• Nisekoi

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    Nisekoi
    Shinbou Akiyuki - Shaft
    Anime - 20 Episódios
    2014
     6 em 10

    O único anime que mantinha desde a season passada terminou. Escolhi-o porque tinha ouvido falar muito do nome, mas realmente não fazia ideia do que esperar. Acontece, então, um harém, uma comédia leve sobre os desígnios do amor.

    Um jovem, filho de um chefe da máfia, tem um medalhão com uma fechadura. Existe uma chave que a pode abrir e quem a tem é uma amiga de infância da qual a nossa amiga não recorda o nome ou a cara. Entretanto obrigam-no a fingir que namora com uma outra filha de chefes da máfia. Odeiam-se e amam-se numa picardia constante. Ela tem uma chave. Mas... Não é a única! A série anda e anda e aparecem sempre mais raparigas com chaves! E nunca termina!

    As personagens não têm nenhum ponto forte que as faça distinguir de outros elementos comuns a todos os haréms (haréns? Como é que isto se escreve?) Temos uma tsundere, temos uma miúda tímida, temos uma maria rapaz também tsundere e temos uma maluquinha. O que nos reservará o futuro? Pois que isto com certeza terá segunda season, claro. Não que seja necessário, mas se tiver sucesso o suficiente claro que irão continuar a ordenhar este franchise.

    A única coisa que poderá distinguir Nisekoi do universo das comédias românticas será a arte. Muito colorida e brilhante, usando detalhes cénicos muito interessantes, com uma boa animação e uso de perspectivas. Isto torna a série mais divertida, aliado à música, que também é engraçadinha. Ver estes pequenos twists coloridos foi uma das razões que me manteve sempre interessada na série.

    Não é dos piores, mas também não é dos melhores. Agora, até à próxima!
  • Kara no Kyoukai: Mirai Fukuin

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    Kara no Kyoukai: Mirai Fukuin
    Sudou Tomonori - ufotable
    Anime - Filme
    2013
    7 em 10

    Não estava nada à espera que aparecesse na lista dos downloads um novo filme de Kara no Kyoukai! Qual não foi a minha alegria!! Para saber dos filmes anteriores, do qual este é uma outra história/sequela/história alternativa (saberemos um dia mais tarde) consultem o motor de busca do blog, neste local.

    Este filme trata de dois jovens bastante jovens que têm a capacidade de ver o futuro, cada um com um tipo de habilidade diferente. A rapariga, que vive traumatizada pelo facto de prever o futuro, pode ver uma possibilidade, uma possibilidade provável. O trabalho do filme é retirar-lhe esse trauma e apresentá-la para, eventualmente, eventos futuros. O rapaz, outra história, consegue ver o futuro mais proveitoso para ele e a forma exacta de o concretizar. Portanto, torna-se bombista. Aí entra Shiki, a minha maravilhosa Shiki. O meu futuro cosplay (talvez para o ano)

    Depois, dez anos para a frente, coisas surpreendentes aparecem. E deixa-nos muita vontade de saber o que se passou nesse espaço de tempo e qual a nova aventura que os nossos amigos viverão.

    Não existem muitas cenas de acção, mas a animação está estupenda. O mesmo não posso dizer dos cenários, que estão demasiado mecânicos e com formas demasiado fixas na sua paleta. A variação de cores também não se apresenta muito bela, ao contrário de outros filmes do franchise.

    Em termos musicais, mais do que já estamos habituados, com grandes corais. No entanto, também na música há uns momentos pop que, adequando-se à situação, não se adequam ao tom estranhamente negro de Kara no Kyoukai.

    Um filme que deixa um gosto na boca e muita vontade de mais. Espero que venha em breve, e que venha mesmo!
  • Clube da Luta

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    Clube da Luta
    Chuck Palahniuk
    1996
    Romance

    Atenção, atenção meus senhores e minhas senhoras! Aqui não falaremos de filme algum! Esse está comentado aqui. Aqui tratamos do livro! E aviso desde já que quem gostou do filme tem todas as razões para o ler. Porque é ainda mais divertido!

