Gyo
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Gyo
Hirao Takayuki - ufotable
Anime - Filme
2012
6 em 10
Quanto coloquei online a review de Hideout recebi Gyo como recomendação de um trabalho em terror e absurdo perturbador. Mas acho que devia ser o manga, porque o anime não é nada do outro mundo.
Aparecem-nos uns peixes com pernas que estão infectados com um vírus (ou bactéria, eles não têm a certeza) que provoca gás. A nossa heroína vai à procura do namorado dela e tem de fugir dos peixes e das pessoas infectadas, que ficam cheias de gás também. Andam nuns aparelhos com perninhas.
Enfim, a história tem bastante para ser esquisita, mas simplesmente não consegue. Houve apenas um momento em que fiquei realmente para lá de Bagdad (em Ahgrabah, portanto), que foi quando apareceu aquele circo vindo do nada. Isto é, a história tem potencial, mas os personagens não apoiam esse potencial e tornam-na num lugar comum, pois todos eles e suas relações são pura vulgaridade.
A arte também não ajuda. Acho que o terror surtiria mais efeito se as cores fossem mais escuras. O efeito animado do fundo, com o gás "no ar" não transmite nada sem ser irritação. Não passa para este lado o tal mau cheiro, o cheiro a morte, de que tanto falam. Também a música não trás nada de novo.
E ficam muitas questões. No final é dado a entender que este gás tem pensamento próprio e que provavelmente é alienígena, mas o que me ficou realmente atravessado é... Como é que os aparelhómetros das perninhas aumentam de tamanho para se adaptarem a criaturas cada vez maiores?
Enfim, acho que este não me vai causar pesadelos esta noite.
By : ladyxzeus
White Album
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White Album
Shioya Yoku - Seven Arcs
Anime - 13 Episódios
2009
6 em 10
Aqui está um anime para o qual tinha expectativas muito baixas e que me surpreendeu pela positiva. Pelo que entendi da sinopse, tratava-se de um harem. E um harem é sempre uma coisa chata. Pois que em White Album há um personagem principal rodeado de meninas mas que não se comporta como o típico líder de harem. E isso trás frescura à nossa vida!
Fujii-kun é um jovem universitário que tem uma namorada. Infelizmente, essa namorada - Yuki - é uma estrela pop em ascensão, uma idol, uma aidoru. Após uma série de desencontros, a pressão da sua ausência acaba por se abater sobre as relações sociais que ele mantém com outras mulheres. No meio disto está Rina, uma outra aidoru, que quer ajudar a que o casal se mantenha e os tenta ajudar, se bem que me parece que pode haver outros interesses por trás disto. Isto dá uma história interessante e diferente do típico harem, um pouco novelesca mas ainda assim envolvente.
No entanto, talvez por esta ser apenas a primeira parte e ainda faltarem mais 13 episódios de uma segunda season, o comportamento dos personagens pareceu muitas vezes errático e com objectivos pouco claros. Isto atinge todas as personagens femininas, o que leva a que o seu desenvolvimento fique para trás.
A arte tem três fases distintas, que se intercalam em todos os episódios: a da arte dita "normal", a da arte dita "terrível" e a da arte dita "artística". Esta última é a que trás mais colorido à série, pois tratam-se de sequências em aguarela de linhas fluídas, que parecem representar a visão do sonho do personagem principal, a visão da "deusa do dia" que ele tem para todos os dias. Também há a utilização de uma estrutura narrativa com uso de palavras escritas nos painéis, que representam os pensamentos do personagem principal e que nos dão mais algumas luzes sobre o que se está a passar na cabeça dele.
E agora, uma parte interessante. Eu quando começo a ver séries dou muito pouca atenção aos voice actors, não acho que eles mereçam o estatuto de ídolo que têm no Japão e portanto não lhes ligo nenhuma. Mas, além do Seki Tomokazu (o meu actor de voz preferido e o único que consigo identificar se o ouvir), conheço um par de nomes. Dois deles são Aya Hirano e Mizuki Nana. Que por acaso dão voz às duas personagens principais. Ora, tendo duas actrizes conhecidas por cantarem a fazerem a voz de cantoras, seria de esperar que o anime tivesse muita música. Pois que não tem. O anime foca-se bastante na vida das cantoras enquanto profissionais, mas não enquanto artistas. De resto, a banda sonora... Mal se dá por ela. Por vezes pode aparecer um pouco anti-climática, mas nada de especial.
