As Aventuras de Priscilla, Rainha do Deserto
As Aventuras de Priscilla, Rainha do Deserto
Stephan Elliot
1994
Filme
6 em 10
Férias portanto, e apanhámos este filme na televisão. Não estava nada à espera de ver o Mr. Smith vestido de senhora, mas não faz mal.
No mundo do travestismo acontecem coisas boas e coisas más. Neste dia, funeral do marido de uma drag queen famosa no seu tempo, uma das queens sugere uma aventura: vão atravessar o deserto australiano para fazer um espectáculo muito especial. O seu meio de transporte é Priscilla, um autocarro escolar convertido em casa e atelier de costura.
As aventuras são muito divertidas, cada uma mais bizarra que a outra, e algumas são injustas e perigosas. Mas o que se mantém aqui é a amizade entre as queens, o seu talento para o espectáculo e a sua fome de exibicionismo justo, que tem consequências quando mostrado a pessoas conservadores e desagradáveis.
Existem cenas icónicas nas paisagens desérticas, e essas são espectaculares.
É um filme estranho e divertido.
The Witch at the Forest's Edge
The Witch at the Forest's Edge
Christine Grade
2021
Paganismo
Livro que li para o Book Club do Refúgio da Bruxaria, e que foi uma das minhas leituras de férias.
Fiquei um pouco desapontada porque a escolha desta vez caiu - de novo - no tema da bruxaria tradicional, nomeadamente o hedge crossing que já havíamos abordado antes. Assim, como foram dois livros seguidos de práticas muito semelhantes, não foi um livro especialmente esclarecedor.
Mais uma vez não está apontado o perigo prático de passar para outras realidades sem supervisão, sobretudo para pessoas muito jovens e inexperientes, e isso deixa-me sempre de pé atrás. A visão do mundo como uma árvore de raízes, tronco e ramos mantem-se, mas desta vez deu-me um pouco de abertura para a pensar como um fuso horizontal, que para mim faz mais sentido.
Temos alguns bons exercícios, gostei sobretudo daqueles ligados à intuição (que foi os que realmente fiz)
De resto, não diria que este livro apareça como uma grande novidade no mundo brúxico actual, no entanto foi uma boa revisão de métodos - embora, pessoalmente e na minha prática, não penso que os vá utilizar.
Thor: Love and Thunder
Thor: Love and Thunder
Taika Waititi
2022
Filme
4 em 10
Então é o seguinte: eu queria fazer um skit com o Thor mas nunca tinha visto o filme do Thor. Então lá fui eu ver um filme do Thor. Coisa mais ridícula da vida, estes filmes Marvel.
Para começar este filme tem um banho de imersão digital que até me parte os olhos. Questiono-me o propósito de usarem actores humanos nestes filmes, quando tudo o resto - dos cenários aos figurinos - é um modelo digital tridimensional colorido, com uma explisão de cores e texturas que nem sequer fazem sentido.
De resto, o filme é essencialmente um gozo gigante a tudo o que a personagem do Thor representa. Nesta interpretação é um bom rapaz cheio de sentimentos, mas ignorante do que faz a sociedade. Por isso a sua surpresa quando se vê perante a Thora.
Assim, temos uma idiotice pegada que nem sequer pode ser chamada de filme: podemos mais chamar de exercício de animação digital.
Ao menos aparece um bom shot do rabo do Thor, que vou usar no meu skit.
What We Do in the Sadows Season 4
What We Do in the Shadows Season 4
Jemaine Clement
2022
Série
Mais uma season muito vampírica, desta vez com algumas implicações sociais. Nesta season aborda-se a homossexualidade, e talvez também o alcoolismo sanguíneo, mas sempre de forma muito divertida.
Nadja regressa de Inglaterra para abrir um bar. Lazlo dedica-se aos cuidados do mini-Colin Robinson. Nandor procura o seu grande amor, ressuscitando (com ajuda de um génio da lâmpada) todas as suas mulheres passadas num processo eliminatório. E Guillermo... Oh, pobre Guillermo..
Apesar de tudo, esta pareceu uma season de transição, em que não oferecem mais do que o essencial em termos narrativos e de desenvolvimento da personagem. Continua tudo a ser hilariante, mas penso que precisava de um pouco mais de sumo (ou sangue?)
Agora aguardo ansiosamente pela próxima season, que penso que ainda não será a última.
Festa do Avante! 2022
Festa do Avante! 2022
Festa/Festival
E então este ano, apesar da posição global do PCP não ser muito agradável, lá voltamos ao Avante! Fomos apenas dois dias, pois na sexta-feira e sábado eu estava a trabalhar.
