• Um, Ninguém e Cem Mil

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    Um, Ninguém e Cem Mil
    Luigi Pirandello
    1926
    Ensaio
    Recebi este livro através de uma actividade secreta do BookCrossing ;) Infelizmente, até agora, foi o que gostei menos de receber através deste jogo.

    TYrata-se de um ensaio sobre a identidade e sobre o verdadeiro significado do eu. Quando confrontado com aspectos de si próprio que desconhecia, o narrador entra numa espécie de desespero regrado em que se esforça por analisar os significados do que é a sua percepção sobre si próprio e de quais são as percepções dos outros sobre ele, sobre eles mesmos e sobre tudo o que os rodeia.

    No entanto, esta análise fica um pouco confusa e aborrecida, porque o autor faz longas enumerações, como se de um trabalho de escola se tratasse. Foi um livro desafiante e difícil, mas que ainda assim não me fascinou nem me interessou especialmente. Senti que o problema do narrador consigo próprio não tinha a importância suficiente para que merecesse todo um livro.

    Fica para o próximo.
  • Amor Triunfante

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    Amor Triunfante
    Barbara Cartland
    1952
    Romance

    Um romance histórico, com uma narrativa bastante simples mais ainda assim suficientemente cativante.

    Uma história de enganos e traições que termina da melhor forma. Um homem é obrigado pela Rainha Vitória a casar-se, não interessa com quem, devido ao seu mau comportamento amoroso com outras nobres. Escolhe como vítima uma rapariga inocente que está apaixonada por um soldado. Felizmente, a sua prima entra em acção e disfarça-se dela para que se case no seu lugar. 

    Temos personagens bastante bem definidas, com personalidades próprias e um entendimento sobre o mundo que faz com que a história seja apaixonante e verosímil. Apenas senti que a relação entre os dois se desenvolve de uma forma um pouco estranha. Para um tipo terrível como é este homnem, sentir-se de repente cheio de timidez e pudor é um pouco fora do contexto. Da mesma forma, os seus acessos de violência seguidos de uma aura de paixão não mostram uma relação muito saudável.

    Foi um livro divertido, mas penso que o esquecerei rapidamente.
  • The Promised Neverland

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    The Promised Neverland
    Kanbe Mamoru - CloverWorks
    Anime - 12 Episódios
    2019
    6 em 10
    Estava ansiosa pela estreia deste anime, pois tinha ouvido falar tão bem do manga!

    Um grupo de crianças vive numa casa maravilhosa, com a sua Mama de toda a gente. De vez em quando, uma delas é adoptada e todos ficam felizes por ela. Afinal, são todos órfãos. Mas rapidamente descobrimos que nem tudo é o que parece: estas casas são quintas de criação e as crianças estão a crescer e a engordar por serem comidas por uns misteriosos demónios!
     
    Assim, esta primeira season consiste na elaboração de diversos planos de fuga. Ao início, estava a cansar-me por ver os planos, uns a seguir aos outros, em que as crianças descobrem cada vez mais coisas mas parecem estar de pés e mãos atados, sem conseguir formular uma ideia de fuga. Mas os últimos 3 episódios redimem completamente o resto da série e, assim, fiquei com vontade de ver o que vem a seguir.
     
    Os designs são simples, mas com um detalhe interessante dado às expressões faciais: não são o tipo de personagem que se distingue só pelo cabelo. Em termos de animação temos principalmente cenas de fuga e grandes corridas, o que não dá grande oportunidade de mostrar um bom valor de produção que, penso, esta série tem.
     
    Fiquei também impressionada com a banda sonora, com peças memoráveis  e muito bem conjugadas com a acção.
     
    Apesar de não estar muito motivada no princípio, agora tenho a certeza de que quero muito ver a segunda season!

  • A Idade da Inocência

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    A Idade da Inocência
    Martin Scorcese
    1993
    Filme
    6 em 10
    Desta vez, o olho de Martin Scorcese leva-nos ao século XIX. Às tramas amorosas entre os grandes ricos da época e aos dramas sociais que se vivem nesses espaços.

    Newland, prestes a casar-se com May, encontra a prima desta na ópera apenas para se apaixonar perdidamente por ela. Poderão algum dia ficar juntos? Esta história é muito simples, parecendo-me que aqui se encontra a grande falta do filme. Tem mais interesse as palavras da narradora do que os dilemas das personagens.

    Esta narradora, ajudada por um campo visual pleno de detalhes, é quem nos faz a caracterização perfeita da época e de como era complicada a vida nesta sociedade de falsidades e mexericos.. É dada grande atenção aos objectos, às pequenas coisas que nos localizam verdadeiramente neste tempo e neste lugar, mais até do que às roupas que - apesar de luxuosas - figuram como um pouco desapontantes.

