• Samurai Flamenco

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    Samurai Flamenco
    Omori Takashiro - Manglobe
    Anime - 22 Episódios
    2013
    7 em 10

    Este anime atraiu-me simplesmente por causa do nome. Como é que alguém pode ser um samurai e dançar o flamenco ao mesmo tempo? Série muito interessante, que vale a pena ver nem que seja só pelo conceito.

    Existe um jovem modelo que, inspirado pelo seu avô, quer ser um super herói dos tempos modernos. Ele adora os super heróis, os sentais, aquele pessoal tipo Power Ranger que passa na televisão Japonesa a toda a hora para entreter a miudagem. Mas há um pequeno senão... Masayoshi não tem poderes! É só um rapaz normal! Mas, munido da sua farda, vai começando a ser um herói do dia a dia, impedindo as pessoas de fumar em sítios de não fumadores, salvando guarda chuvas e promovendo a reciclagem. Torna-se amigo de Goto, um polícia que o vai ajudando, e de Mari, uma menina mágica que tal como ele não tem poder nenhum.

    À medida que o anime vai decorrendo, vão aparecendo estranhos inimigos, cada vez mais poderosos e o anime fica com cada vez menos lógica. Mas está tudo bem, porque no fundo continua a ser muito divertido.

    Carregado de referências a essas séries da tradição infanto-juvenil, este anime é mais uma homenagem ao género do que outra coisa. A mensagem que passa é muito positiva, provando que todos nós podemos ser "heróis". O exagero das situações acresce à intensidade da comédia. Mas nem tudo é para rir. Existem cenas muito sérias, alguma violência física e psicológica. Isto adiciona à força da mensagem. No fundo, é um anime para aqueles fãs de super sentais, os de longa data, aqueles que cresceram ouvindo gritos de guerra e explosões de fumo em transformações heróicas.

    A animação está interessante, existindo muitas cenas de acção bastante bem concebidas em que a podemos ver em todo o seu esplendor. O design das personagens traz um traço muito realista ao conceito, quase dizendo que "isto pode acontecer a qualquer um de vós".

    Em termos musicais, a banda sonora é animada e cheia de energia, com algumas canções pop muito sorridentes.

    Anime interessante para os fãs mais antigos.
  • The Hunger Games: Mockingjay

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    Mockingjay
    Suzanne Collins
    2010
    Ficção Científica

    Portanto, tirei a tarde porque fui trabalhar no sábado de manhã. São seis e meia e só agora estou em casa. Antes de avançarmos para os animes semanais que estão a terminar, façamos uma interrupção com tão famoso livro. É verdade, aqui está o terceiro volume da saga Hunger Games. Para saberem mais, leiam os comentários ao Primeiro e Segundo volumes!

    Ora bem, que tenho eu a dizer? Depois do que eu gostei do primeiro volume, da impressão neutra do segundo... O terceiro só piora. Pois é... Agora o jogo é outro. De repente, Katniss vê-se envolvida numa guerra de rebeldes, numa revolução contra o sistema. Isto seria muito interessante, se não repetisse a fórmula anteriormente usada uma e outra vez, ao ponto de exaustão.

    A personagem evolui da pior forma possível: regride. As suas fragilidades enquanto adolescente estão permanentemente em causa e, por culpa delas, a história desenvolve-se a um ritmo fastidioso, sem a emoção selvagem que caracterizava a personagem. Isto perde-se, apesar de compreendermos que esta moça já passou por muito na vida. Mas a verdade é que isso só revela como ela é fraca, pois não consegue ultrapassar as situações. Nomeadamente a situação Peeta vs Gale, que se demora demasiado tempo - ao longo de todo livro - apenas para terminar de forma apressada e sem muito fundo de lógica. Deu a impressão de que a autora tinha um limite de palavras e resolveu terminar com "e então passou-se isto e isto e fim"

    Os novos personagens são muito pouco explorados e as revelações sobre os personagens antigos são demasiado inconstantes para serem levadas a sério. Da mesma forma, as descrições de paisagens e mortos (em geral) aparecem em excesso e acabam por cansar. O que realmente queremos é saber sobre a narrativa, não interessa muito sobre quem está a matar quem e como. Talvez o leitor de agora goste disto, mas o leitor de antigamente farta-se rapidamente.

