• Mockingjay - Part 2

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    Mockingjay - Part 2
    Francis Lawrence
    2015
    Filme
    6 em 10
     
    E, no fim do mês, termina a nossa saga de Hunger Games! Este filme é, portanto, a conclusão. De certa forma, desapontou-me um pouco, pois esperava algo diferente, segundo a ideia que tinha dos livros.

    Neste filme entramos, completamente, num universo bélico. Katniss, a nossa personagem principal, procura por todos os meios assassinar o homem que a atormenta: o Presidente Snow. Nesse ponto, o filme desenvolve a relação de forma distinta e bastante interessante, pois existe um conflito directo entre os dois personagens que, no fundo, apenas se comunicam através de mensagens televisivas e nunca pessoalmente (excepto na parte final).

    As cenas de acção estão bem integradas, assim como os efeitos digitais. Os mutts foram recriados de uma maneira bastante diferente do que eu tinha imaginado, mas a sua luta acaba por ser satisfatória no respeitante ao desenvolvimento dos personagens. Também há uma recriação muito coerente do universo do Capitol, embora as paisagens desérticas não correspondam totalmente ao universo do livro.

    O culminar da acção também foi um pouco diferente, mas o filme arruma todas as situações de forma lógica e talvez mesmo um pouco previsível. A forma como os regimes transitam pode ser extrapolada para a vida real (de um mau, vem outro ainda pior).

    O que, para mim, estragou mesmo a saga foi o final: totalmente diferente do que eu havia lido. No livro, o final é denso e terrível porque os personagens nunca se conseguem libertar totalmente dos seus traumas, sendo que no filme nos é apresentada uma cena bucólica plena de alegria familiar. Isto não está de acordo com o desenvolvimento dos personagens até ali, podendo mesmo ser considerado o oposto total.

    No entanto, foi uma saga de filmes que me viciou durante estas semanas e na qual não conseguia deixar de pensar por um momento! Assim, posso dizer que - em termos de filmes dirigidos para a adolescência - este é um exemplo excelente do que se pode fazer num universo distópico.

  • D. Quixote de La Mancha - 2ª Parte

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    D. Quixote de La Mancha - 2ª Parte
    Miguel de Cervantes
    1615
    Romance
     
    Interrompamos a nossa programação habitual para terminar de ler um dos livros mais geniais da humanidade. Durante esta curta semana, foi tempo de me deliciar com a segunda parte do grande D. Quixote de La Mancha, do nosso amigo Cervantes!
     
    Escrito dez anos após a primeira parte, este novo conjunto de aventuras situa-se - no tempo - algo depois das primeiras. Agora, já toda a gente sabe quem é D. Quixote, pois a primeira parte foi publicada e lida pelo mais variado tipo de pessoas. Quem a escreveu? Pois que Cervantes diz que foi um mouro e que ele próprio está apenas a traduzir a situação.

    O extraordinário deste livro é ver como os personagens evoluiram, e de que forma o fizeram. D. Quixote continua louco, mas um pouco mais terra à terra. Agora, nem sempre cai em todas as esparrelas, sendo que o seu discurso é muito mais lógico e bem situado. Já Sancho Pança, esse sim sofre uma transformação extraordinária. Agora, erra muito menos nas palavras e, continuando a dizer ditados a torto e a direito, di-los com muito mais certezas. Aliás, podemos ver a sua capacidade enquanto ser humano livre e justo quando lhe é dado o governo da tal ínsula que sempre desejou. No entanto, os personagens mantêm-se fiéis a si próprios, sendo que nunca deixam a sua simplicidade natural.

    Nas suas novas aventuras, o Cavaleiro da Triste Figura faz outra coisa revolucionária para a literatura: está sempre mudando de local. E todos os locais são diferentes. Esta viagem, retratada em grande detalhe, leva-nos por paisagens muito diversas, sendo que a capacidade descritiva do autor - apesar de arcaica - nos mostra com precisão aquilo que gostaríamos de ver. Para além disso, esta segunda parte é muito saborosa, com todas as descrições de comida que são feitas.
     
    Desta vez, o autor não nos maça com grandes novelas e histórias paralelas, o que demonstra uma capacidade de auto-crítica que falha em muitos dos autores de hoje em dia.

    O final é um pouco triste, mas também muito simpático. Li este livro enorme de uma assentada e não me arrependo. Agora, sinto-me ligeiramente mais completa. :)

  • UN-GO

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    UN-GO
    Mizushima Seiji - Bones
    Anime - 11 Episódios
    2011
    6 em 10

    Este é um anime policial e de mistério, passado num futuro muito próximo. Um jovem detective, que tem grande paixão por detectivar, encontra-se numa situação bicuda de desemprego quando lhe começam a aparecer casos em catadupa, que resolve com discrição e alegria.

