• Galaxy Express 999

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    Galaxy Express 999
    Rintaro - Toei Animation
    Anime - Filme
    1979
     7 em 10

    Para a nossa celebração de ano novo, dirigi-me na companhia do Qui para o chamado "isolamento total". Inclui uma lareira, o isolamento total, mas não inclui internet. Os comentários que se seguem serão aos objectos vistos durante esse período de tempo, uma espécie de limbo entre 2014 e 2015. Este foi o primeiro filme visionado neste período, ainda no ano passado.

    Inserido no infinito universo de Matsumoto Leiji, Galaxy Express 999 conta a mesma história de uma perspectiva um pouco diferente. Um rapazinho, depois de ver a sua mãe assassinada às mãos do terrível Count Mecha, procura entrar no Galaxy Express, um comboio que dá a volta ao espaço. Isto com o objectivo de ir até à galáxia de Andrómeda, onde obterá um corpo robótico que lhe permitirá encetar a sua vingança pela morte da mãe. Para entrar no comboio, forma amizade com uma estranha mulher, Maetel.

    O filme é altamente contemplativo, debatendo assuntos como o valor da vida humana em contraponto com a evolução de tecnologia. Ainda seremos humanos depois de termos sido transformados? E será que merecebmos voltar aos nossos corpos? Numa viagem por vários planetas em que vemos todo o tipo de atrocidades e encontramos uma variedade de pessoas, chegamos a algumas conclusões.

    Para esta viagem, temos de ter como acompanhantes uma série de personagens com as quais crescemos verdadeiramente. É conveniente, antes de ver este filme, ver a série do Captain Harlock, pois este a Queen Esmeraldas são personagens importantes. Mas os personagens mais interessantes são sem dúvida os principais. Maetel, sobretudo, impressionou-me pelo conceito que está por trás da sua criação que é muito emocionante. éuma personagem maravilhosa, com a qual me identifico muito, pelo que a vou acrescentar ao meu Cosplay Portfolio.

    Em termos de arte, não podemos dizer que tenha sido um filme a sofrer muito com o tempo. Porque a realidade é que a arte aquarelável da época, com toda uma qualidade e detalhe nos fundos e uma série de cenas de acção de elevado orçamento, é o tipo de coisa que calha sempre bem. Existem alguns momentois de repetição de frames, mas que são tão poucos que escaparão a um olhar menos clínico e não impedem a apreciação do filme.

    A banda sonora é um ponto a salientar, pois é muito variada, quer em peças instrumentais quer em baladas agradáveis que nos trazem realmente esperança neste comboio do espaço.

    No geral, um filme muito bem concebido que me deixou muito curiosa para ver a série. Todos os conceitos são altamente originais, ainda hoje, e a força das personagens torna toda a viagem muito desejável: se pudesse não viver para sempre,l certamente que iria viajar neste comboio...
  • A Lancheira

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    A Lancheira
    Ritesh Batra
    2013
    Filme
    6 em 10
    Sentia-me melhor. Spoiler: fiquei pior outra vez. De qualquer forma, pus-me a ver este filme com a minha avó, o que não foi uma boa ideia. É um filme indiano e a minha avó acha toda a gente feia e faz questão de o dizer frequentemente.

    Ila é uma mulher que se sente sozinha e desprezada pelo marido. Esforça-se por o conquistar através da comida, enviando-lhe todos os dias uma lancheira cheia de comida de aspecto delicioso. Ora, estas lancheiras são enviadas através de um sistema muito complexo, em que não há lugar para erros (e não há mesmo erros!). Não há erros excepto neste caso, em que a dedicada lancheira de Ila vai parar às mãos de um contabilista solitário, a aproximar-se da reforma. Ora, ele - ao contrário do destinatário original - acha a comida deliciosa.

    Ao dar-se co nta do erro, Ila envia um recado por baixo de uns pãezinhos achatados. E ele responde. A partir daí começa uma estranha correspondência, em que se trocam confidências e conselhos. E assim os personagens se desenvolvem, especialmente Saajan, que reganha uma alegria de viver e consegue até fazer novos amigos.

