Viagem à Macaronésia
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Acabei por me sentar lendo o meu livro ("A Tieta do Agreste", de Jorge Amado, escreverei sobre ele mais logo) num jardim com vista para o mar. Juntaram-se a nós os colegas da minha mãe que também tinham vindo de Lisboa trabalhar e fomos jantar ao Peter Sport Club, o único bar da ilha inteira, especializado em Gin Tónico e em marinheiros vestidos às risquinhas, que fazem ali pausa dos seus passeios de Iate.
Pois é. A Caldeira estava com nevoeiro dentro dela. Ainda assim, é um lugar inspirador e muito místico. Estávamos lá sozinhas, pois tinha acabado de partir um autocarro cheio de turistas (segundo a Minha Mãe, "meninas com cara de prato"). Nessa altura o Qui ligou-me, o que foi interessantíssimo. :)
Comprei como souvenire para o meu pai e para a minha irmã macaca um conjunto de ez marcadores de livros com fauna e flora da ilha do Faial. Fiquei com dois para mim, um com uma tartaruga e outro com ums florinhas cor de rosa. :)
Voltamos para voltar a jantar no Peter e beber mais Gin Tónico. No dia seguinte, mais aventuras nos esperam.
Intervalo para almoço. Almoçamos no restaurante chic do sítio, de nome "Ancoradouro", em que nos serviram um prato típico: bifes de atum panados. Foi a minha mãe que comeu, mas eu provei um bocadinho e estava maravilhoso. Tudo isto acompanhado por um vinho que, conforme dito anteriormente, era terrível. Depois continuámos na nossa volta à ilha, parando para comprar queijos (o Alfredo era o melhor e estamos actualmente a comê-lo) e visitando campos montanhosos verdejantes e recobertos de bovinos. Parámos na Lagoa do Capitão, que é um lago perdido na montanha cheio de pássaros aquáticos.
Nisto fomos acompanhadas pelos colegas da minha mãe, que iam apanhar o mesmo avião.
Infelizmente, chegados ao aeroporto para voltar para casa todos contentes, recebemos a notícia de que o avião está uma hora atrasado. Em imenso desconforto, aguardámos, comemos uma sopa, aguardámos mais, li um livro, joguei ao solitário, passei-me bastante.
Depois de o avião poisar em terras continentais, veio um autocarro buscar-nos. Percorreu o aeroporto todo (aprendi que o aeroporto de Lisboa tem rotundas lá dentro) para nos deixar numa porta ubéricamente longe da saída, pelo que tivémos que ainda percorrer todo o edifício, com malas e queijos, até finalmente entrarmos num táxi.
Chegar a casa às duas da manhã não foi fixe.
Viagem à Macaronésia
Um post grande e imensamente divertido, dividido por capítulos, como convém a relatos foto-jornalísticos de viagens feitas a propósito de coisa nenhuma
A Macaronésia, que partilha nome com uns bolos muito saborosos, é um conjunto de ilhas situadas no Atlântico Norte, que compreende - então - os Açores, Madeira, Cabo Verde e Canárias (e outras tantas). Nesta viagem, visitei três ilhas Açoreanas, onde aproveitei para recarregar a bateria do cérebro e ver algumas vistas interessantes.
Tudo começou a convite da minha mãe, doravante conhecida como a Minha Mãe. Ela tinha de ir aos Açores em trabalho e, aproveitando o mote e alguns elementos pagos da viagem, achou por bem convidar-me. Ela convida-me muitas vezes mas eu, por obrigação com eventos de anime ou com o Qui, costumo recusar sempre. Desta vez o convite foi feito com a antecedência necessária e lá fui eu!
Primeiro Capítulo
Chegada à ilha que tem o nome do cão do Uma Aventura
Inicia-se viagem de avião, partindo do nosso aeroporto lisboeta e chegando à Horta. Tudo correu como esperado, excepto uma ligeira turbulência assustadora na descida.
Ali arribadas, tomamos um táxi para o hotel, que fica mesmo no centro da cidade. Seu nome é "Hotel do Canal", com umas gloriosas quatro estrelas e estava situado numa das duas ruas relevantes da cidade da Horta. O quarto era muito catita, apesar de não ter um mini-bar cheio de daiquiris, e a alcatifa do elevador também merece um ponto de nota.
Seguidamente, almoçamos em restaurante mesmo ao lado, cuja especialidade era o naco na pedra. Vieram seis bifes de textura encantadora e uma pedra em chamas. Primeira descoberta sobre os Açores: vacas felizes são mais saborosas. Depois de as ver perdidas no campo e em todo o lado, acabei por ficar com muita pena delas, pois estão tão felizes e contentes ali a passear com os seus bebés que depois é uma pena matarem-nas e depois a gente as comer.
