• Ushuu no Kishi Tekkaman Blade

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    Ushuu no Kishi Tekkaman Blade
    Negishi Hiroshi - Sotsu Agency
    Anime - 49 Episódios + 3 OVA
    1992 
    6 em 10

    Curioso que depois de um mecha dos 80s vamos para um mecha que passou na TV exactamente dez anos depois, nos 90s.

    A humanidade vê-se a cargo de lutar contra uma força alienígena altamente maléfica. Para os ajudar aparece o misterioso D-Boy, que tem a capacidade de se tornar num robot super poderoso para lutar contra estas criaturas. Mas o misterioso D-Boy é, pois, misterioso: tem mais por trás de si do que aparenta, nomeadamente um irmão mais velho muito maldoso e uma irmã mais nova muito falecida. A história é um típico arquétipo shounen, com muito pouco que se lhe diga, para além de motivar a algumas lutas entre robots que poderão ter o seu interesse para os fãs do género. Temos uma grande força nas interacções entre os personagens, que são bastantes e que têm todos uma função bastante específica no contexto narrativo. Em termos de desenvolvimento temos alguns aspectos interessantes, como a aproximação de D-Boy da sua própria humanidade, mas senti que os personagens secundários poderão ter ficado um pouco aquém das expectativas, acabando muitas vezes por ficar limitados ao alívio cómico e renegados em comparação com o principal. Este, apesar do aspecto curioso que referi, é bastante vulgar na sua concepção, o que acaba por se tornar um pouco irritante nos momentos menos adequados.

    Para a época, temos uma animação que até está bastante cuidada, com grandes cenas de animação nas lutas entre os robots e os robots e entre os robots e os aliens e assim por diante. Curiosamente, é o tipo de anime em que a animação vai ficando progressivamente melhor, quando costuma acontecer o contrário, sobretudo em séries de longa duração. Os designs da maquinaria e das roupas poderiam ser muito melhores, apesar de estarem apropriados ao estilo da época. Gostei bastante do trabalho feito nas expressões dos personagens, que são bastante realistas.

    Musicalmente, temos OPs e EDs típicas desta década e pouco impressionantes. No parênquima há um uso, quiçá exagerado, de peças clássicas conhecidas por todos, que tornam as cenas um pouco anti-climáticas. As vozes têm um certo exagero na emoção, tornando tudo demasiado OTT para o contexto.

    Uma série que será boa para fãs de mecha e da década, mas que no geral é bastante esquecível.
  • Armored Trooper Votoms

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    Armored Trooper Votoms
    Takahashi Ryosuke - Sunrise
    Anime - 52 Episódios
    1983
    6 em 10 

    Trata-se de um clássico dos anos 80 que envolve robots gigantes sem qualquer tipo de poder. Por uma vez, para variar, os mecha são armas de guerra utilizadas por toda a gente. Tudo começa quando um jovem, Chirico (se bem que se pronuncia "Kiriko") é abandonado pelos seus colegas no espaço e encontra uma caixa com uma rapariga desnuda dentro de um líquido. Ele procede a juntar-se a uma guerrilha, para lutarem numa guerra que já terminou contra um misterioso oponente, reminiscente de um regime comunista esquecido. Neste aspecto é um anime bastante original, pois metaforiza um tema corrente da época (as guerrilhas), transladando-as para uma guerra futurista num mundo desértico. Infelizmente, a forma como a narrativa se processa é bastante errática, de tal forma que os personagens acabam sem um objectivo e sem uma função à qual possam chamar de sua.