    Eu não tenho uso, e não gosto muito, de fazer comparações entre medias diferentes. Mas neste caso parece-me necessário. Então, qual a diferença entre o livro e o filme? O livro é muito mais detalhado e, sobretudo, passa uma sensação de loucura e esquizofrenia muito mais apurada, coisas que se perderam na transcrição para filme. Também existem mais detalhes interessantes no livro que não perderiam nada em ter sido adaptadas. Mas posso dizer que o filme, todo ambiente e envolvência, está muito de acordo com o que está descrito na narrativa. Portanto, ambos valem a pena, mas sugiro ver o filme primeiro.

    Um homem sem nome conhece Tyler Durden quando vai à praia. Este homem tem um problema: não consegue dormir. Tyler aparece na sua vida e juntos formam o "Clube da Luta", onde pessoas lutam mediante algumas regras. Todos conhecemos a primeira. Mas à medida que o nosso homem consegue adormecer, Tyler começa a causar o caos. Reune gente, muita gente, gente por todo o lado, e começam a causar o pânico e a anarquia, através de maldades simples que qualquer um de nós, com a motivação certa, pode fazer.

    O livro é todo ele o discurso do ódio perante a humanidade, do nojo e do desprezo pela vida alheia e pela própria vida. No entanto, isto é antítese do personagem, pois sabemos que ele tem um problema (embora até ao final não saibamos qual é exactamente). Também é crítica à sociedade e, sobretudo, ao anti-social, ao grupo, ao gregarismo.

    A forma como a narrativa está construída é rápida e viciante. Entramos numa espiral de acontecimentos dos quais não podemos sair, que não podemos interromper, pois seguem-se uns aos outros de forma inesperada e alucinante. Alucinante talvez seja a palavra certa, pois estamos diante de uma alucinação (Única? Colectiva? Quem sabe...).

    Recomendo fortemente. O filme é bom, mas o livro é uma delícia.
  • Antologia Poética de Vinicius de Moraes

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    Antologia Poética
    Vinicius de Moraes
    1967
    Poesia

    Quando regressei ao Kobo, tinha este livro escolhido para ler a seguir. Embora tivesse lido alguma poesia na semana anterior - o que me levaria a uma interrupção no género, pois gosto de variar - pensei "porque não". E ainda bem que pensei assim, porque eu não compreendo como pude passar tanto tempo da minha vida sem ler tão excelente obra poética.

    Vinicius, Poeta com Pê. Poeta com uma linguagem acutilante e exacta, mas ainda assim bela. Poeta com um sentido de humor sempre presente e tão apropriado. Parece-me que a grande diferença entre Vinicius e os outros é que este criador sabe sempre o que quer dizer e di-lo com certeza e exactidão, sem dar muitas voltas ao assunto para o tornar bonito. Porque a forma de o dizer já é bonita por si só. Percebemos exactamente o que ele quer expressar, mas a linguagem usada é... Poética? O que é certo é que o senhor faz poesia, poesia que dá gosto ler, que é apaixonante e viciante.

    Recomendo a todos. Como gostei de imensos poemas, não pude cingir a minha escolha para por aqui a apenas um. Escolhi três, que passarei a citar. Espero que gostem :)

    A uma mulher

    Quando a madrugada entrou eu estendi o meu peito nu sobre o teu peito
    Estavas trêmula e teu rosto pálido e tuas mãos frias
    E a angústia do regresso morava já nos teus olhos.
    Tive piedade do teu destino que era morrer no meu destino
    Quis afastar por um segundo de ti o fardo da carne
    Quis beijar-te num vago carinho agradecido.
    Mas quando meus lábios tocaram teus lábios
    Eu compreendi que a morte já estava no teu corpo
    E que era preciso fugir para não perder o único instante
    Em que foste realmente a ausência de sofrimento
    Em que realmente foste a serenidade.

