• A Viagem do Elefante

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    A Viagem do Elefante
    José Saramago
    Romance
    2008

    Mais uma vez, Saramago surpreende pela sua simplicidade. Não pode haver nada mais simples do que esta história: Salomão, um elefante que já tinha vindo da Índia, vai de Portugal à Áustria acompanhado pelo seu condutor Subhro. E é só isto. Neste livro vemos as aventuras deste elefante enquanto caminha de Portugal a Espanha, de Espanha à Itália, da Itália aos Alpes e dos Alpes a Viena. Só que as aventuras do elefante não são nada de especial. São apenas caminhar, comer, dormir, fazer um milagre e lembrar-se da Índia. Mas descritas com tanta graça e mestria que se torna um prazer ler este livro.

    Como habitual, temos personagens que podiam ser qualquer indivíduo. Mas sendo qualquer um, são - efectivamente - indivíduos, excelentemente caracterizados e com personalidades fortes e bem definidas. Nem uma personagem é esquecida, até os figurantes são únicos e possuem uma vida só deles. Isto contribui para a riqueza da história e para o detalhe do ambiente em que estamos. Este ambiente, a Europa do século XIV, é descrito com graciosidade, usando de comparações com a actualidade a que o narrador pertence.

    Uma beleza extraordinária, derramando sensibilidade a cada palavra. Saramago é, sem dúvida, um dos Escritores da nossa era.
  • Usagi Drop

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    Comentário original em inglês aqui: http://myanimelist.net/forum/?topicid=364233#msg12326461

    Usagi Drop
    Kamei Kanta - Production I.G.
    Anime - 11 Episódios
    2011
    7 em 10

    Antes de mais, temos de admitir que Usagi Drop é um conceito original com uma execução original. Não é comparável a outros animes simplesmente porque não há outro anime com a intenção de Usagi Drop. Neste anime queremos caracterizar o assunto de "ser pai". O melhor que temos noutros animes é "babysitting". Nunca antes vi um anime que tem a posilção clara de que quer falar dos problemas de ser um pai  e a consequente felicidade dessa vida. Por esta originalidade tinha grandes expectativas para isto. Elas não foram destruídas, mas sinto que algo faltou durante toda a série. Vamos tentar ver o que é!

    Comecemos pela história. Não há nada mais simples que esta história: um tipo descobre que o seu avô tem uma filha. Como ninguém quer tomar conta da criança, ele leva a pequena e começa a partilhar a vida com ela. Funciona, definitivamente funciona. A fórmula slice-of-life é perfeita para este tema, porque se foca nos problemas diários desta família recém-nascida. Não tem uma conclusão. Eu gostaria (pessoalmente) de ver a Rin-chan a crescer e a ter uma vida feliz depois da infância, mas temos um final agridoce apesar de tudo. No entanto, ter a série incompleta não é algo mau, porque deixa espaço à nossa imaginação (e para o resto do manga que, aparentemente, é também a pior parte da série)

    Os personagens são muito humanos e reais. Eles são caracterizados numa extensão que nos permite identificar-nos com eles (por exemplo, as más manhãs do Daikichi, eu achei esse detalhe absolutamente essencial) As crianças também são muito reais, excepto a estrela do show: Rin. Tão amorosa quanto uma criança pode ser, Rin é uma impossibilidade da natureza. Ela é madura, tá ok, ela é boazinha, tá ok, ela é simpática, tá ok. Mas ela é tanto tudo isto, num esforço tão grande de agradar a todos, que ela não passa por criança. Crianças fazem birras, crianças são chatas, crianças são sujas, e Rin-chan não é nada disto. Eu lido muito com crianças e, tanto quanto são boas e fofas, elas também são criaturinhas horrorosas às vezes. Rin é sempre amorosa! A minha mãe diz que eu era uma criança maravilhosa, que eu me portava como uma senhora pequena (hoho), mas até eu fazia birras de vez em quando. Como aquela vez em que eu queria as minhas unhas cortadas em forma de meia-lua. Este tipo de caracterização, ilustrada por todas as situações em que participam, é uma falha séria. Todas as outras crianças, especialmente Reina-chan, estão bastante bem, mas aparentemente existem para enfatizar o quão Rin é especial e maravilhosa. Aposto que se ela fosse horrívei Daikichi pensaria duas vezes em tê-la como "filha". E ele nunca pensa duas vezes, nunca hesita, e isso não é culpa dele, é culpa da caracterização da Rin.

