• A Noite Americana

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    A Noite Americana
    François Truffaut
    Filme
    1973
    6 em 10

    Fim de semana significa, muitas vezes, Sessão Dupla de cinema em casa. No caso de ontem, estando o frio que estava, significa Sessão Dupla com meinhas quentes e mantinha fofinha. :)

    Apesar de termos apanhado uma estranha versão dobrada em Inglês, este é um filme Francês dos anos 70. De teor autobiográfico, relata a concepção de um filme, com muita confusão entre produtores, actores e toda essa gente à mistura.

    O filme parece relatar a confusão medonha que é rodar uma filmagem em pouco tempo, com todos os problemas associados. No entanto, também aparece de forma caricatural, pois os actores (como personagens) estão todos envolvidos uns com os outros das maneiras mais estranhas, sobretudo amorosas. No fundo, é um ambiente de caos e rebaldaria em que, no final, tudo corre da melhor forma possível. 

    Em termos de história e personagens não se distingue especialmente de outras produções. O que é realmente interessante é a imagética do filme, existindo cenas - sobretudo as do filme dentro do filme - que têm um grafismo muito belo e interessante, apesar de os diálogos serem bastante falhos.

    em termos de trabalho de actor, achei que poderia haver uma distinção muito maior entre a personagem "verdadeira" e a "falsa" (a do filme), para além de mudarem de penteado.

    Tive pena de não ter visto o filme em francês francês, pois acho que teria sido uma experiência muito mais genuína.
  • Urusei Yatsura: Beautiful Dreamer

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    Urusei Yatsura: Beautiful Dreamer
    Mamoru Oshii - Studio Pierrot
    Anime - Filme
    1984
    6 em 10

    Vi este filme para o meu clube, mas irei votar que não.

    Na verdade, e quem me conhece sabe isto, eu abomino todos as instâncias criadas por esta pessoa Rumiko. Detesto, e detesto mesmo, a Lum e todas as pessoas à volta dela. Vi isto há muito, muito tempo, seguramente há décadas idas (bem, não tantas assim) e o pouco que me lembro é que detestava todos os aspectos. Simplesmente não acho graça a isto. Ainda assim, muni-me de toda a minha boa vontade para ver este filme, uma hora e quarenta minutos. E se por um lado o filme não é de todo mau... Simplesmente poderia ter sido feito com um conjunto de personagens completamente diferente.

    Para começar, não é simples seguir o filme quando pouco ou nada se lembra do universo de Urusei Yatsura. Todos aparecem tendo em conta que já temos um conhecimento prévio. Assim, os personagens não sofrem desenvolvimento, nem progressivo nem retrógado, pois são aqueles que "todos conhecemos" (menos eu). São os personagens a principal falha do filme, pois são simplesmente insuportáveis na sua génese. Deve haver quem goste. Em certo sentido, esta é uma opinião inteiramente subjectiva.

    A história, essa, tem um conceito muito interessante. Será que a realidade é um sonho que se repete? Ou será que o sonho é que é a realidade? Até se chegar a este ponto, dançamos entre a descoberta das diferenças deste universo para o universo real e, depois, fazemos uma corrida por vários sonhos idealizados por um antagonista muito pouco convincente. Estes sonhos, envolvem - quase todos - maminhas. E aí está uma coisa que era perfeitamente dispensável para se explorar o conceito. Mesmo que haja quem lhe encontre piada.

    Em termos de arte, temos duas variações. Em certas cenas, temos uma animação absolutamente primorosa, extremamente original, com excelente uso de perspectivas e cenários altamente originais, que ilustram muito bem o objecto pedido pela narrativa. Mas noutras cenas, temos movimentos repetidos, expressões pouco detalhadas e, no fundo, uma busca constante por um objectivo cómico que nunca é conseguido.

    Musicalmente, temos muito pouco a apontar. As vozes tentam ter a sua graça, mas em nada são capacitadas. As músicas não têm muito que se lhe digam. E a ED é um pop muito típico da época, mas que calha um pouco mal tendo em conta todo o teor anterior do filme.

    No geral um filme que desapontou. Não fez renascer uma paixão latente sobre Urusei Yatsura, de todo. Trata de um assunto complexo e muito interessante, mas os personagens são tão fracos - apesar de únicos - que tudo se resume a uma mixórdia visual pouco organizada. Não fosse a arte, que tem momentos brilhantes, e nada salvaria este anime.
  • Shion no Ou

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    Shion no Ou
    Kawase Toshifumi - Studio Deen
    Anime - 22 Episódios
    2007
    6 em 10

    Finalmente de volta a ver anime para o clube! Vale sempre a pena.

