• Kyouran Kazoku Nikki

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    Kyouran Kazoku Nikki 
    Kuroda Yasuhiro - Nomad
    Anime - 26 Episódios
    2008
    4 em 10

    Há quanto tempo não via eu um anime perfeitamente horrível? Possivelmente desde que vi um hentai com demos, que nem fiz comentário para ele.

    Este anime é mais uma dessas supostas comédias que só têm piada para um grupo altamente específico de pessoas. Tenta contar a história de um grupo de criaturas bizarras que se associam numa unidade familiar a um rapaz normal. Depois, fazem muitas coisas engraçadas, como cantar canções muito desafinados e ir à praia.

    É um anime sem processo narrativo e sem qualquer tipo de desenvolvimento de personagem. Para um anime com tantas criaturas pululando de um lado para o outro, é de surpreender que nem uma tenha tido algum desenvolvimento para além de "eu sou um leão, eu sou uma alforreca, eu sou um alien". E mesmo a sua caracterização inicial está limitada ao aspecto, sendo que nenhum deles tem qualquer atitude que os distinga de uma caixa de papelão utilizada para o transporte de hortaliças.

    A arte e animação são horrendas. Mesmo que isto seja propositado, não há justificação para este conjunto tão mau de cenas, em que a única animação se queda em abanar os braços para cima e para baixo. Muitas vezes nem se dão ao trabalho de animar os movimentos das bocas. O design causa impressão e, no geral, isto é inaceitável para um anime desta época. Seria inaceitável mesmo num anime dos anos 60.

    A música é hiperactiva, irritante e cheia de efeitos sonoros repetidos ad nauseum, tantas vezes reutilizados em todo o tipo de anime. Aparentam ter ido buscar um conjunto de efeitos e musiquinhas à base de dados aberta ao público e metido todos a martelo por aqui e por ali. As vozes são fonte causadora de otites por ácaros Otodectes.

    Enfim, um anime tão mau que só espero esquecer o mais brevemente possível.

  • O Medo

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    O Medo
    Stefan Zweig
    Anos 30
    Contos

    A propósito da organização de um pic-nic Bookcrossing, fui ter ao Jardim da Quinta das Conchas para me encontrar com um amigo online deste agrupamento. Ora, este amigo criou uma coisa muito engraçada neste jardim: uma LFL - Little Free Library. Trata-se de uma casinha cheia de livros, que as pessoas podem tirar à vontade, podendo também deixar outros volumes que lhes pareçam bem. Vejam aqui a página do projecto! Ora, eu tinha levado um livro para lá deixar, tendo intenção de trazer outro para experimentar. No entanto, acabei por trazer dois: um que escolhi da casinha e outro que me passaram porque eu sempre tinha tido curiosidade em ler este autor.

    Este pequeno volume reúne quatro contos que retratam fielmente a vida Europeia nesta época entre-guerras. Falam da vida das pessoas normais, da observação que os personagens fazem das suas actividades e atitudes, numa linguagem simples mas mesmo assim plena de beleza e complexidade. Achei apenas que houve uma repetição demasiada da expressão "articulações anquilosadas".

    Falemos dos contos um por um:

    O Medo - Esta história fala-nos de uma mulher que trai o seu marido e que, perante a descoberta deste facto pela parte de uma pessoa estranha que começa a fazer chantagem com ela, entra numa espiral de pavor e receios, sempre atormentada pela perspectiva de o seu marido descobrir o que se passa. Foi um conto um pouco perturbador e desagradável, na medida em que nos infiltramos totalmente nos receios da personagem e a sua tormenta é transmitida para o leitor.

    Revelação Inesperada de Uma Profissão - Um homem sem muito que fazer naquele dia diverte-se a observar um gatuno a executar o seu trabalho. Este conto parece-me mais um relato da vida diária dos habitantes de uma cidade do que outra coisa. Não tendo muito interesse sobre as conclusões que o narrador tira das atitudes do ladrão, acaba por ser interessante observar os comportamentos das pessoas que os rodeiam.

