Hayate no Gotoku!
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Hayate no Gotoku!
Kawaguchi Keiichirou - TV Tokyo
Anime - 52 Episódios
2007
4 em 10
Quando penso que já não é possível odiar tanto uma série, aparece mais uma para me surpreender! Fantástico! Hayate no Gotoky!, ou "Hayate The Combat Butler" é possivelmente a comédia menos bem conseguida do último milénio.
Mas permitiu-me compreender uma coisa: parece-me que, em anime, uma comédia se baseia sempre na paródia. A paródia de alguma coisa, seja música ou filmes, a paródia das situações entre os personagens, a paródia de lugares comuns. No caso deste anime fazem-no através de referências a outros animes. E isto é, possivelmente, a coisa com menos piada que poderiam fazer. Porque as referências aos outros animes são tão básicas, tão acessíveis, tão simples, que qualquer pessoa que tenha olhado para a televisão nos anos 90 as consegue perceber. E isso não tem piada. Porque não se refere a um nicho e as referências para serem bem usadas têm de pertencer a um nicho, isto é, a um grupo específico de pessoas a quem são dirigidas. Este anime tenta agradar a todos e acaba por não me agradar a mim.
De resto, não existe uma linha narrativa condutora digna desse nome. Não existe uma história, não existe uma evolução. Só existem gags seguidos de gags, que têm a esperança de provocar gargalhadas seguidas de gargalhadas mas que, para mim, só me fazem levar as mãos à cabeça e pedir que acabe depressa. Mas não acaba, porque são 52 episódios de piadas tão secas como um pão cheio de bolor.
As personagens são uma espécie de subversão do estereótipo de anime. Isto, em si, é mais uma paródia mal conseguida. Porque os personagens parecem existir em função da piada (que não existe) e não sofrem qualquer tipo de desenvolvimento, evolução ou mesmo caracterização. São completamente desprovidas de personalidade e tudo o que que conseguiram foi irritar-me profundamente e desejar que morressem todas de forma altamente violenta. Se este anime fosse guro, teria tudo corrido melhor.
A arte é menos infeliz do que poderia parecer à primeira vista. Podemos admitir que algumas cenas estão capazmente animadas e que os designs dos personagens são originais e distinguíveis (na medida do possível). Os cenários, esses, são completamente inexistentes. É um anime sem qualquer tipo de beleza ou conteúdo artístico, apoiando-se numa simplicidade que poderia ter funcionado caso os personagens existissem de todo.
A música foi a parte que mais me perturbou. É possível haver música tão surpreendentemente má como a deste anime? As OPs e EDs são exasperantes, causam falta de ar, são um happy-pop pastilhado que nem sequer dá vontade de mexer, apenas vontade de nos enrolar num canto e morrer. E quanto às músicas do parênquima... Onde é que eu já ouvi isto? Que tal em... Todos os animes de comédia das últimas duas décadas? Músicas repetitivas, pouco originais e totalmente recicladas. Ouvimos estes temas no Doraemon, pelo amor de deus...
Enfim, um anime terrível que não recomendo a ninguém. Sei que tem uma legião de fãs, mas não me interessa, odiei isto com todas as minhas forças e ninguém me pode negar esse direito!
By : ladyxzeus
O Conto da Ilha Desconhecida
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O Conto da Ilha Desconhecida
José Saramago
1997
Conto
Para rematar, uma história de Saramago. Muito bela, em toda a sua simplicidade.
Um homem quer um barco. Após grandes complicações burocráticas o rei dá-lhe um. Aí começa a curiosidade deste conto: que castelo é este, que portas são estas? O que representam estas portas e como se podem relacionar com a realidade da vida humana? Com estas questões em mente, o leitor é enviado para o barco. E aí começam os problemas... Não há tripulantes que queiram ir aonde o homem quer: em busca da ilha desconhecida.
É muito interessante a análise que o autor faz do humano, enquanto pessoa, de forma tão simples e reduzida mas ainda assim tão profunda. O que são os desejos? O que são os sonhos? E, em conclusão, será que o facto de procurarmos realizar o sonho é o sonho em si? O que interessa mais, encontrar a Ilha Desconhecida ou procurá-la? Será que o facto de a procurarmos é, já em si, a Ilha Desconhecida?
Isto é, de facto, uma contemplação muito melancólica e muito bela.
Não posso dizer muito mais sobre este conto porque é uma história curta e simples, mas recomendo a todos que o leiam. É um instante! Deviam substituir o complicado Memorial do Convento por este conto nas escolas, talvez assim os estudantes criança passassem a gostar mais desta maravilhosa pessoa que foi (e é= José Saramago.
By : ladyxzeus
The Daughter of Twenty Faces
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The Daughter of Twenty Faces
Tomisawa Nobuo - Bones
Anime - 22 Episódios
2008
6 em 10
Passado nos anos 20, uma época que é pouco retratada em anime, conta a história de uma menina que vive com medo de ser envenenada pelos tios, que querem a sua herança. A sua vida muda quando é raptada pelo misterioso ladrão "20 Caras", conhecido por este nome por ninguém saber quem é nem como é. A história desenvolve-se em vários arcos, cada um com a sua narrativa específica, que culminam numa luta entre o bem e o mal que tem como consequência a destruição de Tóquio.
