• Claymore

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    Claymore
    Maruyama Masao - Madhouse Studios
    Anime - 26 Episódios
    2007
    8 em 10

    Há algum tempo que não via um anime que me envolvesse tanto e do qual gostasse desta forma. Apesar de ser largamente criticado por "não seguir o manga", eu não leio o manga e portanto tal facto foi completamente irrelevante para mim. Claymore revelou-se, então, uma fantástica série de fantasia, com muito mais nela do que alguma vez poderia esperar.

    Neste universo, existem umas criaturas maléficas, os "yoma", que se alimentam de seres humanos. Para os destruir, existe uma associação, um grupo de pessoas, que coordena guerreiras chamadas "Claymore". Estas, são especiais porque têm em si características yoma e, por isso, podem detectá-los e lutar contra eles com enormes espadas. É curioso observar e tentar perceber os meandros desta organização e a forma como está tudo coordenado na luta contra os demónios. No entanto, aparecem demónios cada vez mais fortes, num processo comum a todos os shounen (inimigos cada vez mais fortes e cada vez mais poderes) que fazem com que as personagens revelem a sua verdadeira natureza maléfica, correndo o risco de se converter nas criaturas que tanto odeiam.

    Esta história, que é mais complexa do que aparenta, é suportada por um conjunto de excelentes personagens. Cada Claymore tem a sua motivação para odiar os yoma e para querer lutar contra eles, mas é quando tudo parece perdido que a sua natureza, que pode mesmo chegar a ser completamente insana, se revela. Os personagens perdem-se dentro das suas próprias mentes, o que é uma caracterização original e muito interessante. A sua história passada ajuda na resenha das suas personalidades, mas são as suas acções do presente que as tornam fortes, características e memoráveis. Todas elas são especiais, mas há uma que ganhou um lugarzinho no meu coração: Clare, a nossa personagem principal. É curioso porque ela é considerada a mais fraca, a mais inútil, mas apesar disso tem uma força mental e uma motivação tão grandes que acaba por ser ela a resolver as situações. Assim, é com grande orgulho que anuncio que ela foi adicionada à minha lista de cosplays futuros, no Cosplay Portfolio. :)

    Com cenas de acção espectaculares, este anime prima por uma arte radicalmente forte, com traços carregados e cores escuras e quentes. Apesar de haver alguns momentos de animação menos bons, todo o design de cenários e personagens é muito agradável. Quanto à acção, essa sim, é única. Com cenas de luta muito bem coreografadas, todos estes momentos são muito intensos e deixam-nos na ponta da cadeira, esperando o que pode acontecer a seguir. De todos os modos, são lutas muito bem pensadas, não apenas uma guerra de força bruta mas um suceder de estratégias pensadas no momento que são surpreendentes e originais.

    A banda sonora é, também, muito interessante, com peças orquestrais bastante melancólicas que se coadunam na perfeição com o ambiente. Nos momentos mais intensos, um bocadinho de densidade electrónica vem mesmo a calhar.

    Um anime que, apesar de não contar a história toda, dá muito que pensar e nos deixa curiosos para saber tudo o que irá acontecer a seguir. No entanto, achei que terminou mesmo no lugar certo, de certa forma embrulha todos os elementos e aponta-nos para uma direcção em que podem acontecer muitas coisas, que poderemos imaginar (eu gosto de pensar num final feliz e, bem, não vou ler o manga). De todos os modos, recomendo vivamente, pois é um exemplo fantástico de um anime shounen de fantasia e coloca a fasquia bem alta dentro do género.


  • Amada

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    Amada
    Toni Morrison
    1987
    Romance

    Foi a minha primeira experiência com esta autora, detentora de um Prémio Nobel, e fiquei com uma opinião bastante dividida.

    "Amada" é a história de uma mulher negra que, depois de fugir da escravatura, tem um acesso de loucura e mata a sua filha bébé. Esta filha regressa sob a forma de fantasma para a atormentar. Assim, temos um relato místico, que mistura crenças de lugares antigos com a realidade sofrida pelas pessoas na realidade. É uma mistura interessante, pois o lugar depois da morte acaba por representar o lugar antes da vida, o lugar onde estão estas pessoas que durante tanto tempo foram maltratadas e violentadas.

