Seitokai no Ichizon
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Seitokai no Ichizon
Sato Takuya - Studio Deen
Anime - 12 Episódios
2009
5 em 10
De quando em quando, aparece este tipo de anime. Um anime que é feito para parodiar, gozar, com outros animes. Antigamente, gostava muito deles: eram um teste ao meu conhecimento. Se eu percebesse as piadas, significava que era uma animófila de primeira. Mas hoje em dia, com mais umas centenas de títulos no bolso, parecem-me demasiado acessíveis, simples e não lhes acho graça. Na verdade, como sabem, eu sou uma pessoa destituída de sentido de humor. Portanto comédias... É difícil para mim apreciá-las. Sobretudo se são assim.
Seitokai no Ichizon segue a vida diária de uma associação de estudantes, em escola anónima e em circunstâncias que levam a que todos os membros sejam miúdas giras. Fora o nosso personagem principal. O anime consiste, então, nas suas conversas que, por sua vez, deveriam ser muito engraçadas. Ignorando o factor supostamente cómico que elas deveriam ter, posso dizer que me pareceu que os gags eram demasiado excessivos, insistindo constantemente no elemento "isto é um harem". Acaba por ser uma paródia de si próprio, mas é levado à exaustão o que se torna repetitivo e cansativo.
Os personagens são folhas brancas, com características que os tornam exactamente iguais àquilo que tentam parodiar. Para mais, os seus designs são pouco únicos, a ponto de podermos confundir o único rapaz (fonte de comédia) com mais uma rapariga bonita. As vozes não me pareceram nada apropriadas, ficando eu com o sentimento de que outras pessoas quaisquer, que não os personagens, estavam a falar. Simplesmente não há uma associação coerente entre todos os elementos característicos desta gente, o que reduz o potencial que poderiam ter para nos fazer rir.
A arte é simples, apesar de luminosa, dedicando-se sobretudo a planos parados que consistem muitas vezes em cenas ecchi. O sentimento do anime é gozar com elas, mas para isso não faria mais sentido tornar estas cenas sensuais em algo ridículo?
Musicalmente, nada de especial a apontar, mas fique a nota de que os efeitos sonoros dos gags não eram assim tão desagradáveis.
Talvez isto tenha a sua graça para quem não tenha o corpo cheio de animes até à medula, que é o meu caso.
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By : ladyxzeus
Heroic Age
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Heroic Age
Noto Takashi - Xebec
Anime - 26 Episódios
2007
6 em 10
A ficção científica é um tema recorrente no anime. Heroic Age tem uma visão um pouco diferente e bastante original. Mas será que consegue avançar com a ideia de forma a colocar a série em outro nível? É o que veremos.
Neste universo, existem cinco tribos: Golden, Silver, Bronze, Heroic e Iron. Nós, seres humanos, somos Iron e somos os mais recentes. Por alguma razão, Silver e Bronze estão dedicados em destruir-nos. Para nos proteger, temos um elemento da Heroic, um jovem adolescente de 120 anos chamado Age (Eiji). Mas as outras tribos também têm o seu próprio monstro heróico... E agora, o que fazemos?
Esta é uma narrativa recheada de acção que irá satisfazer todos os fãs de space-opera. No entanto, existem alguns elementos que a impossibilitam de atingir um patamar superior. Para começar, está pouco explicada a origem e função das diversas tribos e raças. Fora os insectos Bronze, são todos muito semelhantes a seres humanos, o que - tendo em conta que têm poderes e características distintas - não faz muito sentido. Para mais, os elementos dourados são tidos como uma espécie de divindade extraterrestre, que mudou de dimensão ou de universo mas que, apesar de querer que os outros os acompanhem, condenou as outras tribos a cumprir uma série de missões e passar por muitos arcos em chamas para os poderem seguir. As explicações são poucas e, nesse aspecto, pareceu-me que a série era bastante incompleta.