    Shion no Ou, o Rei de Shion, fala sobre um jogo pouco referenciado no anime: shougi. Trata-se de um jogo japonês muito semelhante ao nosso xadrez, mas com algumas regras distintas. Não posso elaborar muito sobre isto, pois não compreendi bem o jogo. Shion é uma rapariga que não fala, comunicando-se apenas por frases escritas num bloco de notas. Isto porque os seus pais foram brutalmente assassinados à sua frente quando era muito pequena. À medida que joga e avança neste campeonato, Shion aprende mais sobre o assassino e sobre as pessoas que o rodeiam.

    É um anime bastante interessante, mas há algumas coisas nas quais a história peca. Para começar, o aspecto do jogo não é muito desenvolvido, não dando ao espectador oportunidade de compreender o jogo e as estratégias utilizadas completatamente. Isto tira parte do entretenimento do anime, que se foca bastante neste aspecto. Por outro lado, há coisas que não fazem muito sentido acerca do crime inicial, nomeadamente porque é que a polícia não associou, apesar de ter tido tantos anos para investigar, o assassino ao tabuleiro de shougi.

    Os personagens são cativantes, havendo uma dicotomia muito interessante entre Shion e um crossdresser. Não só estas pessoas têm características bastante humanas e com as quais nos podemos relacionar, mas o envolvimendo delas uma com a outra e com o universo ao redor está bastante bem construído, criando um laço que tanto pode ser de amor como de amizade no seio de um jogo que se caracteriza pela guerra, pela oposição e pela conquista. Sobretudo Shion, é uma menina da qual não podemos deixar de gostar: sincera, honesta, um elemento pacificador.

    A arte tem traços fortes e cores bastante vivas, embora tenha achado que o teor do anime merecesse um ambiente mais noir e um pouco mais opaco. Não existem grandes cenas que demonstrem uma animação excelente, mas talvez a simplicidade dos movimentos ao longo da narrativa seja o suficiente para criar uma boa arte.

    Se a OP não é muito feliz, é largamente compensada por uma ED cheia de esperança. O tema recorrente, em piano, ao longo das cenas, cria uma tensão imensa, tanto nos jogos, como nas memórias.

    É um anime bastante bom, mas apesar de tudo tem certas falhas que não o tornam perfeito. Recomendo-o casualmente, mas não o colocaria numa lista.
  • Kyousougiga

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    Kyousougiga
    Matsumoto Rie - Toei Animation
    Anime - 10 Episódios + 1 ONA + 2 OVA
    2013
    6 em 10

    Era para ter visto este anime para o meu clube habitual na altura em que estava a ser discutido, mas o Random.org não deixou. Não seis e alguma vez vos disse, mas eu escolho a ordem dos animes que vejo através da randomização. Depois de muitos meses de espera, este foi o anime escolhido pelo Random. Finalmente! E finalmente acabei tudo aquilo que tinha no disco para ver e agora poderei começar a sacar coisas novas (ou novas-velhas).

    Aparentemente, tudo o que as pessoas gostam neste anime é tudo aquilo que eu não gosto nele. Um amigo do canal de IRC que frequento enumerou todas as coisas, portanto vou usar isso como base para este comentário. :)

    Execução perfeita da história - A história é extremamente simples. No fundo, é um drama familiar passado num universo fantástico, numa versão alternativa da mitológica Quioto que todos conhecemos. Apesar do universo em que se passa, as regras da história são as mesmas que no mundo real. Assim, a versimilhança do universo acaba por se romper, a partir do momento em que se estão sempre a passar coisas estranhas mas estas não obedecem a nenhuma regra diferente da habitual, o que torna um pouco difícil de acreditar de que este mundo existe realmente.

    Personagens amáveis - Isto para não dizer adoráveis, pois detesto a palavra. Os personagens são igualmente simples e caracterizam-se com recurso a muitos flashbacks, o que não é de todo a opção mais sábia devido ao tipo de narrativa do anime. Todos eles procuram essencialmente a mesma coisa, a sua família, os seus pais. Quando há a resolução da história, não aparentam ter aprendido nada com esta busca. A única parte boa será a caracterização de Koto (a menina), pois as suas atitudes são efectivamente infantis e apropriadas à idade que aparenta ter.