    A arte é muito bonita e o design de personagens apropriado. A falta de pessoas bonitas é um alívio. Teria gostado de fundos mais ricos, mesmo com o design de aguarela presente durante toda a séria, mas assim também está bem.

    A música é bonita e apropriada. A OP e ED são agradáveis e vou ouvi-las de novo.

    Num todo, uma série que eu recomendo por ser tão única, mas ainda assim com muitas falhas.
  • Kimikiss Pure Rouge

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    Kimikiss Pure Rouge
    Kenichi Kasai - Bandai
    Anime - 24 Episódios + 1 Special
    2007
    6 em 10

    Em relação a esta série, há uma imensa questão que se coloca: porquê? Porque é que é má? Porque é que os personagens são todos idiotas? Porque é que as miúdas são todas atrasadas mentais? Porque é que eu vi isto? Aliás, porque é que eu tive vontade de ver isto?

    Mas enfim, a resposta a todas estas dúvidas é misteriosa, e o que interessa mesmo é a razão pela qual eu faço estas perguntas. Kimikiss é um estranho híbrido entre um shoujo e um harem, com uma série de personagens principais que se relacionam umas com as outras da maneira mais infantil possível. A história começa com uma rapariga que vem de França para acabar os estudos no Japão (como se alguém fizesse isto, lol) e vai para casa do seu amigo de infância. Entretanto, todos arranjam namorados e namoradas e todos têm dúvidas em relação a esses amores. Mas a maneira como tentam encontrar soluções e a sua tomada de decisões é absolutamente idiota e insuportável para mim, que penso sempre na forma mais prática de resolver as coisas.

    Um conjunto de personagens que roça o irritante e o inútil, em especial as miúdas mais novas taradas por sapos e soba, com estereótipos mal definidos para cada um e um desenvolvimento muito fraco e conclusões injustificadas.

    Arte normal, graças a deus sem fanservice, com bastantes erros facilmente evitáveis mesmo com uma fraca produção.

    Música desapropriada, sem grande intensidade, que não adiciona nenhum efeito positivo às cenas que ilustra.

    Em resumo, um anime sobre pessoas anormalóides que fazem coisas anormalóides e que me irritam.
  • Mobile Suit Gundam Seed C.E.73: Stargazer

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    Mobile Suit Gundam Seed C.E.73: Stargazer
    Hajime Yatate (História original de Tomino Yoshiyuki) - Sunrise
    Anime - 3 Episódios
    2006
    5 em 10

    O OVA definitivo: definitivamente, odeio Seed.

    Completamente desnecessário, sem adicionar nada à história além de que os maus são os maus e os bons são os bons. Ora, em Gundam nunca houve maus nem bons (ou pelo menos não havia). Havia era pessoas com perspectivas diferentes. Eu nem sequer percebi grande coisa do que se estava a passar, excepto que aquela gente foi vítima de lavagens cerebrais, que havia um gajo giro, que se perderam no espaço e pensam que vão morrer mas que vai alguém buscá-los.

    Não compreendo para que é que fizeram isto. Os personagens são mais do mesmo, a história é mais do mesmo. A arte é satisfatória e existem boas cenas com animação bem feita e sem grande recurso de CG, o que vem sendo cada vez mais habitual nos meus Gandamus. A música nem me lembro dela.