Temos uma grande variedade de personagens, representativas das diversas espécies (fora os bronze - por alguma razão aparecem muito pouco-), que têm um desenvolvimento relativo. No entanto, o foco principal é dado a Age e à sua princesa Dianela (ou Daniela, como eu lhe chamo). Ambos são personagens bastante típicos, o rapaz bem disposto e a menina carinhosa, o que torna as suas interacções - à qual a série se dedica bastante - um pouco previsíveis.
A animação tem aspectos memoráveis, apesar da fraca utilização de CG. Fica a crítica ao design de alguns elementos, nomeadamente os monstros Heroic, que se parecem extraordinariamente (acaso ou não) com EVA Units.
A OP e ED puxam para uma emoção que não existe ao longo da série. Dentro do resto da OST, temos canções bastante típicas dentro do género, mas estão adequadas.
Apesar de tudo, é um anime agradável e com o seu interesse.
By : ladyxzeus
Peito Grande, Ancas Largas
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Peito Grande, Ancas Largas
Mo Yan
1995
Romance
Desde que tinha sido anunciado o Prémio Nobel de 2012, queria ler este livro, que é considerado a sua obra maior. Encontrei-o na Feira do Livro do ano passado e, agora, finalmente li-o. É uma obra prima e há algum tempo que não lia nada assim.
Percorrendo a China desde o início da segunda guerra mundial, este livro relata a vida de uma grande família localizada numa província campesina, que vive, luta e sofre ao longo dos tempos. A narrativa relata muitos eventos que aconteceram ao longo destes anos todos, sendo que esta família sofre às mãos de todo o tipo de regime, dos imperialistas aos comunistas, em acções que dizem muito sobre a realidade escondida do que se passou nestas épocas perdidas e esquecidas.
O personagem principal, Jintong, nosso narrador ao início e protagonista no final, tem características psicológicas muito especiais: ele é um inveterado apreciador de seios e do leite que deles jorra, a ponto de não se conseguir alimentar de mais nada durante muito tempo. Isso torna-o numa pessoa débil, fraca, cobarde, o que traz consequências negras para a sua vida e para o que o rodeia. É o último filho de uma mãe, figura poderosa e inquebrável, com oito irmãs que - movidas por uma incessante paixão - se unem a homens especiais, por vezes perigosos, o que também tem consequências graves para a vida de Jintong. O destino de cada uma das irmãs é traçado de forma imprevisível, sempre mutável pelas mudanças na vida política da China. Assim, o livro conta através delas todas estas alterações, sendo que a vida da família - entretanto reduzida a Jintong e à sua mãe - é profundamente afectada por elas. São pessoas que assistem à guerra, à fome, à solidão, ao horror. Mas também existem momentos felizes.
O que mais me surpreendeu, mais do que a história, é a técnica de escrita. O livro é altamente descritivo, mas nunca aborrece, pois todas as imagens relatadas são belas. Mas de uma forma crua, quase insensível. A forma de Jintong ver a vida está cheia de analogias à vida diária na aldeia em que vivem, com muitos elementos da natureza espalhados por todo o lado, com matizes de cor e textura que me fascinaram e apaixonaram. Por vezes as descrições são grotescas, a visão é nua, a visão é o espelho de uma realidade que muitos autores preferem omitir por ser tão horrível ou nojenta. Mas estão escritas de tal forma que conseguimos formar imagens perfeitamente exactas do que realmente se passa, por vezes de um estonteante belo.
Apesar da quantidade de personagens que existem, o livro é bastante simples de seguir e muito acessível. É uma escrita simples, sem complexos, muito clara. Isto parece-me simplesmente extraordinário. Passarei a recomendar este livro como uma obra fundamental, sobretudo se tivermos em consideração os factores políticos de que o autor foi vítima por o ter publicado.
Um livro essencial e muito recomendado.
By : ladyxzeus
Hyakujuu-Ou GoLion
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Hyakujuu-Ou GoLion
Sasagawa Hiroshi - Toei Animation
Anime - 52 Episódios
1981
4 em 10
Então uma vez estava a falar com o Qui sobre anime (sabem, eu na realidade esforço-me por não falar de anime às pessoas físicas, mas quando começo ninguém me cala...) e ele pergunta-me se eu alguma vez vi o Voltron. Não, nunca tinha visto o Voltron. Então decidi colocá-lo na lista para ver. Calhou agora.