Fiquei convencida e já aí vem a segunda season a caminho para eu a ver.
By : ladyxzeus
Insegurança, Medo e Coragem
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Insegurança, Medo e Coragem
Rafael Llano Cifuentes
1997
Ensaio
Isto é uma coisinha de 70 páginas que li enquanto estava à espera que chamassem a minha senha na secretaria da faculdade (tive de ir lá buscar um certificado de matrícula). Enfim, recebi-o num RABCK (Random Act of BookCrossing Kindness) do, evidentemente, BookCrossing. Como o livro que eu tinha escolhido, de um autor japonês, já não estava disponível, disse ao dador que escolhesse um livro por mim. Escolheu este. Será que isto é alguma insinuação? Tem uma nota na primeira página que diz que foi levado para um retiro em Fátima, o que achei fofo. Mas o livro não é nada fofo.
É um livrinho de catequização disfarçado de livrinho de auto-ajuda. O autor fala em como a insegurança e o medo advém de não admitirmos que somos originalmente pecadores (eu não sou! Ai!) e que a coragem advém de termos fé (ou então não! Ai!). Isto é, é uma meditação agradável para quem encontrou o seu caminho no deus dos Cristãos, mas eu não encontrei o meu caminho no deus dos Cristãos por isso estava permanentemente cheia de vontade de deitar o livro no ecoponto azul mais próximo. Não o vou fazer, vou abandoná-lo num sítio mais bonito, quiçá ali ao pé da igreja das testemunhas no fim da rua.
Porque eu sei que tenho inseguranças e medos, melhor do que ninguém. O senhor Cifuentes não me deu novidade nenhuma. E eu sei que se for procurar coragem, não vai ser nenhum deus que ma vai dar, ela vai estar dentro de mim. Porque o meu deus, a minha Deusa aliás, não se importa muito com as pessoas, tem de tomar conta do universo todo, é o universo todo (e consequentemente, nós também somos parte). Mas isso são coisas que não vos interessam, a minha visão de deus e coiso, por isso vou deixar-vos sossegados. Suponho também que ninguém queira este livro, por isso também não o vou oferecer aqui.
Vou deixá-lo sossegadinho. Talvez ao pé da igreja de Benfica! Aliás, lá dentro! Yaay, sou uma grande encontradora de sítios para abandonar livros! =D
By : ladyxzeus
A Drunken Dream and Other Stories
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A Drunken Dream and Other Stories
Moto Hagio
Manga - 10 Capítulos/1 Volume
1970-2007
7 em 10
Estávamos portanto a passear e pensámos "vamos à Fnac". Claro que fomos logo para a secção da Banda Desenhada, onde ele se embrenhou nos comics e eu fiz a mesma coisa com o manga. E vi este volume enorme, capa dura, lindíssimo. "Tem defeito, custa 10€" Claro que o vou levar! E, diga-se de passagem, não cheguei a encontrar o defeito.
Isto é uma colecção de histórias curtas, como eu gosto, encabeçadas (ou será que é no fim?) por uma entrevista intimista à autora e um pequeno artigo sobre a origem do género shoujo no manga, lá nos anos 70. Moto Hagio foi da geração fundadora deste género e na entrevista compreendemos as dificuldades e os entraves da indústria, liderada por homens de meia idade, durante a concepção e nascimento do género.
As histórias são muito variadas, sendo as minhas preferidas Hanshin e Iguana Girl. A primeira trata de duas gémeas siamesas, uma feia e inteligente e a outra muito bonita mas atrasada mental. Fala na perspectiva da irmã feia e sobre a sua dor por não ser aceite e por ter outra pessoa à qual é sempre comparada, apesar de ela acabar por se tornar nessa pessoa no final (mais não digo, porque o final é mesmo extraordinário). A segunda é sobre uma rapariga que é vista como uma iguana pela mãe e a sua luta diária contra o sentimento de inferioridade que tem em relação à irmã. Como podem ver, há nestas histórias um tema recorrente, que é o dos irmãos e das famílias que não aceitam os filhos tal como eles são. Isto parece ser algo pessoal da autora, confirmado por alguns trechos da entrevista em que ela fala sobre as dificuldades e incompatibilidades que tem com a mãe.