    Os relatos desta realidade são fortíssimos, muito intensos, aterrorizantes. Uma pessoa realmente sente o medo destes personagens (que poderiam mesmo ter existido), os seus sentimentos, a sua fuga perante os sentimentos, a fissão entre o que querem e as consequências dessas vontades. A necessidade de não ter vontade para poderem sobreviver. Nesse aspecto, o livro é excelente, pois dá uma imagem fria, cuidada, exacta da época no contexto dos personagens. No entanto, talvez peque um pouco pelo exagero da imagem, pela fomentação do ódio, pela incapacidade de perdão que todas estas pessoas têm e que não lhes permite avançar nas suas vidas. Talvez seja exactamente isso o que o fantasma simboliza.

    Falando no fantasma, foi a parte que achei menos boa. Na verdade, não sinto que para que a mensagem fosse transmitida houvesse necessidade de incluir estes elementos místicos. Ainda assim, as partes de pesadelo, de autorreflexão e de retrato destes momentos estão muito bem escritas e, por isso, a leitura é sempre um prazer.

    Uma escritora para manter debaixo de olho.
  • Gangsta.

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    Gangsta.
    Murase Shukou - Bandai Visual
    Anime - 12 Episódios
    2015
    5 em 10

    Considerado por todos o melhor anime da temporada, do ano e da década, tenho a dizer que... Non. Está certo que esta season só vi dois animes. Um era normal. O outro era mau. O outro era este.

    A intro engana. Vamos ao engano para este anime convencidos que teremos um hard-boiled action cheio de estilo, cheio de sexo, drogas e rock'n'roll. Mas é mentira. Na verdade este anime é uma sucessão de machos reprodutores que têm umas lutas mas que, aparentemente, estão lá apenas para gáudio e felicidade de um grupo específico de senhoras.

    Mas vamos ao início: a história. Não é muita coisa. Dois fulanos (muito, muito giros...) fazem pequenos serviços (muito, muito perigosos...) para variadas pessoas (muito, muito estranhas...). Depois encontram uma rapariga que, segundo consta, é prostituta. A partir daí encontram mais pessoas muito, muito estranhas e fazem outras coisas muito, muito perigosas, sem grande insistência numa progressão narrativa, num objectivo para a história ou algo que, simplesmente, ligue os acontecimentos numa massa coesiva. Assim, o anime resume-se a lutas entre vários personagens, que aparentam querer muito caracterizar este universo como violento e terrível, a dog eats dog world, mas que - no fundo, no fundo - é absolutamente inconsequente.

    Poderíamos ser salvos pelos personagens, já que este anime se foca sobretudo no seu desenvolvimento. Mas este é feito de forma tão óbvia, em alguns casos, ou tão errática, em outros casos, que estes homens acabam reduzidos às suas cicatrizes e aos sofrimentos que passaram em eventos passados. Penso eu que factores traumáticos no passado poderiam ter algum interesse se fossem, bem... Mais intensos. Podem argumentar que um cigarro no olho não é intenso, mas a violência física é bastante limitada, no respeitante ao que existe por aí em termos de eventos traumáticos em anime.

    Sucedem-se outras personagens psicóticas, em maior ou menor escala, que procuram matar tudo e todos numa guerra de gangs intemporal que não tem objectivo definido, nem qualquer sentido. Estes personagens secundários não sofrem qualquer tipo de exploração, ficando muito aquém das expectativas e limitados apenas à sua sociopatia.

    A arte não é boa. A arte é limitada. As coreografias são simples, a animação é estática. Esta cidade tem interesse, eu admito que tem interesse. Mas os cenários pouco mostram dela e é tudo muito redutor. Tudo é simples, as texturas digitais simplesmente não funcionam, e as sombras estão exageradas nos lugares errados. É uma confusão artística que acaba por tornar toda a narrativa em algo ainda menos coesivo.

    Finalmente, a música. Haja algo a favor! Temos a tal intro que é muito interessante e, dentro do parênquima (que, apesar de tudo, é muito silencioso. Não no bom sentido) temos alguns beats que, apesar de simples, carregam de intensidade estas cenas mal conseguidas.

    Portanto, fiquem com os senhores muito muito giros. Bem vindos ao mundo do Bara. Divirtam-se.



  • Arslan Senki

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    Arslan Senki
    Abe Noriyuki - Magic Capsule
    Anime - 25 Episódios
    2015
    6 em 10

    Este anime já veio da season que passou, a de Inverno. Desses, é capaz de ter sido o melhor. Simplesmente porque é bastante diferente do que os animes que têm dado nas televisões japonesas ultimamente.