    O anime é semi-episódico, sendo que vários casos vão sendo resolvidos pela mão deste personagem, com uma ajuda de um compincha. Casos estes acabam por ter o seu interesse em termos conceptuais, pois - devido ao ambiente em que o anime grassa - nos mostram uma perspectiva de futuro bastante interessante e realista. Faz uso de objectos da actualidade que poderão mesmo evoluir até este ponto, como por exemplo as bases de dados de voz, hologramas e todos esses elementos.

    Infelizmente, o anime peca porque existe um personagem que eu chamo de "perfeitamente inútil". Trata-se do tal compincha do nosso amigo, que se transforma em mulher e tem o poder mágico de ler pensamentos e coisas que tais. Ora, isto dentro do contexto acaba por denegrir os outros personagens, porque lhes retira a capacidade de dedução e facilita demasiado a resolução de cada caso, sendo que o design da pessoa em si não faz qualquer tipo de sentido e aparenta estar ali apenas para dar um cosplay muito giro.

    A arte é cativante, com um bom uso do estilo rascunho e boa utilização de cores, mas não existem cenas de animação protuberantes que saltem à vista e nos façam acreditar que este é realmente um anime espectacular. O mesmo se passa com a música: se tanto a OP como a ED têm um certo estilo indie modernizado, a banda sonora com um toque espanholado calha e soa mal.

    Escrevo isto hoje, para amanhã não mais lembrar.

  • Teoria Geral do Esquecimento

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    Teoria Geral do Esquecimento
    José Eduardo Agualusa
    2012
    Romance

    Recebi este livro pelo BookCrossing, o que simboliza a final da maratona de leituras digitais (porque é um livro físico, lol)

    Li-o de uma assentada, porque é realmente interessante. Conta a história de Ludo (Ludovica), uma mulher portuguesa em Angola que, perdida de terror e angústia perante a revolução, constrói uma parede à porta do seu apartamento, separando-a do resto do mundo durante 30 anos.

    O livro conta a sua história de sobrevivência, apenas com o que cultiva no seu terraço e algumas caçadas de pombos, queimando livros depois de os ler para ter alguma luz, acompanhada apenas por um cão branco que tem tanta fome como ela. Ao mesmo tempo, dá-nos pequenos detalhes da vida de uma série de pessoas que muito sofreu com esta revolução, mostrando todos os lados de um dado que gira até se demonstrar que todos fazem parte do mesmo objecto: as histórias de todos unem-se e existe algo em comum em todas as coisas que aconteceram ao longo do livro.

    Enquanto isso, são-nos mostrados excertos de um diário, o diário de Ludo, com considerações sobre esta vida que não chega a ser uma vida, com poemas, com frases. Isto ajuda em muito a caracterizar esta personagem cativante em todos os seus medos e permitem que o leitor queira saber cada vez mais sobre o que ela vai fazer de seguida para conseguir viver mais um dia, mais um mês, mais um ano.

    Gostei imenso desta leitura e espero que as próximas pessoas da lista o apreciem tanto como eu :)

  • As Melhores Histórias da Mitologia Nórdica

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    As Melhores Histórias da Mitologia Nórdica
    A.S. Franchini & Carmen Seganfredo
    2004
    Contos

    A mitologia nórdica é, sem dúvida, a minha mitologia preferida. Assim, quando me apareceu este título no Kobo, não demorei muito tempo em clicar para ler.

    Este livro relata uma série de mitos nórdicos, envolvendo todos os nossos deuses preferidos (Odin, Thor, Loki...) em variadíssimas situações, em que graças à sua força e inteligência acabam sempre por sair vencedores de tramas com anões, gigantes e vários seres mágicos que habitam os nove mundos. Gosto muito de ler estas histórias, embora não tenha apreciado muito a forma como estão descritas.

    De certa forma, é giro e cândido ver estes mitos relatados com tanto sentido de humor, apelando ao nosso lado infantil. Por outro lado, acaba por ser um pouco cansativo em momentos que deveriam ser um pouco mais sérios (por exemplo, a história do fim de Loki, a história do lobo Fenrir, etc.) Para mais, o livro não está bem organizado, sendo que as histórias não aparecem por ordem cronológica dos acontecimentos. Para uma pessoa que não esteja de todo familiarizada com estes mitos, poderá tornar-se uma leitura muito complicada.