Comecemos por Sábado: a festa estava, mais uma vez, lindamente organizada, mas este ano não visitámos as exposições e o resto, dedicámos a nossa atenção mais à música. Começamos por ver Scúru Fitchádu, que abriu a tarde numa explosão de energia e dança. Claro que isto chegou ao seu auge com Pongo, que levou à exaustão dos corpos logo à tarde. Impossível não dançar na loucura com os beats africano-electrónicos e as coreografias simples mas eficientes que nos foram apresentadas.
Deslocámo-nos para o Palco 1º de Maio (ex-Palco Lago) para ver Paulo Bragança, com um concerto de proximidade, humilde e poderoso, cuja voz talvez tenha ficado um pouco apagada devido ao ruído de fundo sempre presente por todo o lado.
Finalmente, vi uma banda que nunca tinha visto, e que era quase criminoso nunca ter visto: Mão Morta. Neste concerto não tocaram nenhum clássico mas, por outro lado, contaram uma complexa história de terror e ficção científica que me tomou a atenção durante todo o tempo. Penso que era um dos novos discos, que tocaram na íntegra, e ainda bem, já que a história que nos contaram era longa e estranha.
Fomos comer ao Partido Comunista Italiano, que tinha esparguete à bolonhesa e era delicioso.
Portanto, passemos a Domingo. Fomos um pouco mais cedo, mas o único concerto que vimos atentamente foi o da Bia Ferreira, uma cantora e activista brasileira que muito me impressionou pelo poder das suas letras. Anti-fascista, anti-capitalista e antirracista, este concerto chegou a comover-me em certos instantes, e fiquei muito agradada com a presença desta artista.
Não vimos os cabeças de cartaz, Carmino e Dino d'Santiago.
Foi um óptimo Avante! e espero voltar para o ano, contando que o PCP se manifesta mais positivamente acerca do mundo que o rodeia.
O Meu Pé Esquerdo
O Meu Pé Esquerdo
Jim Sheridan
1989
Filme
6 em 10
Estávamos a gozar com os actores que vão "full retard" quando fazem papéis de pessoa com deficiência, e assim fomos ver este filme que seria um bom exemplo do que fazer para evitar esse apanágio.
Então, Daniel Day-Lewis é Christy Brown, um homem com paralisia cerebral a quem foi dada a oportunidade, graças à dedicação da sua mãe, de desenvolver a sua veia artística no mundo da pintura. Infelizmente, devido à sua doença, só o consegue fazer com o pé esquerdo, a única parte do corpo que consegue movimentar.
O actor tem sucesso em transmitir a essência desta figura, tão improvável como real, até aos aspectos menos positivos, como a violência e o alcoolismo. Ainda assim, o filme focando-se no grande desgosto amoroso da personagem, acaba por a tornar um pouco limitada à sua sexualidade, o que é bastante desapontante.
Um filme que vale sobretudo pela performance do actor.
Feira de Corroios 2022
Feira de Corroios 2022
Feira/Festival
Bem, vejam lá o tempo que já passou sem nenhuma review! Entretanto fui de férias, entretanto vimos montes de filmes, e lemos montes de livros e vimos montes de anime, portanto agora é altura de começar a escrever sobre isso. Também tenho estado muito desinspirada para a escrita, por isso vamos ver se agora me recupero.
Vamos começar por falar da Feira de Corroios, que este ano visitei em dois dias.
Na primeira visita vimos muito pouca coisa, e os concertos também eram chatos e cheios de barulho, portanto só assisti a uma parte - no resto passei-me, enfureci-me, e fui-me embora.
Já a segunda foi melhorzita. As bancas habituais lá estavam, e ainda joguei numa rifa em que ganhei um belíssimo pentagrama que do outro lado tem um olho piramidal. Já estou farta de o usar! Este ano também tinham o pavilhão ocupado com algumas bancas, a maior parte de imobiliárias, mas uma da Heimdall Geek Store, onde comprámos uma action figure do Predator (segundo filme), que depois íamos perdendo mas que no fim acabou por chegar a casa sã e salva.
O concerto desse dia foi fantástico, o que é uma palavra que usualmente não associamos ao Toy. É verdade, fomos ver o Toy que, num concerto muito ensaiado e programado, nos brindou com os seus maiores sucessos, além de uma sessão de flexões na sua t-shirt de lantejoulas pretas. Dancei horrores, quem diria que ia dançar tanto com música popular portuguesa, e foi no geral muito divertido. Gostei quando o Toy disse que não nos podia dar a t-shirt, porque só tinha aquela para os concertos todos, não havia orçamento para mais.
No geral foi uma feira óptima, sobretudo depois de dois anos de ausência devido ao confinamento, e agora aguardamos pelo próximo ano!