As outras histórias são muito variadas, sendo as primeiras muito avant-garde para a época, no que respeita aos sentimentos das personagens. Existe uma história a cores que é ficção científica com um toque de espiritualidade. Aparentemente a autora foi uma das revolucionárias da ficção científica em modelo manga, pois a maior parte das suas histórias mais longas são passadas em universos futuristas e fantásticos.
No entanto apenas aquelas duas histórias me moveram verdadeiramente. Além disso, não notei nenhuma evolução estilística ao longo de quase 40 anos, apesar de se ver evolução no uso das técnicas. E hoje em dia o estilo dos 70s acaba por não funcionar bem em comparação com os designs dos artistas mais jovens que vieram substituir esta geração.
De uma forma ou de outra, é um estudo muito interessante que nos revela bastantes coisas sobre a história do manga e como se fazia manga há tanto tempo atrás. Se encontrarem este volume, recomendo. Mesmo que não tenham o meu golpe de sorte de o encontrar "com defeito".
By : ladyxzeus
PaniPoni Dash!
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PaniPoni Dash!
Shinbou Akiyuki - Shaft
Anime - 26 Episódios + 1 OVA
2005
5 em 10
É certo e conhecido facto de que esta gente da Shaft é dona de grande capacidade inventiva de maluqueiras. Infelizmente, estou para ver o dia em que façam uma de jeito (não foi com Sasami, não) Fui para este anime sem qualquer tipo de expectativa, sem ver a sinopse, sem nada. Disseram-me "gostaste de Excel Saga, isto é uma comédia randómica tipo Excel Saga". Isto deve uma explicação: eu vi Excel Saga na Sic Radical. Evidentemente, pensei que era o supra-sumo da barbatana, nunca tinha visto nada igual. Fosse hoje, já não lhe daria uma nota tão alta (creio que está classificado com um 9 na minha lista). Fosse hoje, tudo seria diferente.
E foi nos dias de hoje que eu vi PaniPoni Dash! Infelizmente, não foi há dez anos atrás.
O anime segue as aventuras e desventuras de uma professora de onze anos e das suas alunas. Admito que a comédia é um género cuja avaliação é extremamente subjectiva, mas a verdade é que nenhum dos gags (e eram seguidos, a ritmo de metrelhadora, sem uma história a acompanhar, sem qualquer tipo de desenvolvimento ou reflexão) me fez rir. Excepto o primeiríssimo, no primeiro episódio, com os semáforos. A partir daí a qualidade foi ficando cada vez pior. Podem argumentar "não achaste piada porque não percebeste!". Pois bem, eu já vi anime suficiente para perceber metade destas referênciazitas que andam por todo o anime. Para a outra metade, o folder que eu recebi por torrent possuía um lindo .pdf com notas dos tradutores. Que amigos que eles foram. :)
Eu poderia aceitar uma série só de gags se a arte fosse minimamente observável. Fi-lo com Zetsubou Sensei, porque não com PaniPoni? A razão é simples. Os designs, a animação, tudo o que é relativamente ao desenho neste anime é simplesmente pavoroso. Os uniformes escolares desta escola ganham, para mim, o prémio de "uniforme escolar mais feio alguma vez criado". Fazer desenhos tortos pode ser engraçado para alguns, mas a mim faz-me arrancar cabelos. Bem, não preciso, eles caem sozinhos.
Pelo menos temos uma banda sonora vivaz e muito variada. Ou nada salvaria este anime da completa e total desgraça.
Talvez se eu o tivesse visto há 10 anos atrás... Bem, há 10 anos atrás ele não existia.
By : ladyxzeus
Nijiiro Hotaru: Eien no Natsuyasumi
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Nijiiro Hotaru: Eien no Natsuyasumi
Uda Konosuke - Toei Animation
Anime - Filme
2012
7 em 10
Yuuta é um rapazinho a quem, ao cair de uma ribanceira abaixo, lhe é dada a oportunidade de viver umas férias de Verão inesquecíveis. Nos anos 70. Numa aldeia que foi afogada por uma barragem.
