• Gangsta.

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    Gangsta.
    Murase Shukou - Bandai Visual
    Anime - 12 Episódios
    2015
    5 em 10

    Considerado por todos o melhor anime da temporada, do ano e da década, tenho a dizer que... Non. Está certo que esta season só vi dois animes. Um era normal. O outro era mau. O outro era este.

    A intro engana. Vamos ao engano para este anime convencidos que teremos um hard-boiled action cheio de estilo, cheio de sexo, drogas e rock'n'roll. Mas é mentira. Na verdade este anime é uma sucessão de machos reprodutores que têm umas lutas mas que, aparentemente, estão lá apenas para gáudio e felicidade de um grupo específico de senhoras.

    Mas vamos ao início: a história. Não é muita coisa. Dois fulanos (muito, muito giros...) fazem pequenos serviços (muito, muito perigosos...) para variadas pessoas (muito, muito estranhas...). Depois encontram uma rapariga que, segundo consta, é prostituta. A partir daí encontram mais pessoas muito, muito estranhas e fazem outras coisas muito, muito perigosas, sem grande insistência numa progressão narrativa, num objectivo para a história ou algo que, simplesmente, ligue os acontecimentos numa massa coesiva. Assim, o anime resume-se a lutas entre vários personagens, que aparentam querer muito caracterizar este universo como violento e terrível, a dog eats dog world, mas que - no fundo, no fundo - é absolutamente inconsequente.

    Poderíamos ser salvos pelos personagens, já que este anime se foca sobretudo no seu desenvolvimento. Mas este é feito de forma tão óbvia, em alguns casos, ou tão errática, em outros casos, que estes homens acabam reduzidos às suas cicatrizes e aos sofrimentos que passaram em eventos passados. Penso eu que factores traumáticos no passado poderiam ter algum interesse se fossem, bem... Mais intensos. Podem argumentar que um cigarro no olho não é intenso, mas a violência física é bastante limitada, no respeitante ao que existe por aí em termos de eventos traumáticos em anime.

    Sucedem-se outras personagens psicóticas, em maior ou menor escala, que procuram matar tudo e todos numa guerra de gangs intemporal que não tem objectivo definido, nem qualquer sentido. Estes personagens secundários não sofrem qualquer tipo de exploração, ficando muito aquém das expectativas e limitados apenas à sua sociopatia.

    A arte não é boa. A arte é limitada. As coreografias são simples, a animação é estática. Esta cidade tem interesse, eu admito que tem interesse. Mas os cenários pouco mostram dela e é tudo muito redutor. Tudo é simples, as texturas digitais simplesmente não funcionam, e as sombras estão exageradas nos lugares errados. É uma confusão artística que acaba por tornar toda a narrativa em algo ainda menos coesivo.

    Finalmente, a música. Haja algo a favor! Temos a tal intro que é muito interessante e, dentro do parênquima (que, apesar de tudo, é muito silencioso. Não no bom sentido) temos alguns beats que, apesar de simples, carregam de intensidade estas cenas mal conseguidas.

    Portanto, fiquem com os senhores muito muito giros. Bem vindos ao mundo do Bara. Divirtam-se.



  • Arslan Senki

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    Arslan Senki
    Abe Noriyuki - Magic Capsule
    Anime - 25 Episódios
    2015
    6 em 10

    Este anime já veio da season que passou, a de Inverno. Desses, é capaz de ter sido o melhor. Simplesmente porque é bastante diferente do que os animes que têm dado nas televisões japonesas ultimamente.

    Para começar, o ambiente, o universo deste anime, é muito original. Passado numa terra com tendências medievais, algo como uma mistura entre a antiga Ásia e o Médio Oriente, fala de uma guerra de encontros e enganos, com foco num príncipe perdido, Arslan. Sendo que este príncipe procura recuperar o seu trono, que lhe foi arrancado com a brutal morte do pai numa guerra de traições, desenvolvem-se então muitas estratégias interessantíssimas e bem pensadas, que culminam em diversos combates, quer a nível colectivo quer individual. Para que isto possa acontecer, temos um conjunto de personagens provido de inteligência estratégica que ajudam Arslan a conseguir os seus feitos. Têm uma boa caracterização, mas não sofrem qualquer tipo de desenvolvimento. No entanto, Arslan tem melhorias visíveis desde o início da série, apesar de se processarem de forma muito discreta. Só conseguimos reparar na mudança se colocarmos lado a lado a pessoa do primeiro episódio com a que temos no último. E, devo dizer, é verdadeiramente surpreendente.