Ora, fiquei a saber, depois de pesquisar um pouco, que o Voltron que o Qui - e a maioria das pessoas que alugavam cassetes nos anos 90 - viu foi uma edição americana em filme, um pouco bastante diferente do original. No original o Voltron chama-se Golion e é uma série de 52 episódios de contornos bastante negros e dramáticos.
Golion é um robot com certos poderes, composto por cinco leões espaciais (leoas, não têm juba) conduzidos por pilotos que, não sendo especializados, têm em si características próprias para conduzir leões espaciais: coragem, dedicação, amizade, amor, essas coisas. No entanto, a série - ao longo de tantos episódios - nunca se foca no desenvolvimento ou sequer na caracterização das personagens, preferindo dedicar-se às lutas constantes contra forças do mal (umas pessoas roxas) que atormentam a vida diária de Altea, um planeta qualquer. Nem mesmo a morte precoce de um dos personagens principais vem a perturbar a dinâmica da série: é imediatamente substituído pela princesa de serviço. Isto leva-me a comentar as personagens femininas: é certo que estamos nos anos 80, mas esta série tem uma perspectiva bastante redutora do papel da mulher. Resume-a a uma pessoa de sentimentos confusos, sempre pronta a ser atraídfa para o lado do mal pela sua própria fraqueza, emocional e física, passando a ser "aquela pessoa que tem de ser sempre salva". Os inimigos são realmente muito maus e não têm traços que os distingam.
Em termos de história, temos uma repetição constante de lutas, entre Golion e vários monstros gigantescos com poderes variados. A luta entre os dois planetas não tem uma explicação concreta e parece que a conquista pelas forças do mal existe simplesmente porque... São forças do mal. Só nos momentos finais os personagens têm atitudes um pouco mais complexas, o que traz um certo alívio. Neste aspecto, talvez a edição americana torne a história muito mais interessante, pois certamente cortará com partes não essenciais. O aspecto mais interessante será talvez as imagens da brutalidade da guerra, em que não se salva ninguém, amigo ou inimigo, homem ou mulher, idoso ou criança.
Sendo que temos de dar sempre um desconto às séries antigas, que não tinham valores de produção como agora nem as técnicas modernas, não pude deixar de me sentir desapontada quanto à animação. Os designs são interessantes, mas a repetição de cenas (todos os episódios vemos o Golion a ser montado, one, two , three...) e a pouca qualidade da animação em geral dão um sentimento de frustração. Simplesmente parece que não utilizaram frames suficientes para animar cada gesto, pelo que todos eles parecem extremamente mecânicos e quadriláteros, sem a fluidez necessária para captar a atenção.
Quanto à música, posso dizer que é bastante boa. Temos OP e ED muito típicas de um shounen da época (eu adoro-as) e dentro dos efeitos sonoros e música de fundo temos uma boa variedade de temas, que seão sempre apropriados às situações. Fica a nota para o trabalho de actor em algumas vozes, que traz a intensidade necessária para colmatar as outras falhas do anime.
Gostei bastante de o ver e sei, tenho a certeza, de que se tivesse alugado este filme no clube de vídeo o teria adorado de paixão. Mas, objectivamente, temos de admitir que foi um anime para quem os anos passaram realmente, deixando marcas. Para mais, nem na sua época poderia ser considerada uma série de excelência. Interessante pelas memórias que causou, marcante pelo seu papel na indústria de anime no ocidente e sua distribuição, não será esquecido.
