho para a salvação do planeta. A história é muito simples e recheada de acção, o que nem sempre funciona devido aos muito arcaicos efeitos digitais que são utilizados ao longo de todo o filme. Mas, para mim, o foco principal encontra-se na exploração deste universo. As cidades são retratadas como níveis infinitos de prédios e plataformas e existe uma crítica social patente e quase cómica de vários aspectos. Por exemplo, só se comem hambúrgueres do McDonalds, todos os polícias são gordos e assim por diante. Também achei relevante o papel dado à figura feminina, já que todas as mulheres são retratadas como uma espécie de objecto belo, excepto Leeloo, que é a única que - apesar de não ser humana - encontra a sua humanidade.
Falando nela, é uma excelente personagem e foi a minha parte preferida de todo o filme. Para começar, identifico-me logo com ela desde o momento em que a sua linguagem se compões de bidabadoomboomboom. :) Depois, é o tipo de pessoa que, como referi, vai encontrando a sua humanidade à medida que se processa a sua caracterização e crescimento, de forma a tornar-se não só o Quinto Elemento como também uma pessoa que fica triste e que ama. Fica a nota para o excelente trabalho da actriz, que deu vida a Leeloo na perfeição. E fica também a nota de que a acrescento agora à minha lista de futuros cosplays no Cosplay Portfolio! :) Mas não a versão das fitas, que isso é muito nu. :v
De resto, é um filme um bocadinho parolo devido a todas as cores e efeitos estranhos, mas é muito divertido e agradável de ver. Foi um excelente descanso ver este filme na televisão, embrulhada nos cobertores, na fantástica cama do Premier Inn. :)
By : ladyxzeus