    Rio de Janeiro, 1933

    Vida e Poesia

    A lua projetava o seu perfil azul
    Sobre os velhos arabescos das flores calmas
    A pequena varanda era como no ninho futuro
    Na rua ignorada anjos brincavam de roda...
    - Ninguém sabia, mas nós estávamos ali.
    Só os perfumes teciam a renda da tristeza
    Porque as corolas eram alegres como frutos
    E uma inocente pintura brotava do desenho das cores
    Eu me pus a sonhar o poema da hora.
    E, talvez ao olhar meu rosto exasperado
    Pela ânsia de te ter tão vagamente amiga
    Talvez ao pressentir na carne misteriosa
    A germinação estranha do meu indizível apelo
    Ouvi bruscamente a claridade do teu riso
    Num gorjeio de gorgulhos de água enluarada.
    E ele era tão belo, tão mais belo do que a noite
    Tão mais doce que o mel dourado dos teus olhos
    Que ao vê-lo trilhar sobre os teus dentes como um címbalo
    E se escorrer sobre os teus lábios como um suco
    E marulhar entre os teus seios como uma onda
    Eu chorei docemente na concha de minhas mãos vazias
    De que me tivesses possuído antes do amor.

    Rio de Janeiro, 1938

    Mensagem à Poesia

    Não posso
    Não é possível
    Digam-lhe que é totalmente impossível
    Agora não pode ser
    É impossível
    Não posso.
    Digam-lhe que estou tristíssimo, mas não posso ir esta noite ao seu encontro.
    Contem-lhe que há milhões de corpos a enterrar
    Muitas cidades a reerguer, muita pobreza pelo mundo.
    Contem-lhe que há uma criança chorando em alguma parte do mundo
    E as mulheres estão ficando loucas, e há legiões delas carpindo
    A saudade de seus homens; contem-lhe que há um vácuo
    Nos olhos dos párias, e sua magreza é extrema; contem-lhe
    Que a vergoinha, a desonra, o suicídio rondam os lares, e é preciso reconquistar a vida
    Façam-lhe ver que é preciso estar elrta, voltado para todos os caminhos
    Pronto a socorrer, a amar, a mentir, a morrer se for preciso.
    Ponderem-lhe, com cuidado - não a magoem... - que se não vou
    Não é porque não queira: ela sabe, é porque há um herói num cárcere
    Há um lavrador que foi agredido, há uma poça de sangue numa praça.
    Contem-lhe, bem em segredio, que eu devo estar prestes, que meus
    Ombros não se devem curvar, que meus olhos não se devem 
    Deixar intimidar, que eu levo nas costas a desgraça dos homens
    E não é o momento de parar agora; digam-lhe, no entanto
    Que sofro muito, mas não posso mostrar meu sofrimento
    Aos homens perplexcos; digam-lhe que me foi dada
    A terrível participação, e que possivelmente
    Devere enganar, dfingir, falar com palavras alheias
    Porque sei que há, longínqua, a claridade de uma aurora.
    Se ela não compreender, oh procurem convencê-la
    Desse invencível dever que é o meu; mas digam-khe
    Que, no fundo, tudo o que estou dando é dela, e que me
    Dói ter de despojá-la assim, neste poema; que por outro lado
    Não devo usá-la em seu mistério: a hora é de esclartecimento
    Nem debruçar-me sobre mim quando a meu lado
    Há fome e mentira; e um pranto de criança sozinha numa estrada
    Junto a um cadáver de mãe: digam-lhe que há 
    Um náufrago no meio do ocenano, um tirano no poder, um, homem
    Arrependido; digam-lhe que há uma casa vazia
    Com um relógio batendo horas; digam-lhe que há um grande
    Aumento de abismos na terra, há súplicas, há vociferações
    Há fgantasmas que me visitam de noite
    E que me cumpre receber, contem a ela da minha certeza
    No amanhã
    Que sinto um sorriso no rosto invisível da noite
    Vivo em tensão ante a expectativa do milagre; por isso
    Peçam-lhe que tenha paciência, que não me chame agora
    Com sua voz de sombra; que não me faça sentir covarde
    De ter de abandoná-la nestes instante, em sua imensurável
    Solidão, peçam-lhe, oh peçam-lhe que se cale
    Por um momento, que não me chame
    Porque não posso ir
    Não posso ir
    Não posso.
    Mas não a traí. Em meu coração
    Vive a sua imagem pertencida, e nada direi que possa
    Envergonhá-la. A minha ausência.
    É também um sortilégio
    Do seu amor por mim. Vivo do desejo de revê-la
    Num mundo em paz. Minha paixão de homem
    Resta comigo, minha solidão resta comigo; minha
    Loucura resta comigo. Talvez em deva
    Morrer sem vê-la mais, sem sentir mais
    O gosto de suaslágrimas, olhá-la correr
    Livre e numa nas praias e nos céus
    E nas ruas da minha insônia. Digam-lhe que é esse
    O meu martírio; que às vezes
    Pesa-me sobre a cabeça o tampo da eternidade e as poderosas
    Forças da tragédia abastacem-se sobre mim, e me impelem para a treva
    Mas que eu devo resistir, que é preciso...
    Mas que a amo com toda a pureza da minha passada adolescência
    Com toda a violência das antigas horas de contemplação extática
    Num amor cheio de renúncia. Oh, peçam a ela
    Que me perdoe, ao seu triste e inconstante amigo
    A quem foi dado se perder de amor pelo seu semelhante
    A quem foi dado se perder de amor por uma pequena casa
    Por um jardim de frente, por uma menininha de vermelho
    A quem foi dado se perder de amor pelo direito
    De todos terem uma pequena casa, um jardim de frente
    E uma menininha de vermelho; e se perdendo
    Ser-lhe doce perder-se...
    Por isso convençam a ela, expliquem-lhe que é terrível
    Peçam-lhe de joelhos que não me esqueça, que me ame
    Que me esperte, porque sou seu, apenas seu; mas que agora
    É mais forte do que eu, não posso ir
    Não é possível
    Me é totalmente impossível
    Não pode ser não
    É impossível
    Não posso.
  • Montijo - Imagens da Tradição Concelhia

