• Miss Major Speaks

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    Miss Major Speaks
    Toshio Meronek & Miss Major
    2023
    Entrevista


    Livro que li para o BookClub LGBT do Círculo dos Cogumelos.

    Trata-se de um conjunto de entrevistas a uma das figuras mais relevantes do activismo queer, Miss Major, uma travesti transexual negra que - essencialmente - esteve em todos os momentos relevantes da história LGBT dos Estados Unidos.

    As histórias que ela nos conta são de uma importância extrema e esta senhora é um poço de história. Mas mais do que isso, as histórias que ela nos conta mostram-nos as injustiças que as pessoas transexuais, as pessoas negras e as pessoas que - transversalmente - são as duas coisas, sofrem às mãos das políticas sociais e da polícia, e sempre foram sofrendo ao longo dos anos. Mas o seu discurso traz também esperança e, sobretudo, muita compaixão e amor, o que certamente trará muito alívio às pessoas em dificuldade à volta do mundo que terão oportunidade de ler este livro.

    Para as pessoas transexuais, este livro é essencial para que compreendam a sua própria história, de onde vieram, para onde vão. Para os aliados, como eu, este livro é precioso para que se compreenda como podemos ajudar melhor, quais as dificuldades que as pessoas enfrentam e como as podemos resolver.

    Por isso, recomendo vivamente.

  • Spider-Man

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    Spider-Man
    Sam Raimi
    2002
    Filme
    6 em 10


    Um dos primeiros filmes de super-heróis, no tempo em que ainda os faziam como deve ser e ainda não havia "multiversos" para aqui e para acolá. Na verdade a review do "Spiderverse" que eu escrevi há pouco era para ser deste filme mas olha, enganei-mes.

    Adiante. Neste filme colocam Peter Parker na escolinha e ele ganha os seus super-poderes e põe-nos imediatamente em acção contra alguns bullies. Depois temos algumas cenas espectaculares - sobretudo para a época - dele aos pulos pela cidade e logo logo aparece o inimigo, que é o Green Goblin. 

    É um filme bastante satisfatório e com alto valor de entretenimento, mas que não traz nada de novo em termos intelectuais. Temos cenas de acção muito boas e que nos mantém agarrados ao ecrã, mas para quem espera aprender algo com o Homem Aranha, veio à sala errada.

    De todos os modos, fiquei satisfeita por - acho que pela primeira vez na vida - ter visto um filme de super-heróis não totalmente detestável.

  • Gladiador II

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    Gladiador II
    Ridley Scott
    2024
    Filme
    3 em 10


    Se o primeiro Gladiador era uma festa de anacronismo histórico, este Gladiador é um absurdo.

    Um "selvagem" é raptado pelos romanos e posto à prova contra uns macacos. Tendo sucesso, é comprado para fazer as vezes de gladiador e o seu dono oferece-lhe a cabeça de Acacius em troca do seu trabalho na arena. Acacius é um general bem parecido (é o Pedro Pascal) que conquistou a terra dos selvagens e está a fazer um trabalho político para destituir os "Imperadores", uns manos maus e doidos com sede de sangue.

    E préupréupréu pardais ao ninho, banhos de sangue, tubarões no coliseu romano, gente a montar rinocerontes, uma sucessão de coisas impossíveis e doidas que não fazem sentido nenhum nem no seu contexto histórico, nem na realidade, nem em sítio algum sem ser na cabeça maluca de Ridley Scott, que nem sequer tem a capacidade de produção para me animar o mar como deve ser e para fazer uns barcos digitais com um mínimo de realismo.

    Filme mais horroroso que vi este ano, certamente, e o mais parvo também.

  • Anora

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    Anora
    Sean Baker
    2024
    Filme
    6 em 10


    Vencedor da Palma de Ouro deste ano, este filme fala sobre uma "dançarina exótica" que é seduzida pelo filho palerma de um oligarca russo e se casa com ele. Rapidamente o amor se desfaz quando a família do rapaz vem anular o casamento proibido e ele desaparece no tempo e no espaço e Ani (Anora), tem de o procurar juntamente com os capangas do oligarca para salvar a pele.

