• Mezzo DSA

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    Mezzo DSA
    Umetsu Yasuomi - Arms
    Anime - 13 Episódios
    2004
    6 em 10

    Depois de Mezzo Forte descobri que havia uma série com as mesmas personagens. Assim, fui vê-la.

    É um anime divertido, directo ao assunto, que mantém viva a memória do OVA original. DSA é um grupo de três que resolve problemas diversos relacionados com o submundo, de assassinatos a raptos e pequenos casos misteriosos que envolvem robots. De natureza episódica, é uma série recheada de acção, com uma grande componente sensual.

    Os personagens mantém a sua natureza dos anos 90, mas não são desenvolvidos muito mais do que as suas características base. São introduzidos novos personagens ao longo dos episódios que têm um papel mais ou menos relevante dentro de cada uma das histórias. Agradou-me sobretudo o design, que se mantém fiel à época original, sendo muito patente o estilo próprio do autor.

    A animação não se pode considerar incapaz, mas também não é nada de extraordinário. As sombras são fortes, trazendo a toda a série um aspecto cru, duro ou, como gostam de dizer os japoneses, "hard boiled".  Existem alguns erros, mas no geral as cenas de acção estão bastante bem coreografadas, com a intensidade devida.

    A parte melhor é, sem dúvida, a música. É de uma animação e intensidade surpreendentes e fica muito bem em todas as situações. A OP, sobretudo, é memorável.

    Assim, temos um pequeno desenvolvimento do OVA original, o que foi uma experiência bastante engraçada.
  • Chappie

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    Chappie
    Neil Blomkamp
    2015
    Filme
    6 em 10

    Vimos este filme em casa. Tinha vontade de o ver depois de uma amiga o ter elogiado bastante.

    Nesta África do Sul, tão futurista mas tão próxima da nossa realidade, gangs e meliantes são destruídos e presos por uma nova tecnologia: polícias robot. No entanto, a confusão começa quando Deon, um cientista que criou um programa de "consciência" para os robots, é raptado por um estranho grupo de gangsters que o obrigam a montar o robot, para que este trabalhe para eles. Mas o robot vem com um defeito: tal como uma criança pequena, tem de ser ensinado. 

    O filme tem um tema relativamente semelhante a outro que vi do mesmo realizador, o District 9. Um encontro improvável vai oferecer-nos as diferentes perspectivas de dois mundos. No caso, o mundo agressivo da realidade dos gangsters, em que sobrevive apenas o mais forte, versus o universo familiar de um grupo de pessoas que, apesar dos problemas na vida, mantém a sua humanidade. Assim, temos uma caracterização muito interessante desta "família", em que Chappie - o robot - é ensinado a ser cada vez mais humano e obtém características completamente inesperadas. Se por um lado ele procura fazer apenas o bem, conforme a sua "mãe" e o seu "criador" lhe ensinam, na outra mão temos a maneira de lidar com a vida do seu "pai" e do amigo Amerika. Isto só pôde ser conseguido por um trabalho de actor bastante interessante, protagonizado pela banda Die Antwoord, que eu não conhecia mas na qual fiquei muito interessada. Afinal, grande parte da banda sonora é também protagonizada por eles e pareceu-me algo de fabuloso!

    Dentro desta narrativa, também não perdemos a oportunidade de ter um inimigo estranhamente psicótico, acreditavelmente assustador. Também aqui fique a nota para o trabalho de actor, pois este inimigo obsessivo e perigoso dá mais intensidade às cenas de acção do filme. Estas, infelizmente, pareceram-me demasiadas e, sobretudo, muito exageradas. A cena final, sobretudo, é exasperantemente melodramática o que, dentro do contexto, acaba por não funcionar muito bem.

    A conclusão é aterradora e dá que pensar no noss lugar enquanto humanos relativamente às maquinas. Aliás, todo o filme acaba por ser um exercício dessa possiblidade. Apesar de tudo, é amoroso e criamos rapidamente laços com os personagens. Assim, posso recomendá-lo.
  • A Vista de Castle Rock

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    A Vista de Castle Rock
    Alice Munro
    2006
    Contos

    Este livro foi-me oferecido, com dedicatória e tudo, pelo meu Qui pelo meu aniversário do ano passado. :) *

    Já tinha lido um livro desta autora de que havia gostado muito. Este é um pouco diferente. Trata-se de um conjunto de contos de natureza autobiográfica. Na primeira parte, Alice Munro fala sobre a evolução da sua família, como partiram da Irlanda para o Canadá e como lá se estabeleceram. É uma leitura fascinante, de certa forma, pois conta com exactidão como estas pessoas viviam da agricultura e todos os pequenos detalhes sobre a sociedade da época. Na segunda parte, Munro relata alguns eventos da sua infância e assistimos ao seu crescimento enquanto pessoa. Demonstra como desde sempre foi uma pessoa pouco adaptada, que corria riscos sociais imensos para manter a sua liberdade.