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    Montijo - Imagens da Tradição Concelhia
    Luís Maria Pedrosa dos Santos Graça
    2001
    Photobook

    E aqui está o último livro que ganhei no concurso literário. Esperava que fosse algo denso e, como é muito grande para ser transportado na mala, decidi deixá-lo no trabalho para ler à hora de almoço. Afinal bastou uma hora de almoço para o completar. O seu destino será o meu pai, receptáculo de todos os livros estranhos que vou encontrando por aí.

    Este é um livro de fotografias (photobook) sobre o Montijo, terra que tenho vindo a apreciar bastante por motivos laborais. As fotografias são muito bonitas e mostram detalhes inesperados, que eu nunca vi e que me deixaram curiosa para os ver ao vivo. Felizmente há uma lista dos locais onde foram tirados as fotografias e, assim, poderei fazer um pouco de turismo (quando houver a oportunidade, que tanto pode ser agora como daqui a muito tempo).

    Em termos textuais, é um livrinho bastante informativo. Primeiro é-nos dada uma descrição leve da história da cidade. Seguidamente, falamos das pessoas que vivem na cidade (pescadores e aldeanos). Depois, arquitectura. Esta parte passou-me um pouco ao lado, porque depois da Nossa Senhora da Atalaia fiquei sem qualquer tipo de interesse em ler descrições detalhadas da arquitectura de igrejas. Mas os prédios até me parecem bem giros (eu só conheço um dos que foi referido). Finalmente, a parte que gostei mais: associações e academias. Apesar da forte tradição tauromáquica da terra, existem algumas associações que parecem bem giras, musicais e desportivas. Que pena que a que tinha grupo de teatro foi extinta, porque eu me juntaria com todo o gosto!