    Digamos que o filme está dividido em duas partes, uma muito desinteressante e uma muito mais gira. A primeira parte, a da sedução, mostra-nos Ani e o seu novo namorado em festas e diversões de gente rica, a fazer o amor loucamente, a dançar, a fazer mais sexo, a consumir drogas, sexo e etc. A segunda parte, com extensas cenas de um só take, é muito mais cativante, e consiste na perseguição ao jovem desaparecido. A actriz faz um papel heróico, seduzindo, gritando e, mais tarde, percebendo o seu erro e - literalmente - passando-se da marmita. 

    Assim, temos um filme que é tanto super engraçado como assustador e tenso, e ao mesmo tempo com um final um pouco duvidoso e ao mesmo tempo comovente.

    Ainda assim, não me encheu as medidas, e creio que poderia ter sido abordado de outra forma.

  • O Homem Elefante

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    O Homem Elefante
    David Lynch
    1980
    Filme
    7 em 10


    Um filme comovente que conta a história real de Merrick, um homem com uma doença que, no século XIX, era considerado um freak da natureza e mantido num circo até um médico o resgatar. Após esse resgate, descobre-se que este homem vítima de uma mutação não é um monstro, é uma pessoa delicada, culta e ansiosa por se integrar na sociedade e ser tratada como outro humano qualquer.

    Um filme com uma cinematografia excelente, filmado com uma delicadeza pungente a preto e branco, cheio de atenção no detalhe, e efeitos práticos para criar este "homem elefante" surpreendentemente realistas. O actor por trás desta personagem faz também um excelente trabalho para expressar toda a sua panóplia de sentimentos por trás da pesada maquilhagem, fazendo a sua actuação praticamente apenas com o olhar.

    Seria essencialmente um filme sem defeitos, mas de certa forma a história de Merrick não me emocionou tanto como deveria no seu final, e as dúvidas suscitadas ("eu que me aproveito do monstro, serei eu o verdadeiro monstro?") acabam por ficar por responder.

    Ainda assim, fiquei com um pouco menos de medo do Lynch e recomendo este filme.

  • Estranha Forma de Vida

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    Estranha Forma de Vida
    Pedro Almodóvar
    2023
    Curta-Metragem
    7 em 10


    Um xerife é visitado por um velho amigo da juventude e rapidamente a sua antiga paixão se reacende. Mas ele sabe que esta visita tem uma razão: este homem quer salvar a vida do seu filho, um criminoso a monte. E sabe que dois homens juntos num ambiente de faroeste, isso é uma estranha forma de vida, isso é uma coisa que não faz sentido nenhum.

    Uma curta metragem explosiva e muito, muito romântica, em que no fundo percebemos - por juntar A mais B, 2 mais 2 - que homens sozinhos a pastorear vacas e cavalos.... Certamente que se envolviam uns com os outros. E que essa estranha forma de vida não poderia ser aceite na sociedade, mas que poderia, eventualmente, ser uma vida... Feliz? 

    Nesta fase final da vida de Almodóvar, ele fala sobre o que lhe apetece e ele contempla o que lhe apetece: homens bonitos, homens bonitos que se amam, homens bonitos que se amam num mundo que nunca os poderia aceitar. E isso, penso eu, é algo de muito belo. 

  • Bloom

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    Bloom
    Kevin Panetta & Savanna Ganucheau
    2019
    Banda Desenhada


    Outro livro que comprei no AmadoraBD, achando que boyslove americano teria bastante potencial. 

    Afinal... Não tem assim tanto.

    Esta é uma história de amor entre um rapaz grego cujos pais têm uma padaria e um estudante de padeiro que vai trabalhar para a padaria. O greguito quer mudar-se para a grande cidade com a sua banda mas os pais querem que ele tome conta do negócio. E patati patata, andam por lá com os amigos e fazem isto e aquilo e mais o outro e NADA ACONTECE por páginas e páginas de tons de azul, que podem ser muito fofinhos mas que me aborrecem tremendamente.

    E quando finalmente acontece alguma coisa, dá em tragédia, e em vez de o autor avançar com o romance e lhe dar uma conclusão... Não, apenas o deixa assim em contraponto, enquanto nós ficamos ansiosamente à espera de que eles se rebolem no meio da farinha e do pão e da massa mãe e façam o amor pelo meio das chamas dos fornos.

    Penso que o meu texto foi mais picante e romântico que o livro inteiro. Voltemos ao BL japonês, por favor, que é a preto e branco e não azul, mas muito mais satisfatório em termos de romance.

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