• Ronin

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    Ronin
    Frank Miller
    1983
    Graphic Novel

    Comprámos esta Graphic Novel no AmadoraBD do ano passado. Uma leitura tão difícil como extraordinária.

    Um samurai sem mestre, Ronin, é amaldiçoado por um demónio. Renasce no corpo de Billy, um homem do futuro com poderes telecinéticos associado a um super computador. Aquarios, esta nova tecnologia, tem uma inteligência artificial suprema e uma capacidade de aprendizagem invejável. Mas a acção do demónio, que também renasceu, irá complicar as coisas.

    Se há coisa que impressiona desde logo neste livro é a arte. É uma arte complexa, cheia de traços e sombras que, pintado a aguarela numa paleta de cores vibrante e incompleta, transmite um conjunto de sensações visuais impressionantes. No entanto, tornam a leitura também muito confusa enquanto se tenta descortinar o sentido de cada acção que, de forma muito dinâmica, nos conta uma história plena de violência.

    A ideia por trás de Aquarius também revela uma grande originalidade no conceito, talvez com uma certa inspiração em Hal de Kubrick. O demónio sobrenatural, algo nada lógico nem científico, consegue enganar a máquina mais inteligente de que há memória, usando para isso o seu próprio mecanismo. Assim, o demónio e a máquina tornam-se quase como uma unidade.

    Vale a pena ler este volume pela sua importância histórica e pelo desafio de enfrentar o seu grafismo.
  • Sharp Objects

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    Sharp Objects
    Jean-Marc Vallé
    Série
    2018

    Esta é uma série baseada no livro "Objectos Cortantes", com argumento escrito pela própria autora. Assim, vi a série já sabendo o final e comparando mais ou menos os acontecimentos.

    É uma adaptação perfeita do livro, sem deixar nada de fora e acrescentando elementos que - não sendo essenciais - colaboram na caracterização das personagens. Estas, são interpretadas de forma surpreendente, plenas de realismo na dor que todas sentem. É uma série completa, suportada em muito pelas interpretações mas também pelo processo narrativo, que se desenrola de uma forma sensata e objectiva.

    A aura narrativa de toda a séria inspira ao terror e à ansiedade. Apesar de não ser uma história propícia a sustos, o espectador tende a sentir-se nervoso enquanto o mistério, cada vez mais complexo e com uma resolução inesperada (pelo menos para quem não tenha lido o livro). O ambiente retratado transmite alguma opressão, aquela característica das comunidades herméticas altamente tradicionalizadas dos estados unidos profundos.

    Talvez o único defeito que tenha encontrado tenha sido a própria caracterização do embiente. É suposto ser um Verão ardente, um calor insuportável. Mas não só a personagem principal, sempre tapada, parece não sentir isso como quase ninguém sua ou exaspera com o calor. As cores da imagem sugerem um ambiente húmido e nada solarengo.

    Fica a nota também para a banda sonora, que se enquadra de forma perturbadora às imagens e que coloca no centro alguma da música que melhor se tem feito hoje em dia.

    Uma série que ficará na memória.
  • O Macaco Tozé

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    O Macaco Tozé
    Janus
    2000
    Banda Desenhada

    Na compra de um livro na Chilli com Carne (no AmadoraBD do ano passado) ofereceram-me este também.

    Trata-se de uma antologia de pequenas histórias, originalmente publicadas em formato zine, que falam da vida na cidade do Porto de um certo macaco, o Tozé. O Tozé tem uma vida desregrada, plena de senhoras trabalhadoras e vinhos variados, sendo que frequentemente acaba maltratado, sujo de cagalhões ou prisioneiro.

    É um retrato duro e violento da vida no final dos anos 90, numa cidade que podia ser qualquer outra. O álcool, as drogas, o desespero patente em cada uma das vinhetas que, passando por cómicas, revelam apenas uma tristeza profunda e um desapontamento seminal pela sociedadeem que este macaco ciranda sem parar.

    A arte é igualmente violenta, com traços e rabiscos escuros, um ambiente de negro e brutalidade, de sujidade e um mau cheiro permanente.

    Um álbum interessante, mas que talvez tenha ficado para trás no tempo.

  • Deserto/Nuvem

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    Deserto/Nuvem
    Francisco Sousa Lobo
    2017
    Banda Desenhada
    Este é um livro que queria ler desde o seu lançamento, sendo que o comprei no AmadoraBD do ano passado. Trata-se de um livro "duplo", digamos assim, composto por uma análise breve à vida dos monges do convento da Cartuxa, perto de Évora e, depois, uma evocação do sentido religioso do próprio autor.