    Enfim, o terceiro volume desapontou, mas gostei da trilogia no geral. Acho que a ideia está boa e está bem escrito. Talvez seja um ponto de partida para o leitor jovem, se depois disto tiver vontade de ler outra literatura em universos distópicos que seja um pouco mais complexa. :)
  • Log Horizon

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    Log Horizon
    Ichihira Shinji - Satelight
    Anime - 25 Episódios
    2013
    6 em 10

    Mais um anime que terminou agora. Este começou na Season de Outono e prolongou-se até agora, o final do Inverno.

    Uma variação dos animes de acção, que alia a magia ao universo dos Roleplaying Games. Só joguei uma vez, Ragnarok, e gostei muito da ideia. Houve algumas coisas que identifiquei e que gostei, outras de que me lembrei e gostava de repetir... Em termos de sistema de jogo, houve muitas explicações que não caíram em saco roto e que ajudaram muito a perceber o anime e a apreciar os momentos de acção, integrados como estavam no jogo.

    Mas fora esta pequena variação, trata-se de um anime de fantasia perfeitamente normal. Existem todas as classes que existem no jogo, formando uma party (festa?) constituída por elementos principais que também são transversais à maioria dos animes de fantasia inspirados neste tipo de jogo. O que mais gostei foi sem dúvida as linhas de dedução realizadas por Shiroe, o personagem principal, e a forma como ele as explicava de maneira a todos entendermos. Achei um pouco escusada a história amorosa, esse binómio, que correu em paralelo nos últimos episódios.

    Este anime poderia ter beneficiado de uma animação mais cuidada e menos uso de expressões ditas "cómicas". Parece haver um investimento bem maior nas cenas de acção, que se perde nos outros episódios com mais diálogo e menos lutas, acabando por formar uma série bastante inconsistente.

    Em termos sonoros, destaque para a OP bastante original. Efeitos e parênquima, nada que se note.

    Acabou com vontade de continuar o que, segundo consta, irá acontecer em breve. Espero bem que sim, porque gostava de saber como realmente acaba a história.
  • Inari, Konkon, Koi Iroha.

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    Inari, Konkon, Koi Iroha.
    Takahashi Tooru - DAX Production
    Anime - 10 Episódios
    2014
    6 em 10

    Primeiro anime da season a terminar, vamos lá! Confesso que tenho tudo solenemente desactualizado, mas a pouco e pouco vou conseguir terminar tudo mais ou menos nos tempos correctos.

    Escolhi este anime para ver porque me pareceu ser fofinho e porque é uma temática que me agrada, a dos deuses do folclore Japonês. Inari é uma miúda feliz mas um pouco tímida. Por salvar uma pequena raposa de se afogar num rio, a deusa Uka dá-lhe um pouco do seu poder divino. Isto significa que Inari tem agora o poder de se transformar em quem quiser, gritando um motezinho e fazendo uns gestos com os dedos. Daí, mete-se numa série de confusões, quer no mundo real quer no plano astral.

    O anime tem uma história muito querida, que no fundo é sobre fazer amigos e manter essas amizades. É uma série para meninas, da variedade das pequenas, mas por causa disso - a inocência e o tema tão simpático - acaba por ser uma experiência relaxante. Não temos cenas de acção, não temos uma grande história de amor, temos apenas a história de uma menina que faz amigos, sejam eles pessoas ou deuses.

