• Alexandra Alpha

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    Alexandra Alpha
    José Cardoso Pires
    1987
    Romance

    Um estranho romance, do mesmo autor da famosa "Balada da Praia dos Cães" (que me traz algumas memórias interessantes, que ficarão para outro dia, haha).

    Alexandra é uma mulher que trabalha numa empresa chamada Alpha Linn. O autor finge que estas pessoas são reais (conseguindo convencer-nos durante grande parte do livro) e que a sua história vem de uma recolha de "papéis" encontrados na tal empresa, todos eles com uma tonalidade diarista. Assim, pela perspectiva de Alexandra, o autor apresenta-nos um conjunto de figuras inusitadas do eixo Linha de Cascais dos anos 70 em Portugal. Dos anos 70 antes da revolução, claro.

    Estas personagens enfrentam problemas complicadíssimos, a maior parte deles relacionados com sexo matinal e abortos. E, pela sua voz um pouco queque, ficamos a saber mais ou menos como vivia uma pseudo-elite intelectual e empresarial, frequentadora de bares e de actividades lúdicas que envolvem bebidas destiladas. Penso que o livro se propôs a caracterizar uma época, mas dado o facto de as pessoas escolhidas para a representar serem, de todo, de um estrato social minoritário faz com que isso se perca completamente.

    Finalmente, existe a secção inevitável e nunca ultrapassável quando se fala do que quer que seja da história portuguesa. Viva a revolução. E não é que o actor se despega da Alexandra Alpha e narra os acontecimentos da sua própria perspectiva? Poderia ser um elemento necessário num livro deste tipo, mas acaba por ser completamente irrelevante devido ao facto de ter sido completamente incosequente para todas as personagens.

    Podia ter corrido tudo muito bem, mas enfim...

  • The Handmaid's Tale Season 2

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    The Handmaid's Tale Season 2
    Bruce Miller
    Série - 12 Episódios
    2018

    Foi com muita ansiedade que esperávamos a segunda season de uma série que me fascinou e que, para bem da verdade, me fez ter vontade de ver mais séries do género (e eu, como sabem, não sou muito de ver coisas com seres humanos).

    Esta season já se afasta na totalidade do livro, que - como referido - já teria terminado há muito. No entanto, consegue dar uma nova profundidade às personagens e a este universo, acrescentando mais camadas detalhadas sobre a sociedade que nos tenta revelar.

    Existe uma oferta de mais poder à figura feminina que, podendo parecer gratuita, acaba por se revelar muito importante para a caracterização do mundo social deste "conto". Assim, temos algumas reviravoltas que nos deixam com a expectativa sempre à beira de um ataque de nervos, em que a  estrutura da hierarquia social parece pender para um lado ou para o outro, oferecendo ao espectador sempre uma esperança e, consequentemente, sempre a vontade de ver mais um episódio. Que pena que só sai uma vez por semana!

    A narrativa torna-se mais violenta, mais desesperada, mas as nossas personagens encontram novos aliados e novas vantagens que nos permitirão uma perspectiva para uma season 3. Existem momentos de um realismo brutal, mas em outros a situação parece demasiado iverosímil para o conmntexto. Espero que seja um aspecto a melhorar na próxima season.

    De resto, a técnica de filmagem foi aperfeiçoada e já não temos transições tão forçadas, mantaendo sempre a beleza da imagem e o detalhe do cenário. Apresenta-se-nos uma nova classe de pessoas com todo um guarda roupa que não deixa de fascinar.

    E agora? Talvez para o ano... ;)
  • The Breadwinner

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    The Breadwinner
    Nora Twomey
    2017
    Filme
    6 em 10

    Um evidente candidato ao estrelato nos círculos cinéfilos, mas que também tem tudo de desapontante.

    Este filme passa-se em Cabul, na época taliban, em que as mulheres não podiam sair de casa sem estarem totalmente cobertas e acompanhadas por um familiar masculino. Conta a história de uma menina numa situação delicada e que a enfrenta de uma forma um pouco expectável: transformar-se em rapaz.

    De resto, a história dramática segue o seu caminho da forma mais evidente e é isso.

    No entanto, há um ponto muito curioso a apontar neste filme. Ao longo do filme é-nos contada uma história mágica, com inspirações na tradição persa, que tem uma animação fulgurante e encantatória. A própria conclusão desta história é ridiculamente mais trágica do que a da narrativa principal.

    De resto, parece-me um pouco desapontante que este filme tenha sido feito sem uma base cultural sólida, à qual não aparece uma única referência em todos os créditos.

