• Tonari no Seki-kun

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    Tonari no Seki-kun
    Mutou Yuuji - Starchild Records
    Anime - 21 Episódios + 1 OVA + 2 Specials
    2014
    6 em 10

    Era para ter visto este anime enquanto estava saindo, mas já estava a ver tantos que achei que ver mais um seria demasiado para o tempo que tinha. Assim, fui sacando os episódios à medida que iam saindo, mas não os vi. Qual não foi a minha surpresa ao descobrir, quando me iniciei no visionamento, que os episódios tinham apenas 7 minutos, contando com OP e ED!

    É um animezinho muito simpático e engraçado, sobre um jovem (Seki-kun) que está sempre a fazer por se distrair durante as aulas. A sua colega do lado, Yokoi, está sempre atenta, espantando-se com as brincadeiras extraordinárias e tentando estudar, apesar de sair sempre prejudicada.

    A graça deste anime está nos vários métodos de entretenimento que Seki-kun arranja. São sempre coisas muito simples, pequenos jogos que todos fazemos quando somos pequenos (ou que as crianças japonesas fazem), mas em escala miniatura, do tamanho de uma secretária escolar. As constatações de Yokoi e a sua exasperação à medida que se vai envolvendo nos jogos são contangiantes.

    Assim, como anime de gags cómicas, isto está bastante bom. No entanto, apesar de isso não ser um factor necessário para este tipo de anime, não posso deixar de lhe atribuir uma nota mediana por causa da arte. Infelizmente, é bastante fraca. O uso do CG é demasiado evidente, sendo que destoa bastante da simplicidade da história em causa.

    A música, e efeitos sonoros, é muito engraçada. A ED fica-me na memória pela soa tonalidade jazzística.

    Anime que se vê muito rápido e muito bem, bom para relaxar ao final do dia.
  • A Desumanização

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    A Desumanização
    valter hugo mãe
    2013
    Romance

    Depois da viagem à montanha, uma rápida leitura, um pouco mais leve, de um autor que tenho vindo a descobrir e de que tenho gostado muito.

    Numa aldeia nos confins da Islândia vive uma rapariga, que tinha uma gémea. Tinha: a gémea morreu. E esta história é a história da separação desta menina do seu ideal, a irmã, e do seu crescimento, tornando-se mulher mais cedo do que o esperado, com as consequências que isso pode trazer para ela própria e para os outros.

    Este livro tem dois temas principais, que são explorados numa linguagem poética e muito filosófica: o desflorar da puberdade feminina e a paisagem islandesa. No primeiro aspecto, isto é transmitido de forma muito exacta, com todos os momentos e pensamentos assustadores e com exemplos de pensamentos que estão entre o infantil e o adolescente e que têm imagens muito bonitas. Gostei sobretudo da ideia das "flores das mulheres" que achei muito bonita, apesar dos problemas que daí vêm mais tarde. No que respeita à tal paisagens, percebo porque é que este livro pode desapontar os fãs do país. Não há descrições de momentos naturais espectaculares, nem há uma pintura do ambiente que rodeia os personagens em termos exactos. O que existe, e isso eu gostei muito, é uma percepção natural, integrando os elementos do universo em que se vive na própria vida. Isto é, estes personagens são nativos deste país. Não faria sentido colocá-los a descrever grandes coisas, pois são vistas todos os dias.

    A história é triste e brutal, mas está escrita de forma muito bonita. Se por vezes o autor divaga um pouco nos pensamentos da personagem, isso pode ser tido como os momentos de dúvida e confusão da criança que cresce e, portanto, não necessariamente um erro.

    Gostei bastante e estou ansiosa por ler mais deste autor.
  • Omoide Emanon

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    Omoide Emanon
    Tsuruta Kenji e Kajio Shinji
    Manga - 9 Capítulos / 1 Volume
    2006
    6 em 10

    Manga muito curto, que se lê no instante. Adaptação de um livro, deixa vontade de ler o livro... Mas não é muito bom em si.

