Hanabi
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Hanabi
Takeshi Kitano
Filme
1997
7 em 10
Há muito que o Qui me tentava explicar quem era o Takeshi Kitano e o que era o programa "Takeshi's Castle". Bem, eu não vejo televisão e não fazia ideia. Então, fiquei sabendo que Takeshi Kitano (ou só Takeshi) é um actor de filmes hard-boiled, sobre a máfia, gangsters e bandidos, também fazendo ele sempre papel de bandido. Para o confirmar, mostrou-me este filme, escrito e realizado também por ele, que se relevou uma bonita obra.
"Hanabi" significa "fogo de artifício", o que tem ligação com uma das cenas mais intensas de toda a narrativa. Esta fala de um polícia corrupto que deve uma série de dinheiro aos yakuza. Enquanto isso, a sua mulher aproxima-se do fim de vida com um linfoma no corpo. E a sua filha morreu. Numa mistura de memórias com o presente, este personagem procura afastar a máfia do seu caminho para poder viver uns últimos momentos de felicidade com aquela que ama. Numa outra perspectiva, um polícia seu amigo sofreu um acidente de trabalho e está preso a uma cadeira de rodas, dedicando-se à pintura e procurando uma nova maneira de viver. As duas histórias interligam-se de forma emocional, enquanto uma vida se aproxima do fim e outra procura recomeçar.
Os estados de espírito são ilustrados pelos desenhos que nascem das mãos do tal amigo (na realidade pintados por um amigo do realizador). Desenhos estranhos, cheios de animalária surreal, que simbolizam muito mais do que aparentam e têm um efeito quase alucinogénico no espectador. Por outro lado, senti que as cenas de memórias são um pouco confusas, sendo difícil de distinguir o que se está a passar na realidade do que se passou anteriormente.
A música é bela e coaduna-se com as cenas, que têm um efeito pictórico, como se observássemos fotografias em movimento em vez de uma série de fotogramas. A utilização da luz é fascinante e muitos destes "quadros" transmitem uma sensação de calma profunda e também de uma tristeza inabalável.
Mas o que mais me impressionou foi sem dúvida a interpretação do actor, Takeshi Kitano. Segundo consta, ele tem "sempre a mesma cara". E é verdade. Tem sempre a mesma cara. Mas, na sua condição singular, é um actor extremamente expressivo, transmitindo os sentimentos com subtileza e exactidão, sem necessitar quase de dizer qualquer palavra. Achei um trabalho de actor impressionante.
Por isso, está aprovado o Takeshi do Takeshi's Castle. Talvez hoje em dia seja mais uma personagem cómica do imaginário televisivo do Japão, mas neste filme fez um trabalho extraordinário.
By : ladyxzeus
No Calor dos Trópicos
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No Calor dos Trópicos
Flávio Capuleto
2011
Romance Histórico
Recebi este livro por alguma comemoração do BookCrossing, que entretanto esqueci qual era. Estava bastante motivada para o ler, já que se trata de um romance histórico passado no Brasil, na época conturbada da libertação de escravos e abolição da escravatura.
Diz o autor, numa breve introdução, que escreveu o livro tendo em vista a sua adaptação para o cinema. Devo dizer que tal me parece impossível, já que o romance não corresponde ao nivel de qualidade que seria de esperar. A história gira em volta de um triângulo amoroso, de paixões e traições, que se desloca para o Brasil de forma a consumar-se definitivamente. Assim, é um romance que se poderia passar em qualquer época: o tema da abolição da escravatura passa para segundo plano, sendo que a sua utilização aparece mais como mecanismo narrativo em vez de ser um tema principal em discussão.
Para mais, a escrita é desadequada ao tipo de romance, com erros históricos constantes e um uso de linguagem moderna que não se conjuga bem com as personagens. Não há detalhes correctos em termos de vestuário ou de alimentação (quem usa um "slip" neste século?) e a gíria utilizada não é de todo coerente, quer com a época quer com o estatuto social dos personagens (que visconde manda outro "por a boca no trombone"?)
Os detalhes históricos são incorrectos e isso não é perdoável do ponto de vista deste tipo de romance, apesar de o autor insistir bastante no facto de isto ser uma obra fantasiada e vinda da sua cabeça. Não é admissível.
Para mais, o livro está recheado de cenas sexuais constantes, inapropriadas e descritas de forma repetitiva (como gostam estas pessoas de "cavalgar"). Não trazem em si nenhum tipo de beleza erótica e parecem estar metidas a martelo, tais quais umas batatas a murro, pelo meio de uma narrativa simplificada e cuja existência parece estar em função da descrição dos actos sexuais.
Um livro que me desapontou bastante, pois o autor deveria ter pesquisado mais (pesquisou bastante, como se vê na bibliografia, mas não foi o suficiente ou nos locais correctos). Ainda assim, espero que não deixe de escrever, pois imaginação tem bastante. :)
By : ladyxzeus
Pretty Rhythm Aurora Dream
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Pretty Rhythm Aurora Dream
Hishida Masakazu - Nomad
Anime - 51 Episódios
2011
4 em 10
Quando nos sentimos mal com a vida, um pouco deprimidos, tudo o mais, há sempre uma solução: ver um anime de meninas mágicas. Ainda por cima, meninas mágicas no gelo! Quem poderia pedir melhor? Infelizmente, Aurora Dream tinha tudo para correr mal. Tudo correu mal.