    Foi um belo pedaço de informação. :)
  • Mas é Bonito

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    Mas é Bonito
    Geoff Dyer
    1991
    Histórias Curtas

    Passava eu numa livraria (vou com o meu pai todas as semanas, por causa do seu vício bibliómano) quando vi esta capa. E gostei. Peguei nele noutra visita à livraria. Sobre jazz. Eu sou a primeira pessoa a admitir que não percebo absolutamente nada sobre jazz. Ouvi muito pouco. A minha playlist de 90 gigas de música não tem um único album de jazz. Mas aquele ser conhecido como nhó aprecia bastante. Então pensei que um livro sobre jazz seria uma boa forma de me iniciar no género. Assim, quando me vi no Porto sem perspectiva de leitura durante todo percurso do comboio, fui a uma Bertrand comprá-lo (gosto de comprar na Bertrand porque tenho cartão de cliente que me dá uns descontos muito simpáticos)

    Devo dizer que adorei o livro e fiquei fascinada pelo género musical. No final existe uma discografia, que usarei para me orientar nos primeiros passos dentro do género.

    O livro é composto por oito histórias curtas sobre oito artistas (músicos) que marcaram de algum modo a sua época. Estas histórias são fruto da imaginação do autor baseado no que ele conhece ou conheceu dos músicos e de fotografias da época. Ele refere, tanto no prefácio como no posfácio, a importância das fotografias como registo da criação. É muito interessante ver como são trágicas todas as histórias. Conforme explicado posteriormente, este tipo de música nasceu de uma criatividade muito motivada pelos excessos. Excesso de álcool, de comida, de droga, de violência. É tanto triste como belo ler estas histórias do apogeu e queda de artistas que tinham demasiado para dar, que acabaram por fechar as portas à criação por não conseguirem aguentar com ela.

    Cada história é tocante de certo modo, remexendo no íntimo dos músicos e revelando-os como pessoas, tanto geniais como frágeis. O detalhe da perspectiva, a forma como cada um deles repara nas pequenas coisas da vida diária, a forma como cada um deles lida com a sua vida, é extremamente belo e muito delicado. Cada história é uma constatação da fragilidade humana e de como a qualquer momento a nossa vida pode ser destruída por uma má opção, tantas vezes motivada por traços da nossa própria personalidade.

    Nota-se que foi escrito com muito carinho e respeito, o que é sem dúvida admirável. Este livro pode ser muitas coisas mas é, sobretudo, bonito.

    Recomendo-o a todos os amantes de música e, agora, vou começar a fazer a minha pasta de jazz. Próximos cosplays serão feitos com essa banda sonora. :)
  • Iberanime LX 2014

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    Iberanime LX 2014

    Passa-se uma noite bem dormida. E assim se acorda bem cedo para nos equiparmos com o novo cosplay e nos transportar-mos até ao Parque das Nações. Pois é, chegou aquela altura do ano em que vamos ao Iberanime.
    Sob a ameaça de que os bilhetes se iam esgotar com brevidade, comprei o meu com antecedência. Qual a minha surpresa quando me dão a notícia de que ganhei um passatempo e que, portanto, tenho outro bilhete! Assim, ofereci o que tinha comprado ao Zé Gato, que me acompanhou nesta aventura.

    Mas comecemos pelo início. Eram 8 da manhã e estava eu de pijama preparando-me para me mascarar. Peguei na caixinha que tem as lentes de contacto azuis. E... Confesso que é um mistério. Não faço ideia que se passou e ninguém nesta casa se acusa. O que é certo é que uma das lentes desapareceu. A outra estava lá. Portanto, fui de olhos naturais. Apressei-me para apanhar o comboio, que ainda é a uma grande distância a pé da minha casa. Nada de estranho se passou, todos olhavam para mim mas apenas um taxista se manifestou ("Arre, Parque Aventura!", disse ele). Tomei café e esperei pelo Zé na esplanada do Vasco da Gama. Nesse momento, sou abordada por dois velhotes: "Desculpe, mas isto é o quê?", "Ah, é um evento de banda desenhada e desenhos animados!", "E a que horas acaba?", "Lá para as seis", "É que temos um neto lá dentro e ainda vamos voltar para casa em Castelo Branco", "Deveras? Estive num evento destes em Castelo Branco!"

    Entretanto liga a Ana-san, informando que está uma fila gigântica mas que ela está quase a entrar. Bem, de alguma forma tivemos sorte, porque quando chegámos a fila já não conferia.