    Arte e animação fixes - Usar um estilo de arte muito alternativo pode ser um pau de dois bicos. Neste caso, tem tanto momentos muito interessantes como momentos muito aborrecidos. No caso dos primeiros, são aqueles em que há uma mistura de cores e formas para criar elementos bizarros e inquisitivos, momentos tripanário. Mas o segundo caso é muito mais frequente. Acontece porque os cenários utilizados são sempre os mesmos e estes são muito aborrecidos e sem nada esteticamente apelativo, animado ou inanimado, que nos prenda a atenção enquanto ouvimos as conversas (que por vezes são bastante inócuas, portanto faria falta algo para nos entreter visualmente)

    Referências religiosas bem implementadas - Neste aspecto concordo, apesar de não ser algo com peso suficiente para alterar a minha percepção da obra. As referências são bastante simples, como numa história infantil, mas depois tentaram dar uma sofisticação às ideias que as tornou confusas e, no fundo, irrelevantes para o contexto.

    Este é um anime absolutamente normal. Não se deixem enganar pela arte açucarada.
  • AmadoraBD 2014

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    AmadoraBD 2014
     Festival de Banda Desenhada

    Mais um ano, mais um Amadora! Depois da sessão dupla de cinema e de pouquíssimas horas de sono, agarrei no corpitxu e no namoradim (doravante conhecido como Quí) e coloquei-me dentro do carro para dirigir até ao local. Pus o meu cosplay em casa, excepto peruca, pois seria estranho olhar para o carro do lado e estar uma afro azul a conduzir. E doíam-me os ex-sinais... Mas ignorei. Isto para dizer que fui tirar dois sinais no Sábado, que ainda estão a doer um pouquinho. Não, não me deixaram ficar com eles para dar à Fada dos Sinais.

    Enfim, estamos dentro do carro e está tudo a correr bem até ao momento em que ligamos o GPS. Vimos na net a morada do Festival: Avenida Luís Vaz de Camões. O GPS dizia "Rua Luís de Camões". E como não havia mais nenhuma, fomos por essa. Ora a Maria Atum, nome do GPS, enviou-nos para o lado oposto da cidade! Ainda começamos a percorrer o caminho a pé, até encontrarmos um senhor que nos disse que era do outro lado da linha do comboio. E assim se processou cerca de meia hora em que nos encontramos completamente perdidos na Amadora, às voltas com o carro, às voltas em rotundas, até encontrarmos uma magnífica seta a indicar o caminho. Passamos por uma feira de galinhas e finalmente reconheço o local. Chegámos!

    Eu estava de cosplay, tendo colocado a peruca com auxílio dos espelhos retrovisores, portanto tinha entrada grátis mais acompanhante. Também tinha ganho um bilhete no concurso da Associação Portuguesa de Cosplay. Quando inquiri pelo bilhete, que havia ficado no nome do Qui, eles ainda tentaram olhar para um papel, mas depois disseram "só por estar assim vestida já pode entrar". Deu-nos dois convites. E ok, entrámos.

    A Exposição

    Este ano tudo parecia um pouco melhor organizado. Havia uma exposição muito interessante sobre a exposição da banda desenhada nos tempos de hoje e nos de antigamente, falando das várias indústrias e mostrando vários tipos. De resto, as estrelas deste ano eram a Mafalda e o Batman.






    Consideremos que eu não gosto nada da Mafalda. A verdade é que nunca lhe achei piada, sempre a achei demasiado crescida, com demasiadas opiniões e com muito pouca graça. Muito convencida para o meu gosto. Mas lá vi a exposição, que até tinha umas gracinhas pelo meio.




    Já o Batman, nesse aí demorámos bastante tempo. O Qui é altamente fã do Batima e esteve a ver com muita atenção todos os detalhes e a tirar fotografias a todos os painéis. Admito que havia alguns muito interessantes, se bem que um dos lados da exposição era da versão "teen", para crianças, que não é tão apreciada pelo Qui como as outras.




     Eu e o Batima



    Depois, por cima de paletes, estavam montes de livros para lermos.