    Esses, os personagens, são bastante vulgares dentro do seu género. Temos um personagem principal com uma força motriz arrasadora, cuja a inteira caracterização depende dela, mas sem um objectivo definido. Todos os outros, exceptuando a misteriosa mulher da caixa, aparentam estar lá para dar um certo aspecto cómico a todas as suas relações. Até mesmo nos momentos mais tristes, os seus diálogos estão intepretados de tal forma que é impossível levá-los a sério. Quanto à tal mulher, parece estar ali apenas para aparecer nua de quando em quando, com o extra de ter mamilos (mas não pêlos púbicos)

    Em termos de arte e animação, temos algo bastante capaz para época, com grande detalhe na maquinaria e designs muito funcionais. Apesar da paleta de cores limitada, a forma como as acções e grandes explosões estão animadas torna o anime bastante agradável de se observar.

    O ponto forte será sem dúvida a música, com as nossas queridas baladas azeiteiras dos anos 80 a brilhar em toda a sua força. Que querem que faça, eu adoro-as! Nota para os actores de vozes que, por uma vez, fizeram um trabalho terrível, fazendo todos os personagens soar artificiais e pouco realistas, para além de lhes dar aquele ar de comédia totalmente desnecessário que referi anteriormente.

    Uma série que terá marcado uma geração, mas que não me marcou a mim.

  • Taiyou no Ouji - Horus no Daibouken

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    Taiyou no Ouji - Horus no Daibouken
    Toei Animation - Takahata Isao
    Anime - Filme
    1968
    7 em 10

    Desta feita aconteceu uma raridade: o Qui recomendou-me um filme de anime! Descobriu-o enquanto procurava animes influentes no ocidente e em Hollywood. Esta é uma obra dos idos anos 60 que não deve passar ao lado de um conhecedor.

    Temos uma história muito simples, mas num universo altamente sofisticado e muito detalhado. Neste país indígena existe um medo para com o Inverno. O Inverno pode chegar a qualquer momento, pelas mãos de um terrível feiticeiro. Enquanto luta contra os lobos que são seus criados, um jovem chamado Horus encontra a Espada do Sol. Com ela, poderá impedir a tragédia. A história simplificada surte um efeito muito bom tendo em conta a animação, da qual falarei em seguida. Infelizmente, achei que o método narrativo poderia ter sido diferente e melhor aproveitado. Há um intercalar de cenas com divisões muito patentes, o que quebra um pouco o ritmo da história e pode torná-la aborrecida.

    As personagens são encantadoras e reconhecíveis, distinguindo-se dentro do contexto pela sua força física e moral. Achei especial interesse na personagem de Hilda, que se encontra dividida entre o bem e o mal e apresenta esta dicotomia de forma extremamente versátil. Quanto a Horus e o seu oponente, estão divididos dentro do seu estereótipo e acabam por ter atitudes um pouco previsíveis.

    O ponto alto deste filme é, sem dúvida, a animação. É excelente, tanto para época quanto para os dias do agora. Apesar de algumas limitações, existem cenas muito bem coreografadas e um nível de fluidez que roça o excelente. Os designs e todo o cenário deste universo são muito detalhados e criam um ambiente identificável e único. Até mesmo a utilização de sombras e efeitos de luz diversos são muito trabalhados, o que era muito raro nesta época.

    Trata-se, também, de um filme com muita música. Não podendo classificá-lo como um musical, o som é parte integrante desta película e através dele compreendemos mais e mais sobre o universo que se pretende retratar. As peças em si são muito originais e típicas de uma era que se perdeu.

    Assim, apesar da idade, é um filme que se excede. Recomendo-o a todos os que queiram saber um pouco mais sobre a história do anime.

    Nota: depois de ler um pouco sobre ele descobri que Hayao Miyazaki teve um dedinho no filme. Era apenas um de muitos Key Animators. :p
  • The Rocky Horror Picture Show

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    The Rocky Horror Picture Show
    Jim Sharman
    Filme
    1975
    7 em 10

    Este é o filme ideal para o Halloween, mas como maluca neo-pagã recuso-me a celebrá-lo. Portanto vimos o filme agora. Row row faite da powa.