A Minha Mãe foi fazer o trabalho que tinha de ir fazer e, assim, fiquei sozinha e abandonada na capital do Faial durante algumas horas. Em três quartos de hora ficou a cidade vista, pois consiste em duas ruaz mal iluminadas, com jardins e casas todas às cores e um porto. No porto há desenhos feitos pelos marinheiros, a quem são oferecidas tintas à chegada. Alguns:
De resto, o que se podia observar deste ponto da ilha era o seguinte:
Acabei por me sentar lendo o meu livro ("A Tieta do Agreste", de Jorge Amado, escreverei sobre ele mais logo) num jardim com vista para o mar. Juntaram-se a nós os colegas da minha mãe que também tinham vindo de Lisboa trabalhar e fomos jantar ao Peter Sport Club, o único bar da ilha inteira, especializado em Gin Tónico e em marinheiros vestidos às risquinhas, que fazem ali pausa dos seus passeios de Iate.
Fique-se sabendo que a nossa primeira experiência com o vinho Açoreano foi terrível, nem aos turistas deviam dar aquela zurrapa. Mas o Gin Tónico era positivamente delicioso.
Além do bar, o Peter também possui uma loja de souvenires, onde comprei uma camisa toda giraça para o meu Qui (que lhe ficou lindamente, não ponho fotografia porque não quero que olhem para ele) e uma t-shirt com um cachalote para mim. Não havia muita variedade na roupa de mulher, pelo que comprei uma de homem pequenina. Não fica mal!
Segundo Capítulo
Ilha do Faial revela-se selvagem e cheia de armadilhas
Acordamos sempre cedo quando estamos em hoteis para podermos comer o pequeno almoço do hotel. Devo dizer que, apesar de satisfatório, não era nada de especial..
Alugámos um carro (no qual a Minha Mãe conseguiu um desconto por obra dos seus poderes malignos) e começámos a dar a volta à ilha. O primeiro ponto de paragem foi Porto Pim. Será talvez a única localização de praia e faz uma baía que, segundo António Tabucchi, tem a forma de uma mulher. Mas eu não consegui identificar isso. Ali havia uma série de museus, o dos Dabney e o Aquário, que estavam todos encerrados por motivos que não conseguimos discernir. Então achámos por bem subir a montanha, onde estava uma igreja do Espírito Santo (as ilhas estão cheias delas, são uns edifícios pequeninos que têm uma coisa qualquer lá dentro. Não entrei em nenhum, pois não gosto de entrar em locais de culto, seja lá quais forem). Para mais, também estava lá um disco voador.
Casa dos Dabney, que eram do consulado e deviam ser umas pessoas muito simpáticas pois há uma série de ruas com os nomes deles.
Vista da Praia de Porto Pim
O Aquário, encerrado mas com uma imagem de um Peixe-Lua (Luna Fish), peixe que aprecio
Vista do topo da montanha
Coiso do Espírito Santo. Não vou por mais imagens de igrejas e outros semelhantes porque são todos iguais.
O disco voador. Quando me dirigi a outro local para tirar mais fotografias, a Minha Mãe pensou que eu tinha sido levada por ele. O que até teria sido bom, pois daria para fotografias ainda mais fixes.
Outra vista de Porto Pim
Seguimos para o Vulcão dos Capelinhos. Por esta estrada, reparei numa quantidade copiosa de animais espalmados na estrada e na igualmente copiosa quantidade de pequenos santuários colocados em homenagem a pessoas atropeladas. É que estas estradas estão rodeadas de habitações que dão directamente para a rua, não há passeios e os Faialenses conduzem como se estivessem possuídos pelo Saber Rider, numa velocidade imensa e trágica. Reparo também que há muito verde e muitas vacas. Vimos uma vaca caída, o que significa que ela ia morrer, mas a minha mãe não quis parar para a levantarmos (o que ia ser difícil, pois pesam pelo menos meia tonelada) nem parar na cooperativa para dizermos a alguém que a vaca estava mal. Desculpa vaca... :( Chegadas ao vulcão, obtemos informações sobre ele. Na verdade, isto foi uma coisa qualquer que explodiu há apenas cinquenta anos, formando uma área de areal todo preto e uma serie de pedregulhos. Dizem que daqui a uns mil milhões de milhares de anos, a coisa vai ficar completamente verde, como o resto da ilha, mas enquanto está preto é bem giro. Tem um museu e um farol que, surpresa das surpresas!, estava fechado. Voltámos lá mais tarde e poderei mostrar-vos a vista de lá, mas por enquanto fiquem com algo mais próximo do nível do mar:
Seguimos pela estrada sem fim que dá a volta à ilha, procurando o restaurante recomendado pela menina do hotel. Infelizmente, o tal local estava tão escondido que chegámos a uma localidade de praia, de nome Praia do Almoxarife. Aí, perguntámos a um senhor com um cão (eu perguntei ao cão, a Minha Mãe perguntou ao senhor) onde podíamos comer. Ele recomendou o restaurante O Cagarro. Apesar do nome estranho, que é o nome de um pássaro que muito se assemelha a uma gaivota, típico deste local, comemos lindamente. Eu comi uma dose gigante de filetes de abrótea, com um molho fantástico. E foi baratíssimo! Portanto, senhores, se forem porventura à Praia do Almoxarife, já sabem: comam no Cagarro!