    É uma narrativa muito delicada e melancólica, em que duas personagens formam uma amizade  ligada pela comida. Esta, tem todo o aspecto de ser motivadora de grandes amizades, diga-se de passagem. É um bom retrato da Índia moderna e de como podemos encontrar a calma nas coisas simples. Também avança por conceitos como o envelhecimento e a evolução de uma vida.

    No geral, um filme agradável, que terminou de forma um pouco inusitada. Todos esperávamos aquele encontro.
  • Música no Coração

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    Música no Coração
    Robert Wise
    1965
    Filme
    7 em 10

    Sabiam que no Brasil este filme se chama "A Noviça Rebelde"? :3

    Enfim. A minha irmã pôs aquela coisa da box da televisão a mexer e havia vários filmes para escolher. Como eu adoro este filme com toda a música do meu coração, pedi para o por a dar.

    Maria é uma noviça num convento que não se consegue adaptar muito bem à vida nesse loca.ç A montanha chama-a frequentemente e a scolinas estão vivas com o som da música, então ela tem de ir para lá cantar. Tendo isso em conta, amadre-superiora manda-a para casa de um capitão da marinha para mudar de ares. Lá será perceptora de sete crianças horrorosas. OEnsina-as a cantar e a ganhar um novo amor pela vida e o resto já sabem.

    No fundo, este filme é um musical sobre a vida em família e como a música pode fazer com que as pessoas se voltem a aproximar umas das outras e serem felizes. Gosto imenso de todas as músicas e toda a narrativa está cheia de pequenas graças que, inocentemente, me fazem rir com muito gosto ("os pobres não quiseram este vestido!")

    Também é um exercício ligeiro sobre o terror da guerra que, na época, se aproximava de todas as famílias, prestes a roubar a alegria que tanto custou a ser conquistada à força de tantas canções. Talvez a sequência final, a da fuga, seja demasiado longa, pois repetem-se várias das músicas que já conhecíamos do resto do filme, mas mesmo assim a cena da recepção do telegrama é extremamente formte e queremos realmente que estas pessoas se consigam salvar. Conseguimos realmente criar uma onexão com elas, embora nem todas as crianças tenham sofrido o devido desenvolvimento (são crianças a mais)

    Com um guarda roupa divertido e bem apropriado à época, talvez a maneira de actuar possa passar por desactualizada nos dias de hoje.

    Enfim, é um filme de que gosto imenso e que nunca me canso de ver. Todos nós temos a nossa pizza de extra-queijo que comemos às escondidas dentro de um armário.
  • A Bela Adormecida

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    A Bela Adormecida
    Clyde Geronimi
    1959
    Animação - Filme
    6 em 10

    Coisas curiosas acontecem. Uma delas é o facto de, certo dia, acordar com uma ligeira dor de garganta e ameio do dia estar com 39,7 de febre. Assim, passam-se estes tempos observando o que passa nos canais TVCine. Para mais, o meu computador principal, o Zizi (que partilha o nome com certa figura, mas não foi de propósito) decidiu sofrer de um badagaio em que tudo voltou aos anos 90. Sem som, sem internet, sem nada, não posso ver anime, portanto. Por isso, resumimo-nos a ler e, como dito, a observar o TVCine.

    Apanhei este filme na sua versão original. Confesso que a princesa Aurora nunca foi das minhas preferidas. Aliás, nem por isso gostava muito de filmes de princesas. Gostava mais daqueles que tinham animais. Neste caso, recordo perfeitamente a primeira vez que vi esta película. Foi em casa de um primo da minha mãe, que tem duas filhas um pouco mais novas que eu. Eu não tinha "A Bela Adormecida" em cassete, o que me parecia algo de quase impossível, pois nessa época estava convencida da plenitude máxima da minha colecção de cassetes da disney. Mas bem, vi o filme e achei-o chatíssimo, quase que adormeci. 

