• O Alienista

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    O Alienista
    Machado de Assis
    1882
    Novela
    Tinha curiosidade em ler este livro curto, apenas 44 páginas, depois de ter lido a correspondente paródia. Devo dizer que esta história é ainda mais divertida!

    Dr. Bacamarte é um médico de valor reconhecido que decide influenciar a vida de uma pequena vila perto do Rio de Janeiro ao construir um asilo para loucos, onde os poderá estudar e, eventualmente, tratar. Mas Bacamarte, o Alienista, é um pouco alienado também... E começa a prender toda a gente dentro da Casa Verde! Assim, processa-se uma revolução para o impedir... Mas ele tranca-os a todos como loucos também! Finalmente, decide que afinal os sãos de espírito é que estão malucos e prende-os a eles. Ao ver que não tem mais ninguém, que faz...? Prende-se a si próprio!

    É com esta graça e uma ironia acutilante que Machado de Assis tece uma crítica social intransigente, disfarçada de comédia e de crónica da vida real. A forma como a história está escrita é muito típica da época, cheia de palavras complexas e gramaticalmente profundas, mas sente-se que o autor estava possuído por um sentido de humor quase paranóico quando escreveu estas palavras.

    Lê-se num instante (no meu caso, na viagem de autocarro para ir almoçar com o meu pai e na volta respectiva) e deixa um sorriso para trás. Fonte de uma boa gargalhada de quando em quando, recomendo-o, sobretudo para quem quer conhecer mais sobre literatura clássica brasileira. Pois... Nem tudo é assim tão chatóide. ;)

  • Spice and Wolf (3)

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    Spice and Wolf (3)
     Isuna Hasekura
    2006
    Light Novel

    Para variar um pouco, continuemos a leitura das Light Novels de Spice and Wolf. Tinha desistido de comprar os livros, mas achei os livros em formato digital com facilidade e decidi voltar a eles, já que a personagem principal - Holo - vai ser um dos meus próximos cosplays. :) Para saberem mais sobre os dois primeiros volumes, vejam aqui

    Neste volume os nossos dois viajantes, Lawrence e Holo, vão até uma cidade no Norte, cada vez mais próximos do seu destino, a cidade de Yoitsu de onde a nossa deusa pagã veio originalmente. Passa-se um grande festival nesta cidade, mas Lawrence e Holo separam-se devido a um desentendimento. Agora Lawrence tem de negociar o melhor que sabe para conseguir ter Holo de volta.

    Como o autor já nos vem habituando, o ponto focal deste volume é o universo da cidade e dos festival. Os mitos e histórias deste povo são muito bem explorados, com um realismo transcendente, e a introdução de uma nova personagem que colecciona esses tais mitos apenas ajuda na sua caracterização. A descrição das cores, vestimentas, comidas e até dos cheiros, dá um grande interesse ao universo e solidifica-o como real, um passado num mundo que poderia realmente ter existido.

    Infelizmente, mantém-se a questão dos negócios. Lawrence é um mercador e isso está sempre presente em todas as suas acções. Infelizmente os negócios feitos neste volume têm uma complexidade algo exagerada, acabando por se tornar confusos e necessitando de mais clareza. Para mais, a descrição das acções nestes momentos é altamente repetitiva.

    Os personagens, mais uma vez, crescem um pouco mais em termos de caracterização.

    Agora, uma pequena pausa para depois passar ao quarto volume :)

  • Inside Out

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    Inside Out
    Pete Docter & Ronnie del Carmen
    Filme
    2015
    8 em 10

    Sem dúvida o melhor filme da Disney/Pixar dos últimos anos!

    Conheçam a pequena Riley e as emoções que vivem dentro da sua cabeça! Aliás, da cabeça de todos nós... Alegria, Tristeza, Nojo, Medo, Raiva, todas elas são muito importantes para vivermos a nossa vida. E tudo corre bem, com muita felicidade (afinal, é a Alegria quem toma conta de tudo na cabeça desta mocinha) até ao momento em que uma grande mudança de vida acontece: mudam de casa, para outra terra, outro estado. E quando a Tristeza se envolve, tudo começa a correr mal! As emoções vivem então uma grande aventura dentro da mente desta menina, para tentar restituir os sentimentos de alegria que ela perdeu.

    É um filme com um tema muito complexo: o que realmente se passa dentro da cabeça de uma pessoa. Na verdade, ainda não se sabe muito bem, mas com uma certa dose de infantilidade e simplicidade este filme consegue mostrar-nos uma visão muito interessante e cheia de cores do que pode realmente estar a acontecer. É um tema que é explorado de forma muito detalhada, apesar de simples, e que faz todo o sentido dentro do contexto narrativo. A forma como as personagens (que, no fundo, são apenas uma personagem ) evoluem para dar forma a novos tipos de sentimentos corresponde de forma muito coerente com a realidade e torna toda a experiência totalmente gratificante, para além de extremamente tocante e comovente.