    No andar de baixo, lojas e lojas e bancas e um balcão enorme para os autógrafos. Nada comprei passível de ser autografado. Na parte de trás, estava a exposição dos participantes do concurso, que tinham trabalhos que variavam entre o horrível (sobretudo o de todas as raparigas entre os 14 e os 26 anos que desenhavam em estilo manga. Ou tentavam) e o maravilhoso (nomeadamente todos os vencedores e a maioria das do escalão A+, o das pessoas mais velhas) Entretanto entrámos dentro de um expositor que aparentava ser um aquário, mas não percebemos bem o objectivo pois não tinhamos óculos 3D e não os encontrámos. 

     Autografantes autografando

     Camuflada dentro do aquário =D

    Fiquei com a sensação de que nos faltava imensa coisa para ver, pois tnha visto na net que havia mais expositores sobre outras bandas desenhadas. No entanto, demos a volta toda e não encontrámos mais nada. Que mistério!

    Pelo meio da nossa vistoria à exposição, passaram-se outras coisas, por exemplo cerveja, mas sobretudo o

    Desfile de Cosplay

    Dizem os relatos oficiais que estavam cerca de quarenta pessoas inscritas. No entanto, fiquei com a impressão de que este ano estavam muito, mas muito menos cosplayers do que nos anos anteriores. E, de certa forma, todas as pessoas pareciam muito menos acessíveis para tirar fotos, como se tirar uma foto fosse algo ofensivo. Até houve quem me tratasse mal, mas que raio. Semelhante coisa nunca tinha acontecido. Mas bem, por essa razão desisti de tirar fotos muito rápido, pois não estou para aturar estas coisas, e - consequentemente - não há muitas fotos de cosplayers. Colocarei todas de seguida.

    Quanto ao desfile, eu era a última a entrar portanto não vi nada do que se passou, mas segundo o que o Qui me contou parecia que as pessoas estavam tímidas e não ficavam quase tempo nenhum no palco para mostrar o fato, fazer umas poses e tirar fotos. Mais uma vez, que coisa bizarra! Mas aqui está a gravação do desfile, para vermos mesmo o que aconteceu :3



    Quando foi a minha vez, cheguei à conclusão de que era a única pessoa com um skit, para além de um grupo de cosplayers de um livro que tinha sido apresentado antes do desfile. Como eles me disseram que não iam fazer nada, só posar, pedi para ser primeiro. Pois o meu sukito era tão imensamente patético que não ficaria nada bem terminar o desfile com ele... Bem, aqui está! Explicarei tudo no meu Cosplay Portfolio, mas em resumo a ideia era fazer a dança mais parva com a música mais parva! A miudagem da fila da frente fartou-se de rir, portanto deve ter corrido bem. Digam de vossa justiça!

    O nome do Sukito é "Rabos" :3
    E em extra e exclusivo o vídeo do sukito das Sete Cores de Oníris! =D


    Compras e Vendas

    Depois de tudo isto, fomos ver as lojas. Eram bastantes e tinham muita coisa interessante que fiquei com vontade de comprar (nomeadamente um album do Batman que era em aguarela e parecia lindíssimo, não sei o nome, e o Omnibus completo e complementado de Uzumaki). Infelizmente tinha estabelecido um orçamento para mim própria, que não ultrapassei. 

    O meu arrebanhamento final ficou em:
    • Dois sacos loucos
    • Um manga do Batman, em homenagem ao Qui :)
    • Uma BD do David Soares, autor que adoro de paixão, chamado "A Sepultura dos Pais"
    • O programa
    • Uns autocolantes
    • Um marcador

    Engraçado que ambos os livros tinham troco de um cêntimo e em nenhuma das lojas tinham. Numa loja deram-me dois cêntimos de troco e na outra não me deram nenhum. Portanto acabou por ficar tudo certo =D

    E Finalmente... As Fotos!

    Como não são muitas, vou por todas. :) Isto no respeitante ao cosplay. No respeitante ao resto são imensas e não vou por mais nenhuma blogablobabla!







     Um destes (não) é um cosplay :)



    E assim termina mais uma aventura no AmadoraBD! Foi um dia encantador e muito divertido. Para o ano, se tudo correr bem, haverá mais! =D
  • Animal Kingdom

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    Animal Kingdom
    David Michôd
    Filme
     2010
    7 em 10

    Eu disse que era Sessão Dupla. :p

    Ora aqui está um filme sobre um assunto sobre o qual nunca tinha ouvido falar: o crime organizado Australiano. A mãe de J., um jovem tímido e um pouco frio no respeitante a sentimentos, morre de overdose e ele vai viver com a avó e os tios. Descobre nessa altura que são todos criminosos, apesar de estarem um pouco afastados, e que a polícia os persegue para tentar encontrar o tio mais perigoso: Pope. Depois de algo acontecer, Pope convence a família a cometer um crime bastante idiota. A partir daí, J. vê-se envolvido numa perseguição policial em que ele não sabe quem é bom e quem é mau, quem o quer ajudar ou não.