    À entrada, uma pulseira verde para "identificação visual". Não percebi bem o sentido disto, porque para entrar e sair tínhamos de validar o bilhete de qualquer forma... Depois, descobrimos o porquê do preço do evento! Os 15 euros de entrada foram usados para, sim!, para arranjar um souvenir, uma pulseiras de borracha horrorosas a dizer "IBERANIME" em letras amarelas/laranjas. Está tudo esclarecido! Também nos deram um horário e aí eu digo a verdade. O evento até que valia o preço. Se eu fosse jovem e inocente e acreditasse que ainda ia fazer da arte a minha vida, o evento tinha imensos workshops e actividades a que eu poderia ter comparecido. Mas como tal não é certo, em nenhum workshop se participou. Ainda assim, teve o seu quê de engraçado.

    Passámos a manhã a ver o Espaço. Admito que este ano o Iberanime ouviu as nossas críticas e preces generalizadas. Estava muito melhor organizado espacialmente. No andar de cima havia um espaço de descanso, com ar condicionado, e jogos de RPG e tabuleiros. Mais para cima, uma zona de artistas muito bem composta e um palco secundário discreto, depois de passar pelos participantes dos concursos de desenho. No andar de baixo, muitas lojas e um palco de karalhoke. Bem dividido, o palco principal. Desta vez os sons não se misturavam de palco para palco, o que foi muito bom, apesar de no recinto principal ser uma confusão de músicas e etcoeteras.

    Aproveitei a primeira visita à banca dos artistas para pedir um desenho. Houve alguns momentos de interesse nas bancas pelo que passarei a enumerar

    Bancas de Interesse que Visitei

    Banca da APC - Apesar de os cartazes da revista Cosplayer estarem constantemente a cair, segundo consta, estava muito bem arranjadinha. Segundo me disseram, já tinham ajudado um monte de gente, o que é sempre bom (cumprir com a sua função). Eu tinha-me oferecido para ir para lá tomar conta da base no Domingo: não esperava ir acompanhada e eu sei que há sempre uma fase do evento em que passo uma seca desértica. Não precisavam, mas ainda assim fui lá fazer uma visita a pretexto de dizer olá ao pessoal. Até se fez uma espécie de sugestão planeada de um eventual grupo para um eventual cosplay futuro que.... Hoho

    Banca de Coleccionismo de Dragon Ball - Pessoalmente, eu não compreendo porque precisamos de uma banca de coleccionismo de Dragon Ball. Porque não fazer uma banca com a minha (gorda) coleccção de merchandise do Gackt? Mas ao passar por lá recebi a minha primeira foto e ainda tirei uma fotinha com uma Bulma miniatura (que tem a foto mais em baixo). Conhecia a senhor que escreve as fanfictions de outro Iberanime e descobri que um dos escritos dela, que até tenho autografado, será editado em livro! Lerei seus escritos e depois logo decidirei se o compro ou não...

    Banca da Kingpin - Onde tiveram a simpatia de deixar a Ana-san deixar os meus objectos. Muito obrigada!

    Banca do Canto Direito - Com muita variedade de coisas diferentes, incluindo uns objectos muito suspeitos. Comprei um peluche!

    Banca no Meio do lado Direito - Merchandise verdadeiro! Comprei objecto!

    Interlúdio

    Sugeri irmos almoçar. Conhecendo este evento como conheço, sei que a enchente de pessoas esfomeadas se dá entre a uma e as três da tarde. Por isso o meio dia pareceu-me uma excelente hora para hamburgueres. Neste momento, fomos interpelados por um senhor. "Porque está tanta gente vestida de modo tão interessante?" "É um evento de banda desenhada e desenhos animados!" "É que eu sou professor!" E assim lhe indiquei que havia uma série de eventos ao longo de todo o ano e pelo país todo. Mais um visitante do freakshow. :>

     Cirandando

    No regresso, começámos a cumprir com o desafio imposto por mim própria: tirar fotografias a TODOS os cosplayers do evento. Quase que conseguimos... Mas isso virá mais tarde. Cirandámos bastante tempo, tirando fotos, falando com o pessoal (encontrei montanhas de gente... E surpreendentemente o Zé Gato também!), comprando coisas... Comprei uma carteira, o cão-pudim e um phone-strap do cão-pudim. E eu espantava-me... Toda a gente dizia "que fato giro!" e "que afro gira!" mas ninguém pedia fotos... E cheguei à conclusão... NINGUÉM SABE QUEM EU SOU? EU ERA A BULMA PAH! QUEM É QUE NÃO SABE QUEM É A BULMA?? Pelos vistos escolhi uma versão da Bulma tão obscura que ninguém sabia quem era... ;____; Mas não faz mal, é sempre giro andar com uma afro azul. Vejam lá como estava!