    Outro aspecto fantástico é a arte. Como sabem, eu não sou grande fã do universo da animação digital. Mas aqui fazem uso de diferentes técnicas que resultam num aspecto surpreendentemente agradável. É todo um universo de texturas altamente detalhadas, que dão vida a todas estas emoções e criam um universo dentro da cabeça da pessoa que parece infinito e muito divertido. Existem momentos de animação brilhantes, como a viagem ao pensamento abstracto, e uma imaginação hipnotizante em cada um dos pequenos universos que estão dentro da mente de Riley.

    O resultado é uma viagem pela mente, que - se não científicamente correcta - é muito divertida e comovente. O filme mostra-nos o crescimento, uma visão da transição da criança para o adolescente, uma imagem com a qual todos nós nos identificamos.

    E o bónus nos créditos finais, as emoções dentro da mente de cada um, vêm apenas a confirmar o que digo. Adorei o cão, diga-se de passagem. :)

    Um filme excelente e que recordarei durante muito tempo. E que também me deixou ansiosa para uma potencial sequela!

  • Ushuu no Kishi Tekkaman Blade

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    Ushuu no Kishi Tekkaman Blade
    Negishi Hiroshi - Sotsu Agency
    Anime - 49 Episódios + 3 OVA
    1992 
    6 em 10

    Curioso que depois de um mecha dos 80s vamos para um mecha que passou na TV exactamente dez anos depois, nos 90s.

    A humanidade vê-se a cargo de lutar contra uma força alienígena altamente maléfica. Para os ajudar aparece o misterioso D-Boy, que tem a capacidade de se tornar num robot super poderoso para lutar contra estas criaturas. Mas o misterioso D-Boy é, pois, misterioso: tem mais por trás de si do que aparenta, nomeadamente um irmão mais velho muito maldoso e uma irmã mais nova muito falecida. A história é um típico arquétipo shounen, com muito pouco que se lhe diga, para além de motivar a algumas lutas entre robots que poderão ter o seu interesse para os fãs do género. Temos uma grande força nas interacções entre os personagens, que são bastantes e que têm todos uma função bastante específica no contexto narrativo. Em termos de desenvolvimento temos alguns aspectos interessantes, como a aproximação de D-Boy da sua própria humanidade, mas senti que os personagens secundários poderão ter ficado um pouco aquém das expectativas, acabando muitas vezes por ficar limitados ao alívio cómico e renegados em comparação com o principal. Este, apesar do aspecto curioso que referi, é bastante vulgar na sua concepção, o que acaba por se tornar um pouco irritante nos momentos menos adequados.

    Para a época, temos uma animação que até está bastante cuidada, com grandes cenas de animação nas lutas entre os robots e os robots e entre os robots e os aliens e assim por diante. Curiosamente, é o tipo de anime em que a animação vai ficando progressivamente melhor, quando costuma acontecer o contrário, sobretudo em séries de longa duração. Os designs da maquinaria e das roupas poderiam ser muito melhores, apesar de estarem apropriados ao estilo da época. Gostei bastante do trabalho feito nas expressões dos personagens, que são bastante realistas.

    Musicalmente, temos OPs e EDs típicas desta década e pouco impressionantes. No parênquima há um uso, quiçá exagerado, de peças clássicas conhecidas por todos, que tornam as cenas um pouco anti-climáticas. As vozes têm um certo exagero na emoção, tornando tudo demasiado OTT para o contexto.

    Uma série que será boa para fãs de mecha e da década, mas que no geral é bastante esquecível.
  • Armored Trooper Votoms

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    Armored Trooper Votoms
    Takahashi Ryosuke - Sunrise
    Anime - 52 Episódios
    1983
    6 em 10 

    Trata-se de um clássico dos anos 80 que envolve robots gigantes sem qualquer tipo de poder. Por uma vez, para variar, os mecha são armas de guerra utilizadas por toda a gente. Tudo começa quando um jovem, Chirico (se bem que se pronuncia "Kiriko") é abandonado pelos seus colegas no espaço e encontra uma caixa com uma rapariga desnuda dentro de um líquido. Ele procede a juntar-se a uma guerrilha, para lutarem numa guerra que já terminou contra um misterioso oponente, reminiscente de um regime comunista esquecido. Neste aspecto é um anime bastante original, pois metaforiza um tema corrente da época (as guerrilhas), transladando-as para uma guerra futurista num mundo desértico. Infelizmente, a forma como a narrativa se processa é bastante errática, de tal forma que os personagens acabam sem um objectivo e sem uma função à qual possam chamar de sua.

    Esses, os personagens, são bastante vulgares dentro do seu género. Temos um personagem principal com uma força motriz arrasadora, cuja a inteira caracterização depende dela, mas sem um objectivo definido. Todos os outros, exceptuando a misteriosa mulher da caixa, aparentam estar lá para dar um certo aspecto cómico a todas as suas relações. Até mesmo nos momentos mais tristes, os seus diálogos estão intepretados de tal forma que é impossível levá-los a sério. Quanto à tal mulher, parece estar ali apenas para aparecer nua de quando em quando, com o extra de ter mamilos (mas não pêlos púbicos)

    Em termos de arte e animação, temos algo bastante capaz para época, com grande detalhe na maquinaria e designs muito funcionais. Apesar da paleta de cores limitada, a forma como as acções e grandes explosões estão animadas torna o anime bastante agradável de se observar.

