A Bigger Splash
A Bigger Splash
Luca Guadagnino
2015
Filme
6 em 10
Olha um filme em que a Tilda Swinton faz de pessoa!
Uma cantora de rock que perdeu a voz e o seu companheiro estão isolados numa ilha europeia quando o ex-marido desta e a sua filha aparecem de surpresa. A partir daqui vai desenvolver-se um quadrado amoroso, em que nada é o que parece.
Dentro desta narrativa de amores, o que impressiona são as performances dos actores. Cada um deles transmite uma personagem cheia de desespero e de desejo, mas também plena de fidelidade aos seus próprios valores. As suas interacções no meio das belas paisagens italianas dão vontade de ir de férias, mas o que realmente interessa são os sentimentos: serão verdadeiros. Será que o móbil é apenas a vontade?
Assim, temos uma análise de quatro personagens distintos, que se enquadram uns nos outros.
Não recomendaria, mas foi um filme interessante.
The Office
Ricky Gervais & Stephen Merchant
2001
Série
Parece que estamos em modo Ricky Gervais, então fomos ver o The Office
Este é um escritório como todos os outros, onde se trabalha e onde... Se faz comédia! Weee! Pois é, o chefe de secção desta empresa dá-lhe uns ares de comediante e a única coisa que ele quer é ver os seus funcionários felizes. Mas as suas piadas são tão secas, ou tão porcas, ou tão inconvenientes que... Ninguém lhe acha graça. Oh noes!
Com uma comédia aguda e ácida, tocando nos pontos mais sensíveis dos dramas sociais da época, este escritório é uma animação constante. Cada personagem tem as suas características únicas e a relação entre eles passa do hilariante ao comovente com uma rapidez impressionante. Acabamos por descobrir os seus sonhos e ambições, e a forma como a vida frustra esses objectivos.
Passado quase sempre dentro das portas do escritório, quase que me deu inspiração para a minha própria empresa.
Recomendo, porque ri muito.
Bones and All
Bones and All
Luca Guadagnino
2022
Filme
7 em 10
21 Lições para o Século XXI
21 Lições para o Século XXI
Yuval Noah Harari
2018
Não-Ficção
O meu pai ofereceu-me o "Sapiens" pelo Natal e, como já o tinha lido, decidi trocar por outro do mesmo autor. Como já tinha o segundo volume dele no Kobo, decidi-me pelo terceiro.
Nestas "21 Lições", o autor pensa mais à frente e tenta teorizar como será a vida num futuro longínquo. Numa primeira parte ele esforça-se por nos aterrorizar, dizendo que a inteligência artificial nos vai substituir mais tarde ou mais cedo, numa espécie de Skynet pacífica, propondo o rendimento social único como solução. Depois, parece esquecer-se que está a pensar no futuro longínquo e analisa os erros políticos do passado, os erros religiosos do passado. Acaba por não propor nada para substituir isso no futuro, embora a sua análise seja bastante interessante historicamente.
No entanto, este livro acabou por me irritar bastante porque nos capítulos finais Harari dá uma de auto-ajuda e começa, ninguém sabe porquê, a falar de meditação.
Deixem-me em paz mais a meditação, raios.
Bairro Sem Saída
Bairro Sem Saída
Fernando Ribeiro
2021
Romance
Recebi este livro através da Troca de Natal do BookCrossing. Apesar de não ser grande fã de Moonspell, foi um livro que deu bastante gosto ler.
Numa narrativa semi-autobiográfica, este livro segue a infância de Rogério Paulo, nascido no bairro da Brandoa durante um terramoto. Uma infância que seria vulgar, uma adolescência obcecada por sexo, não fosse as condições miseráveis de vida neste bairro. Assim, o livro conta-nos muito sobre como viviam estas pessoas nos anos 70/80, sem electricidade ou água canalizada, passeando-se entre copos de vinho, lixo e ratos.
No entanto, este livro sofre daquilo que eu chamo "síndrome da adolescência masculina", que é... Bem, parece que os rapazes destas idades pensam única e exclusivamente em sexo. Assim, a descrição de todas estas aventuras sexuais não me faz grande sentido, com excepção da situação ritualizada na casa das pessoas ricas.
De resto, é um livro bem escrito e com bom ritmo, que se lê muito bem.
Decisão de Partir
Decisão de Partir
Park-chan Wook
2023
Filme
5 em 10
Fomos ver mais um filme coreano ao cinema.
Um homem cai de um penhasco, suicídio claramente. Mas o detective que abordou o caso está convencido que algo mais se passa. Quando conhece a viúva, uma chinesa que imigrou ilegalmente, desenvolve-se uma relação entre o policial e o amorosa.
Mais uma vez, considerei que este filme era demasiado longo, com demasiados twists e demasiadas coisas a acontecer ao mesmo tempo. Se a história de amor entre o polícia e a viúva é interessante, a personagem dela mesma acaba por ser muito inconsistente, sendo surpreendente a tal "decisão de partir".
Assim, o filme torna-se extremamente aborrecido, porque nunca mais dá a volta. Fico a pensar se estes realizadores coreanos querem contar uma história ou se querem falar da vida inteira das personagens que escolheram.
Os Diários de Hitler
Os Diários de Hitler
Richard Hugo
1983
Romance
Só tenho o primeiro volume desta obra, que é o que falarei neste tópico, de um total de dois. Antes de começarmos, uma história bizarra sobre este livro: nos idos anos 80, quando estes "diários" apareceram, toda a gente pensou que eram realmente verdadeiros. No meio dessa aldrabice ninguém se deve ter dado ao trabalho de ler o livro.
Porque o livro só tem dois excertos dos supostos dários de Hitler, um deles extremamente erótico e o outro muito casual. De resto, fala precisamente da pesquisa sobre os diários, encetada por um editor e os seus detectives. Assim, não passa de mais uma história policial, de tantas que havia na época, mas com o twist de ser sobre o Hitler.
E toda a gente quer saber o que o bigode psicopata pensava, mesmo que seja inventado.