  • Bigre

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    Bigre - Um Melodrama Burlesco
    Le Fils du Grand Réseau
    2015
    Teatro

    No meio da correria, algo se aproximava. Mais uma vez, o Festival de Teatro de Almada - agora só de Almada - chegava ao pé de nós, seduzindo-nos com umas meias dúzias de muitas peças de teatro, nacionais, internacionais.... Intergalácticas?

    Fomos ver a peça de abertura, escolhida pelo público no ano passado. Palco de grandes dimensões, vemo-nos rodeados de gente para olhar para um estranho espectáculo. Uma casa. Uma casa?

    São as personagens deste local que nos levam através de uma história de inocência e reencontro. Talvez disfarçando a sua narrativa, os três actores transportam-nos através de episódios inusitados. Tudo tem tudo para correr mal, claro! Mas a transparência das personagens reflecte-se nas suas acções e, por isso, de uma forma ou de outra... É possível correr tudo... Um pouco mais ou menos bem! :)

    Cenário admirável, cheio de movimentos, detalhes, portas e objectos, milhões de objectos e nenhum deles inútil! E actores cheios de energia e com uma forma física invejável, usando e abusando do objecto corpo e, ainda por cima!, divertindo tudo à sua volta.
     
    Dava vontade de ficar ainda ali, sempre mais tempo, sempre a assistir às desventuras deste grupo de pessoa. Parecidos connosco, eles. :)

  • A Cor do Dinheiro

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    A Cor do Dinheiro
    Martin Scorcese
    Filme
    1986
    6 em 10

    Após uma noite complicada, apanhámos este filme na televisão. Trata-se de uma sequela a um filme muito antigo, em que Paul Newman fazia de vigarista do bilhar. Agora, o mesmo actor tem um pupilo, sob a forma de Tom Cruise, que tentará ensinar a jogar para ganhar dinheiro. Não para ganhar a competição, claro. Para ganhar dinheiro.

    O filme trata da competitividade entre os jogadores e a forma como o jogo os faz tomar atenção ao ambiente circundante e a si próprios. A narrativa é a de uma luta e superação, da forma física e emocional, tentando dar aos personagens uma lição de humildade e de amizade.

    Isto funciona bastante bem no caso do jogador mais velho, mas o mais novo continua sempre a ser a criança insuportável e irascível que era ao início. A sua inocência torna-se tão mais irritante quanto a sua incapacidade de compreender que está a ser manipulado por tudo e por todos, acabando por ser um personagem quase raso e com muito pouco por onde pegar.

    De resto, temos uma técnica de filmagem impecável e não podemos pegar em nenhum defeito da realização.

    Um filme tecnicamente bom, mas que fica aquém das expectativas.

  • LCD Soundsystem

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    LCD Soundsystem
    Concerto
    Quando, no ano passado, vimos o anúncio para este concerto, pensámos logo que não o podíamos perder. No entanto, quase que o perdemos. A falta de orçamento fez com que falhássemos com as primeiras duas datas, que se esgotaram num instante. Felizmente, os LCD fizeram o favor de abrir uma data extra e foi a essa que fomos.

    Tinha estado a trabalhar, pelo que decidi apanhar um conjunto de barcos até Lisboa (o que se veio a revelar muito chato, como veremos mais tarde). Estava cheia de pressa e muito mal-disposta quando finalmente me encontrei com o Qui e o Zé Gato, que também vinha ao concerto nesta data. Felizmente, chegados ao Coliseu dos Recreios - local do evento - descobrimos que não havia grande fila. Um alívio!

    Entrámos, fomos revistados por uns seguranças muito simpáticos (que, por sinal, não quiseram ver a minha mala). Disseram-me que teria de guardar o guarda-chuva no bengaleiro, coisa que me parece perfeitamente lógica porque não dá jeito nenhum ver um concerto com a sombrinha às costas. Entretanto, descobriu-se que o Zé Gato não podia entrar. Isto porque o bilhete dele era uma fotografia do bilhete que havia comprado. O senhor da porta considerou que ele podia ter vendido o bilhete a alguém e fotografado de forma a entrarem duas pessoas. Referi que eu própria, com a impressão do meu bilhete, poderia ter impresso cinco mil outros bilhetes, enchendo assim a sala de espectáculos com uma só compra.

    Só mais tarde, após o início do concerto, a bilheteira imprimiu um novo bilhete para o Zé Gato que, assim, teve permissão para entrar.

    Lá em cima, pesquisamos o bengaleiro, obtemos uns drinks e ficamos cativados com a banquinha da merch. Fiquei cheia de vontade de comprar uma t-shirt que dizia "My middle aged friend went to LCD Soundsystem concert and only brought me this lousy t-shirt". Isso porqu eu me identifico com a parte do "middle-aged friend" xD

    E assim se inicia o concerto.

