• Digimon Adventure Tri: Saikai

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    Digimon Adventure Tri: Saikai
    Motonaga Keitarou - Toei Animation
    Anime - Filme
    2015
    6 em 10

    Confesso que foi com grande excitação que recebi a notícia deste filme. Afinal, Digimon foi uma parte integrante da minha infância e adolescência. Lembro-me que ao início rejeitei vê-lo: "não passa de uma imitação barata do Pokémon!". Mas depois, à medida que me fui embrenhando no mundo digital, fui percebendo as diferenças essenciais e passei a viver o mundo como se eu própria fosse uma digi-escolhida. Qual seria o meu amigo digimon? Bem, gosto de todos. :) Menos daqueles que são baratóides.

    Enfim, este filme foi uma grande emoção. Foi realmente comovente ouvir a música logo ao início, que cantei atabalhoadamente em Português enquanto recordava aquela vez num evento de anime que fizeram um comboio quando passou (foi um pouco deprimente, mas foi fixe também). Mas, à medida que o filme foi decorrendo, re-ganhei a minha objectividade e acidez característica e acabei por admitir que não lhe podia dar mais que uma nota mediana, tal como o dei às séries que vi.

    Pois bem, neste filme tudo começa com a vida normal dos nossos amigos na escola. Um dia desses, há vários eventos importantes: um concerto, um jogo de futebol, etc. E nesse dia, há uma falha qualquer na divisão do mundo normal e do mundo digital e o nosso universo é invadido por um feioso que se mete a destruir tudo. Tai prepara-se para o parar com as suas próprias mãos quando... Aparecem os nossos amiguinhos digitais!

    Até aqui tudo bem. Infelizmente, achei que o facto de todos terem digivoluído assim que aparecem um pouco exagerado e sem contexto, como se as digivoluções fossem apenas uma oferta para os fãs e não fossem de todo necessárias para a narrativa. Esta, não tem consistência e não procede com um ritmo adequado. Apesar de o filme estar cheio de acção, acaba por não se chegar a lado nenhum, servindo apenas como um ponto introdutório ao tema. Sei que existirão outros filmes (mais três, segundo consta), mas gostaria que tivesse havido mais conteúdo nesta primeira instância.

    A animação não está má mas, apesar dos elevados valores de produção, não existem cenas espectacularmente bem feitas. Está bastante mediano, até. Surpreendentemente, ao contrário de muita gente, até gosto bastante dos novos designs. Nos digimons não se nota muita diferença (estão mais magrinhos, talvez), e nas pessoas a evolução do estilo combina bem com o crescimento físico dos personagens. Infelizmente, estes não são explorados nas suas diferenças em toda a plenitude. Existem vários momentos em que os personagens referem o quanto mudaram ao longo dos anos, mas no fundo a mudança não é de todo evidente e mantêm-se exactamente iguais àquilo que eram há 10 anos atrás.

    A música é absolutamente nostálgica e uma das melhores partes do filme.

    No entanto, todo o filme acaba por ser um aviso à nostalgia, apenas um presente de fãs para fãs. Não me parece que sirva bem para introduzir novas pessoas no universo desta fandom e acaba por ser uma mera bolachinha que, sabendo bem, acaba rápido e se esquece facilmente.

  • Otaku no Video

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    Otaku no Video
    Mori Takeshi - Gainax
    Anime OVA - 2 Episódios
    1991
    6 em 10
     
    Um anime muito curioso, pois trata-se de um peça documental. Isto é muito raro neste meio e talvez tenha sido o primeiro e único documentário em anime que vi. Faz uma análise moderna e coerente sobre o fenómeno "otaku" no Japão, recorrendo a uma história em anime, um fio condutor que está mais ou menos baseado na fundação do estúdio produtor (Gainax), e várias entreviastas aos verdadeiros "otaku", mostrando dados estatísticos muito interessantes.

    Para começar, é importante definir o termo: "otaku" é aquele que tem um envolvimento tão profundo num hobbie ou subcultura que acaba por descurar outros aspectos da sua vida, nomeadamente a vida social. O que indica que nenhum de nós é isso, pelo que desprezo a utilização do termo por um mero weeaboo ocidental (gosto muito mais deste, aliás, até eu própria me caracterizo com ele). Para mais, "otaku" é um termo ofensivo que se aplica não só a fãs obsessivos de anime, mas também a fãs de muitas outras coisas. Por exemplo, pode haver um otaku de perfumes ou de camisolas de lã.