A premisa base é a de que uma menina destrambelhada ganha a oportunidade, e os materiais para, participar em espectáculos de ídolos, que depois se transformam numa espécie de competição, um género de música pop no gelo (ou o que quer que seja aquela superfície). Ela encontra amiguinhas com os mesmos objectivos, juntam-se para fazer uma super-banda-grupo-coise-pop e dançam muito em diversas situações. O culminar da magia acontece com os "saltos"#, em que a fantasia e a alegria acontecem numa explosão de frutas, chocolates ou bolas de futebol, é conforme. Vamos admitir isto com naturalidade: num anime deste género não é necessário que as coisas tenham muita lógica.
Mas há algo que eu não consigo suportar, que é a redução dos personagens a um conceito moral irrelevante e nada educativo. Isto é, estas meninas, estas personagens, são recortes da caixa dos cereais que insistem num código de valores completamente desadequado e afastado da realidade. O que acontece aqui é a redução da figura feminina às suas roupas (elas só conseguem fazer os espectáculos com as roupas adequadas) e a algo como "fofoca" ou "mexeriquice". Para um anime dirigido a meninas pequenas, isto não é o tipo de coisa que deveria transmitir. Estas personagens não motivam as crianças a procurar o sucesso através das suas próprias capacidades. Indicam-lhes que o caminho correcto é o do consumismo e o da quebra de valores morais até ao culminar de toda a felicidade feminina que é, como não podia deixar de ser, o "vestido de noiva". Reparemos que este anime foi produzido e concebido no "agora", na actualidade. Pensei que já tivéssemos ultrapassado este tipo de assunto. Mas pelos vistos o Japão continua a procurar educar as suas meninas como pessoas descerebradas e introduzidas a murro numa sociedade consumista.
A arte é de um horror indescritível. Mas tentarei descrever de qualquer forma. Existem erros constantes, na utilização de cores, nas proporções, nos movimentos. Os designs das roupas das personagens são pavorosas, completamente deslocadas de qualquer tendência de moda que pudesse estar em voga na altura. Os momentos de dança, imensamente frequentes, estão animados digitalmente com utilização de cell shading. São repetitivos, plásticos, poliédricos, arcaicos. As sequências de animação dos saltos, que poderiam ter algum tipo de beleza, caem no ridículo com tal facilidade que é impossível levar este anime a sério, sendo fofinho ou não fofinho.
Musicalmente, podemos dizer que tem uma grande variedade. Mas quantidade não se equipara a qualidade. As músicas são um pop desinspirado, vulgar, com letras que não fazem sentido e que apenas apelam aos sentimentos que referi anteriormente.
Quando li reviews deste anime diziam frequentemente "eu sou um homem com barba e gosto de coisas fofas, portanto gosto disto". Mas isto não é fofo. É simplesmente horrível.
By : ladyxzeus
Submissão
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Submissão
Michel Houellebecq
2015
Romance
Decidi experimentar de novo este autor para ter mais certezas sobre ele e sobre a sua escrita. Cheguei a uma conclusão: Houellebecq escreve para chocar.
Desta vez cria uma situação imaginária, mas bastante coerente dentro de um contexto de futuro próximo, em que o governo francês passa a ser liderado por uma frente muçulmana que, imediatamente, impõe reformas na vida das pessoas e, sobretudo, na educação. Para falar sobre isso, temos um personagem principal inadaptado e triste com a vida, que se dedica ao ensino universitário e a beber copiosamente todo o tipo de licores, vinhos e aguardentes. E a observar o estado do tempo com bastante exactidão: a parte agradável sobre este personagem é que ele gosta de nuvens (eu também gosto muito delas)
Ao iniciar o processo de conversão de França ao Islão, o autor começa com vagos contornos apocalípticos, que são muito pouco explorados. Na verdade o livro é uma análise metafísica de várias coisas, que acabam por não ter qualquer consequência prática nas decisões do personagem, e de reflexões extensas sobre a obra de um autor clássico rebuscado.
Tudo isto poderia ser interessante, mas infelizmente o autor perde a razão: o que ele deseja retratar é a "submissão" a um estado de coisas que pode ser possível. Mas ele caracteriza esse "estado de coisas", toda uma religião, de forma extremista, racista e machista. Fá-lo de forma muito subtil, mas perante a conclusão não podemos deixar de ficar tristes pela ignorância do autor: ele considera, simplesmente, que a conversão ao islamismo é uma questão de ter mulheres em quantidade e qualidade, em vez de ser algo espiritual.
Será isto verdade? Não gosto de acreditar muito nisso.
Enfim, dizem que à terceira é de vez, mas creio que não voltarei a experimentar este autor e as suas fortes opiniões reaccionárias.