Praia do Almoxarife
O senhor do restaurante deu-me indicações sobre como chegar à Caldeira que é, efectivamente, o topo dos topos de todas as montanhas. Curvas, contra-curvas, outras curvas, sempre a subir e eu já estava a ver a vida a andar para trás. Encontramos de tudo na estrada, desde um cão que lá estava deitado a rir-se, pássaros, lagartixas, pessoas locais, turistas e uma manada de vacas. Nesse caso, foi um pouco assustador, pois o touro - líder do seu harem - veio calmamente investigar o que nós éramos antes de nos deixar passar. Lá em cima, entramos por um túnel cheio de musgo para ver esta linda, maravilhosa e eloquente vista:
E agora começa a parte assustadora. Pensámos: "estamos no meio da ilha. Portanto, se a atravessarmos em vez de dar a volta, vamos ter aos Capelinhos!" E foi o que fizémos. Mal sabíamos nós que os caminhos se iam transformar em zonas intransitáveis por carros normais e apenas transitáveis por cabras e jipes. À esquerda, florestas semelhantes a couves. À direita, florestas semelhantes a couves. Perguntávamos a todas as pessoas em tractores que encontrávamos, mas só nos embrenhávamos mais pelos recônditos locais da ilha do Faial. Ficamos presas na lama, mas conseguimos sair. E só depois apareceram dois senhores vindos do céu, rodeados por uma luz esverdada, numa carrinha de caixa aberta, que disseram que podíamos ir atrás deles. E fomos parar à estrada onde estávamos, a que dá a volta à ilha. Bem, ao menos não ficámos perdidas para sempre!
Íamos por aí...
... e nunca mais acabava
Quando regressámos ao Vulcão dos Capelinhos, o museu estava aberto! Mas, faltando cerca de 30 minutos para o fecho, não nos deixaram entrar. Apenas podíamos ver um vídeo em 3D ou subir ao farol. Assim, a Minha Mãe foi ver o vídeo e eu fui ao farol. Setecentas e oitenta e tres mil e duzentas e setenta e quatro escadinhas depois, cheguei lá acima. Isto era o que se podia observar:
Comprei como souvenire para o meu pai e para a minha irmã macaca um conjunto de ez marcadores de livros com fauna e flora da ilha do Faial. Fiquei com dois para mim, um com uma tartaruga e outro com ums florinhas cor de rosa. :)
Voltamos para voltar a jantar no Peter e beber mais Gin Tónico. No dia seguinte, mais aventuras nos esperam.
Não percam os próximos capítulos! Mais aventuras incandescentes aguardam por nós!
Ding-Dong! Novos capítulos se iniciam a partir daqui!
Terceiro Capítulo
Pico ou A Feira Internacional do Calhau
Ding-Dong! Novos capítulos se iniciam a partir daqui!
Terceiro Capítulo
Pico ou A Feira Internacional do Calhau
Para o nosso terceiro dia na Macaronésia, decidimos apanhar o Ferry para
ir até à ilha do Pico, que já vinha fazendo movimentos sensuais desde a
nossa chegada. Ora, eu tenho um certo terror de andar em oceanos, sobretudo os ditos Atlânticos, pois apenas consigo nadar como um cão e o mar é molhado e azul. Assim, tinha a vaga esperança de que o Ferry fosse uma espécie de cacilheiro transatlântico, já que é sabido que mesmo vibrando o apocalipse no céu o cacilheiro é o tipo de barco que se mantém sempre na horizontal (com mais ou menos balanço).
Felizmente, o Ferry "Mestre Simão" era uma coisa bem composta, grande, uma espécie de avião aquático, que nos levou com toda a segurança para a Ilha do Pico.