    Desta vez não adormeci, talvez por estar meio delirante com febre, mas continuei sem o achar nada de especial. A história é muito simples e como a princesa não é propriamente caracterizada ao início, excepto o facto de ser muito boazinha, não é impressionante o facto de ela ficar a dormir para sempre. A história de amor à primeira vista faz pouco sentido e chega a ser um pouco assustadora ("olá garina, conheci-te num sonho")

    A graça principal do filme está nas três heroínas improváveis, as fadas madrinhas, que têm uma relação muito gira entre elas, com bons diálogos e uma série de momentos deliciosos nos seus maneirismos.

    A arte está muito boa para aépoca, embora não me agrade a escolha estilística para os cenários, que me pareceram demasiado planos e directos, coisa que não combina com o ambiente de conto de fadas que o filme deveria imprimir. Para mais, pareceu-me tudo demasiado azul e cinzento, o que é uma chatice.

    Para quem esta for a sua princesa preferida, por favor me explique, pois não o compreendo.
  • Slayers

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    Slayers
    Watanabe Takashi - SoftX
    Anime - 26 Episódios
    1995
    5 em 10

    Aparentemente, esta série deu na televisão. Ora, eu não me recordo nada de ter visto isto. Portanto, tenho uma vantagem em relação ao resto do mundo: óculos de nostalgia? Não tenho. Vejo simplesmente o que está à minha frente, sem boas memórias a dizer-me que bom que foi. Porque bom, olhando para a coisa com um mínimo de objectividade, bom não é.

    Lina Inverse é uma feiticeira que anda por aí a roubar coisas. Até que um dia rouba a coisa errada e, a partir daí, anda a fugir e perseguir (ao mesmo tempo) uma entidade maléfica que tenciona invocar outra entidade maléfica. Assim, temos uma série de episódios em que não se passa grande coisa, para depois seguirmos para uma conclusão mais ou menos lógica. É um anime que tem um arco narrativo geral, interrompido por uma série de episódios individualistas que relatam as aventuras de Lina Inverse e os seus novos amigos. Estes episódios ajudam-nos a compreender o funcionamento deste universo fantástico, que está bastante bem construído e é acreditável. Na verdade, é um mundo muito divertido onde todos podem viver felizes. Não me importaria de lá viver!

    O ponto forte da série são as personagens, que formam um conjunto muito divertido e único. De amigos a inimigos, temos uma grande variedade de pessoas que passam no caminho de Lina Inverse e sua pandilha, que vai gradualmente aumentando de tamanho. As vozes estão muito bem aplicadas e estes personagens, apesar de não sofrerem qualquer tipo de desenvolvimento, são bastante agradáveis. Infelizmente, a comédia sofreu com a passagem do tempo e estabelece-se como desactualizada e antiquada. Na verdade, transmite-nos todos os clichés cómicos que existem em animes do género e creio que a série teria sido muito melhor se tivesse pelo menos alguns momentos mais sérios.

    Outra coisa que sofreu com o tempo foi a animação. Na época já não era muito boa, com uso de muitas imagens repetidas, designs inconsistentes nas personagens e demasiados elementos caricaturais. Mas hoje em dia, é apenas triste. Se este tipo de animação podia ser aceitável na altura, agora que olhamos para trás é demasiado fácil ver onde estão todos os erros. Existem muitas cenas de acção com magias brilhantes, mas nem isso compensa.

    Musicalmente, temos OP e ED bastante boas, modernas para a época e que caracterizam bem a série. No parênquima, há um certo desejo de aventura que fica bem claro quando aliado às cenas de acção.

    Talvez esta série fosse um epítomo da fantasia há vinte anos atrás. Hoje em dia, não recomendaria.
  • A Insustentável Leveza do Ser

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    A Insustentável Leveza do Ser
    Milan Kundera
    1983
    Romance

    Este livro foi-me oferecido pelo Qui no meu passado aniversário, mas só agora tive oportunidade de o ler. Foi realmente uma boa escolha, porque é uma história de amor muito bonita. Como gosto do meu Qui! ^___^

    Este livro trata de vários assuntos. Primeiro, é uma história de amor. Aliás, uma história sobre o amor. Tomas e Tereza, Sabina e Franz, Tomas e todas as mulheres, tudo isto é mote para falar sobre este sentimento e as relações entre as pessoas. E a conclusão é de uma pureza quase infantil: o amor é como um cão. A história tem cenas de elevado erotismo, mas nunca se torna vulgar. Pois o autor faz uso do poder da sugestão, daquilo que poderemos pensar que vai acontecer, sem ser extremamente descritivo ou simplesmente desagradável. São cenas belas e comoventes, sobretudo dentro do contexto de dor constante e de auto-descoberta de cada um dos personagens.