By : ladyxzeus
Area 88 (TV)
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Area 88 (TV)
Nomura Yuuichi - TV Asahi
Anime - 12 Episódios
2004
6 em 10
Um recontar da história do OVA original dos anos 80. Para saberem mais sobre eles, consultem aqui. Infelizmente, esta nova série de meados dos 00s é bastante inferior à instância anterior.
A história é a mesma, um jovem que acidentalmente se vê como piloto de aviões numa guerra civil inacabável. A diferença principal é o foco diferente dado aos personagens secundários e às estratégias de guerra que se desenvolvem ao longo dos episódios. Podemos dizer que, em si, a narrativa não tem nada de extraordinário, sendo que o aspecto mais contundente deste anime seria a manifestação do horror e do desespero dos intervenientes nestas batalhas. De alguma forma, isto acabou por se perder entre momentos de gag cómico e na caracterização insuficiente dos personagens. Existem alguns momentos comoventes, mas nada que nos afecte emocionalmente de forma espectacular, como no original.
Na animação temos dois polos opostos. Por um lado, segundo consta (não sei nada sobre aviões) o design e animação de maquinaria estão próximos do perfeito. Isto dá azo a grandes momentos de perseguição e o chamado "dogfight", que pelos vistos é o nome dado a combates aéreos. Por outro lado, é uma arte que se dedica muito à utilização de explosões como ponto narrativo: estas são cópias de imagem real, em termos de chamas e fumo, o que funciona muito mal dentro do contexto e dá um aspecto falsificado, pouco realista, a estas situações. Isto acaba por tirar muita da emoção que poderíamos relacionar com os personagens, ridicularizando um pouco os momentos.
Musicalmente, temos uma OP pavorosa e um repetitivo uso de elementos techno-orquestrais nas cenas de acção que rapidamente se tornam aborrecidos. Em compensação, a ED serve de homenagem à banda sonora do original, o que é sempre bom.
Assim, continuarei a recomendar o OVA dos anos 80, em preferência a esta série mais moderna. É claramente superior.
By : ladyxzeus
Comical Psychosomatic Medicine
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Comical Psychosomatic Medicine
Ogura Hirofumi - Shin-Ei Animation
Anime - 20 Episódios
2015
6 em 10
Em algo mais que uma hora, vê-se este anime. Episódios de cinco minutos, cada um tentando explicar, por uma vertente cómica, doenças do foro psicológico e mental.
É um anime bastante divertido, com muitos gags que realmente funcionam, que serve como meio educativo para sabermos mais sobre este tipo de doença. Aparentemente, foca-se em problemas comuns da sociedade japonesa, que serão doenças de componente sexual e outras disfunções do género. De certa forma, isto é um pouco assustador, pois ganhamos a noção de que - se calhar - a sociedade japonesa não é tão paradisíaca como gostaríamos de acreditar.
Como conheço alguma coisa de psicologia e doenças comportamentais (é essa a minha especialização, embora seja em animais), posso dizer que o anime trata os assuntos com um certo rigor científico, o que é um alívio. Imaginemos que estariam a passar informações erradas, qual um Dr. Oz!
A animação é muito simples e poderia ter feito uso de alguma experimentação, o que joga sempre bem com o tema (veja-se outro anime do género, Trapeze). Os personagens apresentados são simplesmente representativos na sua generalidade e não se pode considerar que tenham algum tipo de conteúdo, o que também faria falta.
Musicalmente não temos quase nada, mas as vozes estão bastante bem moduladas.
Um anime divertido que nos dá mais a conhecer sobre este tipo de problema social.
By : ladyxzeus
Busou Renkin
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Busou Renkin
Kato Takao - Xebec
Anime - 26 Episódios
2006
5 em 10
Depois de um shounen longo, um shounen um pouco mais curto.
É um anime que fala da luta contra as forças do mal fazendo recurso a um poder alquímico que gera armas poderosas com as quais se pode lutar. É uma narrativa básica, simples, sem nada de novo. Aliás, os conceitos parecem ser uma amálgama de vários animes do género, desde o shounen de batalha a uma certa influência cyberpunk, o que torna o desenvolvimento previsível e bastante aborrecido. Os personagens são vulgares e não trazem nada de único, com excepção para um antagonista estranhamente cómico, que - permitam-me a palavra inglesa - seria caracterizado como "flamboyant"
Os personagens também têm designs pouco inspirados e bastante genéricos, que não contribuem em nada para a originalidade da história (inexistente) e que apenas ligam estas pessoas a estereótipos que - em 2006 - já deveriam estar ultrapassados (mas que, por alguma razão, são repetidos ad nauseum dentro do género)
A animação tem muitas falhas, quer nos movimentos quer no próprio design. Muitas vezes as proporções estão desiquilibradas e outras tantas ocorrem erros simples (por exemplo, num momento o homem está molhado, no momento a seguir está seco) A paleta de cores é muito escura, evocando um ambiente nocturno que não tem qualquer beleza nem atractivo.
Musicalmente, temos OP animada e ED misteriorsa e interessante, mas no parênquima é mais um entre tantos.
Lembro-me que no Herman Encilopédia havia um sketch do P.I.T.O - Partido Igual a Todos os Outros. Este é um A.I.T.O - Anime Igual a Todos os Outros.
By : ladyxzeus