    Agora que temos isto esclarecido, falemos do anime. Começando pelas entrevistas, achei-as a parte mais interessante do OVA, já que caracterizam directamente toda esta geração de fãs de anime, no final dos anos 80, inícios de 90, que revelam uma série de problemas a nível social mas que encaram essas limitações de forma positiva. Por exemplo, "não tenho namorada mas tenho os meus animes e gosto muito deles". Este tipo de relato, o da relação amorosa, tem sido muito explorado academicamente, pois parece ser o problema mais prevalente neste tipo de pessoa. Mas também gostei da perspectiva ocidental, em que entrevistam um americano a viver no Japão e a viver a cultura pop. No entanto, achei também muito curioso que todos os entrevistados respondessem "não" à pergunta "és feliz?" Isto parece-me revelar muita coisa.

    Quanto às partes animadas, estas acabam por ser ofuscadas pelo interesse das entrevistas. Mostram como uma pessoa normal acaba por se tornar num "otaku" e ganhar a vida com isso. A narrativa pareceu-me exagerada e bastante afastada da realidade, apesar de servir para tentar retratar em animação os aspectos que depois são abordados pelos dados estatísticos. Para mais, a animação não tem nada de especial, havendo muitas vezes perda de detalhe na forma e falta de cuidado no desenho base.

    Musicalmente, temos OP e ED bastante apropriadas e quase cómicas.

    Um anime muito interessante para quem quer conhecer mais sobre este termo, mas que poderá estar um pouco desactualizada em relação aos anos 10 em que nos encontramos. No entanto, terá também um certo valor histórico que não podemos ignorar.

  • Requiem from the Darkness

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    Requiem from the Darkness
    Tonokatsu Hideki - Tokyo Movie Shinsha
    Anime - 13 Episódios
    2003
    6 em 10

    Kousetsu Hyaku Monogatari, 100 Stories ou Requiem from the Darkness. Muitos nomes para um só anime. Um anime que é tecnicamente perfeito mas que, por alguma razão, não me cativou totalmente.

    De natureza episódica, conta várias histórias de horror presenciadas por um escritor que deseja coleccionar cem histórias de mistério. As histórias variam entre olhos derretidos, muitas espadas e cabeças cortadas, mas todas elas estão relacionadas com a incapacidade humana de aceitar a realidade, sendo que muitas vezes os "monstros" horríveis que aparecem são apenas criações da mente. No entanto, cada arco narrativo acaba por ser um bocadinho previsível e nem mesmo o extremismo gráfico me fez capaz de encontrar um terror psicológico nestas histórias curtas.

    Os personagens recorrentes aparecem apenas como motor narrativo e não têm caracterização, que está reservada para os intervenientes em cada uma das histórias. Infelizmente, cada uma delas é demasiado curta para que haja um uso correcto destas pessoas, que até têm potencial até chegarem ao momento do "pânico", que tem os problemas já referidos anteriormente.

    A arte é original e a animação está muito bem feita. Foi uma opção estilística muito interessante que combina muito bem com a natureza das histórias, especialmente a paleta de cores escuras e o uso (e abuso) de linhas fortes e linhas cinéticas.

    A música também é original, já que fazem uso de canções em inglês para a OP e ED, um swing lento que nos remete a um universo envolvente.

    No entanto, não me senti motivada enquanto via este anime, talvez pela falta de força dos personagens. Assim, não lhe poderei dar uma melhor classificação (no caso, poderei dizer que este valor é puramente subjectivo)

  • Zipang

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    Zipang
    Furuhashi Kazuhiro - Studio Deen
    Anime - 26 Episódios
    2004
    8 em 10

    Há muito tempo que não via um bom anime e, para mais, um anime de guerra que estivesse realmente bem feito. Apesar de alguns defeitos, não me coibi de dar uma excelente classificação a Zipang, um anime memorável e marcante que poderá ter passado ao lado da maioria dos fãs.