    A arte é suave, com imagens cénicas bastante bonitas. Dá muita vontade de nos perdermos num desses templos enormes e ver todo o mundo natural que se estende por eles. No entanto, a animação não surpreende. Poderiam ter feito algo extremamente bonito em alguns efeitos, mas o CG - apesar de bidemensional - não se aplicou muito bem à situação.

    em termos de música, nada a apontar, nem positivo nem negativo. A voz da Inari pode ser incomodativa de quando em quando, porque é muito estridente.

    Um animezinho curto e simpático. :)
  • Dareka no Manazashi

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    Dareka no Manaza
    Shinkai Makoto - CoMix Wave Films
    Anime - Curta Metragem
    2013
    7 em 10

    Senhores e senhoras, meninos, meninas, cactos e plátanos, machos e fêmeas, hoje vamos celebrar! Este foi o *dundundundundun* MILÉSIMO ANIME! Pois é, cheguei ao ponto de não retorno.

    Adiante.

    Como é uma ocasião especial, e tal, tinha pensado em ver um filmaço todo jeitoso. Tenho uma série de filmes em standby para ver e decidi escolher um aleatoriamente. Calhou este e lá fui eu. Qual não foi a minha surpresa quando descobri que era uma curta de seis minutos! Mas não faz mal, porque é interessante, apesar de não passar de um spot promocional.

    Em seis minutos sabemos tudo sobre a vida de Aya, uma rapariga que tenta singrar sozinha na sua independência. Fala da sua relação com o seu pai e na tristeza de ambos, pelas situações da vida e por não estarem um com o outro como antigamente. No fundo, é um relato da vida diária, fatia-de-vida de uma realidade tão verdadeira e presente. É extraordinário como os personagens são tão próximos de nós com tão pouco tempo de antena, mas foi feito um bom trabalho.

    Bom trabalho esse que também se traduz na arte, não fosse o autor o meu querido Makoto Shinkai. Detalhada, luminosa, calma. Não é espectacular, como habitualmente, mas é muito agradável à vista.

    Portanto, esta curtinha foi uma experiência muito boa. Foi um bom milésimo anime. Agora vamos voltar à programação habitual e avançar para o milésimo primeiro.
  • Livro Sem Ninguém

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    Livro Sem Ninguém
     Pedro Guilherme-Moreira
    2014
    Romance

    Quando vou jantar com o meu pai (quase todas as semanas) ele tem o hábito de ir à Fnac. Costumamos ir ao Colombo, só por questões relacionadas com dentro ou fora de mão, e lá está ele na Fnac. Às vezes já ele comprou cinco livros quando eu chego, bem, a verdade é que quase sempre compra um, dois ou sete livros cada vez que lá vai. (Lê todos). Desta vez fui dar com ele na secção de Economia e ele revelou-me, com muita tristeza, que nesse dia não ia comprar livros. Então... Eu comprei um! Olhei para este livro e achei uma gracinha. Fui ler a sinopse, achei fofinha. Li algumas páginas, pareceu-me giro... E aqui está ele na minha montanha. Preciso mesmo de umas prateleiras novas!

    Mas... Não há bela sem senão. É sem dúvida um livro muito atractivo, mas foi um pouco diferente daquilo que eu esperava. Vamos ver...

    Este é um livro onde não há pessoas. Há poucos animais, muitas plantas e, sobretudo, os objectos das pessoas. É pelos movimentos dessas coisas que acabamos por perceber o que se vai desenrolando nesta rua onde cada casa tem uma cor. Ora, o grande defeito é que em cada casa vive um ser - que supomos que seja uma pessoa porque usa chapéus de chuva, óculos e sapatos, entre outros - que acaba por ser um estereótipo, daqueles feios. Temos os velhos, temos a adolescente grávida, temos ciganos, temos gays e uma pessoa que não se percebe muito bem o que é. A florista faz arte, no café vê-se quem morre (o café até parecia ser bom, com a sua variedade de chás, mas é um bocado tétrico). Ah e temos a origem de todos os males, que são os drogados. Foi esta a primeira coisa que não gostei: cada estereótipo está etiquetado com uma faixa de "bom" ou "mau". Para o autor, todos os ciganos são violinistas e todos os drogados são maus. E pelos vistos o autor também vive nos anos 90, porque os drogados andam a dar no cavalo ao lado das casas das pessoas.