    Um jovem encontra-se num ferry a viajar entre duas ilhas do Japão e encontra uma bonita rapariga. À conversa, ela explica-lhe que tem todas as memórias desde o início da vida neste planeta. O conceito é excelente, mas peca pela falta de desenvolvimento. As explicações dadas são muito coerentes e dão que pensar, mas o que realmente gostaria de ter visto seria a vida da rapariga, Emanon, ao longo dos tempos e das eras, sob vários estados evolutivos, até chegar ao ponto em que se encontra. Quiçá, ver o futuro. Assim como está, não chegamos a nenhuma conclusão e sabe a pouco. É uma short story demasiado short, digamos assim.

    Vários pontos para a arte, que se apresenta muito limpa e original. O estilo é altamente detalhado, com traços muito rígidos e um brilho nos negros muito patente. Talvez o design dos personagens não se conjugue muito bem com os fundos cheios de técnica e de rectidão. Ainda assim, passam para o exterior como pessoas absolutamente normais, iguais a todas as outras (talvez tenham sido as sardas a dar essa sensação). As imagens a cores também são muito bonitas, assim como todos os cenários com o mar à noite, que nos dão uma sensação de eternidade que liga bem com o tema da história.

    Lê-se rápido, por isso... Porque não?
  • Only Lovers Left Alive

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    Only Lovers Left Alive
    Jim Jarmusch
    2013
    Filme
    7 em 10

    Quando se chega a casa de madrugada, ao invés de dormir, o que se faz? Ver um filme! Desta feita calhou-nos este, um filme sobre vampiros com um twist bem diferente.

    Adam vive numa cidade abandonada nos arredores de Detroit, fazendo música para si próprio e alimentando extrema negatividade para com a vida e todas as outras situações. Poderia dizer-se que tem até umas certas tendências suicidas. Eve vive em Tanger, aproveitando o melhor da vida. São um casal e, por sinal, são vampiros. Voltam a reunir-se quando Eve, preocupada, viaja até Detroit para colocar algum sentido na vida cansada de Adam. E tudo corre bem até à chegada de Eva, uma irmã maluca que lhes vem perturbar a paz.

    Para variar um pouco dos romances de vampiros, cheios de efeitos especiais e muito sangue, apresentamos este filme romântico e intimista, que mais explora sobre a condição humana do que o fantástico em si. Estes vampiros são, antes de mais, pessoas. Pessoas que já viveram muito tempo e que, portanto, estão cansadas. Já influenciaram muito da história, mas têm de viver sempre discretamente. E é essa frustração e tristeza que vive em constante oposição no filme, já que os personagens são polos opostos que, ainda assim, se amam e fazem um elemento único.

    De certa forma, os vampiros podem ser apenas um símbolo, uma representação do mundo da droga. Isto se formos pela reacção que acontece quando bebem sangue. Assim, o filme tem uma nota mais negra, mais deprimente, da relação do vício contra a tentativa de viver vidas normais e sossegadas.

    Para além de imagens muito bonitas e, sem dúvida, com um estilo muito moderno, temos uma banda sonora invejável. Estes vampiros vivem a música e, neste momento, vivem o rock. Temos momentos de concertos ao vivo, temos momentos de gravações caseiras, enfim, temos música por todo o lado. Isto dá um efeito ainda mais pessoal à narrativa, que nos faz sentir que estas pessoas poderiam ser apenas os nossos vizinhos (e estaria tudo bem, porque são perfeitamente pacíficos)

    Um filme que se vê muito bem e que tem a sua quota de humor negro para alegrar as nossas madrugadas.
  • Galaxy Angel

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    Galaxy Angel
    Asaka Morio - Madhouse Studios
    Anime - 25 Episódios + 1 Special
    2001
    4 em 10

    Quando falo de comédias, coloco sempre o aviso de que talvez o problema seja meu por não ter achado piada. No caso de Galaxy Angel, creio que não é preciso colocar o aviso: isto não tem piada de todo. É simplesmente horrível e doloroso em todas as suas partes.