By : ladyxzeus
Uchuu Kyoudai
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Uchuu Kyoudai
Wataname Ayumu - A-1 Pictures
Anime - 99 Episódios
2012
6 em 10
Foi estranho estar este tempo todo sem escrever sobre anime... Foram duas semanas! Mas a verdade é que demorei este tempo infinito a ver esta série. Afinal, 99 episódios ainda é qualquer coisa! Foi-me sugerida pelo meu clube, com alguma antecedência, e terminei de a ver mesmo no fim do prazo. :p
Uchuu Kyoudai ("Space Brothers") conta a história de dois irmãos que sempre sonharam em ir para o espaço. Hibito, o mais novo, conseguiu e agora está prestes a ir para a Lua. No entanto, o mais velho - Nanba - é vítima de uma série de azares e agora está desempregado. Será que a sua vida vai mudar quando a sua família envia uma candidatura em nome dele para a Jaxa, agência espacial Japonesa?
Ao longo de bastante tempo (passam-se vários anos na série) assistimos à luta de Nanba para se tornar um astronauta e conseguir cumprir com o seu sonho: construir um telescópio na Lua. Este é o foco principal da série: o realismo na selecção e treino de astronautas, tudo aquilo pelo qual eles têm de passar para vierem a pisar a superfície lunar. Existe muito detalhe nestas cenas e é esta a principal fonte de interesse ao longo de toda a série.
Para efectuar todas estas acções, a série precisa de personagens. Assim, temos uma paleta bastante variada de pessoas que estão envolvidas com Nanba e Hibito, desde os seus superiores a colegas, que os acompanham ou vão ficando pelo caminho. Cada um tem as suas motivações, desejos e sonhos, mas apesar de tudo a sua caracterização está feita de tal modo que é difícil obtermos uma identificação próxima com eles. Assim, todos os momentos dedicados aos personagens - conversas, jantares, coisas pessoais - podem tornar-se um pouco aborrecidas e repetitivas. Os nossos irmãos, personagens principais, têm um pouco mais de personalidade, mas mesmo assim poderia ter havido um desenvolvimento mais claro da sua relação, que aparece um pouco fria tendo em conta as imagens da infância que aparecem repetidamente. Aliás, estes flashbacks são muitas vezes repetidos e parecem desnecessários.
A animação tem momentos muito interessantes, sobretudo no que respeita ao detalhe dado no material utilizado no espaço. Nota-se que a produção teve um certo cuidado em manter pequenas coisas que, apesar de não serem essenciais, trazem um pouco de personalidade à série. As cenas em que aparece o céu são normalmente belas, mas por vezes há um uso exagerado de CG, que destoa.
Musicalmente, temos bastantes OPs e EDs, bastante variadas também mas sempre dentro do mesmo tema. Não as considerei extraordinárias, embora tenha havido uma (a quarta ou a quinta ED?) que gostei muito. Os efeitos sonoros são sempre os mesmos, o que os torna um pouco repetitivos e transforma cada cena em algo bastante previsível: cada efeito sonoro é usado sempre no mesmo tipo de situação.
Apesar de tudo, é uma série muito interessante no que respeita ao estudo da vida e obra dos astronautas, relatando muitos acontecimentos, fantasiosos ou verdadeiros, e com um certo espírito de comédia que o distingue de um mero documentário. Mereceria uma segunda season, mas quiçá um pouco menos longa.
By : ladyxzeus
Mind Game
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Mind Game
Yuasa Masaaki - Studio 4ºC
Anime - Filme
2004
8 em 10
Chegados a casa, não sabíamos que filme ver. Como tínhamos estado a falar deste filme enquanto esperávamos que o Capitão Falcão começasse (não sou só eu que vejo animus dentro do meu grupo de pessoal :v ) fui buscá-lo ao Nyaa para o vermos. Assim, também ensinei ao Qui sobre o Nyaa. Já tinha visto este filme umas três vezes no passado, mas de cada vez é sempre uma experiência diferente: o filme tem tantos momentos e tantos detalhes que é impossível lembrarmo-nos de todos.