    A escrita é fascinante, directa, sem complexos. As descrições são extremamente cativantes, apesar de por vezes nos mostrarem uma realidade que nem sempre é a mais bela. A natureza é relatada como espectacular, o que é de certa forma irónico: a autora refere muitas vezes que, nesta sociedade, apreciar a natureza era algo considerado bizarro e excêntrico.

    Com este livro fiquei a saber um pouco mais sobre a vida pessoal da autora e como ela chegou ao ponto em que está. Assim, deixou-me com ainda mais curiosidade para explorar o resto da sua obra.
  • Mad Max: Fury Road

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    Mad Max: Fury Road
    George Miller
    2015
    Filme
    7 em 10

    Tinha um grande furo no meu horário de trabalho, portanto decidi ir ao cinema em Santarém. Repare-se que era Sábado e que não havia nada que fazer nesta cidade, pois todas as lojas, todos os cafés, todas as coisas... Tudo fechado. Até a biblioteca. Só o centro comercial estava aberto. Enfim...

    Eu sabia muito pouco sobre o Mad Max original. Apenas que inspirou o clássico do anime "Hokuto no Ken". Sabia que por alguma razão o mundo se tornou num deserto e que havia guerras para obter gasolina. Nesta versão do franchise, o ambiente é o mesmo, mas há algumas diferenças. Agora a luta é pelas pessoas e pela água.

    Max é um tipo meio louco que anda pelo deserto. Quando se vê capturado por um grupo de gente ainda mais louca que ele, faz tudo para sobreviver. Acaba por se juntar a Furiosa, uma entidade importante nesta sociedade, numa perseguição e fuga por uma estrada infinita, de forma a tentarem salvar as mulheres do líder desta comunidade, uma espécie de profeta religioso que tem em si tudo o que pode ser mau.

    É um filme de acção do início ao fim. Na verdade, o filme pode ser considerado como uma longa perseguição de carros por um deserto sem fim. E esses carros, camiões, motas, coisas motorizadas em geral, estão muitas vezes em chamas e explodem constantemente. É um filme quente, metálico e altamente viciante. Mas, apesar de ser um blockbuster recheado de acção, este filme tem uma grande dimensão feminina: as personagens são muito fortes e estão todas muito bem caracterizadas, apesar de nunca sabermos muito sobre elas.

    Isto foi, para mim, um aspecto que podia ser melhorado. Na verdade, estamos neste universo, assistimos a flashbacks, assistimos aos vários aspectos de uma sociedade sem nunca saber bem o que se passa, porque é que as coisas são assim. Entramos dentro do filme, mas está tudo fora do contexto e fiquei com muita vontade de saber mais, muito mais, acerca do mundo e das personagens. Para mais, algumas cenas de luta pareceram-me demasiado longas, o que pode ser um pouco fastidioso.

    Mas, no geral, valeu muito a pena ir ao cinema sozinha. É raro desejar isto, mas até quero que façam sequelas sem fim para podermos saber mais sobre este universo fantástico!
  • Inferno Cop

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    Inferno Cop
    Amemiya Akira - CoMix Wave Films
    Anime - 13 Episódios
    2012
    5 em 10

    Esta foi aquela recomendação no gozo que por vezes aparece no clube, assim sem mais nem menos por razões que a própria razão desconhece. Diziam eles que isto era o novo "Mars of Destruction", tido por muitos como o pior anime de sempre. Assim, vim preparada para algo de extraordinariamente terrível, um terrível fora do normal, algo que de tão mau se situa na escala do épico, tal qual uma Ana Malhoa. 

    Mas... Isto não é assim tão mau?

    São treze episódios com mais ou menos três minutos cada um, vê-se a série toda em menos de uma hora. Fala das aventuras e desventuras de uma criatura misteriosa e não humana, um tal de Inferno Cop, que protege as pessoas de todo o mal, de alienígenas a meliantes, com ajuda (ou não) de outros super-heróis tão estranhos como ele.