Esperáva-nos, com um papel identificativo nas mãos, um senhor que a Minha Mãe havia previamente contactado para nos levar a passear nesta ilha. Era um senhor simpático que sabia coisas sobre as pedras, mas que cometeu o erro fatal de não passar recibo, passando assim para a lista-das-pessoas-de-quem-não-gostamos da Minha Mãe. Os recibos são importantes!
Primeiramente, deixou-nos no Museu do Vinho, onde aprendemos sobre o vinho produzido no Pico (que, por sinal, é bastante horrível, mas tivémos a pouca sorte de escolher o tinto. Diz que o branco é muito melhor, portanto ficará para uma próxima vez). Também aprendemos sobre dragoeiros, umas árvores bizarras, e sobre calhaus, doravante conhecidos por "calhais".
Seguidamente o senhor deixou-nos nas vinhas, que são Património da Unesco. Ora, as vinhas não tinham vinhas nenhumas e eram constituídas por uma série de calhais dispostos em pequenos muros, uma espécie de quadriculado que deveria conter uvas mas que continha lixos diversos. Segundo o senhor era porque não era a época delas, mas depois vim a saber melhor e a verdade é que muito provavelmente a União Europeia subsidiou a destruição maciça de toda esta fonte alcóolica, que teria sido valiosa (não só pela potencial vista mas pela potencial buba daí decorrente)
Intervalo para almoço. Almoçamos no restaurante chic do sítio, de nome "Ancoradouro", em que nos serviram um prato típico: bifes de atum panados. Foi a minha mãe que comeu, mas eu provei um bocadinho e estava maravilhoso. Tudo isto acompanhado por um vinho que, conforme dito anteriormente, era terrível. Depois continuámos na nossa volta à ilha, parando para comprar queijos (o Alfredo era o melhor e estamos actualmente a comê-lo) e visitando campos montanhosos verdejantes e recobertos de bovinos. Parámos na Lagoa do Capitão, que é um lago perdido na montanha cheio de pássaros aquáticos.
Ah, mas antes de subirmos à montanha parámos nas Lajes do Pico, onde poderíamos entrar numa excursão para ver baleias. Nessa impossiblidade (eu adoro baleias) fomos ao Museu da Baleia, que é positivamente horrível porque mostra baleias a serem mortas e cortadas aos bocados. Também mostravam obras de scrimshaw, que é a arte de fazer coisas com ossos de baleias mortas.
Enfim, eu gosto mesmo muito de baleias. Eu percebo que antigamente era interessante matá-las e fazer óleo de lamparinas com a sua gordura e comê-las e fazer coisinhas destas com os dentes, mas mesmo assim acho bastante terrível caçarem e condenarem a uma morte lenta um mamífero inteligente e sensível, que para mais sabe cantar.
Aproveitámos para nos abastecer de mais souvenires nas lojas das Lajes. Se bem que uma delas era um pouco naturalista para o meu gosto: estava lá uma t-shirt a dizer "Save Whales, Kill More Cows", o que é a coisa mais injusta e sem sentido que existe. Afinal, que mal vos fizeram as vacas? É certo que o seu cócó produz metano e que o metano é mau para a camada de ozono, mas a solução não é matá-las a todas, é parar de comer tantas e de beber tanto leite!
Para terminar a viagem, passámos pelas adegas do Pico, que hoje em dia são casas de férias em vez de adegas. Nos finalmentes, fomos até ao Lugar do Cachorro, um sítio em que pedregulhos gigantes formam um complexo de ondas violentas com a rebentação marítima. Tudo o que eu pensei foi "nunca poderei vir aqui com algumas pessoas, pois tenho a certeza que se vão baldar daqui abaixo".
Mesmo à última da hora, tomámos o mesmo Ferry (o Mestre Simão) para voltar ao Faial. Por momentos pensei estarmos condenadas a passar o resto da vida na terra dos calhais! Até se está bem, mas são pedras a mais...
Quarto e Último Capítulo
Visita a terra menos selvagem e apoquentações aéreas
Logo pela manhã, fui comprar souvenires. Depois, dirigimo-nos ao aeroporto, para embarcar numa nave aérea muito pequena e muito turbulenta.
Tudo isto se passou por culpa da Easyjet, que ao oferecer viagens imensamente mais baratas estragou o esquema todo da TAP. Esta, em resposta à estragação do esquema, decidiu cortar com os voos directos das ilhas para o continente e, por isso, tivémos de fazer uma pausa na Terceira. Almoçámos num restaurante que tinha acabado de abrir, chamado "Sabores do Atlântico", em que provei pela primeira vez na vida lulas grelhadas. Apesar das suas estranhas probóscides, sabiam muito bem. No entanto, o tempero altamente alhado caiu muito mal e fiquei cheia de dores de cabeça o resto do dia.