    O interesse deste filme não se encontra apenas no tema altamente original, mas sim no trabalho de actor. Todos os personagens são interpretados de forma extraordinária, com um destaque para a manda-chuva do grupo, Janine. A caracterização dos personagens é feita de forma muito cuidada, estabelecendo os seus traços principais que depois levam às consequências da narrativa.

    Também a caracterização do espaço e época, os anos 80 da Austrália, são muito interessantes. É curioso ver o que as pessoas vestiam e usavam naquela altura num sítio tão longínquo e tão diferente.

    A narrativa é célere, sem nenhum momento perdido e sem nenhuma coisa a mais. No entanto, talvez tenha algumas complexidades técnicas que poderiam ter sido melhor explicadas, nomeadamente o processo do julgamento.

    No geral, um bom filme para as duas da manhã.
  • A Letter to Momo

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    A Letter to Momo
    Okiura Hiroyuki - Production I.G.
    Anime - Filme
    2011
    7 em 10

    Este filme passou no grande ecrã, durante o festival de animação (Monstra). Mas não tive oportunidade de ir ver, portanto tive de esperar até que saísse o blu-ray e ocorresse ao Ni que era boa ideia vê-lo numa das nossas Double Sessions. :)

    Uma Carta para Momo retrata um drama familiar, com um pequeno toque de fantasia. Momo é uma menina que é arrastada pela mãe para viver numa ilha remota, depois de o seu pai ter falecido. Do seu pai, conserva o início de uma carta. Apenas tem escrito "Querida Momo," e mais nada. O que será que o pai queria escrever? Com essa dor dentro dela, Momo abre um livro para crianças muito antigo. E de dentro dele, três misteriosas gotinhas transformam-se em Youkai, espíritos da natureza com uma certa maldade própria (mas não é por mal!) que a vão ajudar no caminho para crescer um pouco e compreender a mãe, família que lhe resta.

    A história é charmosa e delicada, com momentos extremamente comoventes que, sim, fizeram saltar muitas lágrimas (mas pequeninas). É um conto sobre a vida, sobre o crescimento e sobre a família. O fantástico está muito bem integrado, sendo que as aventuras de Momo com os seus novos amigos não podiam ser mais encantadoras.

    Estes pequenos momentos são ilustrados numa animação de qualidade variável. Por um lado, os cenários e fundos são lindíssimos, apesar de não terem muito de espectacular. Estão pintados em cores muito suaves e são altamente detalhados, quer nos aspectos da natureza quer no respeitante à arquitectura do local. No geral, parece ser uma ilha agradável para se viver. Se realmente existir, seria um sítio a visitar (como sabemos, muitos animes funcionam como spot publicitário. Se for o caso, está muito bem conseguido). As personagens têm um design simples mas realista, que por vezes não se integra bem no cenário: são demasiado fortes contra a suavidade das cores, sobretudo em cenas passadas na floresta ou com verde. Nas cenas marítimas, ou com azul, isto não se nota tanto. Também temos um uso bastante grande de CG, que por vezes se encontra muito carregado para o que seria expectável. Há alguns momentos de elevado teor tripanário, com cogumelos a andar, que são muito giros e variam bastante do resto do ambiente. Esse sim, é um universo fascinante.

    Quanto aos personagens, são todos bastante realistas, se bem que a paixão à primeira vista do moço seja um pouco exagerada. Os reis da parada são, claramente, os youkai. Eles preenchem o filme com momentos de muita graça, com as suas atitudes bem estabelecidas e muito pouco humanas. As suas asneiras constantes são o que dão um toque de aventura ao filme, trazendo a energia necessária para nos levar ao culminar da história.

    Em termos musicais, nada a apontar dentro do parênquima do filme, mas uma nota para a música final que é do pop mais gostoso que pode haver.

    Um filme bastante bom e muito simpático. Fiquei com pena de não ter visto no cinema.
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