• Darkest Hour

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    Darkest Hour
    Joe Wright
    2017
    Filme
    7 em 10
    Este filme estava à espera de ser visto desde os óscares do ano passado. Estava esquecido, mas foi boa a hora em que assistimos a este Darkest Hour.

    O filme fala dos primeiros dias de Churchill enquanto primeiro ministro do Reino Unido, na deflagração da geurra mundial que viria nos anos seguintes. Acompanhamos o seu processo de tomada de decisão nestes momentos difíceis, em que a sua teimosia e coragem promoveram o envolvimento do seu país nesta guerra, pensada perdida desde logo, impedindo assim o nazismo de se levantar em toda a Europa e mundo.

    Acredito que a história tenha tomado algumas liberdades de estilo, mas ainda assim é muito emocionante. E tudo isso se deve quase em exclusivo ao actor. A sua interpretação é de um realismo contagiante, apresentando-nos um Churchill divertido e igualmente assustador, ligado a valores de extrema ética e bondade. Isto talvez possa ser um certo exagero estilístico, mas funciona muito bem no contexto.

    De resto, não existe nada de especialmente atractivo neste filme. Até houve uma inclusão de material digital perfeitamente desnecessária, como quem diz "para ter um filme de prémios tehop de ter uma perseguição de barcos espectacular".

    Vale a pena pela performance.
  • Green Book

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    Green Book
    Peter Farrely
    2018
    Filme
    7 em 10
    Inspirado numa história real, Green Book baseia o seu nome no guia turístico que indicava onde os negros podiam ficar hospedados no sul dos Estados Unidos, numa época em que a luta pelos direitos civis ainda só se iniciava.
     
    Um tipo descendente de italianos, meio rufia, meio ligado à máfia, meio não sei quê, é contratado por um misterioso "Doutor" como motorista. Vem-se a saber que esse "Doutor" é Doc Don Shirley, um talentoso e famoso pianista de música contemporânea. Que vai fazer uma tour pelo "Deep South". E que é... Negro.
     
    Em oposição às intervenções racistas que vão injustiçando o par ao longo do filme, desenvolve-se uma relação entre as duas personagens que se vem a tornar numa grande amizade. Se o motorista ensina sobre a pobreza e a sinceridade ao artista, o artista ensina a arte de bem falar, de bem vestir e de bem socializar. E assim as personagens crescem e mudam a cada momento difícil, aproximando-se mais uma da outra e encontrando um ponto em comum: a música, o talento, o respeito pelo outro.
     
    Gostaria de deixar uma nota para a extraordinária banda sonora. Não tenho a certeza se o actor era também o intérprete, mas se assim for é algo de fabuloso!
     
    Forte candidato aos Oscaros, vamos ver até onde o filme consegue chegar.

  • Quem Disser o Contrário é Porque Tem Razão

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    Quem Disser o Contrário é Porque Tem Razão
    Mário de Carvalho
    2014
    Ensaio 

    Comprei este livor na Feira do Livro 2018, tendo tido a sorte de o ter autografado pelo autor. Trata-se de um ensaio que reúne algumas ideias sobre o que o novel escritor deve fazer para melhorar a sua arte e, assim, escrever com tanto prazer como qualidade.

    Atenção: este não é um livro que fala de escrever em quantidades astronómicas em muito pouco tempo (estou a falar da anormalidade que é o Nanowrimo). Também não é um livro que fala sobre publicar livros e ter sucesso pessoal e financeiro enquanto escritor.

    O que o autor faz é partir da sua própria experiência para dar alguns exemplos do que pode e deve ser feito enquanto se escreve e do que se deve evitar. Repare-se que a experiência principal a que se remete é a da própria leitura. Logo no primeiro capítulo, Mário de Carvalho insiste na importância da leitura enquanto objecto educativo e de pesquisa.

    Fascina-me que haja pessoas que queiram escrever e não gostem de ler.

    Durante o resto do livro, são-nos dados várias dicas de coisas giras que podemos utilizar e como o fazer sem cair na tentação do ridículo. No entanto, a prosa é muito dura, intrincada e um pouco difícil para um leitor menos avisado.

    Um livro muito útil e divertido!
  • Beautiful Boy

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    Beautiful Boy
    Felix Van Groeningen
    2018
    Filme
    6 em 10


    Havia quem estivesse ansioso por este filme, pois o actor principal também participava no querido Call Me By Your Name.

    Em "Beautiful Boy" explora-se uma história (real) da relação entre pai e filho. Apesar deste filho ter sempre sido um exemplo maravilhoso, descobre-se agora que tem um vício e um prazer terríveis: as metanfetaminas. E a heroína, entre outras coisas. A espiral de decadência em que se envolve, após várias tentativas falhadas de reabilitação, é um sofrimento para o próprio e para a sua família, nomeadamente o seu pai. Este procura sempre apoiar o filho mas acaba por não conseguir compreender o vício nem o que faz o vício viciar.