    Leporella - Este foi o conto que gostei mais. Uma mulher limitada e feia ganha uma paixão pelo seu patrão a ponto de concretizar actos irreflectidos às pessoas que os rodeiam. Achei que houve uma caracterização profunda de todos os personagens, de forma a que podemos identificá-las perfeitamente e encontrar uma ligação com elas. Todos eles aparentam ser detestáveis mas a forma como o autor descreve os seus sentimentos impede-nos de os odiar completamente. Também mostra um pouco da vida diária numa casa rica, o que é algo que sempre me agrada ler.

    O Alfarrabista Mendel - Também gostei imenso deste. Descreve as atitudes de uma criatura estranha que habita uma mesa de café: um alfarrabista que tudo sabe sobre todos os livros. No entanto, o seu final é triste quando estala a guerra e ele, na sua inocência, acaba por ser levado para um campo de concentração. é um conto que nos remete para a paixão pelos livros, sendo que nos leva a ter grande pena por Mendel, este personagem, e desejar que tudo lhe corra bem: afinal de contas, no meio de tudo isto ele apenas quer ler livros.

    No geral, é um conjunto de contos curioso e quase uma referência para a caracterização da época. Gostei bastante e, seguidamente, irei partilhá-lo :)

  • MEO Outjazz - André M. Santos e Mob Ensemble

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    André M. Santos e Mob Ensemble
    Concerto (inserido no Meo Outjazz)

    Aproxima-se o calor e, por isso, começam os concertos em jardins. O Outjazz já se torna hábito e, assim, quando temos tempo para ele nos dirigimos. Na verdade, o nosso projecto de programa para este dia seria visitar o Museu da Electricidade e ver o World Press Photo mas, perante a fila gargantuesca (na qual uns amigos esperaram mais de uma hora), sob um sol abrasador, decidimos ir ver os concertos e depois voltar mais tarde.

    Este concerto passou-se nos jardins da Torre de Belém, em que se podia aproveitar a sombra de grandes árvores cheias de aranhas minúsculas (que me entraram dentro da t-shirt, mas isso é outra história. Note-se que eu até gosto de aranhas pequeninas). O espaço estava bastante liberto, cheio de pessoas com suas toalhas de piquenique e mesmo chapéus de sol. Muitos cães, também, alguns bastante bem comportados.

    A toda a volta estavam instaladas pequenas roulottes de comida (o chamado "Food Truck", em angles), que tinham hamburgueres, Somersby e gelados. Provei um dos gelados, "Paleta" era seu nome, e soube-me lindamente. Desde que li o livro sobre os gelados na época do Luís XIV que estava desejosa de comer um.

    Já o concerto, esse, acabou por ser um pouco diferente do que esperávamos. Para começar, decidimos sentar à sombra: atrás do palco. Assim, podíamos ouvir a música mas não os podíamos ver. Pelo que entendi, o agrupamento contava com uma guitarra, um contrabaixo e um xilofone gigante, para além de outras coisas que não captei. As sonoridades eram jazzísticas, mas na verdadeira acepção do termo chill-out. Na verdade, muitos dos temas sugeridos eram evocações de músicas tradicionais (detectámos um Zeca Afonso), mas recriadas com esta nova instrumentalidade. Pareceu-nos que os músicos têm essa capacidade única de se conseguirem adaptar a cada grupo em que estão, sendo mestres dos seus respectivos instrumentos.

    A qualidade do som era inferior ao que se poderia esperar de uma produção da MEO.

    Seguidamente, entrou um DJ Set que nos mostrou alguns sons do Stevie Wonder e tudo dentro dessa mesma linha. à frente do palco reuniu-se uma multidão dançante.

    Fica a nota para a terrível concepção das casas de banho, que eram apenas quatro cubículos descartáveis (sendo que um estava inoperacional), o que gerou imensas filas de pessoal cheio de chichi. Até assisti a uma conversa entre duas miúdas que estavam à minha frente, que mostra que esta geração do Instagram está completamente desviada dos valores da humanidade (mas tassbem, elas tinham chichi lá dentro e eu também). Para além disso, havia urinóis ao ar livre mesmo ao lado da fila, pelo que um olhar menos certeiro poderia detectar pirilaus desconhecidos a qualquer momento. Não foi de todo agradável.

