• Miller's Crossing

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    Miller's Crossing
    Joel e Ethan Coen
    1990
    Filme
    6 em 10
    Penso que só me faltava ver este filme dos meus adorados Coen! Desta vez, um filme sobre a máfia irlandesa nos Estados Unidos.
     
    O homem de confiança do chefe desta máfia é expulso e troca de lado, associando-se à máfia italiana. Neste jogo de confidências e interesses, tem de matar alguns, tem de salvar outros, e no processo de os matar e salvar parece que tudo vai dar para o torto a qualquer instante. O pior, é que cada vez que perde o chapéu, acontecem-lhe sempre desgraças!
     
    Este filme é uma roda viva de segredos e traições, com um final inesperado e uma narrativa singular, tal qual uma montanha russa. Mas a parte que gostei mais do filme foi a imagem. A fotografia é maravilhosa, sobretudo nas partes florestais, e existe toda uma atenção ao detalhe dos espaços que me fascinou.
     
    Também merece referência o trabalho dos actores, que muito me convenceram.
     
    Apesar de não ter sido o meu filme favorito dos irmãos, acho que não se deve perder

  • A Morte do Comendador Vol.2

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    A Morte do Comendador Vol.2
    Haruki Murakami
    2018
    Romance
    Calhou-me ler o segundo volume desta obra. Depois do primeiro, não tinha grandes expectativas e nem esperava algum dia por as mãos neste livro, mas o BookCrossing dá sempre uma ajudinha!

    Vou começar por falar de um assunto que me começa a irritar nestas edições Casa das Letras dos livros do Murakami: a tradução. Para começar, fazem questão de traduzir do inglês, perdendo-se uma série de coisas que só fazem sentido em japonês. Depois, as tradutoras gostam de utilizar expressões idiomáticas que não fazem qualquer tipo de sentido na língua original, sendo que começo a pensar que é precisamente por causa delas que estes livros se desvirtuam e perdem a sua aura de mistério.

    Quanto à conclusão de "A Morte do Comendador" propriamente dita, fiquei um pouco desapontada. Apesar de finalmente Murakami entrar no seu estilo real, apresentando-nos um mundo fantástico que tem tanto de estranho como de extremamente aborrecido, mesmo com todas as simbologias, parece que o personagem entra neste universo apenas "porque sim", sem que isso tenha tido uma consequência directa na realidade.

    Assim, toda esta narrativa deixa a pergunta no ar: "porquê, afinal?" E é isso o que me deixa mais triste com os livros deste autor, de que queria tanto gostar.
  • Yagate Kimi ni Naru

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    Yagate Kimi ni Naru
    Katou Makoto - TROYCA
    Anime - 13 Episódios
    2018
    6 em 10
    O meu clube, ultimamente, está sempre a recomendar animes de shoujo-ai. Por isso merecem algum amor rapaz, mas isso é outro assunto. Falemos deste anime "Bloom Into You".

    Uma rapariga entra na escola secundária sem saber muito bem o que é o amor. Apesar de ter recebido uma declaração amorosa, não sentiu aquilo que achava que deveria ter sentido e agora não sabe bem o que fazer. Conhece uma rapariga experiente nessas lides e junta-se à Associação de Estudantes, em que decidem fazer uma peça de teatro como espectáculo final. No meio disso tudo, apaixonam-se e, a partir daí, é um processo de descoberta do que é verdadeiramente o amor.

    Infelizmente, este é um anime situacional que não tem muito fundo que possa ser explorado verdadeiramente. O certo é que temos aqui uma relação amorosa, com as suas dúvidas adolescentes e os pequenos momentos de descoberta, mas para além de um conto sobre duas pessoas não temos mais nada para ver. Isto, para mim, é insuficiente, até porque gostaria de saber mais sobre a peça de teatro que apenas é explorada como cenário para o envolvimento entre as duas raparigas.

    Temos uma animação muito simples, com alguns momentos chave bastante mal desenhados e cenários por vezes desadequados em termos de tema. Existe um clima de deslumbramento total em que todas as acções possuem uma aura maravilhosa e plena de luz que peca por exagerada e pouco conveniente.

    Um anime bastante normal, que não ficará na memória.
  • Mirai no Mirai

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    Mirai no Mirai
    Hosoda Mamoru - Studio Chizu
    Anime - Filme
    2018
    6 em 10

    O único anime nomeado para os Oscares deste ano que passou revelou-se um desapontamento.