    Nos idos anos 60 e 70 havia um tipo de sessão de cinema que era o Double Feature. Passava dois filmes de série B horríveis e eram sempre à meia noite. The Rocky Horror Picture Show é um musical de série B feito para gozar com os filmes de terror de série B das Double Feature.

    Tudo começa quando um casal de criaturas limpas e inocentes anuncia o seu noivado e decide ir visitar um professor que é seu amigo. Perdem-se na floresta, numa noite de chuva perniciosa, e batem à porta de um castelo, onde está a acontecer uma festa. E a vida deles muda, para melhor ou pior, quando conhecem o Dr. Frank N Furter, um travesti da Transexual Transylvania.

    É uma história que é difícil de definir, pois tem algo de terror, tem algo de comédia, algo de ficção-científica e tem algo de muito ilógico a acontecer. Este filme atira pela janela os estereótipos sexuais e, no fundo, tudo termina numa grande festa e numa inusitada orgia de cores e conceitos.

    Todas as músicas são excelentes, com um sentido de humor desprovido de vergonha e com letras de rimas tão improváveis e terríveis que se tornam absolutamente memoráveis.

    Gostaria também de deixar uma nota para os actores. A sua performance é dicotómica em certo sentido. Eles brilham nas músicas e coreografias, isso é certo, mas o seu método de acção é propositadamente mau, o que por vezes torna o filme um pouco maçudo, como se ninguém o estivesse a levar a sério. Ninguém está, mas podiam fingir. Outra nota fica também para o hipnotizante trabalho de maquilhagem. Exemplo a ser seguido.

    De resto, agora deixem-me sossegada que eu vou por a minha maquilhagem e cantar para o meu patooties.

  • Matadouro 5

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    Matadouro 5
    Kurt Vonnegut
    1969
    Romance

    Este é mais um livro sobre a guerra, nomeadamente a Segunda Guerra Mundial. Um narrador intrometido esforça-se por contar a história de Billy Pilgrim, um optometrista inadapatado que esteve no Bombardeamento de Dresden, evento histórico mórbido e elevadamente fatal.

    É uma narrativa cadente, sempre pontuada pela frase chave: "Coisas da Vida". Cada vez que algo de terrível acontece, ou mesmo algo bom, são coisas da vida. Assim, temos um ritmo bastante agradável, um embalar dentro da história, que torna os horrores vividos na guerra como algo secundário e até mesmo pouco importante, como se tudo o que se passou tinha sido uma necessidade do acaso ou do destino. Na verdade, o livro pula entre vários momentos da vida do personagem principal, pois ele ganha a capacidade de viajar no espaço-tempo devido à amizade feita com uma tribo de alienígenas, os tralfamadorianos. Estranho, não é?

    Eu interpreto toda esta vertente de ficção científica não como realidade mas como uma interpretação do stress pós-traumático (PTSD- post traumatic stress disorder). Billy Pilgrim ficou tão perturbado com o que viu na guerra que provoca em si próprio uma imersão num mundo fantástico onde tudo são apenas "coisas da vida" e onde pode encontrar algum conforto e afastamento da realidade, onde o consideram louco e onde não tem qualquer sucesso e tudo lhe corre mal.

    Quanto às imagens horrendas, não há muitas, propriamente ditas. O livro é mais uma sucessão, com muita ironia e bom-humor, das coisas pouco lógicas que aconteceram com estes prisioneiros de guerra americanos. Isto é, são descritas coisas feias, mas na perspectiva tanto do narrador como do personagem, elas servem apenas como mote para ilustrar a falta de lógica destes combates.

    Um livro curto, que se lê bem e é divertido.

  • Space Battleship Yamato 2199: Hoshimeguru Hakobune

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    Space Battleship Yamato 2199: Hoshimeguru Hakobune
    Bessho Makoto -  Xebec
    Anime - Filme
    2014
    6 em 10

    Este filme é uma sequela da série de remake do original de Leiji Matsumoto. Para saberem mais sobre elas, cliquem aqui.