    Infelizmente, a narrativa tem algumas pontas soltas que nunca voltam a ser relatadas, esquecendo-se de personagens e de factos que aconteceram e passando a ignorá-los como se nunca tivessem ocorrido. Muitas vezes algumas acções não têm qualquer consequência, dando essa aparência de terem sido esquecidas, e também muitas vezes ficamos a pensar o que aconteceu a tal ou tal pessoa.
     
    Coisa que também não liga bem com o ambiente, um pouco negro, da série são os momentos de humor que aparecem nas situações mais inusitadas, tornando tudo muito anti-climático e quebrando a concentração do visionante.

    A animação tem uma grande utilização de CG que, nas cenas de grandes batalhas, destoa bastante do resto dos designs. Existem, sim, algumas batalhas que são surpreendentes não pela animação mas pelo contexto. Falo, nomeadamente, da batalha contra o exército de elefantes. Mas, enfim, a animação não é especialmente brilhante. Os designs são interessantíssimos e muito variados, não deixando de ser completmaente originais.

    Na música, temos uma variedade de OPs e EDs muito enérgicas que podem ser um pouco desadequadas dentro do contexto clássico do ambiente do anime. No parênquima temos peças que se coadunam com as situações, tornando-as mais intensas ou comoventes (ou, palavra que odeio, "épicas"). Destaco o trabalho do actor de voz de Arslan, que transmite na perfeição o seu crescimento enquanto pessoa e personagem e a sua transição para uma vida adulta.

    É um anime curioso pela sua originalidade, que será sobretudo apreciado para quem goste deste contexto em cenas de estratégia e grandes batalhas hípicas.
  • Akagami no Shirayuki-hime

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    Akagami no Shirayuki-hime
    Ando Masahiro - Bones
    Anime - 12 Episódios
    2015
    6 em 10

    Considerando que esta season segui pouquíssimos animes, este foi o que considerei melhorzinho, apesar de ser bastante regular em todos os aspectos.

    Um shoujo romântico passado numa era medieval, num país que tem algo de fantástico, conta a história de Shirayuki, uma herbalista (espécie de farmacêutica) que tem a particularidade de ter o cabelo muito vermelho, ao contrário das pessoas normais. Devido a este facto, o rei do seu país decide torná-la sua concubina e, como Shirayuki não se quer meter nisso, ela foge para ser encontrada pelo príncipe do país vizinho. Depois disto seguimos a sua vida no castelo, na sua luta para se tornar uma herbalista oficial e no desenvolvimento da relação entre os dois.

    É um anime muito simpático e simples, que se foca sobretudo na manutenção dessa relação. Para isso, temos um conjunto de personagens muito agradável, com uma caracterização simples mas eficiente que agradará certamente a todos os gostos. Sendo que os personagens secundários são deixados para trás, todos eles têm algum interesse e, pessoalmente, gostaria de saber mais sobre eles. Zan, o príncipe, tem uma boa personalidade e uma história pregressa que lhe poderá dar mais densidade. Mas é Shirayuki a estrela principal. Uma personagem amável, querida de todos e com alguns elementos, como a coragem e determinação, que a tornam numa heroína ideal. Aliás, tanto gostei dela que cogitei a ideia de adicionar à minha lista de cosplays futuros, no Cosplay Portfolio, mas decidi aguardar até ao final da segunda season (que já está anunciada) para ter a certeza absoluta de que é uma personagem boa para mim.

    Os designs são limpos e a arte bastante simples e colorida, sem grande detalhe ou distracção. Também as cenas em que há uma manifestação maior de técnicas de animação têm essas características. Na realidade, artisticamente não é o anime ideal, mas acaba por ser satisfatório pois, como em tudo, agrada à vista e é deveras relaxante.