Tudo começa de uma forma calma: um rapaz encontra o amor da sua infância anos depois, indo jantar com ela. Quando são atacados por yakuza, ele é levado para um lugar onde nada existe: só ele e uma criatura sem forma a que chama de "deus". Depois de fazer um acordo com este "deus" (ou será o diabo?) Nichi, o rapaz, decide mudar a sua maneira de ver a vida. E a partir daqui desenvolve-se uma louca corrida de acção e uma aventura de contornos surreais em que os nossos personagens aprendem mais sobre si próprios, sobre o mundo que os rodeia e, afinal, sobre o que é realmente viver a vida e ser feliz.
É um filme extremamente experimental, com um uso de variadas técnicas de animação, que explodem em cor e acção a todo o momento, dando azo a grandes situações psicadélicas, simplesmente loucas, um prazer visual intenso que nos leva a perceber realmente quem são estas pessoas, o que as levou até ali e o que elas desejam. À medida que a solidão os ataca, que o aborrecimento os mata, inventam sempre novas coisas para fazer, cada uma mais alucinante que a anterior, revelando no final aquilo que realmente desejavam para a sua vida e ganhando nova força para sair da situação em que estão e, realmente, lutar para que as coisas aconteçam.
À primeira vista pode ser difícil de perceber quais os motivos destes personagens e o que os leva a ter estes desejos ocultos, pois a narrativa está quebrada em várias situações e os flashbacks são feitos de forma a mostrar apenas os elementos mais simples da vida diária, misturando memórias fortes do passado com momentos do quotidiano. Os eventos marcantes são repetidos ao longo do filme, o que por vezes pode ser um pouco aborrecido, mas o resultado final é tão imersivo que não deixamos de ficar a pensar no que foi realmente esta viagem.
Um filme ácido.
By : ladyxzeus
Capitão Falcão
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Capitão Falcão
João Leitão
2015
Filme
6 em 10
Fomos ao cinema! Desde que vira o trailer deste filme que queria muito vê-lo. Afinal, este filme representa uma luta: começando como episódio piloto de uma série, foi recusado. Assim, decidiram fazer um filme. Mas o filme ficou interdito de passar no cinema durante uma eternidade. Até que finalmente a Nos-Lusomundo decidiu apostar nele. E agora está ser uma bomba de popularidade! E ainda bem! Porque, afinal, é um filme português diferente, que goza consigo próprio e com toda uma sociedade, sem nunca deixar de demonstrar as influências e o carinho que tem pelas figuras tradicionais da banda desenhada e das séries antigas.
Capitão Falcão é o herói que Portugal precisa. Sob as ordens patrióticas do Presidente António de Oliveira Salazar, uma criaturinha frágil que gosta de fazer bolos-rei, e com ajuda do seu parceiro, chinoca de Macau, Puto Perdiz, luta contra as forças do mal que ameaçam os grandes pilares da cultura portuguesa: Fé; Trabalho; Família. Os seus inimigos tomam muitas formas, cada um mais perigoso que o anterior. Comunistas. Feministas. Comunistas que são Ninjas... Comuninjas. E os temíveis... Capitães de Abril!
Todo o filme é uma ironia, um retrato cómico de uma época que cada vez mais se esquece: os seus intervenientes vão desaparecendo progressivamente, já não se lembram ou, pior, perante o estado em que as coisas estão viram-se para a fé de que antigamente é que estava tudo bem. O nosso Capitão dá uma nova perspectiva: estava tudo bem... Mas era tudo muito estranho! O filme pega e exagera estereótipos, de forma a que o resultado é uma comédia em que me ri histericamente do início ao fim.
Os actores fazem um papel maravilhoso, sobretudo Waddington que nunca, nem por um segundo, se afasta do exagero que é o seu personagem. Assim, Capitão Falcão surge como um herói dos anos 60, com todas as características da época, mas que conta uma história que - dentro do passado - critica a sociedade moderna e a nossa aceitação passiva dos acontecimentos.
O filme tem muitas cenas de acção e artes marciais, que por vezes se prolongam demasiado. Ainda assim, é algo nunca antes visto num filme português e, por isso, acho que se pode dizer que o filme é uma espécie de revolução (haha)
Enfim, uma experiência hilariante e que não posso deixar de recomendar. Vejam enquanto podem!
By : ladyxzeus