• Tully

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    Tully
    Jason Reitman
    2018
    Filme
    6 em 10

    Aclamado pela sua visão da maternidade, este é um filme preparado para uma personagem que nos mostra uma perspectiva absolutamente pavorosa dessa maravilhosa visão.

    Marlo está grávida de nove meses e tem dois filhos e um marido. Sempre em correria por causa das duas crianças e daquela que entretanto nasce, decide-se a telefonar a uma ama nocturna, que a irá ajudar a tomar conta da situação, mas apenas durante a noite.

    Surge-lhe Tully, uma rapariga toda gira e toda jovem, que faz montes de coisas na sua vida e a ensina que também ela se pode divertir enquanto mão. E a conclusão que esta personagem tira (e aquilo que me atemoriza neste filme) é que não faz mal não ter sonhos, fazer sempre as mesmas coisas, estar lá para todos e ser sempre exactamente igual.

    Esta aprendizagem da personagem principal, de boa forma interpretada por Charlize Teron, é terrivelmente triste. Isto é ainda mais exacerbado pela conclusão final que, mesmo sendo previsível, tira todo o tempero do filme.

    Estava com muita vontade de o ver e, no final, desapontou-me.

  • Pacific Rim: Uprising

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    Pacific Rim: Uprising
    Steven S. DeKnight
    2018
    Filme
    4 em 10

    Então a gente viu este filme. Tinha cenas de acção.

    Tinha cenas de acção horríveis.

    Tudo o que o Pacific Rim original tinha sido, pleno originalidade, aventura e robots gigantes, é o que Upirising não é nem, aparentemente, alguma vez teve pretensão de vir a ser. Este é um filme que, saindo no cinema, tem uma direcção e produção digna de um qualquer Piranha 3DDD do Sci-fy.
     
    Actores terríveis, nada localizados na realidade do filme e muito menos dentro das suas personagens, animações em CGI primitivo, designs robóticos pouco práticos e verosímeis. Uma história de amor entalada por ali e temos um filme de robots gigantes a lutar contra monstros gigantes.
     
    E é isso.
     
    Portanto, a minha recomendação é que não vejam este filme quando estiver no Netflix.



  • Good Morning, Vietnam

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    Good Morning, Vietnam
    Barry Levinson
    1987
    Filme
    6 em 10

    Talvez um pouco influenciados pelo facto de, bem, termos acabado de ver um documentário sobre Robin Williams, arranjámos alguns filmes do actor que eu ainda não tinha visto. Sim, para minha grande vergonha nunca tinha visto o GOOOD MOOORNING VIETNAAAM!!!!

    Talvez tenha ido para este filme com expectativas demasiadamente elevadas. É divertido mas, quanto obra única, perde um pouco o seu valor. Robin Williams é um DJ em Saigão no ano de 1962. Faz o seu programa de música e variedades para ser ouvido por todos os soldados americanos que têm a infelicidade de estar no Vietname àquela hora.

    Por acaso, também ensina inglês a aldeãos vietnamitas no seu tempo livre.

    Com muita inocência e uma grande dose de improviso, assistimos ao programa de rádio mais divertido e, ao mesmo tempo, mais deprimente de sempre. Robin Williams tem um papel feito para ele: basta vestido o fato da sua personagem para explodir num diálogo de vivacidade e paródia. E é esse o valor do filme.

    Porque de resto, temos uma história bastante infantil, sem qualquer tipo de consequência, que em nada caracteriza o terror da guerra e em que todos os seus personagens são estereótipos baseados numa perspectiva pessoal do realizador.

    Assim, o filme é engraçado para ver à tarde em família, mas ficou um pouco para trás.

  • Robin Williams: Come Inside My Mind

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    Robin Williams: Come Inside My Mind
    Marina Zenovitch
    2018
    Filme
    6 em 10

    Surgiu um documentário sobre Robin Williams, o artista que nos deixou de forma perturbadora há alguns anos, retirando-se da vida e deixando todo o mundo a perguntar-se... "Como uma pessoa tão feliz pode cometer suicídio".

    Este documentário vem mostrar-nos um pouco da vida do comediante e revelar-nos que nem tudo é o que parece.

    Abordando as várias fases da vida do autor, com especial enfoque no seu trabalho enquanto comediante televisivo no início de carreira e, também, na sua actividade sempre presente em stand-up comedy, o documentário procura imagens de arquivo, velhas fotografias e relatos das pessoas que com ele privaram. De forma talvez demasiado célere, vemos os diversos momentos tristes e felizes (a maior parte felizes) sempre filtrados pela própria visão de Williams: o texto ómico, o movimento incessante, a força de trabalho.