    Também o é a música, com uma pitada de bom humor que torna toda a história numa experiência positiva e dá ao anime todo um ar de conto de fadas, tal como o nome indica ("Branca de Neve dos Cabelos Vermelhos")

    No geral, um anime satisfatório e simpático, que aguça a curiosidade para uma segunda season.

  • Sky Girls

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    Sky Girls
    Iwasaki Yoshiaki - J.C. Staff
    Anime - 26 Episódios
    2007
    6 em 10

    Este é o anime que Strike Witches teria sido se não tivesse tantas cuequinhas. Caracteriza-se por uma histórias simples dirigida aos e pelos seus personagens, num ambiente de ficção científica pouco concreto.

    O mundo foi invadido por umas criaturas alienígenas, "Worms". Para lutar contra elas desperdiçaram-se recursos do nosso planeta e agora não há homens em idade de combater. Assim, quando voltam a aparecer os Worms, quem tem de conduzir os mechas que os vão matar são um grupo de minúsculas meninas, que têm de especial o facto de se vestirem com uns fatinhos justinhos que se ligam aos robots por uma cauda. E, essencialmente, é esse o ponto alto do anime. Fatinhos com caudas.

    Temos uma variedade bastante abrangente de personagens, mas em nada ajuda a história o facto de serem meninas pequeninas. Meninas podem apenas actuar como meninas e a história pedia um pouco mais de maturidade. Ficam por explicar muitos aspectos, como o funcionamento da maquinaria e o contexto da invasão alienígina, simplesmente porque o anime decide dedicar-se a uma caracterização incapaz que se limita a conversas enquanto se toma banho. As personagnes, essas, têm pouca densidade e aparentam estar ali apenas para que o visionante as aprecie e escolha, para si, uma delas como waifu. Mas temos de admitir que são amáveis e simpáticas, o que potencia este facto.

    A animação está bastante regular, sendo que as partes mais interessantes são aquelas em que há uma descrição visual dos cenários que, apesar de bastante simples, são agradáveis. As cenas de acção demonstram um orçamento limitado e, dentro dele, uma má utilização de recursos.

    Musicalmente, temos OP e EDs interessantes, apesar do Inglês absolutamente pérfido das letras.

    É um anime muito genérico que será rapidamente esquecido.

  • Todos os Contos

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    Todos os Contos
    Edgar Allan Poe
    Vários
    Contos

    Este livro foi-me oferecido no passado Natal por duas pessoas diferentes. Tive de trocar um deles, mas claro que fiquei com o outro. Terminei-o agora. Como já havia lido vários contos, em outras edições (ver aqui) despachei-me bastante rápido, tendo em conta o tamanhão do livro.

    Poe era um escritor de grande diversidade. Apesar de ser sobretudo conhecido pelos seus escritos de terror e ser um marco na literatura gótica, a maioria dos seus contos são providos de grande sentido de humor. Aliás, a maioria deles são críticas mais ou menos disfarçadas a elementos literários da época, sejam eles revistas ou outras pessoas. Com uma escrita elegante e muito erudita, ele faz troça de tudo e todos, recorrendo a trocadilhos e brincadeiras que, ainda assim, são muito ácidas e devem ter feito muitas pessoas chorar na sua época.

    Existem também alguns contos futuristas, mas mesmo esses são também uma crítica social muito pertinente, em que Poe argumenta contra as correntes artísticas e literárias do seu tempo.

    Desta vez, os contos que gostei mais foram precisamente os que se enquadram no género do terror. O conto do homem que foi mesmerizado, do que está a ser torturado pela inquisição, do enterrado vivo, até mesmo o do gato preto, são grandes exemplos do gótico americano e chegam a ser verdadeiramente arrepiantes, no sentido em que nos colocamos na situação presente e nos tentamos imaginar como esses personagens. No entanto, a grande maioria dos contos são, como referi anteriormente, pura comédia e sarcasmo.

    Por vezes tornam-se muito aborrecidos, devido ao chorrilho de complexidades que o autor nos apresenta que, no fundo, são inconsequentes em termos palpáveis e apenas servem como crítica a situações que, nos tempos de hoje, desconhecemos e pouco interessam. O que seria a revista Blackwood que o autor tanto ataca?

