• Roma

    0
    Roma
    Alfonso Cuáron
    2018
    Filme
    7 em 10

    O novo filme de Cuáron (autor que nem por isso eu conheço assim tão bem) aparece como uma lufada de ar fresco e de sinceridade no panorama actual.

    Um drama familiar protagonizado por uma empregada doméstica que, longe da sua aldeia indígena, sofre um grande revés na sua vida. Uma história comovente mas imensamente realista, que quase nos deixa a pensar se haverá algo de autobiográfico nesta narrativa. Com personagens apaixonantes e únicas, tão plenas de simplicidade como de várias texturas de personalidade, ficamos a conhecer um pouco da vida diária na Cidade do México.

    Passamos por diversas situações violentas, mas também temos outros momentos de aparente calma no bulício do quotidiano. A relação firme que todas as personagens mantém umas com as as outras oferece-nos uma sensação de segurança e esperança no futuro que vem amanhã.

    A fotografia e edição da imagem são também apaixonantes, revelando-nos o autor um olhar contemplativo sobre a viagem, a mudança e a continuidade. O preto e branco é maravilhoso e remete-nos para um passado querido.

    Recomendo bastante.



  • Assim Nasce Uma Estrela

    0
    Assim Nasce Uma Estrela
    Bradley Cooper
    2018
    Filme
    6 em 10

    Esta época do ano necessita sempre de filmes românticos e épicos, um regresso à tradição Hollywoodesca por excelência. "A Star Is Born" ("Assim Nasce Uma Estrela") é o remake do ano, uma revisitação a um clássico dos musicais que fica bem em qualquer ocasião.

    Um cantor famoso, com um problema de alcoolismo, encontra num bar muito diferente uma rapariga que canta. E ela canta bem. Imediatamente apaixonado, este cantor toma Ally debaixo da sua asa e, a pouco e pouco, ela nascerá como um sol pela manhã.

    *inserir Ave Maria de Shubert*

    Porque é assim: esta história, apesar de estar actualizada com smartphones, é uma história lamechas, é um drama de inocência e paixão absoluta, é um despertar da mente num universo de amor rosado e inchado que mesmo na mais pura das tragédias incita a buscar por mais desta cantora, desta personagem, desta Ally de fantasia.

    Felizmente, temos actores excelentes para dar vida a este romance choroso, o que faz com que o filme acabe por ser agradável e mais ou menos tocante. Surpreendentemente, Lady Gaga é uma pessoa normal que consegue interpretar personagens normais. Penso que talvez seja ela a força motriz de todo o filme.

    Assim sendo, é um musical aceitável. Não peço que esperem muito das músicas.

  • Monstros Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald

    0
    Monstros Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald
    David Yates
    2018
    Filme
    6 em 10 

    Apesar de o meu interesse neste filme não ser demasiado, foi um belo filme para um fim de noite, uma grande aventura que quase me deixa com um pé no mundo fantástico de J.K. Rowling.

    O filme agarra na história alguns meses após a primeira aventura. Mas agora Newt Scamander é desafiado a ir a Paris para uma missão liderada pelo grande e único Dumbledore. O que se segue é uma festa de efeitos especiais e animais bizarros, tudo tendo em vista a apresentação deste novo vilão que, terrível, se mostra à altura de um Voldemort dos tempos passados.

    Apesar de a narrativa ser bastante simples e um pouco juvenil, o que acaba por ser óptimo para dar ao filme toda uma aura de fantástico e especulativo, os momentos de acção são tantos e tão variados que ficamos agarrados durante toda a longa duração do filme.

    Infelizmente, peca por alguns momentos de descaracterização, pela pressa dada a alguns momentos em detrimento de outros que me pareceram menos ricos e por uma melancolia um pouco desnecessária em todos os actores.

    De resto, fiquei tão curiosa com tudo isto que fui ao Pottermore, apenas para descobrir que sou uma texuga dos Hufflepuffes. Woohoo!
  • Ensaio sobre o Dever

    0
    Ensaio sobre o Dever (Ou a Manifestação da Vontade)
    Rute Simões Ribeiro
    2017
    Romance
    Recebi este livro, de uma nova autora que foi finalista do Prémio Leya, através do BookCrossing, num Ring. Diz a contracapa do livro que a autora é muito fã de Saramago e Hitchcock, o que se reflectiria na sua escrita. Isto deixou-me muito ansiosa por saber como seria o livro.

    Fiquei um pouco desapontada.