    Eu e o cão-pudim

    Mas também isso não interessa nada. Poderão saber mais sobre o meu fato no meu Cosplay Portfolio, se tiverem interesse. :) No fundo, decidi fazê-lo para ter um fato prático e confortável para andar nos eventos. Apesar de tudo, já tenho ideias para skits, huhuhu ºvº

     Coisas Relevantes Começam a Acontecer

    Chegamos à hora em que aparece a grande estrela da companhia! Concerto do Sr. Kageyama! Ora bem... Eu sou mesmo muito ignorante, mas eu não fazia ideia de quem era o senhor. Sabia que ele cantava aberturas de anime, nomeadamente a de Dragon Ball. Isto leva-me a outro problema do Iberanime... Parece que é um evento de Dragon Ball. Tem tanto Dragon Ball que até enjoa. Eu contribuí para o enjoo... Adiante!

    Enquanto esperávamos, acontece aquilo que eu considerei o momento mais surreal do evento. Portanto, estamos num evento dirigido ao público infantil. E de repente o apresentador grita "E é o momento da kiss cam!" Ora, em que constitui isto? A câmera aponta e as pessoas beijam-se. Tudo em cima para os casais que se anunciaram. Mas motivar desconhecidos a beijarem outros desconhecidos? Graças a deus que não apontaram para mim, se não tinham levado um gesto mal formado. Observámos um desconhecido a beijar uma desconhecida (que nem sequer foi a rapariga que o apresentador sugeriu, mas a amiga dela) e isso horrorizou-me. E se alguém me beijasse? Eu seria forçada a enfiar uma chapada no focinho de semelhante campeão... E isso seria muito desagradável. Só uma pessoa no planeta me pode dar beijos, diga-se de passagem.

    Não desgostei do concerto, apesar de não conhecer música nenhuma. Precisamente por isso, fiquei mesmo atrás, no trás do atrás das bancadas. O senhor já tem a sua idade, mas tem uma energia imparável, sempre a abanar a anca e a dançar, mais um bocadinho e parecia o Ney do Japão! Foi essa a energia que gostei. Mas também foi essa a energia (e o calor insuportável) que me fez cansar do concerto a meio. E assim fomos embora. O Zé ainda gravou algumas músicas, aqui está uma!


    Nota: Segundo consta houve grandes problemas técnicos durante o concerto, aos quais eu não assisti. Na verdade, só soube mais tarde. Se assim foi, contamos com a boa vontade do Sr. Kageyama, que não desistiu de nós. Mas o evento não pode sempre continuar com a boa vontade dos artistas, pelo que erros como estes deverão ser evitados a todo o custo.

     Interlúdio Número Dois

    Aproveitamos para descansar. Beber uma média (custou o preço de uma litra). Encontrar mais pessoas. Estar à sombra.

    Por todo o lado eu sentia um... Funky smell. O pitéu perseguia-me para todo o lado. Foi nessa altura que cheguei à conclusão de que eu era a fonte do fedor. Mas como? Porquê? Eu desodorisei-me... Eu tomei banho... Eu tenho os sovacos lavadinhos... A conclusão é evidente. Atingi esta realização. Eu sou um equino. E com isto em mente, poderei viver mais feliz.