    De resto, é um livro muito grande e bonito, que fica muito bem na prateleira e, mesmo que não gostem da maioria dos contos, vale a pena arranjar pelo seu valor físico.

  • Freedom

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    Freedom
     Morita Shuhei - Sunrise
    Anime OVA - 7 Episódios + 1 Special
    2006
    6 em 10

    Infelizmente, tive de ver este anime com a manhosa dobragem Americana, pois as tracks de legendas não estavam a funcionar... Enfim!

    Um grupo de jovens vive numa colónia na Lua e nada sabem sobre a Terra, o planeta de origem. Dedicam-se a corridas futuristas, moderadamente ilegais, em motas construídas por eles próprios. Dois amigos, depois de encontrarem umas fotografias, decidem ir à Terra ver o que lá está e se há pessoas a viver lá. O que acontece depois é uma grande aventura.

    Este anime esforça-se por apresentar uma distopia em oposição a um universo de felicidade, fazendo para isso recurso de uma narrativa muito simples, consistindo em "fazer amigos -> salvar os amigos". É uma falha grande o facto de o universo apresentado não estar convenientemente explorado e tudo se dirigir para uma guerra fatalista e, de todos os modos, extremamente previsível. Também as atitudes dos personagens são indistinguíveis. A sua caracterização é mínima e os personagens secundários têm grandes limitações no seu desenvolvimento. Quanto aos principais, fora um discurso moralista que deveria ter grande intensidade, são indistintos e esquecíveis.

    Um aspecto interessante deste anime é a arte. Fazendo uso de um arcaico CG com cell-shading (talvez uma das primeiras experiências neste estilo em grande escala), a animação está bem cuidada e temos cenas de acção de excelência que são muito agradáveis de ver. Os cenários são pintados de forma tradicional, tendo em si grande detalhe e uma construção de edifícios e maquinaria originais e fascinantes. As cores são vibrantes e uma delícia para os olhos.

    Musicalmente, temos pouco a apontar, fora uma OP e ED que têm uma certa intensidade que liga muito bem com o tema do anime.

    Este OVA de 7 episódios terá ficado para trás, mas é uma experiência curiosa e terá a sua importância técnica.

  • Houkago no Pleiades

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    Houkago no Pleiades
    Saeki Shouji - Gainax
    Anime - 12 Episódios
    2015
    6 em 10

    Vi este anime,  muito rapidamente, por recomendação do meu clube. Trata-se de um simples anime de meninas mágicas, mas relacionado com o espaço.

    Cinco meninas, que aparentemente não se conhecem mas que têm uma ligação no passado, unem-se para encontrar os pedaços da nave espacial de um habitante das Pleiades. Para isso viajam pela estratosfera montadas numas vassouras mágicas supersónicas. No entanto, têm um antagonista que procura os pedaços da nave para ele. E agora?

    A história é muito simples e bem disposta, com uma posição positivista em relação à vida que é sempre agradável de se ver. É o tipo de história que depende totalmente dos seus personagens, que provavelmente necessitariam de mais episódios para atingir o ápex do seu desenvolvimento. Existe um episódio dedicado a cada uma das meninas, mas isso parece insuficiente para estabelecer as suas relações e para dar um rumo mais definido à história. Assim, apesar de elas serem muito simpáticas e de ganharmos carinho por elas, a sua caracterização é incapaz de as estabelecer como ícones e o anime, no geral, parece curto e incompleto.

    Se há algo que é fantástico neste anime é, sem dúvida, a arte. Com designs amorosos, as personagens são desejáveis. Mas, sobretudo, são as visões paisagísticas do espaço que espantam e maravilham. Estão desenhadas com elevado detalhe, dando azo a momentos muito belos que fazem esta viagem valer a pena.

    Musicalmente, temos músicas cheias de fofura, mas que não se distinguem de outros animes do género.

    Considerando que este anime serve um pouco como spot publicitário para os criadores dos carros Subaru (Fuji Heavy Industries) é um exemplo curioso dentro do género. Acabei por não compreender bem o que desejavam eles anunciar, mas transmitem uma mensagem de bondade e esperança que funciona bastante bem. De resto, existem outros exemplos dentro do género que merecem melhores recomendações.

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