Este anime tem interesse sobretudo pela original premissa, mas em termos narrativos acaba por falhar um pouco. Para começar, a forma como Chiko aprende todos os malabarismos e artes da biomecânica em tão pouco tempo é surpreendente. Também é demasiado rápida a forma como, depois de voltar a casa, ela faz amigos improváveis. E o facto de o 20 Caras ter sido um cientista na sua época também deixa muito a desejar, sobretudo tendo em conta a tecnologia retratada que parece demasiado avançada para a época. De resto, é um bom anime de acção, com mistérios simples e um certo ilusionismo à mistura.
Falando em acção, podemos dizer que as coreografias das lutas estão bastante bem pensadas, sendo que nenhum personagem é invencível e não há ninguém com o papel de salvar os outros. Toda a equipa contribui para resolução dos problemas e não há dependentes, quer do lado dos "bons" quer do lado dos "maus". A paleta de cores escura, com sombras muito opacas, é apropriada à época retratada, se bem que por vezes gostaria de ver animes passados nesta era com uma outra visão do tema.
Musicalmente, temos uma variedade bastante boa dentro do parênquima, com reinterpretações de algumas peças que conhecemos bem que ligam de forma interessante com o ambiente. OP e ED são, no entanto, bastante vulgares.
É um anime curioso, mas que ficou para trás por alguma razão.
By : ladyxzeus
O Alienista
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O Alienista
Machado de Assis
1882
Novela
Tinha curiosidade em ler este livro curto, apenas 44 páginas, depois de ter lido a correspondente paródia. Devo dizer que esta história é ainda mais divertida!
Dr. Bacamarte é um médico de valor reconhecido que decide influenciar a vida de uma pequena vila perto do Rio de Janeiro ao construir um asilo para loucos, onde os poderá estudar e, eventualmente, tratar. Mas Bacamarte, o Alienista, é um pouco alienado também... E começa a prender toda a gente dentro da Casa Verde! Assim, processa-se uma revolução para o impedir... Mas ele tranca-os a todos como loucos também! Finalmente, decide que afinal os sãos de espírito é que estão malucos e prende-os a eles. Ao ver que não tem mais ninguém, que faz...? Prende-se a si próprio!
É com esta graça e uma ironia acutilante que Machado de Assis tece uma crítica social intransigente, disfarçada de comédia e de crónica da vida real. A forma como a história está escrita é muito típica da época, cheia de palavras complexas e gramaticalmente profundas, mas sente-se que o autor estava possuído por um sentido de humor quase paranóico quando escreveu estas palavras.
Lê-se num instante (no meu caso, na viagem de autocarro para ir almoçar com o meu pai e na volta respectiva) e deixa um sorriso para trás. Fonte de uma boa gargalhada de quando em quando, recomendo-o, sobretudo para quem quer conhecer mais sobre literatura clássica brasileira. Pois... Nem tudo é assim tão chatóide. ;)
By : ladyxzeus
Spice and Wolf (3)
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Spice and Wolf (3)
Isuna Hasekura
2006
Light Novel
Para variar um pouco, continuemos a leitura das Light Novels de Spice and Wolf. Tinha desistido de comprar os livros, mas achei os livros em formato digital com facilidade e decidi voltar a eles, já que a personagem principal - Holo - vai ser um dos meus próximos cosplays. :) Para saberem mais sobre os dois primeiros volumes, vejam aqui.
Neste volume os nossos dois viajantes, Lawrence e Holo, vão até uma cidade no Norte, cada vez mais próximos do seu destino, a cidade de Yoitsu de onde a nossa deusa pagã veio originalmente. Passa-se um grande festival nesta cidade, mas Lawrence e Holo separam-se devido a um desentendimento. Agora Lawrence tem de negociar o melhor que sabe para conseguir ter Holo de volta.
Como o autor já nos vem habituando, o ponto focal deste volume é o universo da cidade e dos festival. Os mitos e histórias deste povo são muito bem explorados, com um realismo transcendente, e a introdução de uma nova personagem que colecciona esses tais mitos apenas ajuda na sua caracterização. A descrição das cores, vestimentas, comidas e até dos cheiros, dá um grande interesse ao universo e solidifica-o como real, um passado num mundo que poderia realmente ter existido.
Infelizmente, mantém-se a questão dos negócios. Lawrence é um mercador e isso está sempre presente em todas as suas acções. Infelizmente os negócios feitos neste volume têm uma complexidade algo exagerada, acabando por se tornar confusos e necessitando de mais clareza. Para mais, a descrição das acções nestes momentos é altamente repetitiva.
Os personagens, mais uma vez, crescem um pouco mais em termos de caracterização.