    Apesar de ser uma história sobre esta relação familiar, aliás muito bem interpretada por todos os intervenientes, o filme acaba por ser uma terrífica ode ao anti-consumo, um apelo desesperado para a rejeição da droga: o filme admite que a droga não pode ser (nem deve ser!) compreendida e que os seus utilizadores devem ser imediatamente retirados da sociedade de forma a não se prejudicarem a si próprios.

    Esta análise emocional e muito doutrinadora torna o filme quase como um ralhete ao espectador, em que todos os personagens, o realizador e o resto da equipa nos dizem "as drogas são más, meu filho". E apesar de termos alguns momentos de grande qualidade, não consigo deixar de sentir que há algo de muito pessoal neste filme que não nos é dado a compreender.

    Fica pelas interpretações. Realmente, temos aqui alguém com futuro.
  • Bird Box

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    Bird Box
    Susanne Bier
    2018
    Filme
    5 em 10
    Tinham-me falado imenso deste filme. Diziam que era aterrorizante, ameaçador, provocador para o pensamento. Então eu comecei a ter pesadelos em que via o filme e este consistia em algo como "se olharem uns para os outros começam a crescer-vos olhos gigantes por toda a cabeça e explodem". O que é de sobremaneira pavoroso quando se está a sonhar.

    O filme não é bem assim. O que me causa grande pena, porque o meu sonho era bastante mais emocionante.
     
    Um bicho/doença/demo/coisa misterioso aparece no mundo. Quando as pessoas olham para ele  têm a irresistível vontade de se matar, por puro terror ou pura felicidade. Há quem diga que o bicho é lindo e, por isso, todos têm de olhar para ele. Há quem tente sobreviver. E Sandra Bullock, mais uma vez, tem que ser forte e não-emocional para poder sobreviver, agora acompanhada por duas crianças e uns passarinhos digitais (as únicas criaturas que podem prever o aparecimento do bicho). Fará tudo isso de olhos vendados.

    Apesar de a história ser interessante e um pouco desafiante (como sobreviver sem ver), aparece um pouco repetitiva considerando o tratamento do tema por escritores e filmógrafos do passado. A actriz faz um papel medíocre e não transforma a sua personagem numa figura identificável e amada pelo espectador, pelo que os acontecimentos são mais ou menos indiferentes a quem vê.

    No fundo, é ver quem morre quando e porquê, tal qual um slasher movie dos antigos. As personagens são todas descartáveis e as suas mortes diversas tornam-se mais engraçadas do que assustadoras ou comoventes.

    Fica a nota para a longevidade dos passarinhos digitais, que vão à água, apanham humidade, apanham calor e frio e nem por isso morrem. Extraordinário.
     
     

  • Cabaret da Coxa (2018)

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    Cabaret da Coxa
    Rui Unas
    2018
    Talk-Show
    Reservo este espaço para a primeira vez em que falo de um talk-show neste blog. O talk-show de que falamos hoje tem tanto de hilariante como de subsersivo. Estreado e destruído há coisa de uma década e meia, esteve de volta na altura entre o Natal e o Ano Novo de 2018 para cinco programas dedicados ao mais puro azeite e escatologia.

    Rui Unas conversa com três convidados em cada programa, acompanhado pelo seu fiel papagaio de elevada educação. Ao primeiro convidado é reservada uma meia hora, aos outros uns breve dez a quinze minutos. As conversas não são muito reveladoras sobre nada de importante sobre os convidados, mas fazem rir e isso é o essencial.

    Fica a questão sobre a escolha duvidosa dos convidados. Censurarem a Pergunta perante Madame Cristas parece-me violento. Escolhê-la para falar num programa de comédia também. Outros convidados mais tecnológicos, educativos e relativamente desconhecidos também surgem de forma um pouco estranha, mas ao menos são engraçados.

    Finalmente, os decadentes espectáculos do Cabaret mantêm todo o seu charme de desespero.

    Será que volta em 2019?
  • Black Mirror: Bandersnatch

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    Black Mirror: Bandersnatch
    David Slade
    2018
    Filme Interactivo
    8 em 10
    E eis que aparece a Netflix com algo completamente novo! Bem, não é completamente novo, mas é uma grande novidade para o final dos 10s. 

    Em tempos, muitos se jogavam aventuras interactivas, através de livros ou jogos RPG, em que se podia escolher o caminho que a nossa personagem iria tomar ao longo da história. Bandersnatch é a mesma coisa, só que para um serviço de streaming de televisão. Como as novelas em que se ligava para lá a escolher o final (A ou B), mas muito mais divertido.

    Neste jogo, conseguimos tomar as decisões por Stefan, um jovem programador que sonha em ter um jogo baseado no livro Make Your Own Adventure "Bandersnatch". Existem muitas coisas estranhas que envolvem este livro e Stefan começa a ficar preso dentro do próprio jogo. Nós decidimos o que lhe vai acontecer. 

    Cheio de mensagens subliminares, assustadoras referências a outros episódios de Black Mirror, esta é uma aventura do terror, que se torna tanto mais interessante como paranóica e perturbadora.

    Infelizmente, apenas pude assistir à versão compilada com uma hora e meia, pois não tenho a Netflix. Dou uma grande nota a este filme episódio porque acho que o método é realmente especial e uma nova coisa a esperar destes serviços.
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