Como tinhamos alugado um carro, pudémos ver os pontos turísticos principais desta ilha, um pouco maior. Primeiro, parámos na Praia da Vitória, que apenas posso caracterizar como uma aldeia piscatória deprimente. Parecia-se mais ou menos com Sesimbra, mas com um ar muito mais degradado e menos gente.
Depois, fomos até Angra do Heroísmo, também Património da Unesco (sabe-se lá porquê). Aí, a Minha Mãe entreteve-se a ver montras, enquanto eu sofria com dores de cabeça copiosas. Comprei um livro de um autor açoreano e mais uma vez se provou a ineficácia do serviço ao cliente nas ilhas. Acabei por descansar num jardim muito agradável, cujo nome desconheço, e beber um chá russo na Pastelaria Athanasio (ou "eutanásia", como insisti em chamar).
Nisto fomos acompanhadas pelos colegas da minha mãe, que iam apanhar o mesmo avião.
Infelizmente, chegados ao aeroporto para voltar para casa todos contentes, recebemos a notícia de que o avião está uma hora atrasado. Em imenso desconforto, aguardámos, comemos uma sopa, aguardámos mais, li um livro, joguei ao solitário, passei-me bastante.
Depois de o avião poisar em terras continentais, veio um autocarro buscar-nos. Percorreu o aeroporto todo (aprendi que o aeroporto de Lisboa tem rotundas lá dentro) para nos deixar numa porta ubéricamente longe da saída, pelo que tivémos que ainda percorrer todo o edifício, com malas e queijos, até finalmente entrarmos num táxi.
Chegar a casa às duas da manhã não foi fixe.
E assim se conclui a fantástica viagem aos Açores, ilhas da Macaronésia, em que se viram muitas vacas, pedras, coisas verdes e coisas giras no geral. Por enquanto, desejo lá voltar com outras companhias, para aproveitar a paz oferecida por todas estas plantinhas.
Yay!
By : ladyxzeus
Kannagi
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Kannagi
Yamamoto Yutaka - A1 Pictures
Anime - 13 Episódios + 1 Special
2008
6 em 10
Lembro-me que quando este anime andava aí no ar, andava toda a gente maluca com ele. Nagi para aqui, Nagi para ali, ficou sempre a curiosidade de o ver. Foi agora.
Um jovem, com os seus problemas na vida, decide fazer uma escultura a partir do tronco de uma árvore sagrada. Mas a escultura transforma-se numa rapariga, personificação da deidade que vivia na tal árvore. A partir daí, passam a viver juntos, a deidade vai à escola e há aventuras.
A história, de natureza episódica, faz um esforço aparente para agradar aos fetiches mais comuns do mundo dos ota-cus mal adaptados. Com um conjunto de raparigas simpáticas, com personalidades bastante estereotipadas, isto tem tudo para correr dentro da normalidade. Felizmente, o anime acaba por se distinguir nos últimos episódios, em que há um debate interessante sobre a identidade, isto é, o que somos realmente perante as perspectivas dos outros. Aqui há também um desenvolvimento curioso de Nagi, a personagem principal (deusa, ou o que seja), que acaba por encontrar a sua humanidade e, com isso, melhorar as suas habilidades enquanto entidade que tem a capacidade de ajudar e abençoar.
A animação é muito simples, sem cenas de acção ou grandes cenários. Apesar disso, mantém-se bastante fluída, com uma montagem satisfatória que estabelece um ritmo novelesco, leve e fácil.
Fique nota para a ED, pois aprecio orações em todas as suas formas.
De certa forma acabei por não perceber a maluqueira que atingiu tantas pessoas na época, mas é uma série que, dentro do contexto de fatia-de-vida, acaba por ter um pouco de originalidade.
Aproveito para avisar que não estarei cá para vos entreter com meus humorísticos e horrendos comentários durante o fim de semana, pois vou para os Açores ver um recital de baleias. :)
Aproveito para avisar que não estarei cá para vos entreter com meus humorísticos e horrendos comentários durante o fim de semana, pois vou para os Açores ver um recital de baleias. :)
By : ladyxzeus
Umineko no Naku Koro ni
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Umineko no Naku Koro ni
Kon Chiaki - Geneon Universal Entertainment
Anime - 26 Episódios
2009
6 em 10
Quando elas choram, quando elas choram... Parece uma música pimba, é melhor não começar assim. :3
"Quando as Gaivotas Choram" é um outro take da série "Quando Choram", do qual conhecia - anteriormente - a história das cigarras. Nesta série temos mais ou menos a mesma estrutura, com um mix de magia, bruxas e maldições. Tudo começa quando os elementos de uma família riquíssima se reunem numa ilha do Pacífico para decidirem sobre a herança que cada membro irá receber aquando a morte (que está para breve) do líder familiar. No entanto, não sabem eles que este líder tem uma obsessão gravosa com o amor da sua vida, a bruxa Beatrice. Ora, para ela aparecer e viver, é necessária uma série de sacrifícios, que se inicia logo no segundo episódio. Felizmente há uma salvação: Battler, um jovem membro da família, recusa-se a acreditar na existência da bruxa. Assim, fazem o acordo: se Battler resolver os crimes misteriosos que, repetidamente, matam a sua família, poderá mandar Beatrice embora. Se desistir e passar a acreditar nela... Bem, logo se vê.