    Infelizmente, o filme peca por se focar demasiado em assuntos que, sendo importantes para a vida do actor, acabam por não encontrar paralelo na visão do espectador: parece que tudo o que foi mostrado foi algo que pouco influenciou a actividade e a arte da pessoa. Também depende um pouco demasiado do filtro do stand up para fazer passar o seu ponto: coloca o actor a falar sobre o seu próprio momento.

    Ainda assim, foi um alívio e uma alegria descobrir algumas coisas, nomeadamente a suposta causa da sua morte.

    Assim, sugiro que o vejam, se forem fãs ou apenas curiosos.

  • A Mulher da Areia

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    A Mulher da Areia
    Kobo Abe
    1962
    Romance

    Recebi este livro como um simpático bónus numa actividade do BookCrossing. Apesar de estar um pouco reticente em ler algo que não estava nos meus infinitos planbos, o facto de ser de um autor japonês intrigou-me.

    E é, realmente, um livro muito intrigante.

    Um homem, professor, entomologista, vai em busca de uma nova espécie de insectos a uma zona mais ou menos remota do Japão. Encontra-se numa aldeia feita de areia, em que tudo é areia. Os habitantes desta aldeia obrigam-no a ficar por tempo indeterminado, para que ajude a aldeia a preparar-se para o inverno, protegendo-se da infinita areia.

    Com um traço largo surrealista, o livro mostra-nos a miséria da forma de viver das aldeias menos favorecidas do Japão, com um toque de imaginação e um toque hiperbólico que nos deixam a pensar sobre quanto deste retrato será verdade, tornando a experiência do homem uma leitura ansiosa, assustadora e sinistra.

    A evolução do homem en1uanto personagem é tanto desesperada quanto discreta. Acompanhando as suas tentativas de fuga e adaptação, observamos como o homem - talvez enquanto figura política e social - se mistura no mundo de areia, tornando-se ele próprio apenas mais um grão, sem função, numa multidão destruidora.

    Escrito de forma muito simples, tem o charme narrativo que os autores do pós-guerra japonês a sempre nos habituaram.

    Uma óptima leitura!
  • Piano no Mori

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    Piano no Mori
    Nakatani Gaku - Gainax
    Anime - 12 Episódios
    2018
    5 em 10

    Este era talvez o anime que eu mais ansiava na season passada. Foi também o que, sem qualquer dúvida, mais me desapontou.

    Dois rapazes de estratos sociais diferentes tocam juntos um piano perdido na floresta. Rapidamente crescem e encontram-se como rivais no universo dos concursos de piano.

    Este é um tema que eu gosto e que me fascina, mas este anime faz tudo pelo pior no que respeita a caracterizar as pessoas enquanto músicos e apreciadores de música. O ambiente de competição e a constante insegurança dos personagens fazem com que o acto de fazer música pareça avassalador e assustador. A falta de desenvolvimento do início, em que as personagens são apenas apresentadas e não se discorre grandemente sobre as suas relações interpessoais, faz com que a conclusão deste primeiro acto tenha uma tonalidade desinteressante. Irrelevante, até.

    Os designs extremamente simples com uma animação espectacularmente má, sem qualquer tipo de atenção ao detalhe do cenário ou mesmo ao anatómico, com as cenas de maior intensidade (as do piano) animadas num 3D recordatório do SimCity, tornam este anime um pesadelo visual.

    Musicalmente, não poderia deixar de ser bom, mas a relação entre a banda sonora e os sentimentos trazidos por esta aos intervenientes está caracterizada de forma muito fraca: a visão não corresponde ao ouvido.

    Nem tenho vontade de ver a segunda season.

  • Mahou Shojo Site

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    Mahou Shoujo Site
    Matsubayashi Tadahito - Production doA
    Anime - 12 Episódios
    2018
    7 em 10

    Se foi unânime que este terá sido o pior anime da season passada, devo dizer que para mim foi precisamente o contrário. Defeitos, sim. Mas de todos os modos foi o anime que mais gosto me deu ver na season inteira!

    É um anime que fala de assuntos importantes de uma forma terrivelmente irrealista e com suporte numa narrativa fraca e com pouco sentido por onde pegar. Ainda assim, as suas personagens conseguem cativar-nos com as suas fragilidades e, com elas, crescemos dentro desta história  de superação e fantasia.

    Os designs estranhos e a animação precária não ajudam a que este anime seja bem considerado.. Existem variadíssimas cenas que puxam para a violência gratuita. Este exagero, esta foleirice, para mim trazem um certo estilo único ao anime e é daqueles casos em que, havendo a admissão de que tudo é mau, o anime se surpreende a si próprio.

    Com OP e EDs bastante curiosas e originais, esta série não nos apresenta uma banda sonora espectacular. Ainda assim, alguns temas são irónicos de uma forma quase perturbadora.

    Talvez seja isso. Um anime feito com uma ironia tanto discreta como plena de histeria, contando uma história com relevância social da forma mais mordaz possível.

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