    Depois, este livro é também uma caracterização da República Checa aquando a invasão russa de 1968. É um assunto que não conheço bem, mas aqui é falado de um ponto de vista muito pessoal. Antes da invasão, depois da invasão, a diferença das pessoas. E, sobretudo, o medo, a paranóia, o sentimento misto de terror e necessidade de auto-protecção de todas estas pessoas que vivem sob um regime exagerado

    Finalmente, o livro é um exercício filosófico, uma transmissão de ideias autor-leitor. Pois este narrador admite desde logo que as suas personagens são apenas personagens. Admite que as criou e que as escolheu por serem fruto de acasos. Tendo isto em conta, é fácil ligarmo-nos não aos personagens mas à ideia da sua concepção, não às suas relações mas aos conceitos primários por trás delas. Assim, é um livro com várias camadas, que temos de retirar uma por uma até chegarmos ao cerne da questão: o que é a vida, o que é o ser humano e, no fim de contas, o que é o amor.

    Eu já tinha lido este livro no passado, mas foi numa época em que provavelmente não teria a maturidade suficiente para o compreender devidamente. Com esta re-leitura, apenas me recordei de uma única imagem: o capítulo, muito curto, da mulher-cegonha. Por alguma razão, essa cena ficou-me gravada na memória. Agora, que li o livro com mais atenção, posso dizer que esta é uma verdadeira obra-prima e que deverá ser recordado como aquilo que verdadeiramente é: um exercício simples, mas incomparável; uma homenagem a tudo o que é vivo; um apelo aos sentimentos.

    Recomendo vivamente.
  • Ao Encontro de Mr. Banks

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    Ao Encontro de Mr. Banks
    John Lee Hancock
    Filme
    2013
    6 em 10

    Depois começou este e ficámos a ver. A meio do filme abrimos os presentes.

    Confesso que nunca vi inteiro o filme da Mary Poppins. Para mais, nunca li o livro, apesar de o ter oferecido à minha irmã-macaca, que depois (certamente) mo emprestará. Ainda assim, quando ouvi falar deste filme fiquei com vontade de o ver. Aparentemente, é a primeira vez que alguém caracteriza Walt Disney depois da sua morte e isso, já de si, é especial. Porque o senhor foi realmente importante. Não por ter criado toda uma indústria maléfica de volta do reino encantado dos filmes de animação. Mas porque criou coisas verdadeiramente bonitas.

    Este filme conta a história de como Walt Disney convenceu P. L. Travers, a autora de Mary Poppins, a ceder-lhe os direitos para o filme e como esta contribuiu para a sua criação. Para isso, é mostrada a sua infância e o mote para a criação de Mary Poppins. Será esta a parte mais fantasiosa do filme.

    Agora, para pessoa que criou algo tão engraçado como a Mary Poppins, a autora é uma pessoa absolutamente intragável. Isto está caracterizado perfeitamente por Emma Thompson, que transmite uma aura de mágoa e de antipatia constantes ao longo de todo o filme. Mesmo na parte final, em que finalmente se comove, percebemos que ela nunca ficou totalmente convencida com a criação de Disney.

    Também ficamos a conhecer um pouco mais sobre este senhor, protagonizado por um Tom Hanks atípico e bastante convincente. Sobretudo interessante é saber as razões pelas quais ele, pessoalmente, queria tanto adaptar o livro ao cinema, falando também do seu passado e infância.

    É um filme muito musical, com músicas que já todos conhecemos mas interpretadas de forma mais livre e espontânea.

    Foi agradável de ver e quase comovente no final. Para os fãs, será certamente recomendado.
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