A complexidade da história torna-a numa espécie de conto policial místico, o que tem o seu interesse. Infelizmente, a existência dos personagens apenas perturba o "jogo" e torna tudo menos emocionante. Afinal, são tantas personagens que não conseguimos criar uma ligação forte com elas. Não haveria problema no número de personagens (que são realmente muitos, quer do lado dos vivos quer dos mortos e parecem nunca acabar, pois de tantos em tantos episódios mais personagens são introduzidos), se estas estivessem desenvolvidas com algum tipo de propriedade. Existem algumas relações de interesse, como a de Maria e a sua mãe, mas acabam por ficar para trás perante a sempre presente possibilidade de todos morrerem antes de se observar uma conclusão. Gostaria de ter ficado a saber mais sobre as outras pessoas, como a mãe de Battler ou aquela senhora do cabelo com dois tons quenãomalembraonome.
A própria Beatrice (na sua encarnação de Beato) poderia ter sido desenvolvida de forma muito mais acutilante, de forma a explicar o porquê da sua maldade inerente. De certa forma, a atitude das bruxas é um elemento cativante, pois revela inteligência na escrita do argumento. Mas a sua personalidade, propriamente dita, acaba por se tornar um pouco errática. As vozes não ajudam, com interpretações exageradas e histriónicas que tornam estas personagens um pouco vergonhosas.
Em termos de animação, não posso dizer que esteja excelente, mas tem os seus momentos. O design dos personagens é um pouco confuso e aleatório: de alguma maneira aparentam ter uma "farda", apesar de estarem todos vestidos de maneira diferente. Mais interessante é a montagem de cenas, que mantém sempre o mistério dos crimes.
Musicalmente, achei aborrecido. OP e ED de contornos "épicos" que criam um ambiente de opulência que depois não se vem a revelar. No parênquima, muito pouco a apontar.
Tinha dito algures que tinha esperança que esta série me entretesse fenomenalmente. Não foi fenomenal, mas vê-se.
By : ladyxzeus
Song of the Sea
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Song of the Sea
Tomm Moore
Animação
2014
8 em 10
Dos nomeados para os Óscares, faltava-nos ver este, que ainda não tinha chegado à internet numa boa versão (nem aos cinemas, nem a lado nenhum). E agora, posso dizer com segurança qual o filme que acho que deveria ter ganho o prémio em causa: este. Um filme maravilhoso.
A história baseia-se nas lendas e mitos do folclore do Norte, nomeadamente da Irlanda. Aprendemos aqui a lenda do "selkie", uma espécie de foca que se transforma em pessoa quando toca na terra. Juntando várias lendas, vivemos então uma aventura de uma menina que tem de voltar ao mar e do seu irmão humano. É um filme muito interessante no respeitante a todas estas histórias folclóricas paralelas, que são fascinantes e que merecem mais estudo da minha parte. Mas também porque conta um drama familiar, dos dois irmãos que não se compreendem, dos pais ausentes e da dor da perda. Neste aspecto, identifiquei-me muito, pois tenho uma irmã (bem, duas) e a nossa relação podia ser bem melhor. Talvez precisemos de uma aventura com bruxas, foquinhas e fadas para nos unirmos finalmente.
A animação é extremamente original. Baseada em desenhos que podem ter uma inspiração em aspectos tradicionais, faz um uso discreto dos meios digitais que se encontra muito bem integrado neste conjunto de imagens em 2D. A paleta de cores é muito completa, fazendo uso de todo o tipo de matizes nas cenas de mar e floresta, o que traz um conjunto de texturas visualmente muito agradável. O design dos personagens é simples e directo, mas de certa forma sincero. Para mais, as cenas de acção e cenas marítimas fazem uso excelente da técnica e perspectivas.
Finalmente, não posso deixar de falar da música. A banda sonora é quase revolucionária, apresentando-nos músicas românticas, lentas e com um toque de surrealismo, mantendo sempre a tradição. Variações do mesmo tema, são intrigantes e apaixonantes, provocando uma imersão completa no universo do filme.