    Para começar, o ambiente, o universo deste anime, é muito original. Passado numa terra com tendências medievais, algo como uma mistura entre a antiga Ásia e o Médio Oriente, fala de uma guerra de encontros e enganos, com foco num príncipe perdido, Arslan. Sendo que este príncipe procura recuperar o seu trono, que lhe foi arrancado com a brutal morte do pai numa guerra de traições, desenvolvem-se então muitas estratégias interessantíssimas e bem pensadas, que culminam em diversos combates, quer a nível colectivo quer individual. Para que isto possa acontecer, temos um conjunto de personagens provido de inteligência estratégica que ajudam Arslan a conseguir os seus feitos. Têm uma boa caracterização, mas não sofrem qualquer tipo de desenvolvimento. No entanto, Arslan tem melhorias visíveis desde o início da série, apesar de se processarem de forma muito discreta. Só conseguimos reparar na mudança se colocarmos lado a lado a pessoa do primeiro episódio com a que temos no último. E, devo dizer, é verdadeiramente surpreendente.

    Infelizmente, a narrativa tem algumas pontas soltas que nunca voltam a ser relatadas, esquecendo-se de personagens e de factos que aconteceram e passando a ignorá-los como se nunca tivessem ocorrido. Muitas vezes algumas acções não têm qualquer consequência, dando essa aparência de terem sido esquecidas, e também muitas vezes ficamos a pensar o que aconteceu a tal ou tal pessoa.
     
    Coisa que também não liga bem com o ambiente, um pouco negro, da série são os momentos de humor que aparecem nas situações mais inusitadas, tornando tudo muito anti-climático e quebrando a concentração do visionante.

    A animação tem uma grande utilização de CG que, nas cenas de grandes batalhas, destoa bastante do resto dos designs. Existem, sim, algumas batalhas que são surpreendentes não pela animação mas pelo contexto. Falo, nomeadamente, da batalha contra o exército de elefantes. Mas, enfim, a animação não é especialmente brilhante. Os designs são interessantíssimos e muito variados, não deixando de ser completmaente originais.

    Na música, temos uma variedade de OPs e EDs muito enérgicas que podem ser um pouco desadequadas dentro do contexto clássico do ambiente do anime. No parênquima temos peças que se coadunam com as situações, tornando-as mais intensas ou comoventes (ou, palavra que odeio, "épicas"). Destaco o trabalho do actor de voz de Arslan, que transmite na perfeição o seu crescimento enquanto pessoa e personagem e a sua transição para uma vida adulta.

    É um anime curioso pela sua originalidade, que será sobretudo apreciado para quem goste deste contexto em cenas de estratégia e grandes batalhas hípicas.
  • Akagami no Shirayuki-hime

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    Akagami no Shirayuki-hime
    Ando Masahiro - Bones
    Anime - 12 Episódios
    2015
    6 em 10

    Considerando que esta season segui pouquíssimos animes, este foi o que considerei melhorzinho, apesar de ser bastante regular em todos os aspectos.

    Um shoujo romântico passado numa era medieval, num país que tem algo de fantástico, conta a história de Shirayuki, uma herbalista (espécie de farmacêutica) que tem a particularidade de ter o cabelo muito vermelho, ao contrário das pessoas normais. Devido a este facto, o rei do seu país decide torná-la sua concubina e, como Shirayuki não se quer meter nisso, ela foge para ser encontrada pelo príncipe do país vizinho. Depois disto seguimos a sua vida no castelo, na sua luta para se tornar uma herbalista oficial e no desenvolvimento da relação entre os dois.

    É um anime muito simpático e simples, que se foca sobretudo na manutenção dessa relação. Para isso, temos um conjunto de personagens muito agradável, com uma caracterização simples mas eficiente que agradará certamente a todos os gostos. Sendo que os personagens secundários são deixados para trás, todos eles têm algum interesse e, pessoalmente, gostaria de saber mais sobre eles. Zan, o príncipe, tem uma boa personalidade e uma história pregressa que lhe poderá dar mais densidade. Mas é Shirayuki a estrela principal. Uma personagem amável, querida de todos e com alguns elementos, como a coragem e determinação, que a tornam numa heroína ideal. Aliás, tanto gostei dela que cogitei a ideia de adicionar à minha lista de cosplays futuros, no Cosplay Portfolio, mas decidi aguardar até ao final da segunda season (que já está anunciada) para ter a certeza absoluta de que é uma personagem boa para mim.

    Os designs são limpos e a arte bastante simples e colorida, sem grande detalhe ou distracção. Também as cenas em que há uma manifestação maior de técnicas de animação têm essas características. Na realidade, artisticamente não é o anime ideal, mas acaba por ser satisfatório pois, como em tudo, agrada à vista e é deveras relaxante.