    Aguardamos, então, novos locais e novos concertos para as nossas tardes de Domingo!

    Nota: quando regressámos o museu já tinha fechado, pelo que teremos de ver as fotografias na net.
  • Mockingjay - Part 2

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    Mockingjay - Part 2
    Francis Lawrence
    2015
    Filme
    6 em 10
     
    E, no fim do mês, termina a nossa saga de Hunger Games! Este filme é, portanto, a conclusão. De certa forma, desapontou-me um pouco, pois esperava algo diferente, segundo a ideia que tinha dos livros.

    Neste filme entramos, completamente, num universo bélico. Katniss, a nossa personagem principal, procura por todos os meios assassinar o homem que a atormenta: o Presidente Snow. Nesse ponto, o filme desenvolve a relação de forma distinta e bastante interessante, pois existe um conflito directo entre os dois personagens que, no fundo, apenas se comunicam através de mensagens televisivas e nunca pessoalmente (excepto na parte final).

    As cenas de acção estão bem integradas, assim como os efeitos digitais. Os mutts foram recriados de uma maneira bastante diferente do que eu tinha imaginado, mas a sua luta acaba por ser satisfatória no respeitante ao desenvolvimento dos personagens. Também há uma recriação muito coerente do universo do Capitol, embora as paisagens desérticas não correspondam totalmente ao universo do livro.

    O culminar da acção também foi um pouco diferente, mas o filme arruma todas as situações de forma lógica e talvez mesmo um pouco previsível. A forma como os regimes transitam pode ser extrapolada para a vida real (de um mau, vem outro ainda pior).

    O que, para mim, estragou mesmo a saga foi o final: totalmente diferente do que eu havia lido. No livro, o final é denso e terrível porque os personagens nunca se conseguem libertar totalmente dos seus traumas, sendo que no filme nos é apresentada uma cena bucólica plena de alegria familiar. Isto não está de acordo com o desenvolvimento dos personagens até ali, podendo mesmo ser considerado o oposto total.

    No entanto, foi uma saga de filmes que me viciou durante estas semanas e na qual não conseguia deixar de pensar por um momento! Assim, posso dizer que - em termos de filmes dirigidos para a adolescência - este é um exemplo excelente do que se pode fazer num universo distópico.

  • D. Quixote de La Mancha - 2ª Parte

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    D. Quixote de La Mancha - 2ª Parte
    Miguel de Cervantes
    1615
    Romance
     
    Interrompamos a nossa programação habitual para terminar de ler um dos livros mais geniais da humanidade. Durante esta curta semana, foi tempo de me deliciar com a segunda parte do grande D. Quixote de La Mancha, do nosso amigo Cervantes!
     
    Escrito dez anos após a primeira parte, este novo conjunto de aventuras situa-se - no tempo - algo depois das primeiras. Agora, já toda a gente sabe quem é D. Quixote, pois a primeira parte foi publicada e lida pelo mais variado tipo de pessoas. Quem a escreveu? Pois que Cervantes diz que foi um mouro e que ele próprio está apenas a traduzir a situação.

    O extraordinário deste livro é ver como os personagens evoluiram, e de que forma o fizeram. D. Quixote continua louco, mas um pouco mais terra à terra. Agora, nem sempre cai em todas as esparrelas, sendo que o seu discurso é muito mais lógico e bem situado. Já Sancho Pança, esse sim sofre uma transformação extraordinária. Agora, erra muito menos nas palavras e, continuando a dizer ditados a torto e a direito, di-los com muito mais certezas. Aliás, podemos ver a sua capacidade enquanto ser humano livre e justo quando lhe é dado o governo da tal ínsula que sempre desejou. No entanto, os personagens mantêm-se fiéis a si próprios, sendo que nunca deixam a sua simplicidade natural.