De todos os filmes nomeados este foi sem dúvida o que mais me apaixonou, que me comoveu e que me tocou. Assim, recomendo-o vivamente. Apropriado a todas as idades, é um conto de fadas diferente e que não merece ser esquecido.
By : ladyxzeus
O Estrangeiro
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O Estrangeiro
Albert Camus
1942
Romance
Comprei este livro na Feira do Livro, porque já tinha lido um do Camus, predecessor deste, e tinha gostado imenso. Posso dizer que também gostei imenso deste: li-o numa assentada. Comecei-o de manhã enquanto esperava pela minha vez para arranjar as unhas e terminei-o à tarde quando estava no barco a ir para Cacilhas.
"O Estrangeiro" é um homem inadaptado. A narrativa começa com a morte da mãe deste personagem, que estava num lar e vai a enterrar. A sua atitude perante este facto, e perante a vida em geral, pode ser caracterizada como "neutra". Na verdade, este homem passa pela vida como se ela não existisse, aproveitando as coisas de que gosta e sofrendo com as que não aprecia, mas tudo de forma bastante indiferente. Sabemos que gosta de nadar no mar e ir à praia. Sabemos que responde secamente, e de forma positiva, às acções dos outros porque, simplesmente, não quer saber.
É quando mata um homem, acidente ou não, que a sua atitude perante a vida começa a torná-la um pouco complicada. Assistimos ao seu julgamento e interrogatórios e sabemos que a sua condenação é injusta: nós conhecemos esta pessoa e temos uma ideia do que o levou a cometer o assassinato. Vendo bem as coisas, a culpa não é dele. Mas é uma pessoa diferente, um "estrangeiro" no meio de todas estas pessoas. Ninguém o consegue compreender e ele não se esforça por se fazer entender.
Assim, o livro tem uma força profunda e delicada, relatando-nos factos que podem ser considerados surreiais com tanta naturalidade que simplesmente os aceitamos como verdadeiros. A história desta pessoa diferente podia ser a de qualquer um que esteja um pouco deprimido ou que não se encontre na sua melhor forma. Considerando os problemas graves da sociedade de hoje em dia, que se baseam muito nesta premisa, Camus conta uma história extremamente actual.
Para mais, a escrita tem momentos de extrema beleza, em que o autor tece considerações ligeiras - mas importantes - sobre a vida e sobre emoções e sentimentos.
Gostei imenso e mal posso esperar por ler outros livros do autor.
By : ladyxzeus
Antologia Poética de Antero de Quental
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Antologia Poética de Antero de Quental
Antero de Quental
Século XIX
Poesia
Comprei este livro na Feira do Livro, pois estava barato e sentia falta de poesia nas minhas prateleiras. Enfim, tudo indica que poderia ter escolhido melhor poesia.
Antero de Quental foi um jovem Açoreano que escrevia versús muito vunitos sobre coisas muito vunitas, nomeadamente Jesus, a espada em chama de Jesus, a águia de Jesus e coisas vunitas que Jesus fez. Enfim, é um tipo de poesia carregadíssima com esta misticidade cristã. Embora esta tenha uma certa graça quando bem utilizada, no caso de Antero de Quental podemos discernir que estão aqui os primórdios, as origens!, dessa coisa maravilhosa que é o azeite.
Se existe poesia azeiteira, Antero de Quental é o rei.
Não gostei de quase poema nenhum, mas ainda assim transcrevo para aqui um dos dois ou três que até achei interessantes:
... LUX DUBIA
Verg.
Visões! Visões longínquas!
Ondas do céu - tão puras...
nuvens do mar - tão brandas...
e, em tudo... formosuras!
Coisas incertas, vagas,
que a gente vê passar
pelo-crepúsc'lo à tarde,
e erguer-se com o luar...
E mal se sabe ao certo
se estão, se andam girando,
ou se é o olhar turbado
que as foi alevantando...
Astro, que está crescendo,
imenso, desusado,
e se acha ser escuro
apenas é fitado...
Relâmpago, que o olho
mal sabe inda se viu
e, já nesse horizonte,
ao longe se sumiu...
Imagens fugidias,
que à noite andam girando
e entre a vigília e o sono,
no leito, visitando...
Véus de cambraia e renda
flutuansdo ao longe, ao longe...
nota socmo sumidas
no canto de algum monge...
Que neste céu vaguíssimo
tomassem corpo, enfim...
saudades misteriosas
que a gente vê assim.
Nem bem ao certo sabe,
se as vê ou se é que as sente,
ou só com, olhos de alma
apenas as pressente.
Aparições fantásticas
que muito além da vida
nos levam, em hora estranha,
a alma adormecida!