    O passo seguinte do programa era ver o concurso de cosplay. Mas... Fomos raptados! Ao passar pela banca de coleccionismo de Dragon Ball, fui requerida para um concurso que ia decorrer no palco secundário dentro de instantes. Pensei "faço isto e ainda vamos a tempo do cosplay". Mas não. O workshop que estava a decorrer atrasou-se imenso e portanto portanto. Não fazia ideia do que tinha de fazer, mas aprendi as regras: duas pessoas lutariam. Cada uma faria dois ataques. Quem tivesse mais palminhas ganhava. Eu inventei e ficámos empatados. A parte boa é que empatei com o rapaz que acabou por vencer! Depois fui eliminada, ser labrega e ameaçar chapadas não funcionou.


    A parte má é que se rasgou um bocado das costas do vestido, porcaria de tecido que nem para forrar sofás serve, esta coisa! Mas arranja-se fácil. ^_^

    Ainda apanhámos os dois últimos skits... Terei de ver os vídeos para comentar! Quem tem, quem tem? =D

    O Final

    Estávamos a ir embora... Bolhas nas mãos... Bolhas nos pés... Bolhas nas bolhas... Pés são eles próprios uma bolha... Até que OHCÉUS ESQUECI-ME DO MEU DESENHO! Lá voltamos para trás, correndo sobre as bolhas. Falemos dele: ao passar pela zona dos artistas, vi logo a artista que ia fazer o meu desenho. Como sabem, encomendo sempre um desenho, para coleccionar. Esta artista tinha umas ilustrações lindíssimas de passarinhos. Ora, eu adoro passarinhos! Adoro a forma deles existirem e voarem e pularem de um lado para o outro a fazer piu. Aqueles passarinhos tão bem pintados emocionaram-me, por isso escolhi esta artista. Como não tinha ideias, disse-lhe para me desenhar a mim, a Bulma Afro. Ficou assim:

    Acho que esperava algo diferente... Algo mais como os passarinhos. Está muito, muito fixe, mas não tem aquele sentimento...

    Retiro a minha afro. O comboio para casa é o da linha de Sintra e não quero que a mitra se sinta tentada a furtar o meu cão-pudim. E agora, com algum atraso, escrevi este aborrecidíssimo relato.
    Vamos là a parte que interessa!

    FOTOFOTO

    São cento e tal fotos, por isso não posso por todas aqui. Assim, têm um link para sacarli-as todas :)

    As que gostei mais são as seguintes












    Uma única crítica ao evento

    Todos nós sabemos que o Iberanime não é um evento dos fãs para os fãs. É um evento promovido na televisão e em todo o lado para chamar um público maioritariamente infantil e adolescente, que apenas agora se inicia no mundo do visionamento dos bonecos animados nipónicos. Agora, o problema é que - disfarçado por baixo de uma campanha publicitária em que se usa e abusa da boa vontade dos cosplayers, sem sequer que eles apercebam - o evento parece publicitar-se como um "Venham ver a freakalhada! Venham ver pessoas estranhas mascaradas!" E assim as famílias cumprem com o objectivo e vão ver os maluquinhos. Isto não me parece ter muito de positivo, esta forma falsificada de mostrar o evento, pois não estamos a chamar novos fãs, mas sim fãs ocasionais, que não se integram na comunidade e não têm interesse nisso. Isso torna-nos mais dispersos, o que é problemático quando queremos organizar outros eventos com uma menor carga publicitária, e até para as pequenas coisas, nomeadamente conhecer novas pessoas: estes fãs ocasionais não aparentam ter interesse em travar conhecimento com os outros, pelo que se processa um isolamento constante de grupos e grupinhos, num estilo de escola secundária que já não é apropriado a uma comunidade com mais de uma década de existência. Mas esta problemática já vem de longe e venho-a observando desde que me juntei a este universo. Preocupa-me vastamente, por isso o refiro uma e outra vez. Perdão pela insistência.



    E assim se conclui mais um evento. Por mim, cumpriu todas as expectativas. Eram muito baixas, de qualquer forma... E se valeu a pena comprar bilhete? Para ir com boa companhia felina, claro que sim :)

    Desculpem lá o meu discurso estar ligeiramente desconexo, mas estou um bocado cansada... Espero que se tenham divertido no evento e, agora, vemo-nos no próximo! 

    Até lá!

    Até a Bulma se alimenta!
    Divirtam-se e sejam felizes! :)
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