    A ideia é que uma entidade misteriosa "do além" irá tirar todos os sentidos às pessoas com mais de 18 anos, excepto um que podem escolher. Ora, nesta altura o governo decide intervir e escolher pelas pessoas, o que fará com que surjam movimentos de contracorrente. Depois tudo se desenvolve até uma paz aparente.

    Apesar de termos uma ideia divertida, muito detalhada e com personagens que são curiosamente interessantes, a escrita ainda tem muito por onde melhorar, sendo que o livro também beneficiaria de uma edição mais profunda.

    Existe um abuso de pontuação, sempre com a autora a interromper o discurso para nos falar. Isto funciona bem a primeira dúzia de vezes, mas a partir daí começa a arrastar a história e faz com que a narrativa perca o ritmo, tornando-se desinteressante e confusa.

    Ainda assim, é uma autora para manter debaixo do radar. 
  • Com a Cabeça na Lua

    0
    Com a Cabeça na Lua
    Vários
    2009
    Antologia de Contos
    Comprei esta Antologia na Feira do Livro de Lisboa. Trata-se de um conjunto de contos reunidos para comemorar os 40 anos dos primeiros passos na Lua. Escolheram uma série de contos escritos antes da chegada à Lua propriamente dita, o que nos mostra o quão grande era o fascínio por esta empreitada e o quanto se fantasiava acerca dos acontecimentos.

    Curiosamente, a maior parte dos contos tem uma informação científica tal e uma preparação pela parte dos autores que as histórias são muito realistas e sentimos que, num episódio alternativo, poderiam mesmo ter acontecido desta forma! Acabamos por viver intensamente todas estas aventuras espaciais e embrenhar-nos nestas realidades imaginárias até passarmos a viver - nem que seja por uns instantes - mesmo no seu centro.

    Apesar de o editor ter feito um óptimo trabalho na recolha e organização desta antologia, existem alguns erros graves de ortografia, edição e tradução. Os problemas nas traduções, cheias de palavras anglicizadas, é por demais flagrante e deixa-me um pouco triste.

    De resto, um livro cheio de aventuras divertidas que vão fascinar até os mais cépticos. :)


  • Eight Grade

    0
    Eight Grade
    Bo Burnham
    2018
    Filme
    Os filmes coming-of-age (o despertar da idade, penso) são sempre relaxantes para mim. Ajudam-me a reconhecer coisas que posso fazer e a forma de as aplicar. Mesmo que a acção seja passada no oitavo ano!

    Kayla é uma rapariga que gostaria muito de ser popular, ter muitos amigos e seguidores nas redes sociais. No entanto, tem uma certa ansiedade que a impede de ser "fixe", em comparação com os outros miúdos. 
     
    Reconheço-me desde já nesta personagem, realista e bem escrita, com uma interpretação sólida da actriz infantil. Consigo rever o meu próprio oitavo ano, a busca pela popularidade e por amigos do peito e de fé. E a falha. Mas este filme leva as coisas a outro patamar porque fala dos dilemas da adolescência no *agora*.
     
    O retratar da competição social entre os adolescentes dos anos 10 é o elemento mais interessante deste filme.  Com sentido de humor mas ainda assim um grande tacto, o autor mostra-nos as dúvidas e sonhos de toda uma geração, que será sempre atormentada pelo fantasma da internet e da afirmação do eu nesse espaço.
     
    Recomendo este filme!

  • Cidade Solitária

    0
    Cidade Solitária
    Fernando Namora 
    1959
    Contos

    Este livro foi-me oferecido pelo meu aniversário, que já lá vai. Em tempos conheci uma familiar deste autor, pelo que sempre tive alguma curiosidade em lê-lo.

    Cidade Solitária é um conjunto de contos que retratam de forma belíssima o dia a dia do início dos anos 60 em Portugal. O autor, em pinceladas escuras e melancólicas, apresenta-nos um conjunto de personagens que tanto têm de palpável como de irreal. Parece que esta Lisboa onde as aventuras se instalam, algumas mais estranhas, outras mais terra a terra, é uma Gotham, uma cidade chuvosa com um saxofone jazzístico tocando ao fundo.

    Os contos em si têm o seu quê de emocionante, mas a escrita faz com que o observador - nós - se sinta ligado de outra forma à narrativa. Se por um lado queremos saber mais sobre os factos inusitados deste conjunto de pessoas, por outro não podemos deixar de nos afastar deles, olhando-os de um plano diferente, como a famosa mosquinha que eu queria ter sido.

    Um livro interessante e viciante!
  • Copyright © - Não me Apetece Estudar

    Não me Apetece Estudar - Powered by Blogger - Designed by Johanes Djogan