Oh! quem soubera, espíritos,
donde assim baixais!
se sois talvez a imagem
- no céu - de nossos ais!
Se sois apenas sonho
que a mente nos criou....
ou alma irmã da nossa
que sobre nos pairou...
Ou ser que anda vestido
dos raios do luar
e para a vaga altura
nos vem a convidar...
Não é deserto o espaço,
o céu não é deserto
e então - quem sabe? - às vezes
se possam ver mais perto.
Essas essências puras
que além da esfera habitam,
onde se escuta a música
dos astros, que palpitam
Pois são talvez espíritos
e vêem donde vens,
alma! vê tu se podes
falar-lhes - tu que tens.
Em ti, inda um reflexo,
como tremente lua,
dessa penumbra incerta
- mas doce - onde flutua
A essência, e onde enlaçados
vão, como a adormecer,
banhados no infinito -
- juntos - a causa e o ser.
Vendo bem a coisa, até este poema é um pouco foleiro. O que havemos de fazer? :p
By : ladyxzeus
Message to Adolf
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Message to Adolf
Osamu Tezuka
Manga - 36 Capítulos/5 Volumes
1983
8 em 10
Este manga fala sobre três homens que partilham o mesmo nome: Adolf. Um deles é por nós todos conhecido como aquele que instigou uma das maiores guerras da humanidade e como criminoso principal do holocausto que nos flagelou a meio do século passado. Os outros dois... Bem, teremos de ler para o saber.
Tudo começa nos jogos olímpicos de Berlim. Sohei Toge é um jornalista Japonês encarregado de fazer uma grande reportagem acerca das derrotas e vitórias desportivas. No entanto, tudo muda quando recebe mensagem do seu irmão pedindo que vá buscar uns documentos. Este irmão é um activista comunista e os documentos tornam-se no elemento central da narrativa policial em que este manga se baseia. São a prova escrita de que Adolf Hitler, que odeia os judeus, tem em si - afinal - sangue judeu. Preservar, encontrar, esconder e evitar que estes documentos caiam nas mãos erradas (enquanto os tentamos passar para as mãos certas) é o mote que Tezuka nos dá para uma diferente perspectiva da segunda guerra mundial.
Participantes nesta história são também Adolf Kamil e Adolf Kaufman, personagens fictícias que têm um papel muito importante na caracterização da realidade de ambos os campos desta guerra impossível. Kamil é um judeu residente em Kobe, no Japão. Kaufman é o seu melhor amigo, mas após a morte do pai é enviado para a Alemanha para fazer parte da Juventude Hitleriana. A relação entre os dois é um elo muito importante para acompanharmos não só a narrativa policial como também a própria história da guerra.
Esta está contada de forma directa e simples. Os horrores da guerra são expressos de forma evidente, por vezes gráfica mas nunca vulgar. Através deste conjunto de personagens, ficamos a saber todas as perspectivas, e nenhuma delas é agradável. Assistimos à execução sumária de judeus, assistimos aos bombardeamentos no Japão e assistimos a todas as consequências que tudo isto traz, não apenas para os nossos personagens mas para toda a história da humanidade. Afinal, temos um relance da vida na guerra do Médio Oriente pouco depois.
O que é mais impressionante neste manga é a caracterização das personagens. Todas elas, todos os Adolf, começam com uma aura de inocência, em que as suas acções aparentam ter um lado positivo por mais que sejam horripilantes. Mas, a pouco e pouco, há uma degradação emocional e mental dos personagens, que os leva a ter atitudes cada vez mais desregradas e, usando palavras do próprio manga, "lunáticas". Gostei especialmente da caracterização de Hitler, que aparece como um louco assombrado por uma eterna solidão.
A arte é, simplesmente, espantosa. Existem cenas grandiosas, com um detalhe profundo e uma utilização de texturas excelente (especialmente tendo em conta que não são utilizados screentones). O design dos personagens é realista, sendo que não temos um excesso de pessoas extremamente bonitas. Por vezes os designs podem parecer um pouco caricaturais, mas isso apenas contribui para o realismo de toda a história. Nos momentos de guerra, especialmente no respeitante aos bombardeamentos, há excelente utilização de luz, trazendo toda uma matiz de cor a estes elementos.
Assim, este manga apresenta-se como uma das últimas obras do mestre Osamu Tezuka, mas também um trabalho fundamental para a caracterização do autor enquanto pacifista, um homem que lutou constantemente para que o horror da guerra não fosse esquecido da melhor maneira que sabia: contar histórias. É uma leitura emocionante, viciante, que não posso deixar de recomendar fortemente.
By : ladyxzeus