    Tudo começa quando Mirai, uma embarcação militar com todo o top de modernidade e todas as características mais evoluídas que poderá ter este tipo de objecto, navega pela primeira vez e, numa noite de nevoeiro, é atingida por um raio. Qual a surpresa dos seus tripulantes quando se vêm no meio do Oceano Pacífico em plena Segunda Guerra Mundial! Isto, desde já, é um pouco revolucionário no mundo do anime: é uma raridade ver animes sobre a grande guerra que tratem do assunto com objectividade e relatem factos verdadeiros sem os ocultar debaixo de metáforas como naves espaciais, robots e toda essa parafernália de invenções. São giras, claro, mas por vezes faz falta um pouco de realidade nua e crua. Mas a força da narrativa atinge o seu verdadeiro significado quando os personagens são postos à prova perante o seguinte paradoxo: este barco tem o poder de ganhar a guerra, com todas as suas características tecnológicas; no entanto, se mudarem o passado, a vida que eles têm no século XXI poderá ser completamente diferente? O que fazer? As coisas mudam quando, por acaso, salvam um agente das secretas de morrer afogado. E aí, o passado entra em jogo.

    É um anime que provoca debate aceso entre os personagens, entre o que deverá ser feito moralmente, o que deverá ser feito na prática, e as consequências disto para o futuro que todos conhecemos. Os nossos personagens começam a participar activamente, embora de forma puramente defensiva e com o objectivo de "salvar vidas" numa guerra que está perdida desde a sua génese. Acabam por conhecer outras pessoas que concordam, mas também outras que não conseguem aceitar isto. E é neste caldeirão de personalidades que o espectador tem de procurar uma identificação. É fácil de encontrar alguém neste anime por quem nutrir algum carinho: há uma grande variedade de pessoas, cada uma perfeitamente construída sobre uma base sólida (um passado, uma família, uma maneira de ver o mundo) e cada uma, também, com um caminho evolutivo evidente. Os personagens que conhecemos no início de Zipang mudam radicalmente à medida que o anime se aproxima do fim e mais coisas terríveis começam a acontecer à nossa tripulação.

    Se temos uma história e personagens muito sólidos, não poderemos, infelizmente, dizer o mesmo da arte. Teremos de aceitar que toda a maquinaria está muito bem estudada, com designs historicamente informados e muito funcionais. Aliás, o facto de todos estes navios e aviões terem existido realmente é um ponto fulcral na narrativa, pois permite aos personagens do "presente" ter uma vantagem em relação aos do "passado". No entanto, efeitos especiais como explosões, efeitos aquáticos, fumo, tudo isso foi feito por métodos digitais que não se coadunam bem com o resto do cenário. Este, tem pouco detalhe paisagístico e está bastante limitado a eventos marítimos.

    Musicalmente, temos alguns momentos um pouco repetitivos, mas OP e ED apropriadas ao assunto que vai ser tratado.

    Talvez a pior parte deste anime tenha sido o facto de não haver um final conclusivo para a história. O anime de Zipang conta-nos apenas um arco muito inicial de uma narrativa que se prolonga por pelo menos mais três anos (até ao fim da guerra). Isso desapontou-me bastante, mas não o suficiente para reduzir a classificação do anime.

    Assim, recomendo vivamente que todos vejam esta peça. É original, único e muito bem feito em termos históricos e narrativos. Impressionou-me muito em algumas partes, noutras comoveu-me. Irei lembrar-me dele por muito tempo.

  • Shimoneta to Iu Gainen ga Sonzai Shinai Taikutsu na Sekai

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    Shimoneta to Iu Gainen ga Sonzai Shinai Taikutsu na Sekai
    Suzuki Yohei - J.C. Staff
    Anime - 12 Episódios
    2015
    5 em 10

    A prova de que um nome enorme não equivale a um bom anime.

    Neste Japão do futuro existe um regulamento de boas maneiras que impede elementos de cariz sexual de serem publicados ou mesmo falados. No entanto, na escola da moral superior, há um grupo de rebeldes que tenciona libertar os pintelhos. Segue-se um corropio de situações de teor moral questionável, que são a prova última da rebeldia de semelhantes salvadores da humanidade e dos maus costumes.

    O universo é, de certa forma, original e está bem conseguido, havendo por todo o lado detalhes que demonstram como esta sociedade está organizada. No entanto, é um anime que se baseia totalmente nas suas piadas que, passados dois episódios, se tornam repetitivas e secas como um deserto não excitado. Se ao início era engraçado ver como as palavras ditas "proibidas" eram ultrapassadas, rapidamente se esquecem desse elemento e passam simplesmente a censurá-las com plings, poings e outros sons dignos de um cartoon Americano dos anos 70. As personagens não nutrem qualquer tipo de interesse, pois mesmo aquelas que acreditam num mundo de boas práticas se tornam em máquinas de erotismo desesperado e muita, muita baba e baboseira.