    Também pensei que o livro pudesse ser confuso, dado que não há exactamente personagens. Ou não deveriam haver. A verdade é que a cada personagem acaba por ser dado o nome de um objecto. A bengala, a gramática verde clara, o lenço aos quadrados, os sapatos vermelhos, os óculos azuis, as camisas negras. Cada um é o habitante de uma das casas. Para isso mais valia ter feito tudo com pessoas e ter-lhes dado os nomes de José, Manela e Isaura.

    Gostei da descrição das mudanças na horta, embora me tenha parecido que para haver tanta vida vegetal a horta deve ser enorme. Mas foi essencialmente isso o que gostei. Porque de resto a história é vulgar, um crime passional, um acidente, um assalto. A sinopse dizia que através dos objectos se ia falar de intolerância e justiça e muitas coisas, mas isso é verdadeiramente impossível quando os personagens não têm a profundidade das pessoas reais.

    Ainda assim, o problema pode ser meu. Vamos submeter o livro ao teste do BookRing!
  • O Baile

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    O Baile
    Nuno Duarte e Joana Afonso
    2013
    Banda Desenhada

    Quando esta BD ganhou os prémios todos do AmadoraBD, pensei que seria bom lê-la para me informar melhor (como o tenho vindo a fazer) sobre este universo aos quadradinhos. Mas quando cheguei à banca da Kingpin... Já estava esgotado! Mas houve uma segunda edição! Então fui à festa de lançamento, onde o comprei e me deram este belíssimo autógrafo:


    Confesso que o tema "zombies no Estado Novo" não era algo que me atraísse. Mesmo assim, queria ler o livro e tirar a prova por mim mesma. Não me podia ter surpreendido mais... E pela positiva!

    Rui Brás tem a triste sorte de ser inspector da PIDE. É enviado para um vilarejo onde algo estranho se está a passar... E descobre o que realmente se está a passar. Um policial com um twist de terror fantástico, muito bem localizado no tempo e no espaço. Começo pelo personagem principal: ele poderia ser apenas um mocinho mascarado de vilão, mas tem mais profundidade que isso. De forma breve mas enxuta, é-nos dado a conhecer o grande descontentamento deste inspector e a sua falta de motivação. Não é que seja um homem bom, mas é um homem como todos os homens e tem a sua fraqueza no sofrimento dos outros. Daí que faça muito sentido a sua tentativa de proteger os habitantes da aldeia e a acusada de feitiçaria que se tornará sua protegida.

    Os outros personagens são tipicamente portugueses, nos seus hábitos e - sobretudo - na sua linguagem. A linguagem vernacular invade todo o livro, colocando-nos como mais um estranho na aldeia, tal como Rui Brás. Em termos de personagens, o vilão (que não poderei revelar para não tirar a graça ao livro) está desenvolvida de maneira muito especial, notando-se o cuidado em lhe dar traços de personalidade que se coadunam mais tarde com as razões pelas quais ele está a fazer mal à vila. O mal, são os mortos que vêm do mar. Zombies marinhos, portanto. Aí está uma forma original de pegar no assunto dos zombies, tantas vezes repetido e espezinhado que acaba por chatear.

    Nada isto seria possível sem uma arte detalhada e muito própria, com traços fortes nos personagens, quase caricaturais da figura humana. Integram-se perfeitamente nos padrões e cores dos fundos, criando um ambiente de horror quase infernal na pequena aldeia onde se passa a história.

    Ah, e adorei a dica das musicas que passavam na rádio!

    Realmente, uma bd excelente!
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