Agora, uma pequena pausa para depois passar ao quarto volume :)
By : ladyxzeus
Inside Out
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Inside Out
Pete Docter & Ronnie del Carmen
Filme
2015
8 em 10
Sem dúvida o melhor filme da Disney/Pixar dos últimos anos!
Conheçam a pequena Riley e as emoções que vivem dentro da sua cabeça! Aliás, da cabeça de todos nós... Alegria, Tristeza, Nojo, Medo, Raiva, todas elas são muito importantes para vivermos a nossa vida. E tudo corre bem, com muita felicidade (afinal, é a Alegria quem toma conta de tudo na cabeça desta mocinha) até ao momento em que uma grande mudança de vida acontece: mudam de casa, para outra terra, outro estado. E quando a Tristeza se envolve, tudo começa a correr mal! As emoções vivem então uma grande aventura dentro da mente desta menina, para tentar restituir os sentimentos de alegria que ela perdeu.
É um filme com um tema muito complexo: o que realmente se passa dentro da cabeça de uma pessoa. Na verdade, ainda não se sabe muito bem, mas com uma certa dose de infantilidade e simplicidade este filme consegue mostrar-nos uma visão muito interessante e cheia de cores do que pode realmente estar a acontecer. É um tema que é explorado de forma muito detalhada, apesar de simples, e que faz todo o sentido dentro do contexto narrativo. A forma como as personagens (que, no fundo, são apenas uma personagem ) evoluem para dar forma a novos tipos de sentimentos corresponde de forma muito coerente com a realidade e torna toda a experiência totalmente gratificante, para além de extremamente tocante e comovente.
Outro aspecto fantástico é a arte. Como sabem, eu não sou grande fã do universo da animação digital. Mas aqui fazem uso de diferentes técnicas que resultam num aspecto surpreendentemente agradável. É todo um universo de texturas altamente detalhadas, que dão vida a todas estas emoções e criam um universo dentro da cabeça da pessoa que parece infinito e muito divertido. Existem momentos de animação brilhantes, como a viagem ao pensamento abstracto, e uma imaginação hipnotizante em cada um dos pequenos universos que estão dentro da mente de Riley.
O resultado é uma viagem pela mente, que - se não científicamente correcta - é muito divertida e comovente. O filme mostra-nos o crescimento, uma visão da transição da criança para o adolescente, uma imagem com a qual todos nós nos identificamos.
E o bónus nos créditos finais, as emoções dentro da mente de cada um, vêm apenas a confirmar o que digo. Adorei o cão, diga-se de passagem. :)
Um filme excelente e que recordarei durante muito tempo. E que também me deixou ansiosa para uma potencial sequela!
By : ladyxzeus
Ushuu no Kishi Tekkaman Blade
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Ushuu no Kishi Tekkaman Blade
Negishi Hiroshi - Sotsu Agency
Anime - 49 Episódios + 3 OVA
1992
6 em 10
Curioso que depois de um mecha dos 80s vamos para um mecha que passou na TV exactamente dez anos depois, nos 90s.
A humanidade vê-se a cargo de lutar contra uma força alienígena altamente maléfica. Para os ajudar aparece o misterioso D-Boy, que tem a capacidade de se tornar num robot super poderoso para lutar contra estas criaturas. Mas o misterioso D-Boy é, pois, misterioso: tem mais por trás de si do que aparenta, nomeadamente um irmão mais velho muito maldoso e uma irmã mais nova muito falecida. A história é um típico arquétipo shounen, com muito pouco que se lhe diga, para além de motivar a algumas lutas entre robots que poderão ter o seu interesse para os fãs do género. Temos uma grande força nas interacções entre os personagens, que são bastantes e que têm todos uma função bastante específica no contexto narrativo. Em termos de desenvolvimento temos alguns aspectos interessantes, como a aproximação de D-Boy da sua própria humanidade, mas senti que os personagens secundários poderão ter ficado um pouco aquém das expectativas, acabando muitas vezes por ficar limitados ao alívio cómico e renegados em comparação com o principal. Este, apesar do aspecto curioso que referi, é bastante vulgar na sua concepção, o que acaba por se tornar um pouco irritante nos momentos menos adequados.
Para a época, temos uma animação que até está bastante cuidada, com grandes cenas de animação nas lutas entre os robots e os robots e entre os robots e os aliens e assim por diante. Curiosamente, é o tipo de anime em que a animação vai ficando progressivamente melhor, quando costuma acontecer o contrário, sobretudo em séries de longa duração. Os designs da maquinaria e das roupas poderiam ser muito melhores, apesar de estarem apropriados ao estilo da época. Gostei bastante do trabalho feito nas expressões dos personagens, que são bastante realistas.
Musicalmente, temos OPs e EDs típicas desta década e pouco impressionantes. No parênquima há um uso, quiçá exagerado, de peças clássicas conhecidas por todos, que tornam as cenas um pouco anti-climáticas. As vozes têm um certo exagero na emoção, tornando tudo demasiado OTT para o contexto.
Uma série que será boa para fãs de mecha e da década, mas que no geral é bastante esquecível.
By : ladyxzeus