    Também o é a música, com uma pitada de bom humor que torna toda a história numa experiência positiva e dá ao anime todo um ar de conto de fadas, tal como o nome indica ("Branca de Neve dos Cabelos Vermelhos")

    No geral, um anime satisfatório e simpático, que aguça a curiosidade para uma segunda season.

  • Sky Girls

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    Sky Girls
    Iwasaki Yoshiaki - J.C. Staff
    Anime - 26 Episódios
    2007
    6 em 10

    Este é o anime que Strike Witches teria sido se não tivesse tantas cuequinhas. Caracteriza-se por uma histórias simples dirigida aos e pelos seus personagens, num ambiente de ficção científica pouco concreto.

    O mundo foi invadido por umas criaturas alienígenas, "Worms". Para lutar contra elas desperdiçaram-se recursos do nosso planeta e agora não há homens em idade de combater. Assim, quando voltam a aparecer os Worms, quem tem de conduzir os mechas que os vão matar são um grupo de minúsculas meninas, que têm de especial o facto de se vestirem com uns fatinhos justinhos que se ligam aos robots por uma cauda. E, essencialmente, é esse o ponto alto do anime. Fatinhos com caudas.

    Temos uma variedade bastante abrangente de personagens, mas em nada ajuda a história o facto de serem meninas pequeninas. Meninas podem apenas actuar como meninas e a história pedia um pouco mais de maturidade. Ficam por explicar muitos aspectos, como o funcionamento da maquinaria e o contexto da invasão alienígina, simplesmente porque o anime decide dedicar-se a uma caracterização incapaz que se limita a conversas enquanto se toma banho. As personagnes, essas, têm pouca densidade e aparentam estar ali apenas para que o visionante as aprecie e escolha, para si, uma delas como waifu. Mas temos de admitir que são amáveis e simpáticas, o que potencia este facto.

    A animação está bastante regular, sendo que as partes mais interessantes são aquelas em que há uma descrição visual dos cenários que, apesar de bastante simples, são agradáveis. As cenas de acção demonstram um orçamento limitado e, dentro dele, uma má utilização de recursos.

    Musicalmente, temos OP e EDs interessantes, apesar do Inglês absolutamente pérfido das letras.

    É um anime muito genérico que será rapidamente esquecido.

  • Todos os Contos

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    Todos os Contos
    Edgar Allan Poe
    Vários
    Contos

    Este livro foi-me oferecido no passado Natal por duas pessoas diferentes. Tive de trocar um deles, mas claro que fiquei com o outro. Terminei-o agora. Como já havia lido vários contos, em outras edições (ver aqui) despachei-me bastante rápido, tendo em conta o tamanhão do livro.

    Poe era um escritor de grande diversidade. Apesar de ser sobretudo conhecido pelos seus escritos de terror e ser um marco na literatura gótica, a maioria dos seus contos são providos de grande sentido de humor. Aliás, a maioria deles são críticas mais ou menos disfarçadas a elementos literários da época, sejam eles revistas ou outras pessoas. Com uma escrita elegante e muito erudita, ele faz troça de tudo e todos, recorrendo a trocadilhos e brincadeiras que, ainda assim, são muito ácidas e devem ter feito muitas pessoas chorar na sua época.

    Existem também alguns contos futuristas, mas mesmo esses são também uma crítica social muito pertinente, em que Poe argumenta contra as correntes artísticas e literárias do seu tempo.

    Desta vez, os contos que gostei mais foram precisamente os que se enquadram no género do terror. O conto do homem que foi mesmerizado, do que está a ser torturado pela inquisição, do enterrado vivo, até mesmo o do gato preto, são grandes exemplos do gótico americano e chegam a ser verdadeiramente arrepiantes, no sentido em que nos colocamos na situação presente e nos tentamos imaginar como esses personagens. No entanto, a grande maioria dos contos são, como referi anteriormente, pura comédia e sarcasmo.

    Por vezes tornam-se muito aborrecidos, devido ao chorrilho de complexidades que o autor nos apresenta que, no fundo, são inconsequentes em termos palpáveis e apenas servem como crítica a situações que, nos tempos de hoje, desconhecemos e pouco interessam. O que seria a revista Blackwood que o autor tanto ataca?

    De resto, é um livro muito grande e bonito, que fica muito bem na prateleira e, mesmo que não gostem da maioria dos contos, vale a pena arranjar pelo seu valor físico.

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