    As últimas páginas são uma versão romanceada da ópera de Wagner "O Anel dos Nibelungos". Ora, esta história já havia sido referenciada antes, embora com menos detalhe, pelo que toda a trama já era nossa conhecida. Isto tornou a ópera quase maçadora.

    Esta edição digital possui muitos erros de transcrição, o que também dificultou um pouco a leitura. No entanto, é de valor a recolha dos mitos junto das suas fontes, sendo que me foram dados a conhecer alguns que ainda não me tinham sido apresentados.


  • Mockingjay - Part 1

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    Mockingjay - Part 1
    Francis Lawrence
    2014
    Filme
    7 em 10

    E continuamos a nossa saga de Hunger Games! Depois do segundo filme, já não estava à espera de muita coisa, mas este terceiro volume da tetralogia revelou-se muito mais interessante do que eu poderia esperar. Não só porque segue os livros com bastante fidelidade, como lhes dá um twist muito avantajado que apenas serve para caracterizar ainda melhor esta distopia.

    Este é um filme muito mais político, em que o tema deixa de ser o reality show para passar a ser a guerra civil. No entanto, a componente televisiva continua muito patente: porque apesar de Katniss já não estar nos jogos, estes continuam. A exposição continua a ser constante e agora qualquer uma das suas atitudes poderá ter consequências de maior na civilização em que a sua vida sempre se baseou.

    A caracterização do universo, com todos os seus cenários e detalhes, está muito bem conseguida. Para além disso, temos um CGI muito bem integrado que mal se repara, sendo este filme simbólico no respeitante à utilização moderna de efeitos especiais: sendo que eles existem, realmente, quase passam ao lado de tão bem que estão inseridos dentro do seu contexto. Para mim, assim é que todos os filmes deveriam ser.

    Os personagens sofrem um desenvolvimento patente, até mesmo aqueles pelos quais não nutríamos qualquer sentimento a partir das partes anteriores. Os personagens aparecem como revolucionários, mas ainda assim com dúvidas adolescentes expressas nas suas atitudes fogosas e  imprevisíveis. Isto não seria possível sem um excelente trabalho de actor. Até mesmo o rapaz (Peeta) sofre uma premente transformação que o eleva a um novo estatuto, enquanto personagem.

    Para além disso, há alguns acrescentos no argumento (ausentes no livro) que tornam tudo muito mais vívido, tocando no extremo dos conceitos morais e políticos do visionante. Os actos de terrorismo e de revolta são retratados de forma a sentirmos que, realmente, algum tipo de justiça está a ser feita.

    Foi um filme que gostei mesmo muito (nem que seja só pela viciante canção). Estou ansiosa por ver a parte que me resta!
  • Batman: Child of Dreams

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    Batman: Child of Dreams
    Kia Asamiya
    Manga - 10 Capítulos/1 Volume
    2000
    6 em 10

    Para variar um pouco, vamos ler um manga! Este manga foi-me recomendado pelo Qui (que, como já terão ouvido falar é um fascinado pelo Batman), que mo enviou em formato digital para o ler no meu Kobo. Fiquei a descobrir que o Kobo também funciona com este formato especial para a BD, pelo que no futuro poderei ler muito mais neste género, desde que seja a preto e branco. :)

    Enfim, esta é uma história alternativa do nosso querido Batman, em que ele se encontra com um grupo de jornalistas Japoneses quando uma série de misteriosos crimes começa a assolar Gotham. Curiosamente, estão a ser concretizados por criminosos famosos para o nosso público. Mas que estão quase todos presos em Arkham. Então, o que se passará aqui?

    O manga está bem estruturado, com uma típica fórmula shounen que pode mesmo ser aplicada a um dos super-heróis preferidos da comunidade. Progressivamente, o nosso herói luta contra inimigos cada vez mais fortes, descortinando a pouco e pouco o mistério, que se revela bastante curioso, com um antagonista original e moderadamente desenvolvido.

    Infelizmente, o manga baseia-se quase totalmente nas cenas de acção e luta. Estas fazem tanto uso dos negros que se tornam extremamente confusas, especialmente quando a diferença de design entre os dois lutadores é mínima. Assim, torna-se uma leitura um pouco cansativa. Para mais, existem momentos de exacerbamento da forma feminina que estão bastante aquém ao esperado, devido a erros anatómicos graves.

    Assim, é um manga que dará gosto aos fãs do herói, mas que para mim acabará por ser esquecido a seu devido tempo.

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