    Francisco Sousa Lobo é um autor que escreve sobre a sua vida e pode escrevê-lo da maneira que preferir. Apesar de a sua arte ter algumas falhas técnicas que não seriam perdoáveis noutro contexto, estes dois livros contém uma imagética muito própria, bastante ligada à busca do céu, perfeição e do divino.

    No encontro com os monges da Cartuxa, o autor procura uma análise da sua própria relação com o divino, admitindo-se desde logo um católico recheado de dúvidas. Procura vê-las esclarecidas através das cartas aos monges de Nuvem, em que a sua voz parte para não regressar num eco de resposta. No entanto, consegue colocar o leitor a pensar sobre todas estas questões e a tentar responde-las por si só.

    Apesar de ser um volume de grande simplicidade técnica, vale a pena lê-lo pela sua profundidade filosófica e emocional.

    Vou pô-lo a circular no Bookcrosso. :)
  • A Louca do Sacré-Coeur

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    A Louca do Sacré-Coeur
    Moebius e Jodorowski
    1992
    Banda Desenhada

    De surpresa, recebi este livro de empréstimo (com o devidamente notado V de Volta). Uma leitura bizarra.

    Um estranho professor de filosofia que criou uma espécie de seita religiosa entre os seus alunos é seduzido por uma aluna meio louca que afirma que irá dar à luz ao novo João Baptista. Nisto tudo, o professor é levado a uma aventura de sexo e auto-conhecimento impossível e assustadora.

    Dividido em três partes, este álbum explora a intimidade das personagens, levando-nos numa louca (muito louca) história pela filosofia, religião e também traficantes de droga. Explora a vida e a morte, explora as experiências sexuais, explora a velhice e a juventude, explora tudo e tudo ao mesmo tempo e no fundo acaba por ser uma explosão de imagens terríveis e assustadoras que nos assombram pelos cantos das vinhetas.

    A história perturbadora associada a uma panóplia de imagens que resvalam entre a perfeição anatómica e o nojo escatológico tornam este volume numa leitura um pouco exasperante e dolorosa. Apesar de a qualidade ser extraordinária, é muito difícil ligar-nos à história e absorver toda a imensa quantidade de informação que recebemos a todo o instante.

    Queria muito ler este livro, mas fiquei desapontada.
  • Chances

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    Chances
     Horacio Altuna
    1987
    Banda Desenhada

    Recebi este livro através do BookCrossing. Ninguém queria ficar com ele e adoptei-o provisoriamente. Foi uma leitura um pouco diferente do habitual, para mim.

    Numa cidade plena de pobreza, crime e drogas, um clone criado para ser dador de órgãos foge em busca da liberdade. O que virá a encontrar é uma festa de horrores e sensualidade que o irá destruir tanto física como emocional e psicologicamente.

    Se a história deste álbum é bastante simples, não podemos deixar de ficar admirados pela qualidade da arte. São desenhos muito suaves mas também bastante detalhados, atentando sobretudo a pormenores anatómicos. O design da cidade e das roupas oferece uma boa perspectiva sobre que universo o autor desejava criar para os seus personagens. 

    Infelizmente, esta banda desenhada peca pela reduzida dimensão, o que fica a saber a pouico. Gostaria de ter sabido mais sobre os detalhes sociais desta civilização meio perdida e gostaria também que à personagem principal tivessem sido oferecidas mais oportunidades de desenvolvimento.

    Agora está pronto para viajar de novo! =D
  • A Morte do Comendador

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    A Morte do Comendador
    Haruki Murakami
    2018
    Romance
    As pessoas estão tão convictas de que Murakami é o meu autor preferido, devido ao facto isolado de ser um cidadão japonês, que me ofereceram este livro DUAS VEZES no mesmo Natal. Note-se, portanto, que quantos mais livros leio deste senhor mais o abomino. Este veio confirmar esse sentimento.
     
    Ora bem, temos um homem mais ou menos da minha idade que, denominador comum do autor, tem várias frustrações sexuais misteriosas. Após o divórcio (misterioso e inexplicável) vai parar a uma casa (misteriosa) onde encontra um quadro (muito estranho) e conhece um homem bastante peculiar. Depois vivem aventuras bizarras e o livro acaba antes de acabar porque, parabéns!, é só o primeiro volume.
     
    Para além da narrativa se focar em demasia em temas sexuais que não parecem ter relevância nenhuma nem para a história nem para a caracterização das personagens, é um livro cheio de pequenas notas erráticas, em que o autor se coloca a nu perante o leitor da forma mais absurda.
     
    Isto é, referindo os seus autores, músicos, compositores e coisas preferidas e colocando-as na boca das personagens. Não há ninguém neste livro que tenha uma verdadeira personalidade e, por isso, os acontecimentos misteriosos não têm interesse nenhum.
     
    Lá lerei o segundo volume quando sair, nem que seja por obrigação moral.

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