    Claramente um 5 e dos piores Gandamus alguma vez criados.
  • Rain Town

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    Rain Town
    Ishida Hiroyasu - Independente
    Anime - 1 Episódio
    2011
    6 em 10

    Como é uma coisinha muito pequena, vou deixá-lo aqui:

    Rain Town é um trabalho de final de curso, né? Eu adoro-os, porque normalmente são muito originais tanto no conceito como na execução.

    Mas este foi um desapontamento. A arte era interessante, mas a caracterização da cidade foi pouca. Era vazia, era chuvosa, mas onde estava a emoção por trás dela? Foi insossa.

    A história é muito simples e muito vulgar. A simplicidade não foi contraposta com uma grande intensidade. O que aconteceu à menina e ao seu robot não é amoroso, trágico ou qualquer outro sentimento. Acredito que esta era a intenção por trás do trabalho, mas não se traduziu bem no ecrã.

    No final, espero que este tipo tenha tido uma boa nota, porque as suas intenções são puras. Mas não recomendo.
  • Sex Pistols

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    Sex Pistols
    Iwanami Yoshikazu - Frontier Works
    Anime - 2 Episódios
    2010
    5 em 10

    As minhas palavras a meio do primeiro episódio do OVA: Isto é idiota. As minhas palavras agora: Isto é muito idiota.

    O OVA de Sex Pistols não tem ponta por onde se lhe pegue. Não há uma história coerente que se perceba. Não há personagens interessantes. É tudo gay ao cubo desnecessariamente. Comédia forçada, drama forçado, tudo forçado. Eu não estava à espera de nada quando vi isto, aliás eu só espero que anime BL seja mau porque é o costume, mas saí daqui a bater com a cabeça nas paredes.

    A arte não está mal de todo, mas os designs dos personagens são bastante irritantes. O mesmo para as vozes, aqueles gemidos são de levar qualquer um ao suicídio. E não é por serem excitantes.

    Além disso, sabe-o toda a gente com três dedos de testa, os seres humanos não evoluíram dos macacos. Nem sequer somos do mesmo Género. Somos é da mesma Família, porque evoluímos do mesmo dinossauro e, por isso, somos todos primatas.

    Uma bela bosta, mas nunca se pode esperar mais que uma bela bosta de um anime de BL. Tudo o que é melhor que cócó é uma jóia e deve ser amado. Sex Pistols não.
  • Spring and Chaos

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    Spring and Chaos
    Kawamori Shoji - Group TAC
    Anime - Filme
    1996
    6 em 10

    Este filme é uma estranha biografia do famoso autor Kenji Miyazawa. Criador de Night at the Galactic Railroad, Miyazawa distingue-se pelas suas histórias carregadas de simbolismo e por os seus personagens serem normalmente animais. Pegando nisto, o director deste filme decide caracterizar o autor como um animal, um gato. Ele e todas as pessoas que o rodeiam. Este gato vai vivendo a sua vida, análoga ao seu equivalente real, rodeado de outros gatos e cães e outros bichos que tais.

    Infelizmente, não descurando a sua grande imaginação e belas histórias, Miyazawa não aparenta ter tido uma vida especialmente interessante. Assim, o filme não tem grande coisa por onde pegar. Tenta caracterizar a vida e as relações de Miyazawa com os outros, mas estas não parecem ser muito profundas. Há poderosos momentos que ilustram o processo criativo do autor e estes estão muito bem concebidos, mas fora isso não há muito por onde se lhe pegue.

    Os designs parecem um pouco mal-tratados e a arte no geral parece ser descurada. Excepto no processo criativo, em que se utilizam uma série de técnicas originais, tudo o resto está abaixo do normal.

    A música é boa, como só a música clássica pode ser, mas é uma confusão. A versão japonesa do Ave Maria de Shubert é bonita, mas fora isso é tudo o caos (e a Primavera, hah).

    Uma boa homenagem ao autor, mas fora isso nada fora do vulgar.
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