    Algures no espaço cinco raparigas procuram objectos perdidos, objectos da humanidade com poderes estranhos. Em cada episódio acontecem coisas novas que deverão ser extremamente engraçadas. Mas que não são. Os gags resumem-se ao robot delas a dizer porcaria com uma voz fofinha, delas a serem parvas ou delas a zangarem-se. Extremamente original, não é?

    As personagens não têm nada de único, nem sequer um traço de personalidade que pelo menos as distinga umas das outras.

    Para mais, a arte é absolutamente pavorosa. Não sei onde a Madhouse Studios andava por esta altura, mas devia ser no planeta da falta de inspiração. Erros atrás de erros, olhos em sítios errados e explosões amarelas. Tudo nesta animação está errado, dos movimentos das personagens às cenas de acção.

    Musicalmente, não podia haver pior. As vozes são de fazer sangrar os ouvidos, parece que estas actrizes só sabem gritar... E nem sequer quando os bonecos o estão a fazer!

    Resumindo: um pavor. Um horror. Para esquecer. Nem tenho mais nada para dizer!
  • Mdou Moctar

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    Mdou Moctar
    Concerto
    Após grandes confusões, fica decidido ir ver este concerto ao Museu Nacional de Arte Contemporânea, também conhecido por Museu do Chiado. Desta vez decidi ouvir o que se ia passar antes de ir ver o concerto, e agradou-me bastante. Aqui está a música que eu ouvi:


    Sempre gostei de rock tuaregue e este pareceu-me ter uma identidade bastante definida. Vejamos o que diz o Museu do Chiado sobre ele na página, para o conhecermos melhor:

    No concorrido campeonato de guitarristas Tuareg, Mdou Moctar distingue-se com certeza dos seus contemporâneos. Ele é um dos poucos escritores de canções e intérprete decidido a experimentar e a fazer progredir o género, e as suas estratégias estéticas pouco ortodoxas têm-lhe conquistado cada vez mais seguidores tanto no Níger como além-fronteiras. Mdou é originário de Abalak, no deserto Azawagh do Níger, e é um autodidata desde tenra idade vidrado na guitarra. O seu primeiro album ‘Anar’ foi gravado na Nigéria em 2008, uma coleção vibrante de temas com profuso uso de autotune na voz. O álbum nunca foi oficialmente editado mas as canções tornaram-se um sucesso popular no Sahel – a faixa territorial de costa a costa de África, divisionária do deserto do Sahara a norte e a savana sudanesa a sul – através de redes de partilha de música em telemóveis. ‘Tahoultine’, uma das faixas mais emblemáticas, foi mais tarde incluída na compilação ‘Music from Saharan Cellphones: Volume 1’, editada pela Sahel Sounds, o que fez expandir o culto na Europa e Estados Unidos. A mesma editora lançou em 2013 ‘Afelan’, o primeiro álbum com distribuição internacional de Mdou, gravado ao vivo no Níger, em que surpreende pela crueza e ferocidade do trabalho de guitarra elétrica, ancorada por doces melodias de folk do Sahara. Atualmente encontra-se envolvido como ator principal na produção do primeiro filme falado numa língua Tuareg, numa ficção sobre a contenda de um guitarrista para se afirmar entre pares, enquanto anda pelo deserto numa moto púrpura.

    Agora, o concerto. Para começar, o local é muito agradável. Trata-se de um pequeno jardim, que de jardim tem apenas uns bocadinhos de relva e umas pedrinhas, num primeiro andar. Por baixo, temos o museu, com as suas artes (que não achei excepcionalmente interessantes). Mas bem, este espacinho era muito simpático.

    Quando chegámos já tinham começado a afinar-se: apresentavam-se três jovens em trajes esvoaçantes, dos que se usam nos desertos mas com brilhantes e bordados. Talvez o efeito tenha sido demasiado espectacular para um lugar tão pequeno.