    Nas suas novas aventuras, o Cavaleiro da Triste Figura faz outra coisa revolucionária para a literatura: está sempre mudando de local. E todos os locais são diferentes. Esta viagem, retratada em grande detalhe, leva-nos por paisagens muito diversas, sendo que a capacidade descritiva do autor - apesar de arcaica - nos mostra com precisão aquilo que gostaríamos de ver. Para além disso, esta segunda parte é muito saborosa, com todas as descrições de comida que são feitas.
     
    Desta vez, o autor não nos maça com grandes novelas e histórias paralelas, o que demonstra uma capacidade de auto-crítica que falha em muitos dos autores de hoje em dia.

    O final é um pouco triste, mas também muito simpático. Li este livro enorme de uma assentada e não me arrependo. Agora, sinto-me ligeiramente mais completa. :)

  • UN-GO

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    UN-GO
    Mizushima Seiji - Bones
    Anime - 11 Episódios
    2011
    6 em 10

    Este é um anime policial e de mistério, passado num futuro muito próximo. Um jovem detective, que tem grande paixão por detectivar, encontra-se numa situação bicuda de desemprego quando lhe começam a aparecer casos em catadupa, que resolve com discrição e alegria.

    O anime é semi-episódico, sendo que vários casos vão sendo resolvidos pela mão deste personagem, com uma ajuda de um compincha. Casos estes acabam por ter o seu interesse em termos conceptuais, pois - devido ao ambiente em que o anime grassa - nos mostram uma perspectiva de futuro bastante interessante e realista. Faz uso de objectos da actualidade que poderão mesmo evoluir até este ponto, como por exemplo as bases de dados de voz, hologramas e todos esses elementos.

    Infelizmente, o anime peca porque existe um personagem que eu chamo de "perfeitamente inútil". Trata-se do tal compincha do nosso amigo, que se transforma em mulher e tem o poder mágico de ler pensamentos e coisas que tais. Ora, isto dentro do contexto acaba por denegrir os outros personagens, porque lhes retira a capacidade de dedução e facilita demasiado a resolução de cada caso, sendo que o design da pessoa em si não faz qualquer tipo de sentido e aparenta estar ali apenas para dar um cosplay muito giro.

    A arte é cativante, com um bom uso do estilo rascunho e boa utilização de cores, mas não existem cenas de animação protuberantes que saltem à vista e nos façam acreditar que este é realmente um anime espectacular. O mesmo se passa com a música: se tanto a OP como a ED têm um certo estilo indie modernizado, a banda sonora com um toque espanholado calha e soa mal.

    Escrevo isto hoje, para amanhã não mais lembrar.

  • Teoria Geral do Esquecimento

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    Teoria Geral do Esquecimento
    José Eduardo Agualusa
    2012
    Romance

    Recebi este livro pelo BookCrossing, o que simboliza a final da maratona de leituras digitais (porque é um livro físico, lol)

    Li-o de uma assentada, porque é realmente interessante. Conta a história de Ludo (Ludovica), uma mulher portuguesa em Angola que, perdida de terror e angústia perante a revolução, constrói uma parede à porta do seu apartamento, separando-a do resto do mundo durante 30 anos.

    O livro conta a sua história de sobrevivência, apenas com o que cultiva no seu terraço e algumas caçadas de pombos, queimando livros depois de os ler para ter alguma luz, acompanhada apenas por um cão branco que tem tanta fome como ela. Ao mesmo tempo, dá-nos pequenos detalhes da vida de uma série de pessoas que muito sofreu com esta revolução, mostrando todos os lados de um dado que gira até se demonstrar que todos fazem parte do mesmo objecto: as histórias de todos unem-se e existe algo em comum em todas as coisas que aconteceram ao longo do livro.

    Enquanto isso, são-nos mostrados excertos de um diário, o diário de Ludo, com considerações sobre esta vida que não chega a ser uma vida, com poemas, com frases. Isto ajuda em muito a caracterizar esta personagem cativante em todos os seus medos e permitem que o leitor queira saber cada vez mais sobre o que ela vai fazer de seguida para conseguir viver mais um dia, mais um mês, mais um ano.

    Gostei imenso desta leitura e espero que as próximas pessoas da lista o apreciem tanto como eu :)

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