    Fala sobre a adaptação de uma criança pequena a um novo membro da família, a sua irmã bebé. Sempre que se vê num momento de grande stress, este pequenito vê o mundo a transformar-se, por obra de uma árvore meio mágica que tem no jardim, e encontra-se com as versões das pessoas que conhece no futuro e no passado, aprendendo com isso a aceitar novas coisas sobre a vida.

    Apesar de a ideia ser boa, o facto de a criança ser tão pequena não contribui para que se sinta que há realmente uma evolução na personagem. É natural que não haja maturidade nem discernimento, pelo que as atitudes e birras acabam por não nos cativar, mas também não existe um lado bom neste menino que nos leve a perdoar o seu mau comportamento.

    Também a animação fica aquém das expectativas. Apesar dos grandes planos em picado darem um efeito que aparenta grande qualidade, as outras cenas não revelam grandes movimentos nem paisagens apaixonantes que nos convençam destas aventuras da criança.

    Musicalmente temos algum pop que não fica na memória.

    Realmente, não merecia ganhar o prémio.
  • O Ancião

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    O Ancião
    Jorge Varela Palhas
    2016
    Romance
    Quando recebi um livro da Editora Chiado, através do BookCrossing, fiquei um pouco de pé atrás. Afinal, esta editora não é famosa pela qualidade das suas edições. No entanto, decidi dar-lhe uma oportunidade. Em má hora foi.

    Este livro não tem propriamente uma história. No fundo fala sobre um homem que faz uma viagem até à ilha do Pico e lá conhece uma brasileira. De resto, o autor gasta as suas páginas e palavras em descrições detalhadíssimas de coisas que não interessam a ninguém, nomeadamente todas as páginas de um menu de um restaurante. As referências homofóbicas e racistas ao longo de todo o livro incomodam bastante e não ajudam a cativar o leitor para a imersão no personagem.

    O Ancião, o título do livro, aparece como uma figura tão misteriosa como vulgar, cuja única característica é ter uma casa com quatro andares subterrâneos em que há uma espécie de musei maçónico. Revela-se então que o autor não faz a menor ideia do que está a falar, revelando uma falta de pesquisa abstrusa.

    Para além disso, o livro está cheio, cheio, cheíissimo, de  erros ortográficos, de tipografia e gralhas na generalidade.

    Um livro custoso de ler e que me causou ódio.
  • O Assobiador

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    O Assobiador
    Ondjaki
    2002
    Romance

     Apesar de gostar muito deste autor, este curto romance desiludiu-me bastante.

    Numa aldeia, surge de repente um assobiador, um homem que assobia coisas maravilhosas. O autor esforça-se por mostrar a grave influência que esses assobios têm nos vários habitantes da aldeia, mas penso que ficou aquém das expectativas.

    Para começar, nunca percebemos exactamente o que é que o assobiador está a assobiar, pelo que o deslumbramento pelo seu som  passa ao lado do leitor. Depois, as outras personagens não possuem muita verosimilhança, aparentando ser mais caricaturas de pessoas reais do que outra coisa.

    Também as descrições dos lugares, espaços e acontecimentos são muito difusos, sendo que a sua falta de clareza não nos permite localizar bem as acções.

    Acabam por ter mais interesse as citações em todos os capítulos, o que me pareceu um exagero, do que os capítulos em si.
  • Barton Fink

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    Barton Fink
    Joel e Ethan Coen
    1991
    Filme
    7 em 10
    Faltava-me ver este filme dos irmãos Coen e veio a revelar-se uma grande surpresa. Afinal, grassa sobre um tema que eu gosto muito, o dos escritores.

    Um dramaturgo famoso em Nova York é convidado para fazer parte da grande indústria de Hollywood, sendo imediatamente contratado para escrever um filme sobre Wrestling. Instala-se num hotel um pouco decadente, mas não consegue escrever a sua história por nada deste mundo. A sua busca pela história perfeita dá o mote para uma série de acontecimentos bizarros que lhe vão sucedendo, levando-o a um estado de semi-inconsciência e desespero absoluto.
     
    Este filme mostra-nos um pouco do processo criativo falhado de um autor e a sua dependência da aprovação de entidades superiores que, por vezes, não percebem nada sobre a arte. Parece ser um filme um pouco autobiogbráfico da experiência dos irmãos em Hollywood. Mas também nos mostra uma excelente análise de uma personagem que, sem saber onde está metida, procura agarrar-se a conceitos que se não lhe aplicam e, com isso, consegue e não consegue escrever.
     
    É um filme pleno de simbolismos. Poderíamos mesmo analisá-lo como uma espécie de viagem no comboio dos infernos, em que Barton Fink se meteu por acaso.
     
    Um dos melhores filmes Coen, que recomendo.

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