    A música, essa sim, foi do melhor. Eles não tocaram propriamente um album: isto pareceu mais uma jam session, cheia de pequenos improvisos. Os sons tinham muita textura e ritmos altamente dançáveis, aliados a uma delicadeza do deserto que me inspirou muita calma.

    Gostei bastante, irei ouvir mais. :)
  • Blame!

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    Blame!
    Nihei Tsutomu
    Manga - 66 Capítulos/10 Volumes
    1998
    9 em 10

    Um manga curioso, para o qual vinha alimentando a curiosidade desde que vira o anime Special. Depois de muitas considerações, acabo por lhe dar uma nota quase perfeita. Pois é realmente um manga muito especial, que merece o seu estatuto de culto e que, em minha opinião, deve ser lido por todos. Por onde começar um comentário? É difícil, pois ainda agora estou digerindo tudo aquilo que li, mas tentarei.

    Este é um universo tanto distópico como cyberpunk. Algo neste futuro longínquo correu extremamente mal. Este é o primeiro ponto espectacular do manga: o universo em que isto se passa. Os personagens percorrem cidades em vários níveis, com escadarias e túneis em que não se compreende o que está para cima e o que está para baixo, onde não se vê o céu nem a terra, verdadeiros labirintos, uma babel surrealista sem nexo e sem fim. Isto traz ao leitor um sentimento extremamente opressivo, ainda que muito calmo e contemplativo. Este manga quase não tem diálogo, sendo que a viagem por este mundo é feita num silêncio quase nunca interrompido: isto permite-nos aproveitar melhor o festim visual.

    Efectivamente, a arte não podia ser melhor. É muito diferente do habitual, admitamos isso logo desde o início. Com um grande uso do negro, tanto temos cenários extremamente detalhados como momentos mais intimistas, rabiscos conceptuais de uma textura muito plástica. A vivacidade do ambiente é atemorizadora, criando-se uma expectativa em relação ao que estará no fim de cada escadaria, no fim de cada corredor, que normalmente se revela em quadros espectaculares, de uma beleza muito frágil e delicada. O autor deste manga, segundo consta, era um arquitecto que deixou tudo para escrever isto. A sua formação nota-se na exactidão de todas as proporções e no realismo dos edifícios e maquinaria que, apesar de não fazerem sentido, estão construídos de maneira muito próxima do real.

    A história é altamente densa e muito dada a interpretações diversas. Tentei pensar um pouco sobre ela para poder fazer uma análise, mas tenho de ler mais sobre este manga porque realmente ainda não fui capaz de chegar a uma conclusão. A verdade é que cada um poderá pensar o que quiser, com todo o desenvolvimento e, sobretudo, com o final estranhamente inconclusivo. Na verdade, tudo é muito simples: Killy é um homem, supostamente humano, que procura pessoas com o gene da ligação à internet. Pelo caminho faz uma amiga, Cibo, e vai encontrando muita gente estranha, robótica, cyborg ou humana. Nenhum tem o que ele procura. Por todo o lado paira a ameaça dos safeguards, robots com a única missão de destruir os seres humanos. Por vezes encontram-se builders, robots que constroem as cidades e que, ao que parece, estão completamente descontrolados. Por vezes, há encontros com os chamados Silicon Creatures, que têm uma missão um pouco indefinida, mas que vai claramente contra o que Killy procura. É uma situação muito complexa, que se desenvolve de repente no último volume e que nos deixa a pensar.

    No entanto, pareceu-me a mim que a história e os personagens existem mais em função do universo do que o contrário. No fundo, devemos ler este manga para aproveitar a viagem pelo estranho mundo de Blame!, mais do que outra coisa. Porque realmente é um passeio de suster a respiração.

    Altamente recomendado, gostaria de saber as opiniões de todos sobre este manga . Talvez daqui a uns anos, quando estiver tudo assente na minha cabeça, possa formular uma análise e colocá-la aqui (se isto ainda existir) :)
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