• Houseki no Kuni

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    Houseki no Kuni
    Kyougoku Takahiko - Orange
    Anime - 12 Episódios
    2017
    6 em 10

    Este anime deixou-me dividida.

    Estamos num planeta onde um tipo de vida diferente nasceu: uma vida mineral, em que cada pessoa é uma pedra, mais ou menos preciosa. Neste mundo, estas pedras são perseguidas por pessoas da lua e têm de se defender.

    Ora, o anime tem uma animação brilhante, com uma integração de elementos digitais praticamente perfeita, cenas de acção originais e fluídas com coreografias absurdamente boas. As paisagens também são muito belas e esta "terra dos lustrosos" é realmente um lugar lindíssimo.

    O problema aqui foi a história. O anime é quase um slice of life deste mundo estranho, em que nada é esclarecido sobre a perseguição das pessoas da lua (porque é que elas querem as jóias?) e em que muito pouco é falado sobre alguns personagens. O desenvolvimento dos personagens também é um pouco errático e é estranho eles não terem género e ainda assim parecerem todos meninas fofinhas.

    Esta falta de esclarecimento narrativo torna o anime frustrante. Por isso, quase considerei dar-lhe uma nota pior, mas a verdade é que a animação ultrapassa tecnicamente muita coisa que tenho visto ultimamente.

  • Cidade Invisível

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    Cidade Invisível
    Carlos Saldanha
    2021
    Série

    Como tenho muitos amigos brasileiros, fiquei a saber desta série da Netflix, que junta duas coisas improváveis mas muito curiosas: um policial e o folclore brasileiro.

    O folclore brasileiro é riquíssimo e povoado por uma série de figuras mitológicas fascinantes, Saci, Curupira, Iara, Cuca... Enfim, façam uma pesquisa e vão ver a quantidade de histórias fantásticas com estas personagens. Com a sua floresta, já que estes elementos são na sua grande medida os seus protectores, a ser destruída, uma "cidade invisível" se forma: eles agora vivem como pessoas normais, na cidade. E quando um polícia do ambiente descobre um boto cor de rosa na praia, tudo começa a tomar proporções incontroláveis.

    A interpretação dos mitos é muito engraçada, assim como as interpretações das figuras do folclore. Adorei sobretudo porem a Iara negra, porque normalmente aparece como uma linda sereia de cabelos loiros, o que é injusto - porque ela é da floresta brasileira e quantas nórdicas vivem lá.

    A parte policial talvez seja o ponto mais fraco, assim como alguns dos efeitos especiais demasiado digitais. De resto, as interpretações são todas fantásticas e esta geração de actores brasileiros poderá vir a fazer grandes coisas.

    Uma série de fantasia muito diferente do habitual!

  • Quixotte

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    Quixotte
    Salman Rushdie
    2019
    Romance

    Começo a ler as minhas prendas de Natal, que incluem o mais recente livro de Salman Rushdie. Este é um livro extremamente actual, crítica ao vício televisivo, ao racismo integrado na sociedade Americana e às idiossincrasias da emigração indiana para este país.

    Um caixeiro viajante, viciado em programas de televisão, apaixona-se perdidamente por uma apresentadora viciada em opióides. Decide dar a si próprio o nome de "Quixotte" e, através da sua imaginação, cria Sancho, um filho que procura ter a sua própria independência - apesar de ser apenas imaginado.

    Com um ritmo frenético, cheio de humor negro, Rushdie aborda todos estes temas, desenvolvendo cuidadosamente cada uma das personagens até as conhecermos como se fossem parte do nosso círculo de conhecimentos. Isto torna a história, que é plenamente fantasiosa, em algo muito palpável e verosímil.

    À medida que a narrativa vai avançando, tudo começa a ficar com contornos bastante absurdos, mas está escrito de tal forma natural que aceitamos tudo e partilhamos do humor do autor.

    Recomendo bastante.

  • Hime-chan no Ribbon

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    Hime-chan no Ribbon
    Tsuji Hatsuki - Gallop
    Anime - 61 Episódios
    1992
    6 em 10

    Este anime foi-me recomendado por um amigo, mas confesso que não esperava muito dele. Foi, na verdade, uma surpresa mesmo muito agradável, e gostei imenso de o ver, apesar de ser um pouco longo.