    Apesar de tudo isto, a arte e animação estão bastante boas, como convém a um anime deste ano que passou, 2015. Ainda assim, a própria animação torna-se repetitiva, com a utilização dos mesmos objectos uma e outra vez para censurar a ideia de função reprodutiva masculina, nomeadamente lampreias e nabos daikon. Mas enfim, há uma boa utilização das cores e a animação está fluída e coerente com outros trabalhos deste estúdio.

    Musicalmente, temos OP e ED feitas especialmente para este anime, que são divertidas ao início mas que, como tudo, acabam por cansar. Já referi os efeitos sonoros ridículos que recheiam o resto da banda sonora.

    Não vale a pena ver mais do que um episódio deste anime.
  • La Gloire de Mon Pére

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    La Gloire de Mon Pére
    Marcel Pagnol
    1957
    Autobiografia

    Recebi este livro pelo BookCrossing. Foi o último livro de 2015 e também a primeira leitura de 2016. Quando ofereceram a oportunidade de o ler, questionei se estava escrito em linguagem simples... Afinal, já há muito tempo que não lia nada em Francês! Apesar de algumas palavras que tive de ir consultar, consegui lê-lo até ao fim! Foi uma leitura com algum interesse, mas que não gostei por aí além.

    Marcel Pagnol escreve este livro auto-biográfico sobre a sua infância. Conta como o pai é uma pessoa especial (um ateu) e conhece a mãe e como a tia se casa um um religioso fervoroso. Depois disso, conta sobre a relação entre o pai e o tio e entre estes e as crianças. O livro tem algumas passagens bastante divertidas e, de certa forma, caracteriza bem a infância na época (suponho que seja algo como os anos 10-20), com todos os seus momentos divertidos e também as suas limitações.

    Mas a parte que não gostei começa a partir de meio da narrativa, em que as pessoas começam a caçar e começam a ensinar as crianças a mexer em armas e a caçar. Para além disso, o narrador parece ter um grande prazer infantil em maltratar animais, o que me faz sempre imensa confusão. O relato de vários tipos de armas e das suas munições é inútil e aborrecido, para além de demonstrar que nesta época as pessoas tinham ideias bastante retrógadas acerca da vida selvagem e da sua conservação.

    De resto, foi uma leitura que até foi bastante rápida. Vim a descobrir que este é apenas o primeiro de quatro livros sobre a infância do autor. Agora, até que ponto é a infância do autor importante para nós?

  • Nasu: Andalusia no Natsu

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    Nasu: Andalusia no Natsu
    Kousaka Kitarou - Madhouse Studios
    Anime - Filme
    2003
    7 em 10

    Este é o tipo de filme que serve vários propósitos diferentes. Um deles, é o teste de novas técnicas de animação. O outro, é a publicidade a vários elementos.

    Trata-se de um relato de uma prova de ciclismo de renome internacional, a Vuelta, a Volta a Espanha. Um ciclista luta para se manter em primeiro lugar numa das etapas, que decorre na Andaluzia, e a sua família segue-o para o apoiar. Existem alguns pontos cruciais na relação familiar, mas que são pouco explorados: nomeadamente o facto de a noiva que acabou de se casar com o irmão do ciclista ter sido ex-namorada deste. Poderia ter havido um pouco mais de ênfase nesta relação e nas consequências que isso poderia ter para a performance do ciclista. De resto, o anime publicita a Volta a Espanha e as paisagens desta terra. No entanto, não o faz da melhor maneira: a Andaluzia está caracterizada como um deserto ardente e impossível de ultrapassar, como uma terra atrasada, retrógada, em que o facto mais curioso é a culinária de beringelas. 

    Ainda assim, temos a visualização de belas paisagens, com cores muito vivas e uma paleta muito variada, apesar de bastante sóbria. O contraste entre os campos secos amarelos e o céu azul sem nuvens, o brilho do sol, tudo isto está muito bem conseguido. Também a animação é excelente e a principal razão para a minha classificação. Existe um misto de animação 2D com um digital 3D, mas que está muito bem integrado. Talvez a parte menos boa tenha sido o sprint final, em que há uma repetição exagerada de frames.

    Musicalmente, temos uma ED muito divertida. Tenho pena que a versão que encontrei não lhe tenha dado legendas. De resto, toda a banda sonora ajuda a trazer emoção para esta corrida de bicicletas. Este é o outro elemento que o anime publicita: o facto de que andar de bicicleta é divertido e tem muito mais estratégia em equipa do que se poderia pensar à primeira vista.

    Um filme que vale a pena ver pela sua animação primorosa.
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