    Dê-se uma boa nota aos actores, que nos dão toda uma classe irresistível nestas relações entre personagens. E uma nota excelente à música que nos dá também uma boa ideia de todo o ambiente.

    De resto, um bom filme de época.

  • O cão que pensava demais

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    O cão que pensava demais
    José António Saraiva
    2011
    Romance
    Livro que recebi na Troca de Natal do BookCrossing. Ao início pensei que fosse gostar muito, porque adoro cães em todas as suas formas e feitios, mas na leitura vi que o livro não era propriamente uma história bonita sobre estes animais.

    Um guarda nocturno arranja um cão e vivem felizes. Mas as suas vidas são alteradas quando ele se junta com uma mulher, que não gosta do cão. A narrativa passa por longas descrições das rondas do guarda nocturno, com exercícios mentais deste sobre as várias coisas da vida. Existe uma visão muito detalhada de toda a zona de Xabregas, em Lisboa, que poderá ter mais interesse para quem vive nessa zona.
     
    Mas o que me desgostou mais no livro foi a "atitude" dada ao cão Messias. O autor parece pensar que os cães, efectivamente, pensam demais. Dá-lhe atitudes de vingança e de premeditação que, como sabemos, são impossíveis em animais não racionais. Penso que o autor gostaria de dizer que o comportamento do cão faz um paralelo com o comportamento do dono, mas isso é erróneo e, simplesmente, não está correcto em termos etológicos.
     
    Existem alguns pequenos erros de narrativa e de edição (por exemplo, o personagem não ter carro e ir a conduzir para comprar uma arma).
     
    Finalmente, a analogia final de "o personagem é como Portugal" é estranha e não faz sentido no contexto da história, que nada tem a ver com o estado do país.
     
    No entanto, foi um livro simples, viciante e rápido de ler.

  • That Time I Got Reincarnated as a Slime

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    That Time I Got Reincarnated as a Slime 
    Kikuchi Yasuhito - 8bit
    Anime - 24 Episódios
    2019
    7 em 10 

    A história de um tipo qualquer morrer e reencarnar noutro mundo, normalmente cheio de magia, é vulgar. Mas e quando esse tipo reencarna numa bola azul?

    Esta bola, o slime Rimuru Tempest, com ajuda de um guia misterioso que lhe explica as características deste universo e da sua atitude relaxada, acaba por se tornar num monstro extremamente poderoso e, também, extremamente simpático. E é tão fofinho! é um anime que me recorda os antigos MMRPGs, com os vários tipos de classes, vários tipos de monstros e vários tipos de aventuras que podemos viver. Vivêmo-las através do todo poderoso slime, recebendo as informações necessárias para vencer os inimigos e proteger aqueles que nos ajudaram e com os quais criámos boas relações.

    Apesar de a animação não ser propriamente deslumbrante, temos cenas de acção em boa quantidade e com boa capacidade, sendo algumas delas realmente muito emocionantes. A forma como o slime dá a volta aos inimigos, por mais poderosos que sejam, faz com que realmente tenhamos vontade de lutar ao seu lado!

    Um anime que me encantou do início ao fim! Estou ansiosa pela segunda season! :)
  • Kamasi Washington

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    Kamasi Washington
    Concerto
    Fomos ver este concerto de um dos grandes nomes actuais da cena jazz, num armazém perto de Santa Apolónia chamado Lisboa ao Vivo. Este concerto foi organizado por uma instituição estrangeira, chamada TheGig Club, através da qual - devo dizer - foi bastante difícil comprar os bilhetes.
     
    O lugar é espaçoso, apesar de não muito grande, e fora uma cabeça gorda ou outra podia-se ver o concerto de qualquer lugar onde estivéssemos. Arranjámos um bom campo de visão, o que foi óptimo. Kamasi entra com a sua banda e dá início a uma grande noite de espectáculo, com o melhor groove que vi nos últimos tempos.
     
    Os músicos são espectaculares e todos eles dominam em absoluto o seu instrumento. Assim, os muitos solos que Kamasi propunha aos seus colegas calharam muito bem e deram azo a grandes momentos de virtuosismo instrumental. O próprio saxofone do líder soava menos vezes do que aquilo que poderíamos esperar: foi um concerto de um grupo de amigos e não de um saxofone. E o sentimento entre os membros da banda podia ver-se nos seus sorrisos! Quando um solo começava a soar cada vez mais fora do controlo, todos aprovavam, como quem diz "continua, estás a fazer um bom som!"
     
    Ainda houve direito a um encore bem longo, em que se firmaram nos grandes sucessos de composição do autor.
     
    Apesar de estar um pouco febril nesse dia, dancei tanto que suei tudo o que tinha a suar e fiquei boa no dia a seguir. Obrigada, Kamasi Washington!



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