    É uma série de comédia, que não se leva a sério num único momento. É algo que foi feito para ser mau, com a intenção de ser ridículo. Assim, podemos criticar a série quando ela se torna ridícula? Se esse era o seu primeiro e único objectivo? Tudo nela contribui para isto, das vozes (todos os personagens são interpretados por cerca de três pessoas) à terrível animação, se é que se pode considerar animação a sucessão de imagens paradas e recortes que rodopiam conforme a necessidade de acção.

    O efeito, no geral, acaba por ser bastante engraçado. Eu, que não tenho sentido de humor, fartei-me de rir em algumas partes. Isto é simplesmente um exercício de comédia pura e dura, sem nenhum objectivo para além da experimentação de gags e popularização de um personagem que não faz sentido nenhum.

    Claro que não a irei recomendar, mas também não me posso juntar às vozes críticas que o comparam a uma turbinada. Não é assim tão mau. Também não é assim tão bom.
  • Aquilo Que Eu Amava

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    Aquilo Que Eu Amava
    Siri Hustvedt
    2003
    Romance

    Depois de ter tido uma excelente experiência com um livro desta autora, decidi experimentar outro para saber se tinha sido caso único ou se poderia realmente adicionar esta senhora à minha lista de leitura. Com este romance, a minha opinião ficou consolidada.

    No mundo artístico dos anos 70 a 90, um professor de história de arte e crítico nos tempos livres forma amizade com um artista desconhecido. Com um olhar conhecedor e muito observador, Leo assiste à ascensão deste artista e às suas relações interpessoais, ligadas intimamente com a sua própria vida. Assim, o livro é mais que um exercício dos conhecimentos artísticos da autora, mas uma avaliação emotiva e contundente da vida humana e das emoções deste conjunto de personagens.

    A escrita é bela e directa, sendo que - como leitora - me senti muito ligada à vida de todas estas pessoas, desejando por vezes vivê-la eu própria, como se eu fosse mais do que uma espectadora de todos estes acontecimentos. Isto é algo que devemos valorizar bastante.

    A partir da terceira parte o livro toma um rumo um pouco diferente, passando a ser uma espécie de policial dentro de uma teia de problemas psicológicos e mentiras que são um pouco difícieis de compreender, quer para os personagens quer para o leitor. Não me agradou especialmente, sobretudo a conclusão um pouco triste, consequência de todos estes eventos que destroçaram emocionalmente os personagens.

    Ainda assim, foi uma leitura gratificante e estou ansiosa por ler mais livros desta autora.
  • Mai-HiME

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    Mai-HiME
    Nagai Tatsuyuki - Sunrise
    Anime - 26 Episódios
    2004
    6 em 10

    Depois de tantos fatias de vida seguidos (dois, pelo menos), avançamos para um anima de contornos sobrenaturais. Estava com certas expectativas para ele, depois de ter lido reviews muito positivas e de o manga ter sido recomendado no meu clube. Não posso dizer que as expectativas tenham saído frustradas (porque não estavam nos píncaros), mas devemos considerar que este anime tem as suas falhas.

    Mai é uma rapariga normal que se descobre com um poder especial que serve para lutar contra uns bicharocos maléficos. Assim, junta-se a um grupo com envolvimento socio-político chamado HiME, uma sigla para um nome que não interessa e que não faz sentido. Neste grupo, conhece muitas pessoas, amigas e inimigas, estabelecendo relações fortes com elas. Acabamos por descobrir de onde vêm os bichos estranhos, como os vencer e as consequências altamente politiqueiras deste grupo e dos seus oponentes (envolvendo até uma equipa SWAT e coisas dessas).

    A história tem uma complexidade que acaba por não se coadunar com a emoção dada ao desenvolvimento das relações entre as personagens. Isto é, para um grupo altamente profissional como este, as atitudes acabam por ser um pouco infantis, com muitas lágrimas e gritos à mistura. Apesar de tudo, estes momentos são gratificantes, não pela morte das personagens mas pela intensidade como são vividos pelos que restam. Fique a nota para algumas excelentes interpretações no respeitante a vozes.

    A arte está envelhecida e, para a época, um pouco desactualizada. Os designs lembram os finais da década de 90s e a própria animação está um pouco fraca para o ano em que o anime foi concretizado. Mas podemos dizer que os designs dos monstros e animalária que se passeia pela narrativa estão bastante bem concebidos, havendo uma mistura de criaturas assustadoras com aquelas em que podemos confiar.

    Musicalmente, há uma certa desafinação na OP e ED. No parênquima, há algumas peças que atingem a espectacularidade quando inseridas dentro do contexto emotivo das cenas.

    Assim, no geral, foi um anime interessante e que pode servir como exemplo de experiência paranormal do meio dos 00s.
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