    O ponto forte será sem dúvida a música, com as nossas queridas baladas azeiteiras dos anos 80 a brilhar em toda a sua força. Que querem que faça, eu adoro-as! Nota para os actores de vozes que, por uma vez, fizeram um trabalho terrível, fazendo todos os personagens soar artificiais e pouco realistas, para além de lhes dar aquele ar de comédia totalmente desnecessário que referi anteriormente.

    Uma série que terá marcado uma geração, mas que não me marcou a mim.

  • Taiyou no Ouji - Horus no Daibouken

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    Taiyou no Ouji - Horus no Daibouken
    Toei Animation - Takahata Isao
    Anime - Filme
    1968
    7 em 10

    Desta feita aconteceu uma raridade: o Qui recomendou-me um filme de anime! Descobriu-o enquanto procurava animes influentes no ocidente e em Hollywood. Esta é uma obra dos idos anos 60 que não deve passar ao lado de um conhecedor.

    Temos uma história muito simples, mas num universo altamente sofisticado e muito detalhado. Neste país indígena existe um medo para com o Inverno. O Inverno pode chegar a qualquer momento, pelas mãos de um terrível feiticeiro. Enquanto luta contra os lobos que são seus criados, um jovem chamado Horus encontra a Espada do Sol. Com ela, poderá impedir a tragédia. A história simplificada surte um efeito muito bom tendo em conta a animação, da qual falarei em seguida. Infelizmente, achei que o método narrativo poderia ter sido diferente e melhor aproveitado. Há um intercalar de cenas com divisões muito patentes, o que quebra um pouco o ritmo da história e pode torná-la aborrecida.

    As personagens são encantadoras e reconhecíveis, distinguindo-se dentro do contexto pela sua força física e moral. Achei especial interesse na personagem de Hilda, que se encontra dividida entre o bem e o mal e apresenta esta dicotomia de forma extremamente versátil. Quanto a Horus e o seu oponente, estão divididos dentro do seu estereótipo e acabam por ter atitudes um pouco previsíveis.

    O ponto alto deste filme é, sem dúvida, a animação. É excelente, tanto para época quanto para os dias do agora. Apesar de algumas limitações, existem cenas muito bem coreografadas e um nível de fluidez que roça o excelente. Os designs e todo o cenário deste universo são muito detalhados e criam um ambiente identificável e único. Até mesmo a utilização de sombras e efeitos de luz diversos são muito trabalhados, o que era muito raro nesta época.

    Trata-se, também, de um filme com muita música. Não podendo classificá-lo como um musical, o som é parte integrante desta película e através dele compreendemos mais e mais sobre o universo que se pretende retratar. As peças em si são muito originais e típicas de uma era que se perdeu.

    Assim, apesar da idade, é um filme que se excede. Recomendo-o a todos os que queiram saber um pouco mais sobre a história do anime.

    Nota: depois de ler um pouco sobre ele descobri que Hayao Miyazaki teve um dedinho no filme. Era apenas um de muitos Key Animators. :p
  • The Rocky Horror Picture Show

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    The Rocky Horror Picture Show
    Jim Sharman
    Filme
    1975
    7 em 10

    Este é o filme ideal para o Halloween, mas como maluca neo-pagã recuso-me a celebrá-lo. Portanto vimos o filme agora. Row row faite da powa.

    Nos idos anos 60 e 70 havia um tipo de sessão de cinema que era o Double Feature. Passava dois filmes de série B horríveis e eram sempre à meia noite. The Rocky Horror Picture Show é um musical de série B feito para gozar com os filmes de terror de série B das Double Feature.

    Tudo começa quando um casal de criaturas limpas e inocentes anuncia o seu noivado e decide ir visitar um professor que é seu amigo. Perdem-se na floresta, numa noite de chuva perniciosa, e batem à porta de um castelo, onde está a acontecer uma festa. E a vida deles muda, para melhor ou pior, quando conhecem o Dr. Frank N Furter, um travesti da Transexual Transylvania.

    É uma história que é difícil de definir, pois tem algo de terror, tem algo de comédia, algo de ficção-científica e tem algo de muito ilógico a acontecer. Este filme atira pela janela os estereótipos sexuais e, no fundo, tudo termina numa grande festa e numa inusitada orgia de cores e conceitos.

    Todas as músicas são excelentes, com um sentido de humor desprovido de vergonha e com letras de rimas tão improváveis e terríveis que se tornam absolutamente memoráveis.

    Gostaria também de deixar uma nota para os actores. A sua performance é dicotómica em certo sentido. Eles brilham nas músicas e coreografias, isso é certo, mas o seu método de acção é propositadamente mau, o que por vezes torna o filme um pouco maçudo, como se ninguém o estivesse a levar a sério. Ninguém está, mas podiam fingir. Outra nota fica também para o hipnotizante trabalho de maquilhagem. Exemplo a ser seguido.

    De resto, agora deixem-me sossegada que eu vou por a minha maquilhagem e cantar para o meu patooties.

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