    Rodeados de alguns cotas estrangeiros, de outros cotas portugueses e de alguns jovens completamente histéricos, encontrámos um bom lugarzinho junto à saída, o que nos permitiu obter novos drinks. O concerto começa com alguns sons novos, que eu ainda não conheço bem, mas no seu âmago temos um revivalismo do passado, com as músicas que nos meados da outra década nos viciaram. Desta vez a banda está um pouco diferente: a primeira vez que os havia visto era tudo mais simples, menos maquinaria, menos pessoas. Agora, temos guitarras, baterias e muitas mesas de mistura que, no seu conjunto, dão uma outra textura aos sons.

    Textura mais acústica e menos artificial, mais ligada às origens e à terra, assim como o novo álbum se propõe. Será que isso funciona quando falamos dos sonoros antigos? De certa forma, acabou por ser um dado pouco relevante, pois a qualidade do som oferecida pelo Coliseu nunca foi das melhores, para que se possa fazer uma apreciação muito detalhada.

    O que interessava, no fundo, era dançar e evitar ser atropelado pelos outros dançantes. Uma grande bola de espelhos dava o mote à festa, embora o sistema de luzes fosse altamente básico e muito pouco estimulante. Valeu pela música e pelos músicos que, sempre em forma, não se coibiram de lançar uma frase feita ou outra para grande prazer dos ouvintes.

    Acabámos por ir embora a meio do segundo encore, pois eu tinha muito medo de perder o barco e depois só ter um às 2 da manhã. Afinal, tinha de trabalhar no dia seguinte... Causou uma certa infelicidade aos meus companheiros, coisa pela qual peço desculpa de novo.

    Foi um concerto excelente para dançar, mas penso que a magia da banda se perdeu um pouco para mim... Antes, tudo mais simples. Agora, o estilo mais clássico retira muito da revolução inicial. Vamos a ver o que o futuro nos espera.
  • Festa da Casa da Cerca 2018

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    Festa da Casa da Cerca 2018
    Festa
    Este ano voltámos à Casa da Cerca para a sua festa anual. Desta vez chegámos um pouco mais tarde, pois eu havia estado a trabalhar. Curiosamente, estava bastante menos gente concentrada, talvez porque este ano a festa calhou nos mesmos dias dos santos de Almada, sendo que a cidade estava toda em festa (por exemplo, estava um estaminé com um DJ de pimba com o seu Mac, a bombar à frente à minha porta).
     
    Portanto, chegámos e começámos por ver a exposição temporária, uns estranhos ovos com caras e orelhas. Eu não estava a achar aquilo nada de especial, mas agora que olho para trás era uma coisa realmente muito estranha.
     
     
    Descobri também a parte inferior, uma espécie de claustro onde estava outro ovo com uma orelha. Mais tarde, vim a saber também do andar superior, onde uma casa de banho secreta se encontrava. Agora que digo isto deixa de ser secreta, mas enfim.... :p

    Depois atravessámos o jardim para nos sentarmos nas mesas dos comes e bebes. Estava a dar um concerto de piano  que não compreendi totalmente. Também não lhe achei graça e, por isso, fomos visitar o resto do jardim. Encontrámos uma secção com comidas de feira e uma secção com comidas mais tradicionais. Um senhor insistiu em contar-nos sobre as suas plantas, e eu peço desculpa por ter sido um pouco mal educada para ele. Acabámos por parar numa banca de comida vegan que tinha uns salgadinhos a 1€, absolutamente deliciosos. Eu comi um "Pão de Beijo", um pão de queijo vean com cream cheese de amendoim, pão de batata doce e tomate. O Qui comeu uma micro-quiche de vegetais que também estava uma maravilha! Ficámos com o contacto destas pessoas, talvez para um futuro... ;)

    DMais acima, estavam algumas bancas com outros produtos, mas a maior parte já estaava encerrada. Vimos umas plantas dentro de bolas de terra que pareciam um Odish (o pokémon). Também havia micro-laranjeiras com micro-laranjas. Eram super fofineos! *__*

    A exposição botânica também estava muito engraçada, apesar de durante a noite ser difícil de a apreciar, porque o jardim tem uma iluminação muito fraca. Este ano o tema é as plantas e os materiais usados em artes.


     

    Entretanto, já começava a música propriamente dita. Um DJ que só passou clássicos dos anos 80, mas sem se perder em grandes rainhas do pop. Gostei imenso de dançar os The Cure com a minha t-shirt que tem a cara do Robert Smith! Passámos a maior parte do tempo na conversa e começou a ficar tarde. Ainda procurei algumas pessoas conhecidas que tinha encontrado antes, mas haviam sido substituídas por putos mitras e desistimos.

    No entanto, foi uma noite muito agradável e, como sempre, a repetir! =D
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