    Himeko, Hime-chan, é uma menina bem disposta e maria-rapaz que recebe um presente do mundo mágico: um laço para a cabeça que lhe permite transformar-se em qualquer pessoa! Claro que isto vai dar azo a muita confusão e problemas, mas com boa disposição tudo se resolve.

    É um mahou shoujo divertido e juvenil, que nos remete para os momentos infantis em que víamos televisão logo aos sábados de manhã. Tem uma história de amor circundante, que apesar de pouco conclusiva é muito gira e nos aquece o coração.

    Em termos de animação não temos grandes momentos de acção, e temos muitas sequências que são recicladas, nomeadamente as das transformações. Também temos uns misteriosos episódios de recap quase no fim da série, que não calham nada bem.

    Musicalmente, adorei a OP, e o resto da banda sonora é amorosa e cheia de brilho, como convém a uma menina mágica.

    Foi um anime divertido e, fosse Himeko um pouco mais velha, certamente faria cosplay dela!

  • From Dusk Till Dawn

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    From Dusk Till Dawn
    Robert Rodriguez
    1996
    Filme
    5 em 10

    Um filme que são dois filmes diferentes num só.

    Começamos por acompanhar dois ladrões profissionais, gente do pior, que raptam uma família e a sua roulotte para se dirigirem ao México. São perseguidos por todos os lados e, essencialmente, terão de estabelecer uma relação de normalidade com esta família para chegarem ao seu destino. Quando lá chegam o ambiente é de stress, mas começam a revelar-se mais coisas sobre estes personagens. Existe uma cena escrita por Tarantino para ele próprio (pés). E depois... O caos!

    Porque subitamente o pessoal do bar onde estão transforma-se todo numa mistura entre monstro, vampiro e zombie (com uns efeitos práticos mesmo muito foleiros, mas divertidos) e agora eles têm de lutar pela sobrevivência, por de lado as suas divergências e, no fundo, explodir com estes monstrengos todos.

    É um filme muito divertido, cheio de humor negro, e elementos de terror que são tão feios como engraçados.

    Apesar de não ser uma obra prima, recomendo!

  • My Own Private Idaho

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    My Own Private Idaho
    Gus Van Sant
    1991
    Filme
    5 em 10

    Dois prostitutos decadentes embarcam numa viagem pela América, e depois para a Europa, em busca da mãe perdida de um deles, que por sinal também é narcoléptico. Esta narcolepsia faz com que as suas memórias e o seu conhecimento sobre os locais onde está seja difuso, o que torna a busca difícil.

    É um filme com uma concepção interessante e bem estruturado, com uma narrativa inteligente e uma tonalidade surrealista que o torna denso e misterioso. No entanto, o filme é em absoluto arruinado pelos actores, que são... Bem, são.

    Nunca tinha visto o River Phoenix, que morreu carocho, e que aparentemente estaria carocho neste filme porque não faz nada sem ser adormecer e gritar e sussurrar. O Keanu Reeves, como sempre, é extraordinariamente mau: colocaram a sua personagem num tom declamatório, mas no caso dele tenho quase a certeza que se lhe deram mais de três linhas de texto só o consegue dizer assim, a cantar.

    Portanto, é um filme interessante que tem este grave ponto fraco.

  • Mank

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    Mank
    David Fincher
    2020
    Filme
    7 em 10

    Tinha visto o Citizen Kane em preparação para este filme, e ainda bem que o fiz, porque torna a experiência muito mais interessante.

    Mank é um filme biográfico, embora tenha algumas partes inventadas, sobre o argumentista que criou Citizen Kane (com ou sem Orson Welles é algo que se mantém como mistério). Fala sobre o seu processo, acamado, isolado, e sobre a sua inspiração, que retirou de figuras imperiais de Hollywood da sua época de forma menos discreta que o necessário.

    O curioso deste filme é que está estruturado de forma exactamente igual ao Citizen Kane, com muitas técnicas cinematográficas estreadas nesse filme e agora revisitadas. É uma excelente homenagem ao filme original e à ideia de Hollywood como paraíso das estrelas, um filme de amor ao cinema.

    Existem alguns momentos de grande brilhantismo técnico, quer da parte do realizador quer da parte dos actores, mas sabendo que muitas coisas apresentadas não ocorreram de facto, isso torna o filme menos verosímil do que poderia ter sido se se remetesse apenas à realidade.

    Gostei bastante e acho-o um forte candidato ao Oscar.

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