    A história pega exactamente no ponto em que nos deixaram após o OVA de 26 episódios. Agora, a Yamato vê-se num confronto contra uma outra raça de alienígenas, uns gigantes que desejam a sua destruição. Assim, decidem escapar-se por um buraco no espaço tempo, indo parar a um estranho planeta. Em termos narrativos a história não avança para lado algum, não nos permitindo chegar a alguma conclusão sobre o caminho da nossa nave espacial Yamato. Eles vão a um lugar e depois voltam, sem que nada de extraordinário tenha acontecido para além de mais uma aventura para os nossos personagens. É curioso, no entanto, ver um pouco mais da vida diária na Yamato e um ligeiro desenvolvimento das relações entre os personagens. Estes, não mudam nada desde que os conhecemos originalmente e não sofrem nenhuma adição na sua caracterização. Assim, este filme tem muito pouca densidade para que possamos considerá-lo como uma sequela. Trata-se mais de uma história aparte para os fãs da série.

    A animação não é menos do que excelente. Temos cenas fabulosas de batalhas espaciais, com grandes efeitos de luzes e explosões de cor, para além de paisagens astronómicas maravilhosas e inspiradoras. Esta modernização da arte de Yamato é espectacular e um gosto para os olhos, num espectáculo visual invejável.

    Não gostei do que fizeram com o tema original da série, tornou-se vulgar e aborrecido. A música, no geral, é bastante normativa e limitada.

    Assim, temos um filme com uma animação excelente mas que nada acrescenta em termos narrativos. Um bónus para apreciadores.
  • Druaga no Tou - The Aegis of Uruk

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    Druaga no Tou - The Aegis of Uruk
    Chigira Kouichi - Gonzo
    Anime - 12 Episódios + 1 Special
    2008
    6 em 10

    Às vezes o Random.org não escolhe o anime ideal para eu ver. Ver este anime, com um tema fantástico, logo depois de Claymore tornou a experiência, comparativamente, um pouco aquém.

    Este é o tipo de anime em que o primeiro episódio engana muito. Pensamos estar dentro de um jogo e que se trata de uma comédia, mas - logo a partir do segundo episódio - percebemos logo que estamos errados. É um jogo, sim, a inspiração para este anime, um jogo de fantasia por níveis. Nesse aspecto, The Aegis of Uruk caracteriza muito bem o estilo de jogatina que se faz: um grupo de pessoas, uma party, encontra-se numa masmorra (dungeon) com vários níveis que tem de ultrapassar progressivamente, lutando contra inimigos mais ou menos fortes e reunindo-se com outras pessoas que podem ou não ter os mesmos objectivos. O início da série caracteriza muito bem este tipo de jogo e, por isso, é muito divertida. Tem muitos momentos de comédia que, ao contrário do esperado, funcionam bastante bem. Depois torna-se um pouco mais sério, mas sempre com um pouco de graça que nunca se perde.

    Os personagens pecam por ser pouco memoráveis e por se inserirem exclusivamente dentro da sua classe de combate. Isto é especialmente bom quando existem lutas, mas no respeitante a desenvolvimento e caracterização é um pouco fraco. Os designs são pouco inspirados e, no geral, são personagens são grande potencial.

    A arte torna-se progressivamente pior. Se ao início temos batalhas bastante interessantes contra grandes criaturas, nos últimos episódios estas criaturas são montadas digitalmente, de forma muito arcaica e simplesmente desnecessária. Afinal, se animaram o primeiro dragão por métodos tradicionais qual a necessidade de fazer o último monstro em CG? Também a animação, no geral, não é muito forte, apesar de ser satisfatória. As coreografias estão bem pensadas dentro do contexto, mas é tudo bastante simples.

    A música tem pouco interesse e não caracteriza bem o ambiente. A sequência da OP é estranha, dentro do contexto, assim como a música.

    Um anime que facilmente será esquecido.

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