O filme acaba por ser um pouco inconsistente em termos objectivos de qualidade. Comecemos pela arte. É um pouco difícil de nos habituarmos a ela, creio que funciona melhor numa curta do que numa longa-metragem com quase duas horas. Os traços são fortes e muito fluídos, mas isso acaba por trazer grande naturalidade aos movimentos dos personagens. Os fundos são aguarelas, verdes pouco vibrantes. Acabam por ser as cenas nocturnas aquelas que trazem mais ênfase à arte, existindo alguns momentos soberbos de animação - nomeadamente a "corrida" de Yuuta e Saeki. O filme é todo sobre gambuzinos (como se chamam os bichos que brilham no escuro, que agora me falta o nome?) e a são eles que iluminam grande parte do filme, o que trás uma beleza quase contemplativa, só em algumas cenas.
A história é muito simples e reflecte pouco sobre alguns valores sobre os quais se poderia focar, como o valor da amizade, o amor verdadeiro e a inocência da infância. Está bem construída devido às cenas de flashback, cuja animação diferente acaba por as tornar a parte mais interessante do filme.
Também é inconsistente na música, com variação entre peças bastante originais e algumas bastante clichés. Ainda assim as cenas mais belas são-no por causa da música, que lhes adiciona luz de pirilampo (lembrei-me do nome).
Um filme agradável, próprio também para os mais pequenos se se encontrarem as legendas apropriadas. Espero que o façam em Português também, pois não me importaria de o mostrar aos meus pequenos escravos.
By : ladyxzeus
Evangelion: 3.0 You Can (Not) Redo
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Evangelion: 3.0 You Can (Not) Redo
Tsurumaki Kazuya, Anno Hideaki e Maeda Mahiro - Gainax
Anime - Filme
2012
8 em 10
Nos 90s tivémos Neon Genesis Evangelion. E o pessoal passou-se. Agora no novo milénio temos uma nova interpretação da história: Evangelion. E o pessoal está-se a passar. E eu, com grande orgulho, faço parte desse grupo de pessoal.
You Can (Not) Redo é o 3.0, o terceiro filme. Catorze anos se passaram desde o 2.0. Shinji Ikari continua igual, mas o mundo à volta dele mudou. Agora a Nerv é a má da fita (não que fosse muito boa peça antes, de qualquer forma) e ele não pode conduzir EVAs. É importante ter visto os outros dois filmes primeiro, e se calhar também a série, para se poder compreender bem o nível do que se passou neste mundo, o impacto (literalmente) das mudanças e as consequências que elas têm para o, desde o início, frágil Shinji. No entanto o filme também pode funcionar sozinho, já que trata sobretudo da glória e queda da amizade entre este e Kaworu (um dos meus fofos). Num sentido mais lato, é precisamente sobre isto que o filme trata. E é por isso que o desenvolvimento do personagem, Shinji, funciona de forma tão intensa e envolvente. Shinji aparece quase como uma folha em branco perante o novo mundo e a evolução de adaptação para ruína conjuga-se com a sua personalidade inicial, fraca e dependente.
Mas talvez eu tenha esta impressão por ser fã incondicional da série original e me ser difícil deixar de comparar e de procurar mais detalhes nela.
Também me vai ser necessário comparar, desta vez com os dois primeiros filmes, no que respeita à animação. No segundo filme a minha impressão foi, ao minuto cinco "dou 9 ou 10 a isto?", simplesmente porque a animação estava tão fora de todos os parâmetros. Desta vez tal não aconteceu. Não existem tantas "lutas", como tantos fãs gostam de chamar e ver, mas para compensar temos um valor artístico incomparável aquando da composição das paisagens e dos personagens inseridos nelas. Alguns momentos são quase quadros, conceitos profundos e dolorosos que nos ajudam a compreender este novo mundo e acrescentam ao processo de (in)adaptação de Shinji.
A música é outro aspecto extremamente bem estruturado. Se ao início me parecia vulgar, assim que apareceram as peças a quatro mãos para piano mudei completamente de ideias. Não podia estar mais perfeita. Tive um bocadinho de saudades do violoncelo.
Até agora este remake está uma coisa do outro mundo. Vamos ver o que nos reserva o 4.0.
Resume-se numa palavra: bruto.
By : ladyxzeus